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MODERNA GRAMTICA Portuguesa         COMPANhIA EDITORA NACIONAl # NDICE
INTRODUO     Que  uma lNgua, ?         A lngua.  um fenmeno
cultural .         Modalidades de uma lngua: lngua falada e lngua
escrita ...........         Lngua geral e lngua regional
Objeto da Gramtica     Diviso da Gramtica     Partes da Gramtica
Objeto da Estilstica     FONTICA E FONMICA     A) Produo dos
fonemas e sua classificao     1 - Fontica descritiva
Fonemas........................................................
Fonemas no so letras     Fontica e fonmica. ...     Aparelho fonador
..............................................     Como se produzem os
fonemas ..........................     Fonemas surdos e sonoros
...............................     Vogais e consoantes
Classificao das vogais     Elevao da lngua: quinto critrio para a
classificao das vogais 35      ~-is Encontros voclicos: ditongos,
tritongos, hiatos     36      Classificao das consoantes      En~ontro
consonantal      Diirfo      Letra diacrtica     Apndice:
Encontros de fonemas que produzem efeito desagradvel ao       ouvido:
coliso, eco, hiato, cacofonia ........................          B)
Ortoepia .................I         Vogais
...............................................................
Consoantes ...........................................................
Ligao dos vocbulos...................................................
........ ...         C) Prosdia         Prosdia ...     Slaba .....
Quantidade     Acentuao     Acento de intensidade ...     Posio do
acento tnico     Acento de intensidade e sentido do vocbulo
..........................     Acento principal e acento secundrio
.................................      Acento de insistncia e emocional
1     Acento de intensidade na frase ...................................
...     Vocbulos tnito'~e tonos: os clticos
................................     Conseqncias da prclise
............................................     Vocbulos que oferecem
dvidas quanto  posio da slaba tnica . . .     Vocbulos que
admitem dupla prosdia ..............................         D)
Ortografia         o alfabeto ..........................................
................     K, w, Y ...........................................
.................     H ................................................
...................     Consoantes mudas          se ........... Letras
dobradas ......................................................
Vogais nasais ...............     Ditongos ......     Hiatos ........
Parnimos e vocbulos de grafia. dupla ..............................
Nomes prprios     Apstrofo .....     Hfen ..........     Diviso
silbica     Emprego das iniciais maisculas
......................................     Sinais de pontuao
Regras de acentuao     Acento diferencial .. -     11               -
MORFOLOGIA          A) Classes de vocbulos      1 - Substantivo
Concretos e abstratos      Prp)rios e comuns ..      2 - Adjetivo
Adjetivo .............................88      Adjetivo explicativo e
restritivo ....88      Substantivao do adjetivo ...........88
Flexes   do........................adjetivo   ........... em de nomes
prprios a comuns 74     Substantivo coletivo . , .............
Formao do plural do substantivo     Gnero do substantivo
................      Grau..............................................
................ . ............. 3 - Artigo      Artigo
...............................94      Espcies de artigo          4 -
Pronome          Classificao dos pronomes      Pronomes pessoais
Pronomes possessivos      Pronomes demonstrativos      Pronomes
indefinidos      Pronomes interrogativos      Pronomes relativos
5 - Numeral          Numeral      Espcies de numeral          6 - Verbo
Verbo ...... Pessoas do verbo     Tempos do verbo     Modos do verbo
Vozes do verbo     Voz passiva e passividade     Formas nominais do
verbo     Conjugar um verbo     Verbos regulares, irregulares e anmalos
Verbos defectivos e abundantes ..     Locuo verbal: verbos auxiliares
Auxiliares causativos e sensitivos     Elementos estruturais do verbo:
os sufixos e desinncias verbais     Tempos primitivos e derivados ..
A slaba tMica dos verbos: formas rizotnicas e arrizotnicas ....
Alterrincia voclica ou metafonia.     Verbos notveis quanto 
pronncia ou flexo ..................     Variaes grficas na
conjugao ...............................     Erros freqentes na
conjugao de alguns verbos ................     Paradigma dos verbos
regulares .................................     Conjugao de verbos
auxiliares comuns ........................      Conjugao composta
...............134      Conjugao do verbo pr
....................................... 136      Conjugao de um verbo
composto na voz passiva: ser amado  138      Conjugao de um verbo na
voz reflexiva: apiedar-se   139     Conjugao de um verbo com pronome
oblquo tono: tipo p-lo 142      Conjugao dos verbos irregulares
.144     1a conjugao .................................................
2.a conjugao .................................................     3.a
conjugao .................................................         7 -
Advrbio e os denotativos         Advrbio ..........................
Locuo adverbial ................     Circunstncias adverbiais
..........     Os vocbulos denotativos .........     Advrbios de base
nominal e pronominal ..................     Gradao dos advrbios
8 - Preposio       Preposio ........................................
..............       Locuo prepositiva ......       Acmulo de
preposies ..................       Combinao e contrao de
preposio com outras palavras .....       A preposio e sua posio
....................................       Principais preposies e
locues prepositivas ..................         9 - Conjuno
Conjuno ..................... Tipos de conjuno
............................................        Locuo conjuntiva
............ Conjunes coordenativas ..................................
.....       Conjunes subordinativas ..................................
....       Que excessivo ...............................................
...       Conjunes e expresses enfticas
............................... # 10 - Interjeio       Interjeio
Locuo interjetiva .         B) 1 - Estrutura dos vocbulos
Vocbulo e morfema. ....................................     os
elementos mrficos     Radical ....     Desinncias nominais e verbais
......................................     Tema e vogal temtica
..............................................     Afixos: prefixos e
sufixos ....     Vogais e consoantes de ligao     justaposio
................     Aglutinao ...     Conceito de raiz ou radical
primrio .................................     Palavras cognatas ......
Constituintes imediatos .     Variantes dos elementos mrficos .....
Neutralizao nos elementos mrficos     Subtrao nos elementos
mrficos ....     Acumulao nos elementos mrficos; ...     Fuso nos
elementos mrficos .........     Suplementao nos elementos mrficos
A intensidade, a quantidade e o timbre e os elementos mrficos ......
2 - Formao de palavras     Palavras indivisveis e divisveis
......................................     Palavras divisveis simples e
compostas .     Processos principais de formao de palavras: composio
e derivao     Derivao ..............................................
.......      sufixos ............................ ..     Prefixos
...............................................................
Correspondncia entre prefixos e elementos latinos e gregos
Derivao parassinttica ..............................................
Outros processos de formao de palavras: formao regressiva,
abreviaOo,       reduplicao e converso ....     Hibridismo
............................................................
Radicais gregos mais usados em portugus ...........................
Famlias etimolgicas de radical latino ...............................
III - SINTAXE          A) Noes gerais      Que  orao
.........................194      Entoao oracional
...................194      A importncia da situao e do contexto
196          Constituio das oraes             . Estruturao
sinttica: objeto da sintaxe .............     A orao na lngua falada
e na lngua escrita ........     Sintaxe e estilo: necessidade sinttica
e possibilidade estilstica ........     Tipos de orao
.....................................................     B) O perodo
simples ...............................................         C)
Ncleo         1 - Termos essenciais da orao       Sujeito
.........................................................
Predicado .......................................................
Omisso do sujeito ou do predicado ............................
Sujeito indeterminado .........       Oraes sem sujeito .........
Os principais verbos impessoais .................................
- Tipos de predicado: verbal, nominal e verbo-nominal      Predicativo
.....................................................      Verbos de
ligao ...............................................         3 -
Constituio do predicado verbal       Verbo intransitivo
..............................................       Verbo transitivo
................................................       Espcie de
complementos verbais ................................       Sentidos do
objeto direto ......................................       Sentidos do
objeto indireto .....................................       A preposio
como posvrbio ..................................       Objeto direto
preposicionado ....................................       Objeto direto
interno ..........................................       Concorrncia de
complementis diferentes ........................         4 -
Complementos nominais       a) Substantivos
..................................................       b) Adjetivos
....................................................         5 -
Adjunto: seus tipos .....................       Adjunto adnominal
.....................       Adjunto adverbial , .....................
Advrbios de base nominal ou pronominal     212          6 - Agente da
passiva                *         7 - Aposto: seus tipos       Aposto
..........................................................       Aposto
em referncia a uma orao inteira ......................       Aposto
circunstancial ............................................         8 -
Vocativo .......................................................
D) O perodo composto         1 - Oraes independentes e dependentes
Orao independente ............................................
Orao dependente ..............................................
2 - Orao principal ...............................................
Mais de uma orao principal ....       Orao principal no  a 1.a
orao .............................       Orao principal nem sempre 
a do sentido principal .............       Tipos de oraes
independentes: coordenadas e intercaladas       As oraes dependentes
so subordinadas ........       Coordenao
....................................................       Subordinao
...................................................       Classificao
das oraes quanto  ligao entre si ...............         3 -
Interrogao direta e indireta ....         oraes coordenadas
conectivas ......         5 ~ Oraes intercaladas
............................................         6 - Oraes
subordinadas           Substantivas: Funes sintticas exercidas pelas
substantivas .......       Caractersticas das oraes substantivas
.....       Adjetivas: Funo sinttica exercida pelas adjetivas
.............       Adjetivas restritivas e explicativas
...............................       Outros sentidos das oraes
adjetivas ............................       Adverbiais: Funo
sinttica exercida pelas adverbiais .............         7 - Oraes
reduzidas           Que  orao reduzida
..........................................       Oraes reduzidas
independentes .................................       Oraes reduzidas
dependenter         a) Substantivas ..............         b) Adjetivas
., ..............         c) Adverbiais ................         Oraes
reduzidas fixas ...........         Oraes reduzidas do tipo: Deixei-o
entrar ....................         Quando o infinitivo no constitui
orao reduzida ............         Quando o gerndio e o particpio
no constituem orao reduzida           APNDICE:
Particularidades de estruturao sinttica oracional ...........
E) Sintaxe de classes de ~as         1 - Emprego do artigo       Emprego
do artigo definido       Emprego do artigo indefinido       Artigo
partitivo, .................................................         2 -
Emprego do pronome       Pronome pessoal: empregos e particularidades
..........       Ele como objeto direto ................................
.       Fun" e empregos do pronome se .....................
Combinao de pronomes tonos ........................       Funo do
pronome tono em Dou-me ao trabalho ......       Pronome possessivo: seu
e dele para evitar confuso ...............       Posio do pronome
possessivo ......       Possessivo para indicar aproximao ..
Valores afetivos do possessivo ........       Emprego do pessoal pelo
possessivo       Possessivo expresso por uma locuo       Possessivo em
referncia a um possuidor de sentido indefinido ......       Repetio
do possessivo ...       Substituio do possessivo pelo artigo definido
..................       Possessivo e as expresses de tratamento do
tipo: Vossa Excelncia . .       Pronome demonstrativo
.........................................       Demonstrativos referidos
 noo de espao ......................       Demonstrativos referidos
 noo de tempo ......................       Demonstrativos referidos a
nossas prprias palavras ...............       Reforos de
demonstrativos ......................................       Outros
demonstrativos e seus empregos ...................       Posio dos
demonstrativos ..............................       Pronome indefinido:
empregos e particularidades ....       Pronome relativo: empregos e
particularidades ........         3 - Emprego.do, verbo       Emprego de
tempos e modos:       Indicativo, ......................................
.       Subjuntivo .....................................................
.        Imperativo .: -.* --- * *       Emprego das formas nominais
....       Emprego do infinitivo (flexionado e sem flexo)
.................       APNDICE:         Passagem da voz ativa para
passiva e vice-versa         4 - Emprego de preposies       1) . A
...........................................................
Emprego do  acentuado (crase)     2) At     3) Com     4) Contra
5) De ...     6) Em ...     7) Entre ........     8) Para ........
9) Por (e per) .         9 - r-ordincia         Concordncia:
consideraes         rais     295         Concordncia nominal:
A - Concordncia de vocbulo para vocbulo  296      B - Concordncia de
vocbulo para sentido   298      C - Outros casos de concordncia:
1) um e outro, nem um nem outro      2) mesmo, prprio, s      3) leso
. .      4) anexo     5) meio     6) possvel
.......................................      7) a olhos vistos      8) 
necessdrio pacincia      9) alguma coisa boa ou alguma coisa de bom
10) um pouco de luz e uma pouca de luz      11) Concordncia do pronome
12) Ns por eu, vs por tu      131 Alternncia entre adietivo e
advrbio         14) Particpios que passaram a preposio e advrbio
15) Concordncia com numeral ......................
Concordincia. verbal:         A - Concordncia de vocbulo para vocbulo
B ~ Concordncia de vocbulo para sentido     C - Outros casos de
concordncia: #     1) com pronomes pessoais
.............................     2) sujeito ligado por srie aditiva
enftica     3) sujeito ligado por com     4) sujeito ligado por nem
5) sujeito ligado por ou     6) a maioria dos homens         11)
pronomes relativos .................................     12) verbos
impessoais ..................     13) dar aplicado a horas .............
14) alugam-se casas ....................     15) concordncia na locuo
verbal .....................     16) no... senio
......................     17) concordncia com ttulos no plural
.................     18) concordncia no aposto
.............................         6 - Regncia
.................................         1 ) Isto  para eu fazer
...........................................     2) pedir Para
...................................................     3) Est na hora
da ona beber gua ..............................     4) Migraes de
preposies ......................................     5) Complementos
de termos de regncias diferentes ..............     6) Emprego de
relativos precedidos de preposio ................     7) Relao de
regncias de alguns verbos e nomes ...............         7 -
Colocao: ordem direta e inversa ............................
Colocao dos termos na orao e das oraes no perodo ........
Colocao de pronomes tonos ....................................
Explicao da colocao dos pronomes tonos no Brasil ...........
APNDICE:         I -         Figuras de sintaxe     1) Elipse     2)
Pleonasmo, ...................................................     3)
Anacoluto ....................................................     4)
Antecipao ..................................................     5)
Braquilogia ...................................................     6)
Haplologia sinttica ...........................................     7)
Contaminao sinttica ........................................     8)
Expresso expletiva ou de realce ..............................
Vcios e anomalias de linguagem ................................
1) Solecismo ....................................................     2)
Barbarismo ..................................................
Idiotismo ........................................................
IV - PONTUAO          Ponto de exclamao .......*     Reticncias
..........................................................     Aspas
......................     Travesso ...................     Vrgula
.....................     Ponto e vrgula ............     Ponto
.................................     Ponto pargrafo
.....................................................     Asterisco
...........................................     Alnea
.............................................         V              -
SEMANTICA         Semntica ............................................
.......     Espcies de alterao semntica
..............................     Pequena nomenclatura de outros
aspectos semnticos ........         VI - NOES ELEMENTARES DE
ESTILSTICA         A nova Estilstica ..........................
Estilstica e Retrica .....................     Anlise literria e
anlise estilstica .......     Traos estilsticos .......     Trao
estilstico e erro gramatical ..................................
Campo da Estilstica                . VII - NOES ELEMENTARES DE
VERSIFICAO          Poesia e prosa      Enjambement      Versificao
regular erregular      Ritmo potico      1) Nmero fixo de slabas:
Como se contam as slabas de um verso 353      Versos agudos, graves e
esdrxulos ...353      Fenmenos correntes na leitura dos versos:
sinrese, direse, eliso,      crase e ectlipse      o ritmo e a
pontuao do verso      Expedientes mais raros na contagem (Ias slabas
2) Nmero fixo de slabas e pausas          Versos de uma a doze slabas
..........................         3)
Rima: perfeita e imperfeita ...........................      Rimas
consoantes e toantes ............................      Disposio das
rimas ..............................................         4)
Aliterao ...     5) Encadeamento     6) Paralelismo     7) Estrofao
8) Verso livre     9) Recitao .............................
Exemplos de anlise estilstica ............     1) Um soneto de Antnio
Nobre ...........     2) Um soneto de Machado de Assis .........
APNDICE         Prefcio            AO ESCREVER ESTA Moderna Gramtica
Portuguesa foi nosso intuito     i  . levar ao magistrio brasileiro num
compndio escolar escrito em estilo        simples, o resultado dos
progressos que os modernos estudos de linguagem        alcanaram,no
estrangeiro e em nosso pas. No se rompe de vez com        uma tradio
secular: isto explica por que esta Moderna Gramtica traz        uma
disposio da matria mais ou menos conforme o modelo clssico        A
nossa preocupao no residiu a mas na doutrina. Encontraro os
colegas de magistrio, os alunos e quantos se interessam pelo ensino e
aprendizado do idioma um tratamento novo para muitos assuntos im r-
tantes que no poderiam continuar a ser encarados pelos prismas por que
a tradio os apresentava. Com a humildade necessria a tais empresas,
sabemos que as pessoas competentes podero facilmente verificar que
fizemos uma reviso em quase todos os assuntos de que se compe este
livro, e muitos dos quais encontraram aqui um desenvolvimento ainda
no conhecido em trabalho congnere. Por outro lado, a esta altura do
progresso que a matria tem tido, no poderamos escrever esta Moderna
Gramtica sem umas noes, ainda que breves, sobre fonmica e
estilstica.        Isto nos permitiu, na ltima, tratar da anlise
literria, que entre ns        passa s vezes confundida com anlise
estilstica ressaltamos os objetivos        desta e convidamos os nossos
colegas de disciplina a que dela se sirvam        num dos escopos
supremos de sua misso: educar o sentimento esttico        do,aluno Na
arte relativa  estruturao dos vocbulos e sua formao,
pretendemos trazer para a gramtica portuguesa os excelentes estudos
que a lingstica americana tem feito sobre to im. rtante ca tulo
Seguimos a Nomenclatura Gramatical Brasileira. Os termos que aqui se
encontrarem e l faltam no se explicaro por discordncia ou desres
peito;  que a NGB no tratou de todos os assuntos aqui ventilados. #
A orientao cientfica por que se norteia esta nossa Moderna Gra-
mtica no seria possvel sem a lio dos mestres (seria ocioso
cit-los)     que, dentro e fora do Brasil, tanto tm feito pelo
desenvolvimento da     disciplina. Devemos-lhes o que de melhor os
leitores encontrarem neste     livro, e a eles, em cada citao,
prestamos sincera homenagem. Elegemos,     entre eles, um dos mais
ilustres para dedicar-lhe o nosso trabalho de hoje,     aquele que para
ns nos  to caro pelo muito que contribuiu para nossa     formao
lingstica: M. Said Ali. No ano em que seus discpulos e
admiradores comemoram o 1.o centenrio de seu nascimento, no pode-
ramos deixar de levar ao mestre e amigo o testemunho de nossa profunda
amizade e gratido.     INTRODUO         Que  uma lngua
Entende-se por lngua ou idioma o sistema de smbolos vocais arbi-
trrios com que um grupo social se entende.       Uma lngua pode ser
instrumento particular de um povo nico, como     acontece com o chins,
o romeno, ou comum a mais de uma nao. Este      o caso do portugus,
que serve a Portugal, ao Brasil e colnias ultrama-     rinas lusas.
Este fato se explica historicamente pelos captulos de expanso e
colonizao dos povos. Falamos o portugus como lngua oficial porque,
ao lado de outras instituies culturais, os portugueses no-la deixaram
como trao da civilizao que aqui fundaram depois de 1500.         A
lngua  um jen&n~ cultural           A lngua no existe em si mesma:
fora do homem  uma abstrao,     e no homem  o resultado de um
patrimnio cultural que a sociedade a     que pertence lhe transmite. "
evidente - ensina-nos Sapir - que, at     certo ponto, o indivduo
humapO est predestinado a falar, mas em vir-     tude da circunstncia
de no ter nascido meramente na natureza, e sim     no regao de uma
sociedade, cujo escopo racional  cham-lo para as     suas tradies"
(1).         Modalidades de uma lngua         Uma lngua de civilizao
apresenta as seguintes modalidades:           a) lngua falada:
instrumento de comunicao cotidiana, que, sem     preocupao
artstica, tem a seu dispor os mltiplos recursos lingsticos
(1) E. SAPiR, A Linguagem (trad. brasileira de J. MATOSO CAMARA jr.).
17-18.         23 #         da entoao e extralingsticos da mmica,
englobados na "situao" em     que se acham falante e ouvinte;
b) lngua escrita: instrumento de comunicao menos freqente em     que
o escritor tem de suprir os recursos que esto  disposio da lngua
falada. Foge, por isso, muitas vezes s expresses comuns da linguagem
ordinria para fins estticos e expressivos. Na lngua escrita a
"situao"     tem de ser criada atravs da ordenao especial das
idias. "Isto  o que,     segundo Bally, d  lngua escrita sua
fisionomia particular: e assim se     explica por que no  e por que
no ser jamais idntica  lngua falada.     Pode-se dela aproximar,
pode copi-la, porm essa cpia  sempre uma     transposio ou uma
deformao. Sentidos particulares dados a vocbulos     vagos, criao
de vocbulos novos, conservao de outros que esto a ponto     de
morrer, ressurreio de vocbulos j h muito tempo fora de circulao,
fenmenos semelhantes no tratamento da sintaxe e da construo das ora-
es, etc., etc... Exagerando um pouco, poder-se-ia dizer que a lngua
es-     crita  "acrnica": longe de dar uma idia do estado
contemporneo de um     idioma, combina, num amlgama, um pouco
heterdito, os diversos est-     gios por que passou o idioma"(').
Os escritores modernos - uns com certo exagero - tm procurado
diminuir a distncia entre a lngua falada e a escrita.       O ponto
culminante deste afastamento  a lngua literria, que      um aspecto
da lngua escrita, mas que com esta no se confunde.  o     instrumento
de que se utilizam os escritores nas suas obras; exige um     cultivo
especial e um ideal superior de expresso, alm de estar sujeita     aos
preceitos das modas dominantes.       Falar com termos da lngua
escrita, mormente do seu aspecto lite-     rrio, no trato normal de
todos os dias, provoca um defeito de adequao     lingstica a que se-
d o nome de preciosismo.         Lngua geral e lngua regional
A lngua espalhada por grande extenso de terra pode apresentar par-
ticularidades cujo conjunto caracteriza a lngua regional, e os traos
lin-     gsticos que a ocorrem recebem o nome de regionalismos.
Objeto da Gramtica           Mas dentro da diversidade das lnguas ou
falares regionais se sobrepe     um uso comum a toda a rea geogrfica,
fixada pela escola e utilizada     pelas pessoas cultas:  isto o que
constitui a lngua geral, lngua padro     ou oficial do pas.
(1) Ch. BALLY, Le Langage et la Vie, 112.         24 #          r-
a     o           Cabe  Gramtica registrar os fatos da lngua geral ou
padro, esta-     belecendo os preceitos de como se fala e escreve bem
ou de como se pode     falar e escrever bem uma lngua.       Da ser a
Gramtica, ao mesmo tempo, uma cincia e uma arte.       Assim sendo, o
gramtico no  um legislador do idioma nem tam-     pouco o tirano que
defende uma imutabilidade- do sistema expressivo.     Cabe-lhe ordenar
os fatos lingsticos da lngua padro na sua poca, para     servirem
s pessoas que comeam a aprender o idioma tambm na sua     poca.
Diviso da Gramatica           A Gramtica pode estudar: a) uma poca
determinada, b) uma     seqncia de fases evolutivas de um idioma ou c)
de vrios idiomas.       A que interessa mais de perto  comunidade
social, pela sua utili-     zao imediata de cdigo de bem falar,  a
que estuda apenas a fase con-     tempornea do idioma, por isso chamada
gramtica expositiva, normativa     ou to-somente grmatica.       A
Gramtica que se preocupa com os aspectos b) e c) formam o     que
chamamos, respectivamente, Gramtica Histrica e Gramtica Com-
parada, e divergem da Gramtica anterior porque so apenas obra de
cincia.         Partes da Gramatica         A Gramtica estuda:
a) os sons da fala: Fontica e Fonmica     b) as formas: Morfologia
c) as construes: Sintaxe     d) os sentidos e suas alteraes:
Semdntica(l).         Objeto da Estilstica           Estilstica  um
campo novo dos estudos de linguagem que procura     investigar o sistema
expressivo que o idioma pe a servio do falante e     sua eficincia
esttica.       Todos estes ramos do estudo e da pesquisa dos fatos da
linguagem     fazem parte de uma disciplina maior conhecida pelo nome de
Cincia     da Linguagem ou Lingstica.         (1) A Nomenclatura
oficial pe de lado a Fonmica, a SemMica e a.Esfilstica.         25 #
#         1 - Fonetica e fonmica         , A) Produo dos fonemas e
sua classificao         I -         F   TICA DESCRI IVA
Fonemas. - Chamam-se fonemas os sons elementares e distintivos     que o
homem produz quando, pela voz, exprime seus pensamentos e
emoes.           Fonemas no so letras. - Desde logo uma distino se
impe: no     se h de confundir fonema com letra. Fonema  uma
realidade acstica,     realidade que nosso ouvido registra; enquanto
letra  o sinal empregado     para representar na escrita o sistema
sonoro de uma lngua. No h     identidade perfeita, muitas vezes,
entre os fonemas e a maneira de repre-     sent-los na escrita, o que
nos leva facilmente a perceber a impossibilidade     de uma ortografia
ideal. Temos, como veremos mais adiante, sete vogais     orais tnicas,
mas apenas cinco smbolos grficos (letras): a, e i, o, u.     Quando
queremos distinguir um e tnico aberto de um e tnico fechado     - pois
so dois fonemas distintos - geralmente utilizamos sinais subsidi-
rios: o acento agudo (f) ou o circunflexo (v). H letras que se escre-
vem, por vrias razes, mas que no se pronunciam, e portanto no repre-
sentam a vestimenta grfica do fonema;  o caso do h em homem ou oh !
Por outro lado, h fonemas que se ouvem e que no se acham registrados
na escrita; assim, no final de cantavam, ouvimos um ditongo em -am cuja
semivogal no vem assinalada /cantvw/. A escrita, graas ao seu
conven-     cionalismo tradicional, nem sempre espelha a evoluo
fontica. Neste     livro, diferenamos a letra do fonema, pondo este
entre barras; dessarte         indicaremos o e aberto e e fechado da
seguinte maneira: //, //.           Fontica e Fonmica. - Na
atividade lingstica, o importante para     os falantes  o som, e no
a srie de movimentos articulatrios que o     determina. Assim sendo,
enquanto a anlise fontica se preocupa to- #         somente com a
articulao, a fonmica atenta apenas para o SOM que,     reunindo um
feixe de traos que o distingue de outro som, permite a     comunicao
lingstica. A fontica pode reconhecer, e realmente o faz,     diversas
realizaes para o 1t1 da srie ta-te-ti-to-tu; a fonmica no leva
em conta as variaes (que se chamam alofones), porque delas no tomam
conhecimento os falantes de lngua portuguesa. Um fonema admite uma
gama variada de realizaes fonticas que vai at a conservao da inte-
gridade do vocbulo: quando isto no ocorre, diz-se que houve mudana
de fonema. O /1/ admite vrias realizaes no Brasil, de norte a sul
(e estas variantes no interessam  analise fonmica, que deveria ter
primazia em nosso estudo de lngua); mas haver mudana de fonernas
quando se no puder fazer a oposio mal/mau. Como bem ensina Matoso
Cmara, "o fonema, entendido como um feixe de traos distintivos, indi-
vidualiza-se e ganha realidade gramatical pelo seu contraste com outros
feixe~ em idnticos ambientes fonticos. No , pois, a diferena
articula-     tria e acstica que distingue primariamente dois fonemas,
seno a possi-     bilidade de determinarem significaes distintas numa
mesma situao     fontica. Compreende-se assim que um mesmo fonema
possa~variar ampla-     mente na sua realizao, conforme o ambiente
fontico ou as peculiari-     dades do sujeito falante" (1).
Fonmica no se ope a fontica: a primeira estuda o nmero de
oposies utilizadas e suas relaes mtuas, enquanto a fontica experi-
mental determina a natureza fsica e fisiolgica das distines
observadas(2).           Aparelho fonador. - Ns no temos um aparelho
especial para a     fala; produzimos os fonemas servindo-nos de rgos
do aparelho respira-     trio e da parte superior do aparelho
digestivo. A esses rgos da fala,     constitutivos do aparelho
fonador, pertencem, alm de msculos e nervos:     os brnquios, a
traquia, a laringe (com as cordas vocais), a faringe, as     fossas
nasais e a boca com a lngua (dividida em pice, dorso e raiz), as
bochechas o palato duro (ou cu da boca), o palato mole (ou vu
palatino) com a vula ou campainha, os dentes (mormente os anteriores)
com os alvolos, e os lbios.           Em portugus, como na maioria
dos idiomas, os fonemas so produzi-     dos graas  modificao que
esses rgos da fala impem  corrente de     ar que sai dos pulmes.
Lnguas h, entretanto, que se servem da corrente     inspiratria
(entrando o ar nos pulmes) para produzir fonemas, que     so
conhecidos pelo nome de cliques. Produzimos cliques quando fazemos
os movimentos bucais, acompanhados da suco de ar na boca para o
beijo, o muxoxo e certos estalidos como o que serve para animar a cami-
nhada dos cavalos, mas no os utilizamos como sons da fala em portugus.
(1) Para o Estudo da Fonmica Portuguesa, 44-45.     (2) B. MALMBERG, La
Phontique, 116.         28         P-1 #         APARELHO FONADOR
DENTES Irl         CARNE DA     LARINGE         CORDAS         VOCAIS
_M_     AD         ---FOSSAS NASAIS         POSIO NORMAL     POSIO
PARA 1,9     NASAIS   e         --- EPIGLOTE           Como se produzem
os fonemas. - A corrente de ar que vem dos     pulmes passa pela
traquia e chega  sua parte superior que se chama     laringe,
conhecida vulgarmente como pomo-de-ado. Na laringe se acham,
horizontalmente, duas membranas mucosas elsticas,  maneira de lbios:
as cordas vocais, por cujo estreito intervalo, denominado glote, a
corrente     de ar tem de passar para ganhar a faringe, e da ou
totalmente pela boca     (fonemas orais), ou parte pela boca e parte
pelas fossas nasais (fonemas     nasais), chegar  atmosfera.  esta
corrente expiratria que, modificada     pelos rgos da fala, 
responsvel pela produo dos fonemas.           Fonemas surdos e
sonoros. - Quando a corrente de ar se dirige      glote, esta pode
encontrar-se aberta, fechada ou quase fechada. No pri-     meiro caso, a
corrente de ar passa livremente, sem provocar a vibrao     das cordas
vocais. O fonema que, nestas circunstncias, se produz  cha-     mado
surdo: /s/, /f/, /x/, /t/ /k/, etc. Se a glote est fechada ou quase
fechada, a corrente de ar, ao forar a passagem, provoca a vibrao das
cordas vocais, produzindo os fonemas sonoros. So sonoras todas as
vogais     e certas consoantes como IzI, /v/, /j/, /d/, /g/, etc.
Em muitos casos podemos perceber a vibrao das cordas vocais,     pondo
de leve a ponta do dedo no porno-de-ado e proferindo um fonema
sonoro, como /z/, /v/, /j/, tendo o cuidado de no acompanh-lo de
29 #         vogal. Sentimos nitidamente um tremular que denota a
vibrao das                                              C(     cordas
vocais. Se proferimos um fonema surdo, como /s/, /f/, /x/, om o
cuidado apontado acima, no sentimos o tremular. Podemos ainda repetir
a experincia tapando os ouvidos. S com os fonemas sonoros ouvimos
um zumbido caracterstico da vibrao das cordas vocais.
Vogais e consoantes. - A voz humana se compe de tons (sons
musicais) e rudos, que o nosso ouvido distingue com perfeio. Caracte-
rizam-se os tons, quanto s condies acsticas, por suas vibraes
peri-     dicas. Esta diviso corresponde, em suas linhas gerais, s
vogais (= tons)     e s consoantes (= rudos). As consoantes podem ser
rudos puros, isto     , sem vibraes regulares (correspondem. s
consoantes surdas), ou rudos     combinados com um tom laringeo
(consoantes sonoras)(').       Quanto s condies fisiolgicas de
produo, as vogais so fonemas     durante cuja articulao a cavidade
bucal se acha completamente livre     para a passagem do ar. As
consoantes so fonemas durante cuja produo     a cavidade bucal est
total ou parcialmente fechada, constituindo, assim,     num ponto
qualquer, um obstculo  salda da corrente expiratria.
OBSERVAO: S por suas condies acsticas e fisiolgicas de produo 
que se     distinguem as vogais das consoantes. Por imitao dos gregos,
os antigos gramticos de-     finiam a vogal pela sua funo na slaba:
elemento necessrio e suficiente para formar     uma slaba. E da
chegavam  conceituao deficiente de consoante: fonema sem exis-
tncia independente, que s se profere com uma vogal. Sabemos de idiomas
em que h     slabas constitudas apenas de consoantes e em que uma
consoante pode fazer as vezes     de vogal(2).       Na lngua
portuguesa a base da silaba ou o elemento siliibico  a vogal; os
elementos     assiliibicos aio a consoante e a semivogal, que
estudaremos mais adiante.           Classificao das vogais. -
Classificam-se as vogais, segundo a Nomen-     clatura Gramatical
Brasileira, de acordo com quatro critrios:         a) quanto  zona de
articulao;     b) quanto  intensidade;     c) quanto ao timbre;
d) quanto ao papel das cavidades bucal e nasal.           a) Quanto 
ZONA DE ARTICULAo as vogais podem ser mdia, ante-     riores e
posteriores.           Com a boca ligeiramente aberta e a lngua na
posio quase ol     repouso, proferimos o fonema /a/, que  o que exige
menor esforo e cons.     titui a vogal mdia. Se da passarmos  srie
// - // - /i/, notarem         (1) B. MALMBERG, La Phontique, 20.
(2) L. ROUDET, lments de Phontique GMrale, 75-76.         30 #
1 como em vi            VOGAIS ANTERIORES         POSIO DOS LBIOS
E (aberto) como em          E (fechado) como em d         POSIO DA
NGUA         (*) Extrado dos Elementos de Lngua Pdira de J. MAT050
CMARA JR.                            31 #         VOGAIS POSTERIORES(*)
POSIO DOS LBIOS         O (aberto) como em p         O (fechado)
como em av         - U como em tu         (0) J- MAT060 CAMARA JR.,
ibid.         32         POSIO DA LNGUA #         1            que o
dorso da lngua se eleva, recuando em direo ao vu do paladar,
ANTERIORES         que a ponta da lngua se eleva, avanando em direo
ao palato duro, o     que determina uma diminuio da abertura bucal e
um aumento da aber-     tura da faringe. A srie // - // - /i/
constitui as vogais anteriores.     Se passarmos da vogal mdia /a/ para
a srie /6/ - // - /u/, notaremos         o que provoca uma diminuio
da abertura bucal e um arredondamento     progressivo dos lbios. A
srie /6/ - // - /u/ forma as vogais posteriores.         P/       lu/
/a/                                        MDIA         - POSTERIORES
b) Quanto  INTENSIDADE as. vogais podem ser tnicas ou tonas,
Vogal tnica  aquela em que recai o acento tnico da palavra: av,
paga,     tmido.           Vogal tona  a inacentuada: av, paga,
tmido. As vogais tonas     podem estar antes da tnica (pretnicas):
av, pagar, ou depois (post-         nicas): tmido.           Nos
vocbulos de maior extenso fontica, mormente nos derivados     e nos
verbos seguidos de pronome tono, pode aparecer, alm da tnica,
 de ande intensidade a u recebe o nome de vogal subtnica:         ~. '
~r,             b, ~     -1     polidamente, cegamente, louvar-te-tei.
c) quanto ao TIMBRE as vogais podem ser abertas, fechadas e reduzidas.
Timbre  o efeito acstico resultante da distncia entre o dorso da
lngua     e o vu do paladar, funcionando a cavidade bucal como caixa
de resso-         A gravura mostra a posilo das vogais /a/, /u/ e 11/.
Note-se o fecha     mento do canal bucal na articulalo do /u/ e do /i/
com movimento da     cpiglote e elevaAo da lngua em direo ao palato
(E. ~iL, Wie                   wir h 1         sprec en, 5). #
nncia. O timbre  o trao distintivo das vogais. Na vogal de timbre
aberto a lngua se acha baixa: /a/ tnico, //, /6/. Na vogal de timbre
fechado a lngua se eleva: //, /6/, /i/, /u/- A vogal de timbre
reduzido      proferida debilitada, anulando-se a oposio entre aberta
e fechada. A     distino entre abertas e fechadas s se d nas vogais
tnicas e subtnicas;     nas tonas desaparece a diferena entre /6/ e
//, // e //, e o /a/     reduzido  proferido com menos nitidez, como
se pode depreender com-     parando-se os dois tipos em casa, onde o
primeiro  aberto e o segundo,     reduzido. Quase sempre no fim das
palavras, as vogais tonas e e o se     enfraquecem e soam,
respectivamente, /i/ e /u/('). Assim temos sete     vogais tnicas orais
(/a/, //, //, /i/, /6/, /6/, /u/), cinco vogais tonas     orais (/a/,
/e/, /i/, /o/, /u/) e trs vogais reduzidas orais (/a/, /i/,     /u/).
Tambm so reduzidas as vogais tonas nasais: antigo, sentar, lim-
peza, combate, fundar(2).         OBSERVA~ftl:     1.a)No temos no
Brasil o a fechado oral tnico dos portugueses como em cada,       para,
mas.     2.a)Na pronncia normal brasileira, as vogais nasais so
fechadas ou reduzidas       (estas quando tonas).           d) quanto
ao papel das CAVIDADES BUCAL e NASAL as vogais podem     ser orais e
nasais. So orais aquelas cuja ressonncia se produz na boca.     H
sete vogais tnicas orais (//, //, //, /i/, /6/, //, /u/), cinco
orais     tonas, por no haver aqui distino entre // e //, j/ e
// (/a/, /e/,     /i/, /o/, /u/) e trs reduzidas (/a/, /i/, /0). So
nasais as vogais que,     em sua produo, ressoam nas fossas nasais. H
cinco vogais nasais (//,     //, /!/, //, //): l, canto, campina,
vento, ventania, lmpido, vizinhan-     a, conde, condessa, tunda,
pronunciamos.       Quanto ao timbre, as nasais tnicas e subtnicas so
fechadas e as     tonas reduzidas.           OBSERVAO: Na pronncia
normal brasileira soam quase sempre como nasais as     vogais seguidas
de m, n e principalmente nh: cama, cana, banha, cena, fina, homem,
Antnio, mido, unha. Assim no distinguimos as formas verbais
terminadas em -amos     e -emos do presente e do pretrito do
indicativo: agora cantamos, ontem cantamos;     agora lemos, ontem
lemos.           (1) Da ser possvel uma mudana ortogrfica do tipo
quasi -+ quase; tribu -+ tribo. Mu.     dou-se a letra, mas no o
fonema.           (2) Na realidade as reduzidas no esto
cientificamente formuladas pela NGB, e o me-     lhor seria bani-las. Em
muitos casos das chamadas reduzidas o que temos na realidade  mu.
dana ou troca de fonema.         34 #             ABERTAS
FECHADAS       RED               orais       orais  nasais  ora
11) A: p, caveira, clido, pia-   -        cidamente ............
2) E:f,tela,prola,cafezal                         v, negro,
pssego                     av, povo,                     lbrego, glo-
binho      4) 1: .........li, vida, l-                     rico      5)
U: ........luz, tudo,                     lgubre         3) O: p,
voto, glbulo, for-        tezinho .............         roma, can-
to, lmpada     lembro,     vento     ponto, tm-     bola         fim,
tinta,     lmpido     fundo, cum-     pro         casa         verde
globinho         lpis, jri         vrus          nasais         m,
canti-     nho     engolir         comprida,     continua
tinteiro         lbum           Elevao da lngua: quinto critrio
para classificao das vogais. -     A Nomenclatura Gramatical
Brasileira no levou em conta a elevao     gradual da lngua, o que
distingue as vogais em: 1 - vogal baixa: /a/;     2 - vogais mdias com
dois graus de elevao: //, /61 e //, /6/; 3 -     vogais altas: JiI,
/u/. Entre as nasais desaparecem os dois graus de     elevao das
vogais mdias.         OR A IS(')         u / #         6/     6     a
Altas         Mdias         Baixa         NASAIS         / a /
1 1   1 11        Altas             6        Mdias
Baixa           Se no estabelecermos este quinto critrio para a
classificao das     vogais teremos de por num mesmo plano fonemas
diferentes, como 151     e li!/, /E/ e /!/, o que no  correto.     ~5,
- -     l~i                                (1) Cf. J. MAT~ CAmAxA, Curso
da Lngua Ptria, 11, 121.         35 #         QUADRO DA CLASSIFICAAO
DAS VOGAIS         VOGAIS                            anteriores: //,
//, /i/     1) quanto  zona de articulao   mdia: /a/
posteriores: /6/, /6/, /u/                        abertas: /a/, //, /61
2) quanto ao timbre fechadas: //, /l, /i/, lu/
reduzidas: /a/, /i/, lu/                            orais: /a/, //,
//, /i/, /61, /6/,          4) quanto  intensidade      .         5)
quanto  elevao da lingua .. {         3)               quanto ao
papel das cavidades      bucal e nasal .........            /u/
nasais: /l, //, /!/, //, Iral     tnicas     tonas     baixa /a/
mdias: //, /6/, //, /l     altas /i/, /u/           Semivoga,is.
Encontros voclicos: ditongos, tritongos e hiatos. -     Chamam-se
semivogais as vogais i e u (orais ou nasais)(') quando assi-
lbicas, as quais acompanham a vogal numa mesma slaba. Os encontros
voclicos do origem aos ditongos, tritongos e hiatos. Representamos as
semivogais i (e) por /y/ e u (o) por /w/.       DITONGO  o encontro de
uma vogal e de uma semivogal ou vice-versa,     na mesma slaba: pai.,
me, gua, crie, mgoa, rei.       Sendo a vogal a base da slaba ou o
elemento silbico,  ela o som     voclico que, no ditongo, se ouve
mais distintamente. Nos exemplos dados     so vogais: pAi, me, gUA,
criE, MgOA, rEi.       Os ditongos podem
ser:                    a) crescentes e decrescentes
b) orais e nasais           Crescente  o ditongo em que a semivogal vem
antes da vogal: agua     crie, mgoa.       Decrescente  o ditongo em
que a vogal vem antes da semivogal: pai,     mae, rei.           Como as
vogais, os ditongos so orais (pai, gua, crie, mgoa, rei     ou
nasais (me).       Os ditongos nasais so sempre fechados, enquanto os
orais podem ser     abertos (pai, cu, ri, idia) ou fechados (meu,
doido, veia).       Nos ditongos nasais so nasais a vogal e a
semivogal, mas s se coloca     o til sobre a vogal: me.           (1)
Em lugar de i ou u, em certos casos, se pode grafar a semivogal e ou o,
respectiva.     mente, em observncia s convenes do nosso sistema
ortogrfico vigente.         36 #         L-     ~s     LS         21,
in     35         a,     ai     ci)     ser     :)ca         tiva-
Principais ditongos crescentes:         Orais         Nasais          1)
Jya/: glria, ptria, diabo, rea, nvea      2) /ye/ (=yi): crie,
calvcie      3) /yJ: dieta      4) Jyo/: vrio, mdio, ureo, nveo
5) 1 yl: mandioca      6) /y6/: piolho      7) /wa/: gua, quase, dual,
mgoa, ndoa      8) lwil: lingia, tnue      9) Jw/: qiproqu
10) /w/: aquoso     11) /wo/ (= uu): oblquo     12) /w/: coelho
13) /w/: eqestre. goela     14) /yu/: mido (4)         1) /yJ:
criana     2) /w/: quando     3) /w/: freqente, qinqnio, depoente
4) /w11: argindo, qinqnio, moinho         Os principais ditongos
decrescentes so:       1) Jay1: pa4 baixo, traidor       2) Jay/ (a
fechado e, s vezes, nasalado): faina, paina, andaime       3) /aw/:
pau, cacaus, ao       4) JyJ: ris, coronis       5) /y/: lei, jeito,
fiquei       6) /w/: cu, chapu       7) /w/: leu, cometeu       8)
/iwJ: viu, partiu       9) /yJ: heri, anzis       10) JyJ! boi,
foice       11) low/: vou, roubo, estouro       12) JUY1: fui, azuis
Nasais         1) /y/: alemes, cibra     2) 11w/: po, amaram (=
amro)     3) 1"1: bem (= bi), ontem (= onti)          (9) Em muitos
destes casos pode ser discutivel a existncia de ditongos crescentes
"por     mer indecisa e varivel a sonoridade que se d ao primeiro
fonema. Certo  que tais ditongos     me observam mais facilmente na
hodierna pronncia lusitana do que na brasileira, em que #         a
vogal (= semivogal), embora fraca, costuma entretanto conservar
sonoridade bastante sensvel"     (5. ALI, Gr4M. SOC., 17).         37 #
4) /yj: pe, sen6es                 5) ly/: mui (= mli), muito (=
milito)       NOTA: Nos ditongos nasais decrescentes Ey, dy (Cf. SOUSA,
Trechos, 320, 18, onde     vs rima com mes) e Jw, a semivogal pode no
vir representada na escrita. Escrevemos     a interjeio hem! ou hein
t, sendo que, a rigor, a primeira grafia  mais recomendvel.
TRITONGO  o encontro de uma vogal entre duas semivogais numa     mesma
slaba. Os tritongos podem ser orais e nasais.         ORAIS
1) /wayj: quais, paraguaio       2) /wey1: enxagei, averigeis       3)
/wiwl: delinqiu       4) lwowl. apaziguou       OBsnvAXo: Nos
tritongos nasais l~I e lwlyl a ltima semivogal pode no vir
,representada graficamente: minguam, enxgem.         NASAIS         1)
/wwl: minguam, saguo, quo     2) /wy/: delinqem, enxgem     3)
jwyj: sagues           HiATo  o encontro de duas vogais em slabas
diferentes por guar-     darem sua individualidade fontica: salda,
caatinga, moinho.       Em portugus, como em muitas outras Unguas,
nota-se uma tendncia     para evitar o hiato, atravs da ditongao ou
da crase.         OBSERVAES:   1.a)Desenvolvem-se um jy/ semivogal
(chamado em gramtica iode) ou jw/ semi.         vogal (chamado vau) nos
encontros formados por ditongo decrescente Seguido         de vogal
final ou ditongo tono: praia = prai-ia; cheia = chei-ia; tuxaua
tuxau-ua; goiaba = goi-iaba.   2.a)"NOS hiatos cuja primeira vogal for u
e cuja segunda vogal for final de vo-         cbulo (seguida ou no de
s grfico), o desenvolvimento do vau variar de         acordo com as
necessidades expressionais ou as peculiaridades individuais"('):
nua = nu-a ou nu-ua; recue = re-cu-e ou re-cu-ue; amuo = amu-o ou
amu-uo.   3.a)"Os encontros ia, ie, io, ua, ue, uo finais, tonos,
~idos, ou no, de s, classifi-         cam-se quer como ditongos, quer
como hiatos, uma vez que ambas as emisses         existem no domnio da
Lngua Portuguesa: hist-ri-a e hist-ria; s-ri-e e s-rie;
p-ti-o e p-tio; r-du-a e r-dua; t-nu-e e t-nue; v-cu-o e v-cuo"
(2).      4.a) Autores h que tambm consideram hiato quando se trata de
uma vogal e uma       . semivogal, como no caso de goiaba, jia, etc.
Outros consideram dois ditongos.       goi-ia-ba, ji-ia.           Nos
encontros voclicos costumam ocorrer dois fenmenos: a direse     e a
sinrese.       Chama-se DIRESE  passagem de semivogal a vogal,
transformando,     assim, o ditongo num hiato: trai-o = tra-i-o;
vai-da-de = va-i-da-de;     cai = ca-i.       Chama-se SINRESE 
passagem de duas vogais de um hiato a - um     ditongo crescente:
su-a-ve = sua-ve; pi-e-do-so = pie-do-so; lu-ar = luar.         (1)
Normas Para a Lngua Falada no Teatro, 485-63.     (2) Nomenclatura
Gramatical Brasileira, 16.         38 #zzz       A sinrese  fenmeno
bem mais freqente que a direse. A poesia     antiga dava preferncia
ao hiatismo, enquanto, a partir do sculo xvi, se     nota acentuada
predominncia: do ditonguismo (sinrese).  claro que os     poetas
modernos continuaram a usar a direse, mormente como efeito
estilstico-fnico para a nfase, a idia de grandeza, etc. No seguinte
verso     de Machado de Assis aurola com quatro slabas acentua o
tamanho des-     comunal indicado pela leitura lenta: "Pesa-me esta
brilhante aurola de           Classificao das consoantes. - De acordo
com a Nomenclatura     Gramatical Brasileira classificam-se as
consoantes de acordo com quatro         a) quanto ao modo de
articulao;     b) quanto  zona de articulao;     c) quanto ao papel
das cordas vocais;         d) quanto ao papel das cavidades bucal e
nasal           a) quanto ao MODO DE ARTICULAo as consoantes podem ser
oclusivas     e constritivas, e estas se subdividem em fricativas,
laterais, vibrantes e     nasais. O obstculo que, na cavidade bucal, os
rgos impem  corrente     expiratria pode ser de dois tipos, ou os
rgos da boca esto dispostos     de tal modo que impedem completamente
a sada do ar, ou permitem     parcialmente que a corrente expiratria
chegue  atmosfera. No primeiro     caso, dizemos que as consoantes so
oclusivas; no segundo, constritivas. As     constritivas so fricativas
quando a corrente expiratria, passando por     entre os rgos que
formam o obstculo parcial, produz um atrito  ma-     neira de frico:
/f/, /v/, IsI, IzI, lx/, /j/. So constritivas laterais     quando a
passagem da corrente expiratra, obstruda pela aproximao     do
pice ou dorso da lngua aos alvolos da arcada dentria superior ou
ao palato, escapa pelos lados da cavidade bucal: 11/, /lh/. So
constritivas     vibrantes quando o pice da lngua contra os alvolos
ou a raiz da lngua     contra o vu do paladar executa movimento
vibratrio rpido, abrindo e     fechando a passagem  corrente
expratra: /r/ (simples) e /rrj (ml-     tipla). So constritivas
nasais quando, pelo abaixamento do vu palatino     e um abrimento do
nasal, as consoantes ressoam nas fossas nasais. Temos     trs
consoantes nasais: a bilabial /m/, a lnguodental /n/ e a palatal Inh/.
b) quanto  ZONA DE ARTicuLAo as consoantes podem ser         1)
bilabiais (lbio contra lbio): /p/, /b/, /m/.     2) labiodentais
(lbio inferior e arcada dentria superior): /fl, /v/.     3)
linguodentais (lngua contra arcada dentria superior): /t/, /d/, /n/
4) alveolares (lngua em direo ou contra os alvolos): /s/, /z/, /1/
5) palatais (dorso da lngua contra o cu da boca): /x/, /j/. 11h1, jnh/
6) velares (raiz da lngua contra o vu do paladar): 1k1, /g #
OBSERVAES:   1.a)0 /11 inicial da slaba  nitidamente alveolar,
enquanto o final  proferido         relaxado, quase velar, mas tendo-se
o cuidado de no faz-lo igual a u. Nas         ligaes com a vogal
inicial de outro vocbulo, soa como alveolar.       2.a)
O Irrj alveolar pode ser proferido como velar, graas ao maior recuo da
lngua.   3.a)As linguodentais /tj e /d/ seguidas de i podem
palatalizar-se: tinta e digw         podem soar jtxintaj e /djigno/.
Evite-se o exagero destas palatalizaes.           c) quanto ao papel
das CORDAS VOCAIS as consoantes podem ser surdas     e sonoras.
Surdas: /p/, ffi, /ti, /s/, /xl, /k/.     Sonoras: /b/, /v/, jdj, Izi,
/j/, /gj, /m/, /n/, jnh/, /I/, /lh/, /r/, jrr/.       So sonoras as
consoantes vibrantes, nasais e o ]li lateral.           d) quanto ao
papel das CAVIDADES BUCAL e NASAL as consoantes podem     ser orais e
nasais. So nasais /m/, /n/, inh/.     As outras so orais.
QUADRO DE CLASSIFICAO DAS CONSOANTES                          surda:
/p/                      sonora: 1b1         OCLUSIVAS  d t   surda: /t/
ingito en ais-sonora: /d/                                      surda:
1k1                                     sonora: 1g1         bilabiais
velares         CONSOANTES -         fricativas         CONSTRITIVAS
vibrantes (alveolares)         labiodent4is         alveolares
palatais         alveolar: /I/     palatal: /lh/         bilabial: /m/
linguodental: /n/     palatal: /nh/(l)         surda: jf/     sonora:
/v1     surda: /s/     sonora, jz1     surda: /x/     sonora: J1
simples: /r/     mltipla: Irrj           (1) Para fugir a uma oposio
errnea surdalsonoralnasal, preferimos, ainda com a     aquiescncia da
NGB, colocar as nasais entre as constritivas. i-l autores que fazem das
nasais     uma classe  parte, ou as pem entre as oclusivas, critrios
tambm defensveis. #             40 #          Encontro consonantal. -
Assim se chama o seguimento imediato de      duas ou mais consoantes de
um mesmo vocbulo. H encontros conso-      ninticos pertencentes a uma
slaba ou a slabas diferentes. Os primeiros      terminam por 1 ou r:
li-vro, blu-sa, pro-sa, cla-mor; rit-mo, pac-to, af-ta,      ad-mi-tir.
O encontro consonantal /cs/  representado graficamente pela letra
x: anexo, fixo.     1         So mais raros em nossa lngua os
seguintes encontros consonnticos     1     4,      existentes em
vocbulos eruditos. Estes encontros so separveis, salvo      os que
aparecem no incio de vocbulos:                 bd: lamb-da
bs: ab-so-lu-to             q: sec-o             dm: ad-mi-tir
gn: dig-no             mn: mne-m-ni-co         ft. af-ta     pn: pneu.
pneu-mA-ti-co     Ps: psiu     Pt: ap-to     tm: ist-mo     tn: 6t-ni-co
Tais encontros merecem especial cuidado porque, na pronncia des-  t,
preocupada, tendem a constituir duas slabas pela intercalao de uma
vogal:         advogado e no adivogado ou adevogado     absoluto e no
abissoluto     admirar e no adimirar     alta e no dfita     ritmo e
no rtinto     pneu e no Peneu     indigno e no indguino           O
desejo de corrigir o engano leva muitas vezes  omisso de vogal     de
certos vocbulos:         adivinhar e no advinha r '     subentender e
no subtender           Dgrafo. - No se h de confundir dgrafo com
encontro consonantal.     Dgrafo  o emprego de duas letras para a
representao grfica de uni s     fonema: passo (cf. pao), CH (cf.
x), maNH, paLHa, ENviar, MANdar.       H dgrafos para representar
consoantes e vogais nasais('). Os     dgrafos para consoantes so os
seguintes, todos inseparveis, com exceo     de rr e ss, sc, s, xc:
ch: ch     lh: malha     nh: banha     sc: nascer     s: nasa
(1) Destas ltimas no cogita a NGB.         xc: exceto     rr: carro
ss: passo     qu: quero #         gu: guerra         41 #         Para
as vogais nasais :         am ou an.- campo, canto     em ou en: tempo,
vento     im ou in: limbo, lindo     om ou on: ombro, onda     um ou un:
tumba, tunda           Letra diacrtica. -  aquela que se junta a outra
para lhe dar um     valor fontico especial e constituir um dgrafo. Em
portugus as letras     diacrticas so h, r, s, c, , u para os
dgrafos consonantais e m, e n para     os dgrafos voclicos: cH,
carRol Passo, quero, campo, ONda.           OBsERvAXo: Da se tiram as
seguintes concluses aplicveis  anlise fontica:       1.a) No h
ditongo em qUero;       2.a) M e n no so fonemas consonnticos nasais
em caMpo, oNda, etc.;       3.2) Qu e gu se classificam como 1k1 e /gl,
respectivamente.         2 - FONTICA EXPRESSIVA         Os fonemas com
objetivos simblicos           Muitas vezes utilizamos os fonemas para
melhor evocar certas repre-     sentaes.        deste emprego que
surgem as aliteraes, as onomatopias e os     vocbulos expressivos.
Aliterao  a repetio de fonema igual ou parecido para descrever
ou sugerir acusticamente o que temos em mente expressar.       O sossego
do vento ou o barulho ensurdecedor do mar ganham maior     vivacidade
atravs da aliterao dos seguintes versos:           "As asas ao sereno
e sossegado vento" (utilizao do fonema fricativo alveolar sonoro     e
surdo).       "Bramindo o negro mar de longe brada" (utilizao
principal dos fonemas b, r     e d).           Onomatopia  o emprego
de fonema em vocbulo para descrever     acusticamente um objeto pela
ao que exprime.       So freqentes as onomatopias que traduzem as
vozes dos animais e     os sons das coisas:           O tique-taque do
relgio, o marulho das ondas, o zunzuna-r da abelha, o arrulhar     dos
pombos.           Vocbulo expressivo  o que no imita um rudo, mas
sugere a idia     do ser que se quer designar: romper, Jagarelar,
tremeluzir, jururu.         42 #         O TO         AP   DICE
Encontros de fonemas que produzem efeito desagradvel ao Ouvido. -
Muitas vezes certos encontros de fonemas produzem efeito desagradvel
que repugna o ouvido e, por isso, cumpre evitar, sempre que possvel.
Esses defeitos so mais perceptveis nos textos escritos porque a pessoa
que os l nem sempre faz as pausas e as entonaes que o autor utilizou,
com as quais diminui ou at anula os encontros de fonemas que geram
sons desagradveis.      Entre os efeitos acsticos condenados esto: a
coliso, o eco, o hiato,      e a cacofonia.         i , R     -i
Coliso  o encontro de consoantes que produz desagradvel efeito
acstico:         "Se eu tenho de morrer na flor dos anos,     Meu Deus!
no seja j" (CASIMIRO DE ABREU, Obras, 73).           Eco  a
repetio, com pequeno intervalo, de palavras que terminam     de modo
dntico:          "Estas palavras subordinam frases em que se exprime
condio necessria  real!-     zaoo ou no realizao da ao
principal".           Hiato. - O hiato de vogais tnicas toma-se
desagradvel principal-     mente quando formado pela sucesso de
palavras:                       Hoje h aula.         ?1 Cacofonia ou
cacfato  o encontro de slabas de duas ou mais pa-     k      lavras
que forma um novo termo de sentido inconveniente ou ridculo      tin
relao ao contexto:                                              1
*Ora veja como ela est estendendo as mozinhas inexperientes para a
chama das           (CAMILO CASTELO BRANCO, A Queda de um Anjo, 102).
 oportuna a lio de Said Ali:         "Repara-se, hoje, com certo
exagero, na cacofnia, resultante da juno da slaba     li  de um
vocbulo com a palavra ou parte da palavra imediata. No se liga,
nor importncia  cacofonia quando esta se acha dentro de um mesmo
formada por algumas das suas slabas componentes. O mal aqui      ia
que expresses no se dispensam, nem se substituem. Muitas vezes,
ia menos ridcula do que a vontade de perceb-la... O estudante evite,
semelhantes combina~ de palavras, assim como quaisquer outras
nascer uns longes de cacofonia, e no se preocupe com descobri-los nos
na        tanto, a me     Meibulo, sendo     ~edivel, po ~ a cacofon
e que puder,        e     !~:a=e possam     jutt08% (Gramtica
Secundria, 306-7.)         4) Ortoepia            Ortoepia  a parte da
gramtica que trata da correta pronncia dos     V, #         Nnemas.
43 #           Preocupa-se no apenas com o conhecimento exato dos
valores fon-     ticos dos fonemas que entram na estrutura dos
vocbulos, considerados     isoladamente ou ligados na enunciao da
frase, mas ainda com o ritmo,     a entoao e expresso convenientes 
boa elocuo.           Vogais. - Quanto  emisso das vogais, na
pronncia normal brasi-     leira, observemos que:           a) So
fechadas as vogais nasais; por isso no distinguimos as formas
verbais terminadas em -amos e -emos do pres. e pret. perf. do indicativo
da 1.a e 2.a conjugaes.       b) Soam muitas vezes como nasais as
vogais seguidas de m, n e prin-     cipalmente nh: cama, cana, banha,
cena, fina, Antnio, unha           OBsERvAo: Sem nasalidade
proferem-se as vogais desses e de vrios out,os     cbulos: emitir,
emisrio, eminente, energia, enaltecer, Enaldo, etc.           c) Soam
quase sempre como orais as vogais precedidas de m, n ou nh:     mata,
nata, companhia, milho. Assim no tem cabimento a pronncia     nasalada
do mas /ms/. Entretanto, mui e muito se proferem Jmi/,     /mito/.
d) Soam igualmente o a artigo, a preposio, a pronome e o a resul-
tante de crase. No se alonga o , salvo, muito excepcionalmente, se
houver necessidade imperativa, para a inteligncia da frase, caso em que
o resultante da crase poder ser pronunciado com certa toncidade e
nfase" (Normas, 481).           e) So reduzidas as vogais e e o tonas
finais, que soam lil e     respectivamente: frente, carro.           f)
So oscilantes /e/, /i/, //, /1/, /o/, /iu/, //, // reduzidos pre-
tnicos em numerosos vocbulos, oscilao que corresponde "a uma gra-
duao de freqncia de meio cultural, de nvel social ou de tenso
psquica do indivduo falante" (Normas, 482): pedir: /pedir/ ou /pidir/;
-estudo: /estudu/ ou /istudu/; sentir: /sentir/ ou /sintir/; costura:
/costura/     ou /custura/; compadre: /compadre/ ou /cumpadre/. Neste
caso esto     as preposies com e por, que, salvo nas situaes
enfticas, devem ser pro.     nunciadas /k/ e lpur/. Fazem exceo
muitos vocbulos eruditos e os     compostos de entre: embriogenia,
hendade, hexgono, entremei . O(1).           g) Em linguagem cuidada,
evita-se a oscilao de que anteriormente     se falou, quando tem valor
opositivo, isto , serve para distinguir dois     vocbulos de sentido
diferente: eminente / iminente; emigrar / 'migrar;     descrio /
discrio.         (1) ANTzNoa NASCENTES, Idioma Nacional, 14.
44 #           h) O u depois de g ou q ora  vogal ou semivogal (e a se
profere),     ora  componente de dgrafo (e a no se pronuncia). Entre
outras deve     ser proferido nas seguintes palavras depois do g:
agentar, ambigidade,     apaziguar, argio, argir, bilnge,
consangneo, contigidade, ensan-     gentado, exigidade, lingeta,
lingista, redargir, sagi ou sagim         ungento, ungiforme
No se deve proferir o u depois do g em: distinguir, exangue, extin-
guir, langue, pingue (= gordo, frtil, rendoso).        facultativo
pronunci-lo em: antigidade ou antiguidade; sangneo     ou sanguneo;
sanginrio ou sanguinrio; sanginoso ou sanguinoso.       Profere-se o
u depois do q em: aqui ' cola, conseqncia, delinqncia     delinqir,
eqestre, eqevo, eqidistante, eqino (= cavalar), eqitativo
eqipolente (tambm equipolente), freqncia, iniqidade, loqela, obli
qidade, qercina, qui . ngentsimo,     Tarqnio, tranqilo,
ubiqidade.       No se profere o u, depois do         qinqnio,
qiproqu, seqncia         equilbrio, equincio, equipar, equiparar,
equitao., equ oco, extorquir,     inqurito, inquirir, liquidificador,
sequioso, qurulo, questo, quibebe.        facultativo pronunci-lo
em: antiqssimo ou antiqussimo; equi-     dade ou equidade;
eqivalente ou equivalente; eqivaler ou equivaler;     liquidao ou
liqidao; liqidar ou liquidar; lqido ou lquido; retor-     qir ou
retorquir.       Diz-se quatorze ou catorze, sendo a primeira mais
generalizada entre           i) Em muitos vocbulos h dvidas quanto ao
timbre das vogais. Re-     comendamos timbre aberto para o e em: acerbo,
Aulete, anelo, badejo,     caterva, cetro, cerne, cervo, coeso, coevo,
coleta, cogumelo, confesso, duelo,         destra, espectro, eqevo,
flagelo, ileso, indefesso, medievo,     paredro, prelo, primevo, relho,
septo, servo, Tejo, terso.         elmo, obsoleto,            fechado
em: acervo, adrede, alameda, amuleto, anacoreta, bofete,
caminhoneta, cerebelo, cateto, cerda, corbelha, devesa, defeso,
escaravelho,     efebo, fechar (e suas formas fecho, fechas, feche,
etc.), ginete, grumete,     indefeso, interesse (s.), ledo, lerdo,
lampejo, labareda, magneto, pa-     limpsesto, panfleto, pez, quibebe,
reses, retreta, Roquete, sobejo, veneta     vereda, vinheta, versalete,
vespa, vedeta, verbete, xerez, xepa. As autori-     dades recomendam o
timbre fechado em pese (na expresso em que pese     a) e colmeia (mas a
pronncia com timbre aberto  generalizada entre            Tem timbre
aberto o o tnico de: canoro, coldre, (de) envolta, dolo     '. forum,
hissope, imoto, inodoro, manopla, molho, piloro, probo, suor     1
Tem timbre fechado o o tnico de: aboio, alforje, algoz, boda, bodas
cochicholo, chope, cachopa, choldra, cora, desporto, filantropo, loa,
lorpa         Mausolo, misantropo, odre, serdio, teor, torpe. #
i) Quanto aos ditongos, cumpre notar: ai, ei e ou devem guardar,     na
pronncia cultivada, sua integridade, no se exagerando o valor do
ou u, nem os eliminando, como o faz o povo: caixa, queijo, ouro.
Soa como ditongo nasal o a slaba tona final -am: amam.       Soam
como ditongo nasal 6 as slabas -em, -m, -en, -ens de muitos
vocbulos: bem, vem; vintm, ningum; vens, homens; armazns, parabns.
Normalmente ditongamos, pelo acrscimo de um i, as vogais tnicas
finais seguidas de -z ou -s. Assim no fazemos a diferena entre ps.,
paz     e pas; ms e mais; rapaz e jamais; vs e mes. Os poetas
brasileiros nos     do bons exemplos destas ditongaes,       S por
imitao dos poetas lusitanos (porque dizem ty), entre os bra-
sileiros, a rima tem e me aparece s vezes, como em Casimiro de Abreu:
"O pas estrangeiro mais belezas      Do que a ptria, no tem;      E
este mundo no val um s dos beijos      To doces duma me." (Obras,
ed. S. DA SILVEiRA, 73)           1) Quanto aos hiatos observemos que se
desenvolve um i ou u semi-     vogais nos encontros formados por ditongo
decrescente seguido de vogal     final ou ditongo tono: praia prai-ia;
tuxaua tuxau-ua; goiaba goi-iaba;     biem bi-icm (cf. Normas, 486).
O mesmo desenvolvimento das referidas semivogais nos hiatos cuja
primeira vogal seja i ou u tnicos e cuja segunda vogal seja final de
voc-     bulo, "variar de acordo com as necessidades expressionais ou
as peculia-     ridades individuais" (Normas, 485-6): via: vi-a ou
vi-ia; lu-a: lu-a ou lu-ua.           Consoantes. - Soam levemente as
consoantes b, c, d, g, s, t quando     finais de vocbulos- sob, Moab,
Isaac, Cid, Uf, Gog, frceps, Garrett.       Nos vocbulos eruditos as
terminaes tonas -ar, -er, -en, -ex e -on     devem guardar sua
integridade em pronncia: atj6far, esfncter, ndex,     clon,       O
1 final de slaba  proferido relaxado, quase velar, mas tendo-se o
cuidado de no faz-lo igual a u: nacional.       Na palavra sublinhar e
derivados o 1 deve ser pronunciado separa     mente do b.       O -r
mltiplo alveolar pode ser proferido como velar, graas ao mai     recuo
da lngua, e at com articulao dorso-uvular (portanto mais carre.
gado ainda), embora as Normas no a recomendem na pronncia cui.
dada: mar, avermelhar. Nas palavras ab-rupto, ab-rogar, ad-rogar, su
rogar, e derivados, o r deve ser pronunciado mltiplo -e separado, isto
sem fazer grupo com a consoante anterior.       O m final pode guardar
sua integridade de pronncia, no nas     zando o e anterior, no
vocbulo totem, admitindo a grafia tteme.         46 #
bem-amado e bem-aventurado, nasaliza o e anterior, e no se liga ao a
seguinte.       As linguodentais d e t, seguidas de i, podem
palatizar-se, evitando-se,     entretanto, o exagero (articulao
africada linguopalatal): dia, tia.       O s soa aproximadamente como se
fora i, inas sem exagero, antes de     b, d, g, i, 1, m, r e v:
desjejum, deslizar, esmo, asno, esbarrar, esdrxulo,     engastar,
desregrar, desvo. Como bem acentua o Prof. Antenor Nascen-     tes('),
em outros pontos do pas o s, nestes casos, soa aproximadamente     como
/Z/.       Antes de c, f, p, q, t, x e ainda no fim de vocbulo que no
se ligue     ao seguinte, o s tem som prximo de /x/: descampado,
esfregar, respeito,     esquivo, deste, desxadrezar. Em outros pontos do
pas, segundo o mestre     anteriormente citado, o s nestas
circunstncias  sibilante, como na     palavra selva.       Tem o som
de /z/ entre vogais nos compostos do prefixo trans     (transatlntico,
transao, transitivo, etc.) e na palavra obsquio e deri-     vados. Em
transe (que se grafa tambm trance), subsdio, subsidiar,     subsistir,
subsistncia e outros da mesma famlia, o s pode soar como     sibilante
(como em selva) ou como jzj. Se o elemento a que se prefixa     trans-
comea por s, no se up ica esta consoante, que ser proferi a     como
sibilante: Transilvnia e derivados, transiberiano. No final -simo
(de vigsimo, trigsimo, etc.) soa como jzj.       Escrevendo-se
aritmtica (com t),  mais usual proferir esta consoante.     Pode-se
ainda grafar arimtica.       X tem quatro valores: 1) fricativo palatal
como em xarope; 2) frica-     tivo alveolar sonoro como em exame; 3)
fricativo alveolar surdo (= ss)     como em auxlio; 4) vale por /ks/ e
/kz/ como em anexo e hexmetro.      X soa /z/ nas palavras: exao,
exagero, exalar, exaltar, exame,      exangue, exarar, exasperar, exato,
exautorar, executar, exegese, exegeta,      exemplo, exquias,
exeqvel, exercer, exerccio, exrcito, exaurir, exibir,      exigir,
exilar, exlio, exmio, existir, xito, xodo, exgeno, exonerar, exo-
w, exorbitar, exorcismo, exrdio, exornar, extico, exuberar,
exuberante,      exultar, exumar, inexordvel.        Soa como /s/ em:
auxlio, mxima, Maximiliano, Maximino, mximo,     prximo, sintaxe,
trouxe, trouxeram, trouxer.       Soa como jks/ ou /kz/, conforme o
caso, em: afluxo, anexo, axila,     xis, aximetro, complexo, convexo,
crucifixo, doxologia, fixo, flexo,     fluxo, hexmetro (tambm soa
como /z/), hexaedro, hexgono (tambm     wa como ffi), hexasslabo,
ndex, intoxicar, lxico, maxilar, nexo, mxime,     ~Mix, ortodoxo,
xido, prolixo, oxignio, paradoxo, reflexo, sexagendrio,     1 ,
sexagsimo, sexo, silex, trax, txico.         Nr (1) Idioma Nacional,
27.              47 #            proferido indiferentemente como /ks/
ou /s/ em: apoplexia, axioma     e defluxo.       Vale por /s/ no final
de: clix, Flix, fnix e na locuo adverbial     a flux.       O z em
fim de palavra que no se ligue  seguinte, soa levemente     chiado:
luz, conduz.       Entre os casos particulares, so de notar:         
ch em Anchieta e derivados soa chiado;      cz de czar (que tambm pode
se escrever tzar) deve ser proferido como     /ts/; o lh de Alhambra no
constitui dgrafo como em malha; deve-se     proferir o vocbulo como se
no houvesse o h;     o w do nome Darwin e dos derivados (darwinismo,
darwinista, etc.) soa     como /ul.           Sc e xc soam como /s/ em
palavras como nascer, descer, crescer, exce-     lncia, exceto,
excelso.       Os encontros consonnticos devem ser pronunciados com
valores fon-     ticos prprios, sem intercalao de e ou i:
pseudnimo, pneumtico,     mnemnico apto, elipse, absoluto, admisso,
adjetivo, ritmo, afta, indigno,     recepo, advogado, accessvel (ao
lado de acessvel), seco (ao lado     de seo).           Ligao dos
vocbulos. - Cuidado especial merece a boa articulao     dos fonemas,
mormente finais e iniciais, na seqncia dos vocbulos com     que nos
comunicamos com os nossos semelhantes, desde que uma pausa     no os
separe.     a) VOGAIS OU DITONGOS FINAIS DE VOCBULO COM VOCAIS OU
DITONGOS         INICIAIS DE VOCBULO.           Quando a palavra
termina por vogal tnica e o vocbulo Seguinte     comea com vogal ou
ditongo tnicos, nbrInalmente se respeita o hiato     interverbal: ali
h, l houve, li ontem.       Se a vogal final  tnica e o vocbulo
seguinte comea por vogal ou     ditongo tonos, proferimos normalmente
o hiato; mas pode ocorrer, muitas     vezes, a ditongao se a vogal
tona for i ou e ou u ou o:                 segui aquela; j ouvi; l
ironizei; v umedecer.           OBSERVAO: Evita-se a ditongao
quando da resultar uma seqncia de slabas     tnicas: bon usado, 1d
iremos.           Se a vogal final  tona e o vocbulo seguinte comea
por vogal tnica,     normalmente se respeita o hiato: essa hora,
terreno rido.       Neste caso pode ainda ocorrer a fuso (crase) das
duas vogais     forem idnticas (essa fuso produz certo alongamento da
vogal indic         48 #         aqui pelo mcronou a ditongao, se a
vogal tona final for i, e     ou U, o:              terra rida:
ter/ra//rida ou ter/r/ri/da              esse ano: es/se/a/no ou
es/sea/no.           OBSERVAXO: Chama-se crase a fuso de dois ou mais
sons iguais num s.           Se a vogal final e a inicial do vocbulo
seguinte so tonas, pode     ocorrer hiato, ditongo, crase ou eliso.
OBSERVAO: Eliso  o desaparecimento de uma vogal final tona em
virtude do     contacto com a vogal inicial do vocbulo seguinte.
1)haver hiato, fuso ou eliso se a vogal tona final for a e a inicial
for a ou :                    hiato. ca/sa/a/ma/rella
casa amarela { clrlase:' ca/s/ma/re/la                         eliso:
ca/sa/ma/re/la                    hiato: calsa/ari/te/rijor
casa anterior { crase: ca/sn/te/ri/or                         eliso:
calsanIte/ri/or     2)haver hiato ou eliso se a vogal tona final for
a e a vogal inicial       e, 2, O, 6:                    roda esportiva
hiato: ro/dales/porIti/va              { elisio: roldes/por/tilva
porta entreaberta hiato: por/ ta/en/ trea/ber/ ta
{ eliso: por/tenltrea/ber/ta           haver hiato, ditongo ou eliso
se a vogal tona final for a e a inicial       i (e),  (), v (o), u
():                        hiato: cer/ta/ilda/de            certa idade
ditongo: cer/tai/dalde                      { eliso: cer/ti/da/de
hiato: cerlta/in/di/fe/ren/a       certa indiferena
ditongo: cer/tain/di/fe/ren/a                        elisdo:
cerltin/di/fe/renla     4)haver hiato ou ditongo se a vogal tona
final for i (e) e a inicial       qualquer uma, exceto i (e):
jri arnik-;v hiato: Ju/rija/milgo                         ditongo:
ju/ria/milgo                    livre arbtrio hiato: li/vre/arlb/ trio
{ ditongo: li/vriar/b/ trio         49 #         5)
haver hiato, crase ou eliso se a vogal tona final for       inicial i
(e) ou i ():         hiato- lilvre/imfpren/sa     livre imprensa cr se:
li/vrln/pren/sa             { cisso': lilvrinlprenlsa         i (e) e a
6)                                            haver hiato, ditongo ou
eliso se a vogal tona final for u (o u):
hiato: sari/to/Arlt/nio                Santo Antnio ditongo:
sanltoanltlnio                          elisdo: san/tan/tlnio
medo horrvel hiato: meldolhorIrlvel                        { ditongo:
me/duorIrlvel         7)
haver hiato, crase ou eliso se a vogal final for u (o) e a inicial u:
OBSERVA96ES:            umano {hiato: ve/lholhulma/no     velho h
crase: ve/lh/ma/no              eliso: ve/lhulma/no
hiato: a/vilso/urlgenlte              1     aviso urgente { crase:
alvilsr/gen/te              eliso: alvi/surIgen/te     1.a)Ocorrem os
fenmenos acima apontados com os vocbulos iniciados por di-
tongos decrescentes, por iniciar por vogal. Em vez de ditongo, teremos
tritongo.                    hiato., jei/to/ai/ro/so     jeito airoso
(cf. 6) tritongo: jei/tuailrolso     { elisgo: jei/tai/ro/so     2.a)A
preposio para pode reduzir-se a pra (e no p'ra), hoje usada at entre
literatos. Esta forma quando seguida do artigo ou pronome o, a, os, as e
com       ele combinada,  grafada respectivamente pro, pra (para a),
Pros, pras. 3.11) Pelo se reduz a pio (mais comum em Portugal), forma
que, combina a com o       artigo ou pronome o, a, os, as,  grafada
pio, pia, pios, pias. Entre portu- 1       gueses ouve-se ainda pro e
pros com o aberto. 4.a)A preposio com pode ter a nasalidade
enfraquecida e combinar-se com o, a,       os, as, dando origem s
formas co, ca, cos, cas, empregadas mais com freqncia       na
linguagem familiar e vulgar, de Portugal.  o que se chama ectlipse.
b)                                         CONSOANTE FINAL DE VOCBULO
COM FONEMA INICIAL DE VOCBULO.           A consoante final de uma
palavra seguida de vogal inicial (ou semi-     vogal), sem pausa
intermediria, deve ser Proferida como se fosse inter-     vocdlica,
isto , liga-se a uma vogal obedecendo s normas id estabelecidas:
"De um sentir aventurado"         "            talvez a voz mimosa"
1---,     "Gentil infante, engraado"         "Que ds honra e valor"
1_~         50 #           A consoante final b (em sob, por exemplo)
seguida de outra consoante     inicial deve ser proferida sem
aparecimento de um i ou e intermdio:                      Sob luzes
d'esperana                      Sob fria.           Se o vocbulo
seguinte comea por vogal (ou senEvogal), pode o b     final ligar-se
silabicamente a ela ou direta ou com apoio de i ou e (redu-     zido), o
que  mais comum entre ns:         Sob os cus (ao-bos-cw ou
ao-bios-cus).           Quando a consoante que termina o vocbulo 
igual  que inicia o     vocbulo seguinte (o que ocorre com 1 ou r),
ouvem-se os dois fonemas:         Incrvel ldbia (in-cri-vel-l-bia)
Temor repentino (te-mor-re-pen-ti-no).           O s final soa
aproximadamente como se fora J/, mas sem exagero,     era ligao com
vocbulo iniciado por b, d, g, i, 1, m, n, r, v e z, ouvindo-se     os
dois fonemas:           os braos, os dedos, as gengivas, dois jeitos,
as luzes, os meninos, as nuvens, os     ventos, os zumbidos.           O
s final soa aproximadamente como se fora /x/, mas sem exagero,     em
ligao com vocbulo iniciado por c., p, q, s, t, x e ch, ouvindo-se os
dois fonemas:         trs cadernos, os felizes, as pessoas, as queixas,
as secas, os tempos, os xaropes, os chs.         As consoantes x e z
finais so tratadas como /s/ final, nas ligaes:                    faz
medo (z = j), faz calor (z = x).          O n final de vocbulo, como
cnon, on, cclotron, deve ser proferido      sem nasalizar fortemente
a vogal anterior, conforme vimos; nas ligaes      com outro vocbulo,
guarda este valor quando  seguido de consoante:      cdnon bblico.
Seguido de vogal (ou setnivogal) liga-se silabicamente a esta, como
se fosse inicial de slaba: cnon antigo.     't O m final de
bem-aventurado, bem-amado e semelhantes nasaliza a     ~, vogal
anterior, no se ligando  seguinte, como se fosse inicial de slaba.
Quando o artigo indefinido ou numeral uma  seguido de vocbulo
comeando por m no se deve proferir o m, soando, portanto, a, forma
com que, s vezes, aparece grafado (evite-se a forma u'a):         uma
mensagem, uma mo. #         C) Prosdia           Prosdia  a parte da
fontica que trata da correta acentuao e     entoao dos fonemas.
A preocupaj maior da prosdia  o conhecimento da slaba predo-
minante, chamada tnica.           Slaba. - Slaba  um fonema ou grupo
de fonemas emitido num s     impulso expiratrio.       Em portugus, o
elemento essencial da slaba  a vogal.       Quanto  sua constituio,
a slaba pode ser simples ou composta, e     esta ltima aberta (ou
livre) ou fechada (ou travada).       Diz-se que a slaba  simples
quando  constituda apenas por uma     vogal: e, h.       Slaba
composta  a que encerra mais de um fonema: ar (vogal +     consoante),
lei (consoante + vogal + semivogal), vi (consoante + vogal),     ou
(vogal + semivogal), mas (consoante + vogal + consoante).       A slaba
composta  aberta (ou livre) se termina em vogal: vi;      fechada (ou
travada) em caso contrrio, incluindo-se a vogal nasal, porque
nasalidade vale por um travamento de slaba: ar, lei, ou, mas, um.
Quanto ao nmero de slabas dividem-se os vocbulos em:           a)
monosslabos (se tm uma slaba): , h, mar, de, d;       b)
disslabos (se tm duas slabas): casa, amor, dars, voce;       c)
trisslabos (se tm trs slabas): cadeira, tomo, rpido, cmodo;
d)polisslabos (se tm mais de trs slabas): fontica, satisfeito,
cama-         radagem, inconvenientemente.           Quanto  posio, a
slaba pode ser inicial, medial e final, conforme     aparea no incio,
no interior ou no, final do vocbulo:                      10    n
ti    ca                inicial       niedial    niedial  final
Quantidade. - Quantidade  a durao da vogal e da'consoante.
Dtinguem-se as vogais e consoantes breves (se a pronncia  rpida) das
vogais e consoantes longas (se a pronncia  demorada). Assinalamos a
vogal breve com o sinal ---que se denomina braquia ou brdquia, e a longa
com o sinal - chamado mcron:  (a breve),  (a longo).       H lnguas
onde a quantidade desempenha importante papel, para     distinguir
vocbulos e formas gramaticais, como em latim, em ingls ou     alemo.
Em latim, ros (com a breve) no tem o mesmo sentido e ap i-     cao
gramatical de ros (com a longo), distinguindo-se, pela quantidade,
52 #           1,         1 i:                    i t         o
nominativo do ablativo, por exemplo. "Em ingls xp e xp (que se
escrevem ship e sheep) significam, respectivamente, navio e
carneiro"(').       Em portugus, a quantidade  pouco sentida e no
exerce notvel     papel na caracterizao e distino dos vocbulos e
formas gramaticais.     S excepcionalmente alongamos vogais e
consoantes, como recursos estils-     ticos para imprimir nfase, e
constitui um dos grandes auxiliares da     oratria:           "Se
pudssemos, ns que temos experincia da vida, abrir os olhos dessas
maripo-     sinhas tontas... Mas  intil. Encasqueta-se-lhes na cabea
que o amor, o amoor, o     1 amooor  tudo na vida, e adeus" (MONTEnto
LOBATO, Cidades Mortas, 147).                         BARbaridade!
Acentuao  o modo de proferir um som ou grupo de sons com     mais
relevo do que outros.       Este relevo se denomina acento. Diz-se que o
acento  de intensidade     (acento de fora, acento dinmico, acento
expiratrio ou icto), quando o     relevo consiste no maior esforo
expiratrio. Diz-se que o acento  musical     (acento de altura ou
tom), quando o relevo consiste na elevao ou maior     altura da voz.
O portugus e as demais lnguas romnicas, o ingls, o alemo, so
lnguas de_ acento de intensidade; o latim e o grego, por outro lado,
pos-     suem acento musical.       O acento de intensidade se manifesta
no vocbulo conside,~ado isola-     damente (acento vocabular) ou ligado
na enunciao da frase (acento     frsico).           Acento de
intensidade. - Numa palavra nem todas as slabas so     proferidas com
a mesma intensidade. Em slida, barro, poderoso, material,     h uma
slaba que se sobressai s demais e, por isso, se chama tnica:
slida, barro, poderoso, material. As outras slabas se dizem tonas e
podem estar antes (pretnicas) ou depois (postnicas) da tnica:
Po   -                                        tona
pretnica         de   -  ro       so     tona            tnica  tona
pretnica                postnica           Dizemos que nas slabas
fortes repousa o acento tnico do vocbulo     (acento da palavra ou
acento vocabular).       Existem ainda as slabas semifortes chamadas
subtnicas que, por     questes rtmicas, compensam o seu afastamento
da slaba tnica, fazendo     que se desenvolva um novo acento de menor
intensidade - acento secun-     drio -. Delas nos ocuparemos mais
adiante.           Posio do acento tnico. - Em portugus, quanto 
posio do     acento tnico, os vocbulos de duas ou mais slabas podem
ser:         (1) SAID ALI, Gram. Sec., 15.         53 #
a)oxtonos: o acento tnico recai na ltima slaba: material,
princ~   b)paroxtonos: o acento recai na penltima slaba: barro,
Poderoso,         Pedro;   C) proparoxtonos: o acento tnico recai na
antepenltima slaba:         slida, felicssimo.           OBURVAES:
Em estu~amo-lo o acento tnico aparece na pr-antepenltima     slaba,
porque os monosslabos tonos formam um todo com o vocbulo a que se
ligam     foneticamente.  por isso que fd-lo  paroxtono e admiras-te,
proparoxftono (cf.     pg. 55).           Em portugus, geralmente a
slaba tnica coincide com a slaba tnica     da palavra latina de que
se origina.       H vocbulos, como os que vimos at agora, que tm
individualidade     fontica e, portanto, acento prprio, ao lado de
outros sem essa individua-     lidade. Ao serem proferidos acostam-se ou
ao vocbulo que vem antes ou     ao que os seguei Por isso, so chamados
cliticos (que se inclinam), e sero     proclticos se se inclinam para
o vocbulo seguinte (o homem, eu sei, vai     ver, mar alto, no viu) ou
enclticos, se para o vocbulo anterior (vejo-me,     dou-a, fiz-lhe).
Os cliticos so geralmente monossilbicos que, por no terem acento
prprio, tambm se dizem tonos. Os monossilbicos de individuali a e
fontica se chamam t6nicos.       Alguns disslabos podem ser tambm
clficos ou tonos: para (redu-     zido a pra) ver, quero Crer, quero
porque quero.       A tonicidade ou atonicidade de monossilabos e de
alguns disslabos     depende sempre do acento da frase (cf. pg. 55).
Acento de intensidade e sentido do vocbulo. - O acento de inten-
sidade desempenha importante papel lingstico, decisivo para a signifi-
cao do vocbulo. Assim, sbia  adjetivo sinnimo de erudita; sabia 
forma do pret. imperfeito do indicativo do verbo saber; sabi  substan-
tivo designativo de conhecido pssaro.           Acento principal e
acento secundrio. - Em rapidamente a slaba     ra possui um acento de
intensidade menos forte que o da slaba men, e se     ouve mais
distintamente do que as tonas existentes na palavra. Dizemos     que a
slaba men contm o acento principal e ra o acento secundrio da
palavra. A slaba em que recai o acento secundrio chama-se, como vimos,
subt6nica.       Geralmente ocorre o acento secundrio na slaba radical
dos vocbulos     polissilbicos derivados, cujos primitivos possuam
acento principal: Rpido     - rapidamente.         54 #
Acento de instncia e emocional. - O portugus tambm faz em-     prego
do acento de intensidade para obter, com o chamado acento de
insistncia, notveis efeitos. Entra em jogo ainda a quantidade da vogal
e da consoante, pois, quando se quer enfatizar uma palavra, insiste-se
mais demoradamente na slaba tnica. Os escritores costumam indicar na
grafia este alongamento enftico repetindo a vogal da slaba tnica:
"Os dois garotos, porm, esperneiam com a mudana de mie: - Mentira 1...
Mentiiiiira!... Mentiiiiiiiiiira! - bem cada um para seu lado" (HUMBERTO
DE CAMPOS,     Sombras que Sofrem, 32).       "encasqueta-se-lhes na
cabea que o amor, o amoor, o amooor  tudo na vida e     adeus"
(MoNmuRo LoBATo, Cidades Mortas, 147).         O acento de insistncia
pode cair noutra slaba, diferente da tnica:         maravilhosa,
formidvel, inteligente, miservel.           Como bem acentua Roudet, a
causa essencial do fenmeno d recuo     do acento "parece ser a falta
de sincronismo entre a emoo e sua expres-     so atravs da
linguagem. A emoo se adianta  palavra e refora a voz     desde que
as condies fonticas o permitem" (1).       Este acento de insistncia
no tem apenas carter emocional; adquire     valor intelectual e ocorre
ainda para ressaltar uma distino, principal-     mente com palavras
derivadas por prefixao ou expresses com prepo-     sies de sentidos
opostos.         So fatos subjetivos e no objetivos.     Os problemas
de importao e de exportao.     Com dinheiro ou sem dinheiro.
Acento de intensidade na frase. - Isoladas, as palavras regulam sua
slaba tnica pela etimologia; mas na sucesso de vocbulos, deixa de
prevalecer o acento da palavra para entrar em cena o acento da frase ou
frsico, pertencente a cada grupo de fora.       Chama-se grupo de
fora  sucesso de dois ou mais vocbulos que     constituem um
conjunto fontico subordinado a um acento tnico predo-     minante: A
casa de Pedrol  muito grande. Notamos aqui, naturalmente,     dois
grupos de fora que se acham indicados por barra. No primeiro, as
palavras a e de se incorporam a casa e Pedro, ficando o conjunto subor-
dinado a um acento principal na slaba inicial de Pedro, e um acento
secundrio na slaba inicial de casa. No segundo grupo de fora, as
pala-     vras  e muito se incorporam foneticamente a grande, ficando o
conjunto     subordinado a um acento principal na slaba inicial de
grande e outro     secundrio, mais fraco, na slaba inicial de muito.
(1) AMments de Phondtique Gdnirale~ 252.         55 #            quase
sempre fcil determinar a slaba tnica de cada grupo de     fora; o
difcil  precisar, em certos casos, o ponto de diviso entre dois
grupos sucessivos(').       A distribuio dos grupos de fora e a
alternncia de slabas profe-     ridas mais rpidas ou mais demoradas,
mais fracas ou mais fortes, conforme     o que temos em mente expressar,
determinam certa cadncia do contexto      qual chamamos ritmo. Prosa e
verso possuem ritmo. No verso o ritmo      essencial e especfico; na
prosa apresenta-se livre, variando pela iniciativa     de quem fala ou
escreve (2).           Vocbulos tnicos e tonos: os clticos. - Nestes
grupos de fora     certos vocbulos perdem seu acento prprio para
unir-se a outro que os     segue ou que os precede. Dizemos que tais
vocbulos so clticos (que se     inclinam) ou tonos (porque se acham
destitudos de seu acento voca-     bulgr). Aquele vocbulo que, no
grupo de fora, mantm sua individua-     lidade fontica  chamado
tnico. Ao conjunto se d o nome de vocbulo     fontico: o rei
lurrey/; deve estar Idevistarj.       Os clticos se dizem proclticos
se precedem o vocbulo tnico a que     se incorporam para constituir o
grupo de fora:         o reill ele dissell bom livro11 deve estar
Dizem-se enclticos se vm depois do vocbulo tnico:         disse-me
// ei-lo // falar-lhe           Em portugus so geralmente tonas e
proclticas as seguintes classes     de vocbulos:         1) artigos
(definidos ou indefinidos, combinados ou no com preposio):       o
homem // um homem          do livro     2)               certos
numerais: um livro   trs vezes // cem homens // etc.     3)
pronomes adjuntos antepostos (demonstrativos, possessivos, indefinidos,
interroga-       tivos): este livro 11 meu livro 11 cada dia // que
fazer?     4) pronomes pessoais antepostos: ele vem 111 eu disse     5)
pronomes relativos     6) verbos auxiliares     7) certos advrbios (j
vi, no posso, etc.)     8) certas preposies (a, de, em, com, por,
sem, sob, para)     9) certas conjunes: e, nem, ou, mas, que, se,
como, etc.           So enclticas as formas pronominais me, te, se,
nos, vos, o, a, os, as,     lhe, lhes, quando pospostas ao vocbulo
tnico.           (1) NAvARiRo Toms, Manual de Pronunciacidn EspatIola,
29, n. 1.       (2) Na lngua portuguesa moderna predomina a seqncia
progressiva, que consiste em     apresentar, de preferncia, a
OeclaraAo no fim (o predicado), o determinado antes do deer.
minante, o que se torna cmodo aos interesses de compreenso do
interlocutor.         56 #           Muitas vezes, uma palavra pode ser
tona ou tnica, conforme sua     posio no grupo de fora a que
pertence. Em o arco desaparece, o subi-     tantivo arco  tnico; em o
arco-ris('), passou a tono procltico.       Em grande homem, alto
mar, os adjetivos so tonos; em homem     grande, mar alto, j so os
substantivos que se atonizam. Em eu lhe disse,     os dois pronomes
pessoais so tonos proclticos; em disse-lhe eu, o pro-     nome eu
conserva seu acento prprio. Todo este conjunto de fatos so     devidos
a fenmenos de fontica sinttica.           Conseqncias da prclise.
- Os vocbulos tonos proclticos, per-     dendo o seu acento prprio
para se subordinarem ao do tnico, seguinte,     resistem menos  pressa
com que so proferidos. e acabam por sofrer     redues no seu volume
fontico. Dentre os numerosos exemplos de pr-     clise lembraremos
aqui:      a)a passagem de hiato a ditongo, em virtude de uma vogal
passar a      semivogal (sinrese):           Tuas, normalmente
dissilbico, tem de ser proferido com uma slaba     nos seguintes
versos de Gonalves Dias, graas  prclise:              "E  noite,
quando o cu  puro e limpo,              Teu cho tinges de azul, -
tuas ondas correm."           Boa (ou boas), em prclise, transforma a
vogal o em semivogal, que     chega, na lngua popular, a desaparecer:
"Outros suas terras em boa paz regeram       Armando-as com boas leis, e
bons Preceitos." (ANTNio ~UtA, Poemas);       "bas noite nhozinho"
(CARDOSO, Maleita, 281) (2).      b) desaparecimento da vogal da
primeira slaba de um disslado;      para > pra: Isto  pra mim.
C) desaparecimento da slaba final de um disslabo:      1) santo > so
(diante dos nomes comeados por consoante), So Paulo, So Pedro;
2) cento > cem: cem pginas;      3) grande > gr, gro: Gr-Bretanha,
gro-vizir;      4) tanto > to: tio grande;      5) quanto > quo: quo
belo.         d) outras redues como senhor > seu: seu Joo.
Vocbulos que oferecem dvidas quanto  posio da slaba tnica.     -
Silabada  o erro na acentuao tnica de um vocbulo.          (1) Por
isso, nos compostos, para determinao da posio do acento tnico,
leva-se em     considerao a ltima palavra. Dessarte,  oxitono
couve-flor e paroxItono arco-ris.      (2) Exemplos extraidos de SOUSA
DA SILVEIRA, Fontica Sinttica, 97-98.         57 #           Numerosos
vocbulos existem que oferecem dvida quanto  posio     da slaba
tnica.         So oxtonos:         So paroxtonos:         alanos
alccer, alcar     algaravia     mbar     Andronico     arcediago
arrtel     avaro     avito     aziago     azimute     barbaria
batavo     cnon     caracteres     cenobita     clmax     croniossomo
decano     edito (lei, decreto)         alo6s     Cister     harkm
Gibraltar     masseter     faz-se mister ( =necessrio)     Monroe
erudito     esquilo     estalido     exegese     filantropo     flbil
fluido (ui ditongo)     frceps     fortuito (ui ditongo)     glflo
gratuito (ui ditongo)     gmex     hissope     hosana     Hungria
ibero     impo (cruel)     inaudito     ndex     ltex         Nobel
novel     recm     refm     ruim     sutil     ureter
Madagscar (tambm #          oxtono)     maquinaria     matula (scia;
famel)     misantropo     necropsia     nctar     nenfar     Normandia
onagro     opimo     pegada     policromo     pudico     quiromancia
refrega     stIO     subida honra     tulipa           So
proparoxtonos (incluindo-se os vocbulos terminados por ditongo
crescente):         acnito       Androcies     barbrie     dvena
andrgino     btega     acrdromo     anlito       bvaro     aerlito
anmona       bgamo     gape         andino       bmano     lacre
antdoto      bomia     lcali        antifona      blido     lcool
antfrase     brmane     alclone       pode         cfila
alcolatra    arepago      crbero     alibi (latinismo)
areteClepatra.     alvssaras    arqutipo     condmino     mago
autctone     cotildone     amlgama      vido         crstino
ambrsia      azfama       crisntemo     antema       azrnola
Dmocles         58 #         escncaras (s     estratgia     etfope
xodo     fac-smile     fagcito     farndula     frula     fbula.
grrulo     grandloquo         acrbata     alpata     andrido
hierglifo     nefelbata.     Ocenia     ortopia     projtil
rptil     reseda ()     sror     Drio     Gndavo     homlia
geodsia     zngo         acrobata     alopata     anidrido
hieroglifo,     nefelibata     Oceania     ortoepia     projetil
reptil     resedi     soror     Dario     Gandavo     homilia
geodesia     zanglo         pntano     pramo,     Pgaso     priplo
pliade (-a)     prstino     prfugo     prdromo     prottipo
quadrmano     rquiem     resffilego (s.)     revrbero,         1) O
alfabeto portugus consta fundamentalmente de vinte e trs letras:
2) Alm dessas letras h trs que s se podem usar em casos especiais:
k, w, y.         3) O h  substitudo por qu antes de e e i e por e
antes de outra qualquer #           4) Emprega-se em abreviaturas e
smbolos, bem como em palavras estrangeiras     de uso internacional: K.
= potssio; Kr. = criptnio; kg = quilograma; km = qui-     lmetro; w
= quilowatt; kwh = quilowatt-hora, etc.       5) Os derivados
portugueses de nomes prprios estrangeiros devem escrever-se     de
acordo com as formas primitivas: frankliniano, kantismo, kleperiano,
perkinismo, etc.       6) O w substitui-se, em palavras portuguesas ou
aportuguesadas, por u ou v,     conforme o seu valor fontico:
sanduche, talvegue, visigodo, etc.       7) Como smbolo e abreviatura,
usa-se em kw = quilowatt; W = oeste ou     tungstnio; w = watt; ws =
watt-segundo, etc.       8) Nos derivados vernculos de nomes prprios
estrangeiros, cumpre adotar as     formas que esto em harmonia com a
primitiva: darwinismo, wagneriano, zwin-     glianista, etc.       9) o
y, que  substitudo pelo i, ainda se emprega em abreviaturas e como
smbolo de alguns termos tcnicos e cientficos: Y. = trio; yd = jarda,
etc.           10) Nos derivados de nomes prprios estrangeiros, devem
usar-se as formas que     se acham de conformidade com a primitiva:
byroniano, maynardina, taylorista, etc.         III - H           11)
Esta letra no  propriamente consoante, mas um smbolo que, em razo
da etimologia e da tradio escrita do nosso idioma, se conserva no
princpio de     vrias palavras e no fim de algumas interjeies:
haver, hlice, hidrognio, hstia,     humildade; ho, hem ? puh !; etc.
12) No interior do vocbulo, s se emprega em dois casos: quando faz
parte do     ch, do lh e do nh, que representam fonemas palatais, e nos
compostos em que o     segundo elemento, com h inicial etimolgico, se
une ao primeiro por meio do hfen:     chave, malho, rebanho;
anti-higinico, contra-haste, pr-histrico, sobre-humano, etc.
OBSERVAO: Nos compostos sem hfen, elimina-se o h do segundo elemento:
anarmnico,     biebdomaddrio, coonestar, desarmonia, exausto,
inabilitar, lobisomem, reaver, etc.           13) No futuro do
indicativo e no condicional, no se usa o h no ltimo elemento,
quando h pronome intercalado: am-lo-ei, dir-se-ia, etc.           14)
Quando a etimologia o no justifica, no se emprega: arpeio
(substantivo),     ombro, ontem, etc. E mesmo que o justifique, no se
escreve no fim de substantivos     e nem no comeo de alguns vocbulos
que o uso consagrou sem este smbolo, ando-     rinha, erva, feld,
inverno, etc.       15) No se escreve h depois de c (salvo o disposto
em o n.O 12) nem depois     de P, r e t: o ph  substitudo por f, o ch
(gutural) por qu antes de e ou i e     por c antes de outra qualquer
letra: corografia, cristo; querubim, qumica; farmcia,     fsforo;
retrica, ruibarbo; teatro, turbulo; etc.         IV - Consoantes mudas
16) No se escrevem as consoantes que se no proferem: asma, assinatura,
cincia,     diretor, gindsio, inibir, inovao, ofcio, timo, salmo, e
no asthma, assignatura,     sciencia, director gymnasio, inhibir,
innovao, officio, optimo, psalmo.       OBsERvAKO: Escreve-se, porm,
o s em palavras como descer, florescer, nascer, etc., e o x     em
vocbulos como exceto, excerto, etc., apesar de nem sempre se
pronunciarem essas consoantes.           17) Em sendo mudo o P no grupo
mpc ou mpt, escreve-se nc ou nt: assuncionis     assunt, presuno,
prontificar, etc.         60 #           18) Devem-se registrar os
vocbulos cujas consoantes facultativamente se pronun-     ciam,
pondo-se em primeiro lugar o de uso mais generalizado, e em seguida o
outro.     Assim, sero consignados, alm de outros, estes: aspecto e
aspeto, caracterstico e     caraterstico, circunspecto e circunspeto,
conectivo e conetivo, contacto e contato, cor-     rupo e corruo,
corruptela e corrutela, dactilografia e datilografia, espectro e
espetro, excepcional e excecional, expectativa e expetativa, infeco e
infeo, opti-     mismo e otimismo, respectivo e respetivo, seco e
seo, sinptico e sintico, suco     e stio, sumptuoso e suntuoso,
tacto e tato, tecto e teto.         V - S C           19) Elimina-se o s
do grupo inicial sc: celerado, cena, cenografia, cincia, cientista,
cindir, cintilar, ciografia, ciso, etc.       20) Os compostos dessa
classe de vocbulos, quando so formados em nossa lngua,     so
escritos sem o s antes do e: anticientfico, contracenar, encenao,
etc.; mas,     quando vieram j formados para o vernculo, conservam o
s: conscincia, cnscio,     imprescindvel, insciente, nscio,
multisciente, nscio, prescincia, prescindir, proscnio,     rescindir,
resciso, etc.         VI - Letras dobradas           21) Escrevem-se rr
e ss quando, entre vogais, representam os sons simples do r     e s
iniciais; e cc ou c quando o primeiro soa distintamente do segundo:
carro, farra,     massa, passo; convico, occipital, etc.       22)
Duplicam-se o r e o s todas as vezes que a um elemento de composio
ter-     minado em vogal se segue, sem interposio do hfen, palavra
comeada por uma     daquelas letras: albirrosado, arritmia, altssono,
derrogar, prerrogativa, pressentir, res-     sentimento, sacrossanto,
etc.         VII - Vogais nasais           23) As vogais nasais so
representadas no fim dos vocbulos por ti (s), im (ins),     om (ons),
um (uns): ali, cs, flautim, folhetins, semitom, tons, tutum, zunzuns,
etc.       24) O 1 pode figurar na slaba tnica, pretnica ou tona:
gaM, cristmente, ma,     drf, romanzeira, etc.       25) Quando
aquelas vogais so iniciais ou mediais, a nasalidade  expressa por
m antes do b e p, e por n antes de outra qualquer consoante: ambos,
campo; contudo,     enfim, enquanto, homenzinho, nuvenzinha,
vintenzinho, etc.         VIII - Ditongos           26) Os ditongos
orais escrevem-se com a subjuntiva i ou u: aipo, cai, cauto,
degraus, dei, fazeis, idia, mausolu, neurose, retorqiu, ri, sois,
sou, 50u10, uivo,     usufrui, etc.      OBSERVAKO: Escrevem-se com i,
e no com e, a forma verbal fui, a 2.a e 3.a pessoa do     singular do
presente do indicativo e a 2.a do singular do imperativo dos verbos
terminados     em uir: aflui, fruis, retribuis, etc.          27) O
ditongo ou alterna, em numerosos vocbulos, com oi: balouar e baloiar,
calouro e caloiro, dourar e doirar, etc. Cumpre registrar em primeiro
lugar a forma     que mais se usa, e em seguida a variante.         61 #
28) Escrevem-se assim os ditongos nasais: de, ai, tio, am, em, en (8),
6e, Ui (Pro.     ferido ili): mie, ples, clibra, acrtflo, irmdo,
ledozinho, amam, bem; bens, devem,     pe, repes, muito, etc.
CIBURVAES:       l.a) Dispensa-se o til do ditongo nasal ui em mui e
muito.       2.a) Com o ditongo nasal do se escrevem os monosslabos,
tnicos ou no, e os polisslabos         oxtonos: co, do, grdo, ndo,
quo, so, tdo; alcordo, capito, cristdo, ento, irmo,         sendo,
sentiro, serviro, vivero, etc.       3.a) Tambm se escrevem com o
ditongo do os substantivos e adjetivos paroxtonos, acen-
tuando-se, porm, a slaba tnica: rfo, rgo, sto, etc.       4.a)
Nas formas verbais anoxtonas se escreve qm: amaram, deveram, partiram,
puseram, etc.       5.a) Com o ditongo nasal de se escrevem os vocbulos
oxtonos e os seus derivados; e os         anoxtonos primitivos
grafam-se com o ditongo di: capites, mdes, pdezinhos; clibo,
zdibo, etc.       6.a) O ditongo nasal i(s) escreve-se em ou en(s),
assim nos monosslabos como nos polis.         slabos de qualquer
categoria gramatical: bem, cem, convm, convns, mantm, mantns,
nem, sem, virgem, virgens, voragem, voragens, etc.           29) Os
encontros voclicos tonos e finais que podem ser pronunciados como
ditongos crescentes escrevem-se da seguinte forma; ea (urea), co
(cetceo), ia (colnia),     ie (espcie), io (exmio), oa (ndoa), ua
(contnua), ue (tnue), uo (trduo), etc.         IX - Hiatos
30) A La, 2.a, 3.a pessoa do singular do presente do conjuntivo e a 3.a
pessoa do     singular do imperativo dos verbos em oar escrevem-se com
oe e no oi: abenoe,     amaldioes, perdoe, etc.       31) As trs
pessoas do singular do presente do conjuntivo e a &a do singular     do
imperativo dos verbos em uar escrevem-se com ue, e no ui: cultue,
habitues,     preceitue, etc.         X - Parnimos e vocbulos de
grafla dupla           32) Deve-se fazer a mais rigorosa distino entre
os vocbulos parnimos e os de     grafia dupla que se escrevem com e ou
com i, com o ou com u, com c ou q, com ch     ou x, com g ou i, com s,
ss ou c, , com s ou x, com s ou z e com os diveisos     valores do x.
33) Deve-se registrar a grafia que seja mais conforme  etimologia do
vocbulo     e  sua histria, mas que esteja em harmonia com a prosdia
geral dos brasileiros,     nem sempre idntica  lusitana. E quando h
dois vocbulos diferentes, v. g., ura     escrito com e e outro escrito
com i,  necessrio que ambos sejam acompanhados da     sua definio ou
do seu significado mais vulgar, salvo se forem de categorias grama.
ticais diferentes, porque, neste caso, sero acompanhados da indicao
dessas categorias.     Ex.: censrio, adj. Cf. Sensrio, adj. e s.m.
Assim, pois, devem w inscritos vocbulos como: antecipar, criador,
criana, criar,     diminuir, discriciondrio, dividir, filintiano,
filipino, idade, igreja, igual, imiscuir-se,     invs, militar,
ministro, pior, quase, quepe, tigela, tijolo, vizinho, etc.       34)
Palavras como cardeal e cardial, desfear e desfiar, descrio e
discrio, destinto     e distinto, meado e miado, recrear e recriar, se
e si sero consignadas com o necessrio     esclarecimento e a devida
remisso. Por exemplo: descrio, 9.f.: ao de descrever.     Cf.
discrio. Discrio, s.f.: qualidade do que  discreto. Cf. descrio.
35) Os verbos mais usados -em ear e iar sero seguidos das formas do
presente     do indicativo, no todo ou em parte.         62 #
36) De acordo com o critrio exposto, far-se- rigorosa distino entre
os vocbulos     que se escrevem:        a)com o ou com u: frdgua,
lugar, mgoa, manuelino, polir, tribo, urdir, veio        (v. ou
substantivo), etc.    b)com c ou q: quatorze (seguido de catorze),
cinqenta, quociente (seguido de        cociente), etc.    C)com ch ou
x: anexim, bucha, cambaxirra, charque, chimarro, coxia, estrebuchar,
faxina, flecha, tachar (notar; censurar), taxar (determinar a taxa;
regular),        xcara, etc.    d)com g ou i: estrangeiro, jenipapo,
genitivo, gria, jeira, jeito, jibia, firau, laran-        jeira,
lojista, majestade, viagem (subst.), viajem (do verbo viajar), etc.
C)com s, is ou c, : dnsa, anticptico, boa (cabo de navio), bossa
(protuberncia;        aptido), bolar (vomitar), bolsar (fazer
bolsos), caula, censual (relativo a        censo), sensual (lascivo),
etc.         OtazavAo: No se emprega  em incio de palavras.
com s ou x: espectador (testemunha), expectador (pessoa que tem
esperana),      experto (perito; experimentado), esperto (ativo;
acordado), esplndido, esplen-      dor, extremoso, flux (na locuo a
flux), justafluvial, justapor, misto, etc.  g)com s ou z: alazdo,
alcauz (planta), alisar (tornar liso), alizar (s.m.), anestesiar,
autorizar, bazar, blusa, brasileiro, buzina, colseu, comezinho, corts,
dissenso,      empresa, esfuziar, esvaziamento, frenesi (seguido de
frenesim), garcs, guizo      (9.m.), improvisar, irisar (dar as cores
do ris a), irizar (atacar [o iriz] o cafe-      zeiro), lambuzar,
luzidio, mazorca, narcsar-se, obsquio, pezunho, prioresa, rizo-
tnico, sacerdotisa, sazo, tapiz, trdnsito, xadrez, etc.
OISILAVAUS:       La)E sonoro o s de obsquio e seus derivados, bem
como o do prefixo trans, em se lhe         "Indo vogal, pelo que se
dever indicar a sua pronncia entre parnteses; quando,         porm,
a esse prefixo se segue palavra iniciada por s, s se escreve um, que se
profere como se fora dobrado: obsequiar (ze), transocednico (zo),
transecular (se),         transubstanciao (su); etc.   2.a)No final de
slaba tona, seja no interior, seja no fim do vocbulo, emprega-se o s
em lugar do z: asteca, endes, mesquita, etc.           37) O x continua
a escrever-se com os seus cinco valores, bem como nos casos em     que
pode ser mudo, qual em exceto, excerto, etc. Tem, pois, o som de:
IP) ch, no princpio e no interior de muitas palavras: xirel, xerife,
xcara, ameixa;      enxoval, peixe, etc.      OssiavAo: Quando tem
esse valor, no ser indicada a sua pronncia entre parnteses.     
2.0) cs, no meio e no fim de vrias palavras: anexo, complexidade,
convexo, brax,        Utex, slex, etc.     ~I V) z, quando ocorre no
prefixo exo ou ex seguido de vogal: exame, xito, xodo,     1
exosmose, exotrmico, etc.     ~ V) ss: aproximar, auxiliar, mximo,
proximidade, sintaxe, etc.      5,0) s final de slaba: contexto, fnix,
pretextar, sexto, textual, etc.     ~i            38) No final de
slabas iniciais e interiores se deve empregar o s em vez do x,     1
'. quando no o precede a vogal e: justafluvial, justaposi&o, misto,
sistino, etc.         63 #         XI - Nomes prprios           39) Os
nomes prprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo
portugueses ou aportuguesados, esto sujeitos s mesmas regras
estabelecidas para os     nomes comuns.       40) Para salvaguardar
direitos individuais, quem o quiser manter em sua assina-     tura a
forma consuetudinria. Poder tambm ser mantida a grafia original de
quais-     quer firmas, sociedades, ttulos e marcas que se achem
inscritos em registro pblico.       41) Os topnimos de origem
estrangeira devem ser usados com as formas vernculas     de uso vulgar;
e quando no tm formas vernculas, transcrevem-se consoante as
normas estatudas pela Conferncia de Geografia de 1926 que no
contrariarem os     princpios estabelecidos nestas Instrues.
42) Os topnimos de tradio histrica secular no sofrem alterao
alguma na sua     grafia, quando j esteja consagrada pelo consenso
dititurno dos brasileiros. Sirva de     exemplo o topnimo Bahia, que
conservar esta forma quando se aplicar em referncia     ao Estado e 
cidade que tm esse nome.       OBSERVAO: Os compostos e derivados
desses topnimos obedecero s normas gerais do     vocabulrio comum.
XIII - Apstrofo           44) Limita-se o emprego do apstrofo aos
seguintes casos: 1.0)Indicar a supresso de uma letra ou letras no
verso, por exigncia da metrificao:       c'roa, esp'rana, ofrecer,
'star, etc.     2.0)                             Reproduzir certas
pronncias populares: 'td, 'teve, etc.     3.0)
Indicar a supresso da vogal, j consagrada pelo uso, em certas palavras
compostas       ligadas pela preposio de: copo-d'gua (planta,
lanclic), galinha-d'gua, mie-       d'gua, olho-d'gua, pau-d'gua
(rvore, brio), pau-d'alho, pau-d'arco, etc.       OBsEitvAo:
Restringindo-se o emprego do apstrofo a esses casos, cumpre no se.use
dele     em nenhuma outra hiptese. Assim, no ser empregado:    a)nas
contraes das preposies de e em com artigos, adjetivos ou pronomes
demonstrativos,        indefinidos, pessoais e com alguns advrbios: dei
(em aqui-dei-rei); dum, duma (a par        de de um, de uma), num, numa
(a par de em um, em uma); dalgum, dalguma (a par de        de algum, de
alguma), nalgum, nalguma (a par de em algum, em alguma); dalgum, nal-
gum (a par de de algum, em algum); doutrem, noutrem (a par de de
outrem, etn        outrem); dalgo, dalgures (a par de de algo, de
algures); daqum, dalm, dacol (a par de        de aqum, de alm, de
acol); doutro, noutro (a, par de de outro, em outro); dele, dela,
nele, nela; deste, desta, neste, nesta, daquele, daquela, naquele,
naquela; disto, nisto, da.        quilo, naquilo; daqui, da, dacol,
donde, dantes, dentre; doutrora (a par de de outrora),        noutrora;
doravante (a par de de ora avante); etc.    b)nas combinaes dos
pronomes pessoais; mo, ma, mos, mas, to, ta, tos, tas, lho, lha,
lhos, lhas, no-lo, no-los, no-las, vo-lo, vo-la, vo-los, vo-las.
C)nas expresses vocabulares que se tornaram unidades fonticas e
sernriticas: dessarte,        destarte, homessa, tarrenego, tesconjuro,
vivalma, etc.    d)nas expresses de uso constante e geral na linguagem
vulgar: co, coa, ca, cos, cas, com        (= com o, com a, com os, com
as), pio, pia, pios, pias (= pelo, pela, pelos, pelas),        Pra (=
para), pro, pra, pros, pras (= para o, para a, para os, para as), etc.
XIV - Hfen           45) S se ligam por hfen os elementos das
palavras compostas em que     mantm a noo da composio, isto , os
elementos das palavras compostas %W     mantm a sua independncia
fontica, conservando cada um a sua prpria     porm formando o
conjunto perfeita unidade de sentido.         64 #         ) Dentro
desse princpio, deve-se empr ar o hfen nos se intes casos     1,0)Nas
palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuao prpria,
no       conservam, considerados isoladamente, a sua significao, mas
o conjunto constitui       uma unidade semntica: gua-marinha,
arco-ris, galinha-d'gua, couve-flor,         pra-choque,
porta-chapus, etc.         1.a)
Incluem-se nesta norma os compostos em que figuram elementos
foneticamente redu                1  1  L -ado su-sue         zidos: be
-Prazer, i-sues e, ma pe ste, etc.     2.a)0 antigo artigo el, sem
embargo de haver perdido o seu primitivo sentido e no ter       vida 
parte na lngua, une-se por hfen ao substantivo rei, por ter este
elemento         evidncia semntica     3.a)Quando se perde a noo do
composto, quase sempre em razo de um dos elementos       no ter vida
prpria na lngua, no se escreve com hfen, mas aglutinadamente:
abrolhos, bancarrota, fidalgo, vinagre, etc.     4.a)
Como as locues no tm unidade de sentido, os seus elementos no devem
ser unidos       por hfen, seja qual for a categoria gramatical a que
elas pertenam. Assim, escre , ve-sc,       v.g., vs outros (locuo
pronominal), a desoras (locuo adverbial), a fim de (lo-       cuo
prepositiva), contanto que (locuo conjuntiva), porque essas
combinaes voca-       bulares no so verdadeiros compostos, no
formam perfeitas unidades semnticas.       Quando, porm, as locues
se tornam unidades fonticas, devem ser escritas numa s       palavra:
acerca (adv.), afinal, apesar, debaixo, decerto, defronte, depressa,
devagar,         5-a         As formas verbais com pronomes enclticos
ou mesoclticos e os vocbulos compostos     cujos elementos so ligados
por hfen conservam seus acentos grficos: am-lo-d, am-     reis-me
amsseis-vos, dev-lo-ia, fd-la-emos, p-las-amos,     2,0)Nas formas
verbais com pronomes encliticos ou mesocliticos: ama-lo (amas e lo),
am-lo (amar e lo), d-se-lhe, f-lo-d, oferec-la-ia, rep-lo-eis,
serenou-se-te, traz-me     3.0)Nos vocbulos formados pelos prefixos que
representam formas adjetivas, com       anglo, greco, histrico, nfero,
latino, lusitano, luso, pstero, spero, etc.: anglO       brasileiro,
greco-romano, histrico-geogrfico, nfero-anterior, latino-americano
lusitano-castelhano, luso- brasileiro, pstero-palatal,
stipero-posterior, etc.      OBSERVAO: Ainda que esses elementos
prefixais sejam redues de adjetivos, no perden     sua
individualidade morfolgica, e r Isso devem unir-se por hfen, como
sucede com         austro (= austraco), dlico (= dolicocfalo), euro
(= europeu), telgrafo (= telegrfico), etc-     austro-hngaro,
dlico-louro, euro-africano, telgrafo-postal, etc.(1)     V)Nos
vocbulos formados por sufixos que representam formas adjetivas, como
atc,       guau e mirim, quando o exige a pronncia e quando o
primeiro elemento acaba       em vogal t da aficamente: andd-au
amor-guau anaid-mirim, capim-au,       etc.      a)auto, contra,
extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi e ultra, quando se
lhes seguem palavras comeadas por vogal, h, r oualmirante,
extra-oficial, infra-heptico, intra-ocular, neo-republicarto,
proto-revo-                                   .~ 7         (1) Mas, no
prprio texto do PVOLP, encontramos contradies a ste principio, como:
#           OBSERVAO: A nica exceo a esta regra  a palavra
extraordindrio, que j est consagrada     pelo uso.      b)ante, anti,
arqui e sobre, quando seguidos de palavras iniciadas por h, r ou      s:
ante-histrico, anti-higinico, arqui-rabino, sobre-saia, etc.  C)
supra, quando se lhe segue palavra encetada por vogal, r ou s:
supra-axilar,      supra-renal, supra-servel, etc.  d) super, quando
seguido de palavra principiada por h ou r: super-homem, super-
requintado, etc.  C) ab, ad, ob, sob e sub, quando seguidos de elementos
iniciados por r: ab-rogar,      ad-renal, ob-reptcio, sob-roda,
sub-reino, etc.  f)pan e mal, quando se lhes segue palavra comeada por
vogal ou h: pan-asidtico,      pan-helenismo, mal-educado, mal-humorado,
etc.  g)bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autnoma na lngua
ou quando      a pronncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurana, etc.
h) sem, sota, soto, vice, vizo, ex (com o sentido de cessamento ou
estado anterior),      etc.: sem-cerimnia, sota-piloto, soto-ministro,
vice-reitor, vizo-rei, ex-diretor, etc.  i)ps, pr e pr, que tm
acento prprio, por causa da evidncia dos seus signi-      ficados e da
sua pronunciao, ao contrrio dos seus homgrafos inacentuados,
que, por diversificados foneticamente, se aglutinam com o segundo
elemento:      ps-meridiano, pr-escolar, pr-britdnica; mas pospor,
preanunciar, procnsul,      etc.         XV - Diviso silbica
47) A diviso de qualquer vocbulo, assinalada pelo hfen, em regra se
faz pela     soletrao, e no pelos seus elementos constitutivos
segundo a etimologia.       48) Fundadas neste princpio `geral, cumpre
respeitar as seguintes normas:       La) A consoante inicial no seguida
de vogal permanece na slaba que a segue:     cni-do-se, dze-ta, gno-ma,
mne-m-ni-ca, pneu-mii-ti-co, etc.       2.a) No interior do vocbulo,
sempre se conserva na slaba que a precede a con-     soante no seguida
de vogal: ab-di-car, ac-ne, bet-sa-mi-ta, daf-ne, drac-ma, t-ni-co,
nup-ci-al, ob-fir-mar, op-o, sig-ma-tis-mo, sub-por, sub-ju-gar, etc.
3.a) No se separam os elementos dos grupos consortnticos iniciais de
slabas nem     os dos digramas ch, ffi, nh: a-blu-do, a-bra-sar,
a-che-gar, fi-lho, ma-nhLI, etc.       OBSERVAO: Nem sempre formam
grupos articulados as consonAncias bi e br: nalguns casos     o 1 e o r
se pronunciam separadamente, e a Isso se atender na partio do
vocbulo; e as     consoantes di, a no ser no tempo onomatopico dlim,
que exprime toque de campainha,     proferem-se desligadamente, e na
divislo silbica ficar o hfen entre essas duas letras. Ex.:
,sub-lin-gual, jub-rogi~r, ad-le-gado, etc.           4.a) O sc no
interior do vocbulo biparte-se, ficando o s numa slaba, e o e na
silaba, imediata: a-do-les-cen-te, con-va-les-cer, des-cer, ins-ci-ente,
pres-cin-dir, res-ci-so,     etc.           OBSERVAO: Forma slaba
com o prefixo antecedente o s que precede consoantes: abs-tra-ir,
ads-cre-ver, ins-cri-o, ins-pe-tor, in-tru-ir, in-ters-d-cio,
pers-pi-car, subi-cre-ver, subi-ta-be-Le-cer,     etc.           5.a) O
s dos prefixos bis, cis, des, dis, trans e o x do prefixo ex no se
separam     quando a slaba seguinte comea por consoante; mas, se
principia por vogal, formam     slaba com esta e separam-se do elemento
prefixal: bis-ne-to, cis-pla-ti-no, des-li-gar, dis-     tra-tlo,
trans-por-tar, ex-tra-ir; bi-sa-v, ci-san-di-no, de-ses-pe-rar,
di-sen-t-ri-co, tran-     sa-tln-ti-co, e-xr-ci-to, etc.         66 #
6.a) As vogais idnticas e as letras cc, c, rY e ss separam-se ficando
uma na slaba     seguinte: ca-a-tin-ga, co-or-de-nar, du-n-vi-ro,
fri-s-simo, ge-e-na, in-te-lec-o, oc-ci-     pi-tal, pror-ro-gar,
res-sur-gir, etc. .      OMERVAO: As vogais de hiatos, ainda que
diferentes uma da outra, tambm se separam:     a-ta-ti-de, cai-ais,
ca-t-eis, ca-ir, do-er, du-e-lo, fi-el, flu-iu, flu-ir, gra-ti-na,
je-su--ta, te-ai,     mi--do, po-ei-ra, ra-i-nha, ia--de, vi-v-eis,
vo-ar, etc.          7.a) No se separam as vogais dos ditongos -
crescentes e decrescentes - nem as     dos tritongos: ai-ro-so,
a-ni-mais, ati-ro-ra, a-ve-ri-geis, ca-iti, cru-is, en-iei-tar,
fo-ga-ru,     lu-giu, gl-ria, guai-ar, i-guais, ia-mais, ji-as,
-dio, quais, sd-bio, sa-gulo, a-gu6es,     sti-bor-nou, ta-fuis,
vd-rio, etc.       OBSERVAAO: No se separa do u precedido de g ou q a
vogal que o segue, acompanhada,     ou no, de consoante: am-b-guo,
e-qui-va-ler, guer-ra, u-b-quo, etc.         XVI - Emprego das iniciais
maisculas          49)
Emprega-se letra inicial maiscula:          1.0) No comeo do perodo,
verso ou citao direta. Disse o Padre Antnio Vieira:     "Estar com
Cristo em qualquer lugar, ainda que seja no Inferno,  estar no
Paraso".                "Auriverde pendo de minha terra            que
a brisa do Brasil beija e balana,            Estandarte que  luz do
sol encerra            As promessas divinas da Esperana..." (CAsTRo
ALvEs)      OnaravAo: Alguns poetas usam,  espanhola, a minscula
quando a pontuao o permite, como se v em CAsTiLHo:
"Aqui, sim, no meu cantinho,                     vendo rir-me o
candeeiro,                     gozo o bem de estar sozinho
o esquecer o mundo inteird'.         no princpio de cada verso,
2.0) Nos substantivos prprios de qualquer espcie - antroprtimos,
topninos,     patronmicos, cognomes, alcunhas, tribos e castas,
designaes de comunidades religiosas     e polticas, nomes sagrados e
relativos a religies, entidades mitolgicas e astronmicas,     etc.:
Jos, Maria, Macedo, Freitas, Brasil, Amrica, Guanabara, Tiet,
AtIdrtico, Anto-     ninos, Afonsinhos, Conquistador, Magndnimo,
Corao de Leo, Sem Pavor, Deus, Jeovd,     Al Assuno, Ressurreio,
jpiter, Baco, Crbero, Via Ldctea, Canopo, Vnus, etc.
OBSERVAES:   1.a)As formas onomsticas que entram na composio de
palavras do vocabulrio comum         escrevem-se com Inicial minscula
quando constituem, com os elementos a que se         ligam por hfen,
uma unidade semAntica: quando no constituem unidade semntica
devem ser escritas sem hfen e com Inicial maiscula: dgua-de-coldnia,
jogo-de-barro,         maria-rosa (palmeira), etc.; alm Andes, aqum
Atidntico, etc.   2.a)Os nomes de povos escrevem-se com Inicial
minscula, no s quando designam habi-         tantes ou naturais de um
estado, provncia, cidade, vila ou distrito, mas ainda quando
representam coletivamente uma nao*. amazonenses, baianos, estremenhos,
fluminenses,         guarapuavamos, jequicenses, Paulistas, pontalenses,
romenos, russos, suos, uruguaios,         venezucianos, etc.
3.0) Nos nomes prprios de eras histricas e pocas notveis: Hjira,
Idade Mdia,     Quinhentos (o sculo xvi), Seiscentos (o sculo xvii),
etc.      OBSERVAAO: os nomes dos meses devem escrever-se com inicial
minscula: janeiro, fevereiro,     maro, abril, maio, junho, julho,
agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro.         67 #
4.0) Nos nomes de vias e lugares pblicos: Avenida de Rio Branco, Beco
do Carmo,     Largo da Carioca, Praia do Flamengo, Praa da Bandeira,
Rua Larga, Rua do Ouvidor,     Terreiro de So Francisco, Travessa do
Comrcio, etc.           5.0) Nos nomes que designam altos conceitos
religiosos, polticos ou nacionalistas:     Igreja (Catlica,
Apostlica, Romana), Nao, Estado, Ptria, Raa, etc.       OBSFRVAO:
Esses nomes se escrevem com inicial minscula quando so emprega-
dos em sentido geral ou indeterminado.           6.0) Nos nomes que
designam artes, cincias, ou disciplinas, bem como nos que
sintetizam, em sentido elevado, as manifestaes do engenho e do saber:
Agricultura,     Arquitetura, Educao Fsica, Filologia Portuguesa,
Direito, Medicina, Engenharia,     Histria do Brasil, Geografia,
Matemtica, Pintura, Arte, Cincia, Cultura, etc.       OBsERvAo: Os
nomes idioma, idioma pUrio, lngua, lngua portuguesa, vernculo e
outros     anlogos escrevem-se com inicial maiscula quando empregados
com especial relevo.           7.0) Nos nomes que designam altos cargos,
dignidades ou postos: Papa, Cardeal,     Arcebispo, Bispo, Patriarca,
Vigrio, Vigrio-Geral, Presidente da Repblica, Ministro     da
Educao, Governador do Estado, Embaixador, Almirantado, Secretrio de
Estado, etc.           8.0) Nos nomes de reparties, corporaes ou
agremiaes, edifcios e estabeleci-     mentos pblicos ou
particulares: Diretoria Geral do Ensino, Inspetoria do Ensino Su-
perior, Ministrio das Relaes Exteriores, Academia Paranaense de
Letras, Crculo de     Estudos "Bandeirantes", Presidncia da Repblica,
Instituto Brasileiro de Geografia e     Estatstica, Tesouro do Estado,
Departamento Administrativo do Servio Pblico, Banco     do Brasil,
Imprensa Nacional, Teatro de Silo Jos, Tipografia Rolandiana, etc.
9.0) Nos ttulos de livros, jornais, revistas, produes artsticas,
literrias e cientficas:     Imitao de Cristo, Horas Marianas,
Correio da Manh, Revista Filolgica, Transfigu-     rao (de Rafael),
Norma (de Bellini), Guarani (de Carlos Gomes), O Esprito das Leis
(de Montesquieu), etc.           OBSERVAO: No se escrevem com
maiscula inicial as partculas monossilbicas que se acham     no
interior de vocbulos ou de locues ou expresses que tm iniciais
maisculas: Queda do     Imprio, O Crepsculo dos Deuses, Histrias sem
Data, A Mo e a Luva, Festas e Tradies     Populares do Brasil, etc.
1OP) Nos nomes de fatos histricos e importantes, de atos solenes e de
grandes     empreendimentos pblicos: Centenrio da Independncia do
Brasil, Descobrimento da     Amrica, Questo Religiosa, Reforma
Ortogrfica, Acordo Luso-Brasileiro, Exposio     Nacional, Festa das
Mies, Dia do Municpio, Glorificao da Lngua Portuguesa, etc.
OBSERVAAO: os nomes de festas pags ou populares escrevem-se com
inicial minscula:     carnaval, entrudo, saturnais, etc.
11.0) Nos nomes de escolas de qualquer espcie ou grau de ensino:
Faculdade de     Filosofia, Escola Superior de Comrcio, Ginsio do
Estado, Colgio de Pedro II, Insti-     tituto de Educao, Grupo
Escolar de Machado de Assis, etc.       12.0) Nos nomes comuns, quando
personificad" ou individuados, e de seres morais     ou fictcios: A
Capital da Repblica, a Transbrasiliana, moro na Capital, o Natal de
Jesus, o Poeta (Canies), a cincia da Antiguidade, os habitantes da
Pennsula, a Bon-     dade, a Virtude, o Amor, a Ira, o Medo, o Lobo, o
Cordeiro, a Cigarra, a Formiga, etc,           OBSERVAO: Incluem-se
nesta norma os nomes que designam atos das autoridades da Rep-
blica, quando empregados em correspondncia ou documentos oficiais: A
Lei de 13 de maio, o     Decreto n.O 20.108, a Portaria de 15 de junho,
o Regulamento n.* 737, o Acrdo de 3 de     agosto, etc.
13.0) Nos nomes dos pontos cardeais, quando designam regies: Os povos
do Oriente;     o falar do Norte  diferente do falar do Sul; a guerra
do Ocidente, etc.         68 #           OBSERVAO! Os nomes dos pontos
cardeais escrevem-se com iniciais minsculas quando     disignam
direes ou limites geogrficos: Percorri o pas de norte a sul e de
leste a oeste.           14.0) Nos nomes, adjetivos, pronomes e
expresses de tratamento ou reverncia: D.     (Dom ou Dona), Sr.
(Senhor), Sr.a (Senhora), DD. ou Dig.mo (Dignssimo), MM. ou     M.---
(Meritssimo), Rev.", (Reverendssimo), V. Rev.a (Vossa Reverncia),
S.E. (Sua     Eminncia), V. M. (Vossa Majestade), V. A. (Vossa Alteza),
V. S." (Vossa Senhoria), V.     Ex1. (Vossa Excelncia), V. Ex.a Rev.---
(Vossa Excelncia Reverendssima), V. Ex.---     (Vossas Excelncias),
etc.       OBSERVAO: As formas que se acham ligadas a essas expresses
de tratamento devem ser     tambm escritas com iniciais maisculas: D.
Abade, Ex.--- Sr.a Diretora, Sr. Almirante, Sr.     Capito
-de-Mar-e-Guerra, MM. juiz de Direito, Ex.--- e Rev.--- Sr. Arcebispo
Primaz, Magnfico     Reitor, Excelentssimo Senhor Presidente da
Repblica, Eminentssimo Senhor Cardeal, Sua Majes-     tade Imperial,
Sua Alteza Real, etc.           15.0) Nas palavras que, no estilo
epistolar, se dirigem a um amigo, a um colega, a     uma pessoa
respeitvel, as quais, por deferncia, considerao ou respeito, se
queira     realar por esta maneira: meu bom Amigo, caro Colega, meu
prezado Mestre, estimado     Professor, meu querido Pai, minha amordvel
Mie, meu bom Padre, minha distinta Di-     retora, caro Dr., prezado
Capito, etc.         XVJI - Sinais de pontuao           50) ASPAS. -
Quando a pausa coincide com o final da expresso ou sentena     que se
acha entre aspas, coloca-se o competente sinal de pontuao depois
delas, se     encerram apenas uma parte da proposio; quando, porm, as
aspas abrangem todo     o perodo, sentena, frase ou expresso, a
respectiva notao fica abrangida por elas:     "A temos a lei", dizia
o Florentino. "Mas quem as h de segurar?         Ningum." (Rui
BARBOSA.)       "Msera, tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume 1"       "Por que no nasci eu
um simples vaga-lume?" (MACHADO DE Assis.)           51) PARNMES. -
Quando uma pausa coincide com o incio da construo paren-     ttica,
o respectivo sinal de pontuao deve ficar depois dos parnteses, mas,
estando     a proposio ou a frase inteira encerrada pelos parnteses,
dentro deles se pe a com-     petente notao:           "No, filhos
meus (deixai-me experimentar, uma vez que seja, convosco,     este
suavssimo nome); no: o corao no  to frvolo, to exterior, to
carnal, quanto se cuida." (Rui BARBOSA.)       "A imprensa (quem o
contesta?)  o mais poderoso meio que se tem     inventado para a
divulgao do pensamento." (Carta inserta nos Anais da     Biblioteca
Nacional, vol. 1)". (CARLOS DE LAET.)           52) TRAVESSO. -
Emprega-se o travesso, e no o hfen, para ligar palavras ou     grupos
de palavras que formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: O trajeto
Maud-Cascadura; a estrada de ferro Rio-Petrpolis; a linha area
Brasil-A rgen tina;     o percurso Barcas-Tijuca, etc.           53)
PONTO FINAL. - Quando o perodo, orao ou frase'termina por
abreviatura,     no se coloca o ponto final adiante do ponto
abreviativo, pois este, quando coincide     com aquele, tem dupla
serventia. Ex.: "O ponto abreviativo pe-se depois das palavras
69 #         indicadas abreviadamente por suas iniciais ou por algumas
das letras com que se     representam, v.g.: V.Sa; II.---;Ex.a, etc."
(Dr. Ernesto Carneiro Ribeiro.)       Aprovadas unanimemente na sesso
de 12 de agosto de 1943.                                    JOSk CARLOS
DE MACIDO SOARES                            Presidente da Academia
Brasileira de Letras         (Das Instru5es para a Organizao do
Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Nacional)         Regras de acentuao
A - Monossilabos         Levam acento agudo ou circunflexo os
monosslabos terminados em,               a) - a, - as: j, l, vs
b) - e, - es: f, l, ps               c) - o, - os: p, d, ps, ss
B - Vocbulos de mais de uma slaba         OXTONOS (ou agudos)
Levam acento agudo ou circunflexo os oxtonos terminados em:        a) -
a, - as: caid, vatapd, anans, caraids        b) - e, - es: voc, caf,
pontaps        c) - o, - os: cip, jil, av, carijs        d) - em, -
ens: tambm, ningum, vintns, armazns     Da, sem acento: aqu,
caqui, poti, caiu, urubus.         2 - PAROXTONOS (OU graves)
Levam acento agudo ou circunflexo os paraxltonos terminados em:
a) - i, - is: jri, cqui, beribri, lpis, tnis           b) - us:
vnus, vrus, bnus           OBSERVAO: No h nome paroxtono
terminado em -tt: o nico existente at     h pouco era tribu, que hoje
se escreve com o: tribo, tribos.         c) - r: caeter, revlver, ter
d) - 1: til, amvel, nvel, txtil (no txtil)     e) - x: trax,
Inix, nix     1) - n: den, hfen (mas: edens, hifens, sem acento)
70 #         g) - um,                    uns: mdium, lbuns     h) -
o,                    os: rgo, rfo, rgos, rfos     i) - , -
s: rfa, m, rfs, ms     j) - ps: bceps, frceps         3 -
PROPAROXTONOS (ou esdrxulos)           Lev-am acento agudo ou
circunflexo todos os proparoxtonos: clido,     tpido, ctedra,
slido, lmpido, cmodo.         4 - CASOS ESPECIAISa) So sempre
acentuados os ditongos abertos i, u, i               idia, Galilia,
hebria, Coria               cu, vu               di, heri,
constri, apio No se acentuam os encontros voclicos fechados, com
exceo de o:              pessoa, patroa, coroa, boa, canoa
teu, judeu, camafeu              vo, enjo, perdo, coro     b)Levam
acento agudo o i e u, quando representam a segunda       vogal tnica de
um hiato, desde que no formem slaba com       r, 1, m, n, z ou no
estejam seguidos de nh       sade., viva, sada, cado, fasca, a,
Graja       raz (mas, razes), paul, ruim, ruins, rainha, moinho
c)                                  No leva acento a vogal tnica dos
ditongos iu e ui                    caeu, retribuiu, tafuis, pauis
d) A 3.a pessoa de alguns verbos se grafa da seguinte manei
3.a Pess. sing.     1)                       termina em - em
(monosslabos):     ele tem - eles tm; ele vem - eles vm     2)
termina em - m         3.a       pess. plural     - IM %
- M      ele contm - eles contm; ele convm - eles conv
3)termina em -  (cr, l,      d, v e derivados):      ele cr - eles
crem;         71                 - eM     ele rev - eles revem #
e)Levam acento agudo ou circunflexo os vocbulos terminados por
ditongo oral tono, quer descrescente ou crescente:         geis,
devreis, jquei, tneis, rea, espontneo,         ignorncia,
imundcie, lrio, mgoa, rgua, tnue         Leva acento agudo ou
circunflexo a forma verbal terminada em     a, e, o tnicos, seguida de
lo, Ia, los, Ias :         f-lo, f-los, mov-lo-ia, sab-lo-emos,
tr-lo-ds.           OBSERVAO: Pelo ltimo exemplo, vemos que se o
verbo estiver no futuro poder     haver dois acentos: arn-lo-leis,
p-lo-s, f-lo-famos.     g)No levam acento os prefixos paroxtonos
terminados em -r e -i:       inter-helnico, super-homem,
semi-histrico.     h)Leva trema o u dos grupos gue, gui, que, qui
quando for pronun-       ciado e tono: agentar, argio, eloqncia,
tranqilo, fre-       qncia.         OBSERVA~&S:         1.~) Se o u
for pronunciado e tnico leva, nestes grupos, acento agudo:
argi, argis, averige, averiges, obliqe, obliqes.           2.a) Se
o u tono j levar trema, dispensar-se- nos verbos, o acento agudo:
a)               na vogal tnica seguinte:        Pres. ind.: arguo,
argis, argi, argimos, argis, argem        Pret. perf.: argi,
argiste, argiu, etc.    b)na vogal tnica dos verbos terminados em
-qe, -qes, -qem: apropinqe,        apropinqes, delinqem.
Sem razo, nosso sistema ortogrfico manda-nos acentuar a slaba tnica
dos verbos     terminados em -ge, -ges, -gem, como se houvesse outro
modo de proferir tais     palavras:         enxge, enxges, enxgem
i) Leva acento circunflexo diferencial a slaba tnica da 3.a pess. s.
do pretrito perfeito pde, para distinguir-se de pode, forma da mesma
pessoa do presente do indicativo.         72 #         Il - Morfologia
A) Classes de vocbulos         1 - SUBSTANTIVO           Substantivo 
o nome com que designamos seres em geral - pessoas,     animais e
coisas.           Concretos e abstratos. - Os substantivos se dividem em
concretos e     abstratos. Os concretos so prprios e comuns.
Substantivo CONCRETO  o que designa ser de existncia independente:
casa, mar, sol, automvel, filho, me.       Substantivo ABSTRATO  o
que designa ser de existncia dependente:     prazer, beijo, trabalho,
sada, beleza, cansao.       Os substantivos concretos nomeiam pessoas,
lugares, animais, vegetais,     minerais e coisas.       Os substantivos
abstratos designam aes (beijo, trabalho, sada, can-     sao), estado
e qualidade (prazer, beleza), considerados fora dos seres,     como se
tivessem existncia individual.           Prprios e comuns. -
Substantivo PRPRIO  o que designa indivi-     dualmente os seres, sem
referncia a suas qualidades:         Pedro, Brasil, Rui Barbosa.
Substantivo comum  o que designa o ser como pertencente a uma
classe com o mesmo conjunto de qualidades:     casa, mas, sol,
automvel.           No  qualquer coisa que pode receber o nome de
casa, mar, sol ou     automvel.  necessrio que observemos nesses
seres certas caractersticas         73 #         para que sejam assim
designados. j nos substantivos prprios no se d     ateno a essas
qualidades. O nome Pedro, ou Brasil, ou Rui Barbosa,     nada nos dizem
a respeito dos seres designados; so apenas distintivos     individuais
que, s por coincidncia, se podem aplicar a outras pessoas     ou
lugares.           Passagem de nomes prprios a comuns. - No nos
prendemos apenas      pessoa ou coisa nomeada; observamos-lhe
qualidades e defeitos que se     podem transferir a um grupo mais
numeroso de seres. Os personagens     histricos, artsticos e
literrios pagam o tributo de sua fama com o des-     gaste do valor
individualizante do seu nome prprio, que por isso, passa a     comum.
Por esta maneira  que aprendemos a ver no judas no s o     nome de um
dos doze apstolos, aquele que traiu Jesus;  tambm a     encarnao
mesma do traidor, do amigo falso, em expresses do tipo:     Fulano  um
judas.       Desta aplicao geral de um nome prprio temos vrios
outros exem-     plos: dom-joo (homem formoso; galanteador;
irresistvel s mulheres),     tartufo (homem hipcrita; devoto falso),
cicerone (guia de estrangeiros,     dando-lhes informaes que lhes
interessam), benjamim (filho predileto,     geralmente o mais moo; o
mais jovem membro de uma agremiao; pren-     de-se ao personagem
bblico que foi o ltimo e predileto filho de Jac),     frica
(faanha; proeza; revive as faanhas dos antigos portugueses nessas
terras).       Passam a substantivos comuns os nomes prprios de
fabricantes, e     de lugares onde se fazem ou se fabricam certos
produtos: estradivrios     (= violino de Stradivrius), guilhotina (de
J. Incio Guillotin), maca-     dame (do engenheiro Mac Adam), sanduche
(do conde de Sandwich),     havana (charuto; em Portugal havano),
champanha (da regio francesa     Champagne), cambraia (da cidade
francesa de Cambray).           Substantivo coletivo. -  o que se
aplica aos seres considerados em     conjunto: congregao, turma,
exrcito, multido, povo, rebanho, lataria.       So coletivos usuais:
a) CONJUNTO DE PESSOAS:           Alcatia, bando, caterva, corja,
horda, fardndula, malta, quadrilha, rcova, scia,     turba de ladres,
desordeiros, de assassinos, malfeitores e vadios.       Associao,
clube, comcio, comisso, congresso, conselho, conveno, corporao,
grmio, sociedade de pessoas, reunidas para fim comum.
Assistncia, auditrio, concorrncia, aglomerao, roda de assistentes,
ouvintes ou     espectadores.       Cabido de cnegos de uma catedral.
Caravana de viajantes.       Claque, torcida de espectadores para
aplaudir ou patear.       Clientela de clientes, de advogados, de
mdicos, etc.         74 #           Comitiva, cortejo, squito ou
sqito, acompanhamento de pessoas que acom-     panham outra por dever
ou cortesia.     Comunidade, confraria, congregao, irmandade, ordem de
religiosos.     Conclio, conclave, consistrio, snodo, assemblia de
procos ou de outros padres.     Coro, conjunto, bando de pessoas que
cantam juntas.     Elenco de artistas de uma companhia, pea ou filme.
Equipagem, marinhagem, companha, maruja, tripulao de marinheiros.
Falange de heris, guerreiros, espritos.     Junta de credores, de
mdicos.     Pessoal de uma fbrica, repartio pblica ou escola, loja.
Pliade ou pliada de poetas, artistas, talentos.     Ronda de policiais
que percorrem as ruas velando pela ordem pblica.     Turma de
estudantes, trabalhadores, mdicos.         . b) GRUPO DE ANIMAIS:
Alcatia de lobos, panteras ou outros animais ferozes.     Bando,
revoada de aves, pardais.     Ufila de camelos.     Cardume, boana,
corso (6), manta de peixes.     Colmeia, enxame, cortio de abelhas.
Correio, cordo de formigas.     Fato, rebanho de cabras.     Fauna,
conjunto de animais prprios de uma regio.     Gado, conjunto de
animais criados nas fazendas.     junta, abesana, cingel, jugo, jugada
de bois.     Lote de burros, grupos de bestas de carga.     Malhada,
avidrio, rebanho de ovelhas.     Manada de cavalos, porcos, guas.
Matilha de ces.     Ninhada, rodada de pintos.     Nuvem, mirade,
onda, praga de gafanhotos, maribondos, percevejos.     Piara, vara de
porcos.     Rcova, rcua de cavalgaduras.     Rebanho, armento,
armentio, grei, maromba de bois, ovelhas.         . c) GRUPO DE COISAS:
Acervo, chorrilho, enfiada de asneiras, de tolices. Acervo tambm se
aplica aos bens      materiais:  grande o acervo da Biblioteca
Nacional.                                               literrios
Antologia, analecto, crestomatia, coletdnea, florilgio, seleta de
trechos      ou cientficos.        Aparelho, baixela, servio de ch,
caf, jantar.        Arquiplago, grupo de ilhas.        Armada,
esquadra, frota de navios de guerra.        Bateria, fileira de peas de
artilharia.         75 #           Braada, braado, buqu, ramo,
ramalhete (), festo de flores.       Cacho de uvas, de bananas.
Cancioneiro de canes.  erro empregar o vocbulo como sinnimo de
cantor em     enfesses como cancioneiros rom nticos.       Carrada de
razes.       Chuva, chuveiro, granizo, saraiva, saraivada de balas, de
pedras, de setas.       Coleo de selos, de quadros, de medalhas, de
moedas, de livros.       Constelao de estrelas.       Cordilheira,
cadeia, srie de montes, de montanhas.       Cordoalha, cordame,
enxrcia de cabos de um navio.       Feixe, lia, molho (6) de lenha, de
capim.       Fila, fileira, linha de cadeiras.       Flora, conjunto de
plantas de uma determinada regio.       Galeria de quadros, de
esttuas.       Gavela ou gabela, paveia, feixe de espigas.
Herbdrio, coleo de plantas para exposio ou estudo.       Hinrio de
hinos.       Instrumental de instrumentos de orquestra, de qualquer
ofcio mecnico, de     cirurgia.       Moblia, mobilirio de mveis.
Monte, monto de pedras, de palha, de lixo.       Penca de bananas, de
laranjas, de chaves.       Pilha, ruma de livros, de malas, de tbuas.
Rstia de cebolas, de alhos.       Seqncia, srie de cartas do mesmo
naipe.       Trofu de bandeiras.         OBs. Para outros coletivos
consulte-se o dicionrio.         Formao do plural dos substantivos
Em portugus h dois nmeros gramaticais: singular e plural. O sin-
gular indica o objeto ou coleo em si; o plural denota-os indicando
mais     de um.         a) Formao do plural com acrscimo de s.
Forma-se o plural acrescentando-se s aos nomes terminados por-     1 -
vogal ou ditongo oral: livro, livros; lei, leis,, caid, cajs;     2 -
ditongos nasais e e o (tono): me, mes; bno, bnos;     3 -
vogal nasal i: m, ms, irm, irms;     4 - m (grafando-se ns): dom,
dons.     OBSERVAO: Totem, tambm grafado tteme, tem os plurais
totens e ttemes     (cf. pg. 46).         76 #         b) Formao do
plural com acrscimo de es.           Acrescenta-se es para formar o
plural dos nomes terminados por:         1 - s (em slaba tnica): s,
ases; fregus, fregueses.       Cs serve para os dois nmeros e ainda
possui o plural coses.     2 - z (em slaba tnica): luz, luzes; giz,
gizes.     3 - r: cor, cores; elixir, elixires; revlver, revlveres.
c) Plural dos nomes terminados em n.           Acrescenta-se e ou es.
Melhor fora dar-lhes uma feio mais de acordo     com a nossa lngua.
Damos uma pequena lista, pondo entre parnteses     a forma que deve
substituir a irregular terminada em -n :         abdmen (abdome):
abdomens ou abdmenes.     certmen (certame): certamens ou certmenes.
dlmen (dolmem): dolmens ou dlmenes.     espcimen (espcime):
espcimens ou especmenes.     germen (germe): germens ou grmenes.
hfen (hifem): hfens ou hfenes.     plen (polem): polens ou plenes.
regimen (regime): regimens ou regmenes.       Cdnon, melhor grafado,
cdnone, faz c~nes.     den (melhor seria, edem, mas no registrada no
PVOLP) passa a edens.           NoTA.Recorde-se que apenas so
acentuados os paroxtonos terminados em -n e     no os em -ns. Da:
hfen mas hfens (sem acento agudo).         d) Plural dos nomes
terminados em o.           Repartem-se estes nomes por trs formas de
plurais:           1) es (a maioria deles):         corao, coraes;
questo, questes; melo, meles; razo, razes.           2) es:
cio, ces; capelo, capeles; alemo, alemes; capito, capites;
escrivo, escrives; tabelio,     tabelies; po, pes; maapo,
maapes; mata-co, mata-ces; catalo, catales.           3) os:
cho, chos; cidado, cidados; cristo, cristos; desvo, desvos;
gro, gros; irmo,     irmos; mo, mos; pago, pagos e os
paroxtonos apontados em a) 2.         77 #         Muitos nomes
apresentam dois e at trs plurais:        aldeo  aldeos    aldees
aldees        ancio  ancios    aucies . ancies        charlato
charlatles  charlates        corrimo           corrimos corrimes
corteso           cortesos corteses        deo    deos      dees
dees        ermito ermitos   ermites  ermites        furo    fulos
fues        guardilo                     guardies    guardies
refro  refros              refres        sacristo
sacristos        sacristes        truo              trues    trucs
vilo   vilos     viles    viles        vulco  vulcos    vulces
e) Plural dos nomes terminados em ai, ol, ul.           Trocam o 1 por
is :              carnaval, carnavais; lenol, lenis; lcool, lcoois;
paul, pauis (a-).           Notem-se os casos particulares:     1 -
cnsul e mal fazem cnsules e males.     2 - cal e aval fazem cales
(=cano) e cais, avales (mais comum em Portugal), avais.     3 - real ( =
moeda) faz ris.         Plural dos nomes terminados em il.         Os
terminados em 41 tono fazem o plural trocando iI por -eis:
Fssil, fsseis.           Se o 41 for tnico, trocam o 1 por s:
funil, funis.       Rptil e projtil, como paroxtonos, fazem rpteis e
projteis; como oxtonos, reptil e     projetil fazem reptis e projetis.
g) Plural dos nomes terminados em el.         tnico:         Fazem o
plural em -eis se o final do singular for tono e -is se for ~
nvel, nveis, mvel, mveis.     papel, papis; coronel, coronis.
Mel faz meles ou mis; fel faz feles ou fis.         h) Plural dos
nomes terminados em x (= ce)           Os terminados em -x com o valor
do ce (final com que podem tam.     Um ser grafados) fazem o plural em
-ces:                cdlix (ou clice), lices; apndix (ou apndice),
apndices.         78 #           Palavras que no variam no plural., -
No variam no plural os nomes     terminados em: a) s (em slaba tona;
palavras sigmticas): o pires, os     pires; o lpis, os lpis.
Simples faz smpleces ou, o que  mais comum, no varia. Cais e xis
so invariveis, o cais, os cais; o xis, os xis;         b) x (com o
valor de cs): o trax, os trax; o nix, os nix.          OBUIRVAEs:
Alguns vocbulos com x = c$ possuem a variante em -ce: ndex ou
ndice; pex ou pice; cdex ou cdice. Seus plurais elo respectivamente
ndices, cdices,     dpices. Alis, elo preferveis as grafias ndice,
dpice e cdice, no singular.           Plurais com alterao de o
fechado para o aberto (metafonia). -     Muitas palavras com o fechado
tnico, quando passam ao plural, mudam     esta vogal para o aberto:
miolo - miolos.         Dentre as que apresentam
esta mudana (chamada     vogal tnica lembraremos aqui as mais usuais:
abrolho     antolho     caroo     choco     corcovo     coro     corpo
corvo     despojo     destroo     escolho     esforo         fogo
forno     foro     fosso     imposto     jogo     Miolo     mirolho
olho     osso     ovo     POO         Continuam com o fechado no plural
porco     porto     posto     povo     reforo     rogo     sobrolho
socorro     tijolo     torto     troco     troo         acordo   esboo
logro     adorno   esposo         morro #         almoo   estorvo
repolho     alvoroo ferrolho       rolo     arroto   fofo
sogro     bota     forro          soldo     bojo     gafanhoto
sopro     bolo     globo          soro     bolso    gorro          toco
cachorro gosto          toldo     caolho   gOzo           topo     coco
horto          torno     contorno jorro          transtorno
metafonia) na           No sofrem alterao os nomes prprios e os de
famlia: os Diogos,     os Mimosos, os Raposos, os Portos.         79 #
Plurais com deslocao do acento tnico. - H palavras que, no
plural, mudam de slaba tnica:         carter     espcimen     jnior
jpiter     Lcifer     snior         caracteres     especmenes
juniores     jupteres     Lucferes     seniores         O plural
sorores  de soror, oxtono, que se estende a sror.
Alteraes de sentido entre o singular e o plural. - Normalmente,     o
plural guarda o mesmo sentido do singular. Isto no acontece, porm,
em algumas palavras:                  bem (o que  bom)             bens
(propriedades)     fria (produto do trabalho dirio) frias (dias de
descanso)           "Onde no se preza a honra se desprezam as honras"
(MARQUS DE MARIC).           Esto nestes casos os nomes que no plural
indicam o casal: os pais     (pai e me), os irmos (irmo e irm), os
reis (rei e rainha).         Palavras s usadas no plural. - Eis as
principais:         afazeres     alvsSaras     anais     arredores
avs (antepassados)     belas-artes, belas-letras     confins
endoenas     exquias     frias     npcias     trevas     vveres
nomes de naipes: copas,     ouros, espadas, paus           Plural dos
nomes de letras. - Os nomes de letras vo normalmente     ao plural, de
acordo com as normas gerais.         Escreve com todos os efes e erres
Coloquemos os pingos nos is           N.B. Xis serve para singular e
plural. Podemos ainda indicar o plural das letras     com a sua
duplicao: ff, rr, ii.         Este processo ocorre em muitas
abreviaturas:           E.E.U.U. (Estados Unidos, tambm representado
por EUA, Estados Unidos da     Amrica, ainda U.S.A.).           Plural
dos nomes terminados em -zinho. - Pem-se no plural os     dois
elementos e suPrime-se o s do substantivo: #             80 #
animalzinho = animal + zinho     animaizinhos     coraUzinho = corajo
+ zinho     coraoezinhos     florzinha = flor + zinha     florezinhas
Plural das palavras substantivadas. - Qualquer palavra pode subs-
tantivar-se, isto , passar a substantivo:                 o sim, o no,
o qu, o pr, o contra           Tais palavras vo normalmente ao
plural:               os sins, os nios, os qus, os prs, os contras.
Enqua ram-se neste caso os nomes que exprimem nmero:                Na
sua caderneta h trs setes e dois oitos.           Fazem exceo os
terminados em -s (dois, trs, seis), -z (dez) e mil,     que so
invariveis.                         Quatro seis e cinco dez.
Plural dos nomes compostos. - Merece especial ateno o plural dos
nomes compostos, uma vez que as dvidas e vacilaes so freqentes.
Sem pretendermos esgotar o assunto, apresentamos os seguintes critrios:
A - SOMENTE O LTIMO ELEMENTO VARIA:       a) nos compostos grafados
ligadamente:                        fidalgo - fidalgos
girassol  -girassis                    madressilva       - madressilvas
pontap -  pontaps           b) nos compostos com as formas adjetivas
gro, gr e bel:                     gro-prior - gro-priores
gra-cruz - gr-cruzes                     bel-prazer - bel-prazeres,
c)nos compostos formados de verbo ou palavra invarivel seguida       de
substantivo ou adjetivo:                furta-cor  -furta-cores
beija-flor -beija-flores                abaixo-assinado      -
abaixo-assinados                alto-falante         -  alto-falantes
vice-rei - vice-reis                ex-diretor -ex-diretores
ave-maria  - ave-marias         81 #     d)nos compostos de trs ou mais
elementos, no sendo o 2.0 elemento       uma preposio:
bem-te-vi - bem-te-vis         e)                                    nos
compostos cujos elementos denotam sons de coisas:         reco-reco   -
reco-recos     tique-taque -tique-taques         B
- SOMENTE O PRIMEIRO ELEMENTO VARIA:         a)
nos compostos onde haja preposio, clara ou oculta:
p-de-moIeque              - ps-de-moleque
ferro-de-abrir-lata        - ferros-de-abrir-lata
mula-sem-cabea            - muIas-sem-cabea              cavalos-vapor
(=de, a vapor) - cavalos-vapor     b)nos compostos de dois substantivos,
onde o segundo exprime a       idia de fim, semelhana:
navio-escola                   - navios-escola (= para escola)
salrio-famlia                - salrios-familia
manga-rosa                     - mangas-rosa (= semelhante a rosa)
peixe-boi        - pexes-boi         C - AMBOS OS ELEMENTOS VARIAM:
Nos compostos de dois substantivos, de um substantivo e um adjetivo
ou de um adjetivo e um substantivo:                   carta-bilhete
guarda-civil                   guarda-mor
amor-perfeito                   cabra-cega
gentil-homem                   segunda-feira         D - FicAm
INVARIAVEIS:         a) as frases substantivas:         cartas-bilhetes
guardas-civis     guardas-mores     amores-perfeitos     cabras-cegas
gentio-homens     segundas-feiras         * estou-fraca (ave)    - as
estou-fraca     * no-sei-que-diga     - os no-sei-que-diga     *
disse-me-disse       - os disse-me-disse     * bumba-meu-boi        - os
bumba-meu-boi         b) nos compostos de verboe palavra invarivel:
os ganha-pouco                          os pisa-mansinho
os cola-tudo          paha-pouco      pisa-mansinho      cola-tudo
82 #         c) nos compostos de verbos de sentido oposto:
 leva-e-traz      -    os leva-e-traz                 vai-volta - os
vai-volta         E - ADMITEM MAIS DE UM PLURAL:         fruta-pjo:
frutas-plo, fruta-pies     guarda-marinha: guardas-marinha ou
guardas-marinhas(l)     padre-nosso: padres-nossos ou padre-nossos
ruge-ruge: ruges-ruges ou ruge-ruges     salvo-conduto: salvos-condutos
ou salvo-condutos           Gnero do substantivo. - A nossa lngua
conhece dois gneros: o     masculino e o feminino.       So masculinos
os nomes a que se pode antepor a palavra o:             o linho, o sol,
o raio, o prazer, o filho, o beijo           So femininos
os nomes a que se pode antepor a palavra a:                a flor, a
casa, a mosca, a nuvem, a me         Formao do feminino
Podemos distinguir, na indicao do sexo feminino, os seguintes
processos:     a) com a mudana ou acrscimo na terminao:       1 - os
terminados em -o mudam o -o em -a:               filho     filha
aluno aluna         menino -menina     gato - gata           2 - os em
-o mudam a terminao, uns em 4, outros em -oa e outros     em -ona (se
denotam seres aumentados):         ano - an     cidado - cidad
irmo - irm         ermitio - ermitoa     hortelo - horteloa     leo
- leoa         choro - chorona     pedincho - pedinchona     valento
- valentona           3 - os em -or formam geralmente o feminino com
acrscimo de a                          doutor - doutora
professor - professora       OBSERVAO: Outros, terminados em -eira:
arrumadeira, lavadeira, faladeira (a par     de faladora).          (1)
Rejeita-ac, sem razo, o plural guarda-marinhas.         83 #
variam:         Variam:         4 - os em -e uns ficam invariveis,
outros mudam o -e em -a, No         amante, cliente, constituinte,
doente, habitante,     inocente, ouvinte, servente, etc.*
alfaiate - alfaiata     infante - infanta (tambm aparece invarivel)
governante - gover     i     presidente - presid, =a       tambm
aparece invarivel     parente - parenta     monge - monja         5 -
os em -s., -1, -z acrescentam a :         fregus - freguesa
portugus - portuguesa     juiz - juiza           6 - indicam o sexo
feminino     -essa, -isa :         abade - abadessa     alcaide -
alcaidessa (ou alcaidina)     baro - baronesa     bispo - episcopisa
conde - condessa     cnego canonisa     cnsul consulesa     dicuno -
diaconisa     doge - dogesa, dogaresa, dogaressa     druida - druidesa,
druidisa (em       O. Bilac)         zagal - zagala     oficial -
oficiala         vocbulos derivados por meio de -esa,         duque -
duquesa     etope - etiopisa     jogral - jogralesa     papa papisa.
pton. pitonisa     poeta - poetisa     prncipe - princesa     prior -
priora, prioresa     profeta - profetisa     sacerdote - sacerdotisa
visconde - viscondessa         7 - no se enquadram nos casos
precedentes:         ateu - atia     ator - atriz     av - av
capiau - capioa     condestvel. - condestabeleza     confrade -
confreira     czar /pron. tar/ - czarina(l)     dom - dona     egeu -
egia #         embaixador - embaixatriz     europeu - europia     fel
- felana     filisteu - filistia-     frade - freira     galo -
galinha         (1) Tambm grafado: txar - uarina.         giganteu -
gigantia     grou. - grua     guri - guria     ilhu - ilhoa
imperador - imperatriz     judeu - judia     landgrave - landgravina
maraj - marani     mandarini - mandarina     maestro - maestrina
peru - perua     pierr6 - pierrete     pigmeu - pigmia     raja ou raj
- rni ou rani     rapaz - rapariga         84 #         I         rei
rainha     ru      r     sandeu - sandia     silfo - slfide
sulto - sultana     tabaru, - tabaroa,     heri - herona         b)
com palavras diferentes para um e outro sexo (heternimos):           1
- Nomes de pessoas:         cavaleiro - amazona     cavalheiro - dama
compadre - comadre     frei - sror, soror, sor     genro - nora
homem - mulher     marido - mulher         2 - Nomes de animais:
bode -cabra     boi - vaca     burro - besta     co - cadela         c)
feminino com auxlio de outra palavra         padrasto - madrasta
padre - madre     padrinho - madrinha     pai - me     patriarca -
matriarca     rico-homem - rica-dona         carneiro - ovelha
cavalo gua     veado veada, cerva ()     zango, zrigo - abelha
H substantivos que tm uma s forma para os dois sexos:
estudante, consorte, mrtir           So por isso chamados comuns de
(ou a) dois. Tais substantivos     distinguem o sexo pela anteposio de
o (para o masculino) e a (para o     feminino):                    
estudante - a estudante                     camarada - a camarada
 mrtir - a mrtir         de dois:         Os nomes terminados em
-ista e muitos terminados em -e so comuns         o capitalista - a
capitalista; o doente - a doente.           Tambm nomes prprios
terminados em -i (antigamente ainda -Y) so     comuns tanto a homens
como a mulheres:         Darci, Juraci     #           Enquadram-se
neste grupo os nomes de animais para cuja (fi-tino     de sexo
empregamos as palavras macho e fmea:         cobra macho; jacar fmea
85 #         Podemos ainda servir-nos de outro torneio:
o macho da cobra; a fmea do jacar.         Estes nomes de animais se
chamam epicenos.         d) sobrecomuns           So nomes de um s
gnero gramatical que se aplicam, indistinta-     mente, a homens e
mulheres:            o algoz, o carrasco, o cnjuge, a criatura, o ente,
a pessoa,                 o ser, a testemunha, o verdugo, a vtima.
Gnero estabelecido por palavra oculta. - So masculinos os nomes     de
rios, mares, montes, ventos, lagos, pontos cardeais, meses, por suben-
tendermos estas denominaes:       O (rio) Amazonas, o (oceano)
Atidntico, o (vento) breas, o (lago) Lddoga, o     (ms) abril.
Por isso so normalmente femininos os nomes de cidades, ilhas:
A bela (cidade) Petrpolis. A movimentada (ilha) Governador.       Nas
denomina" de navios depende do termo subentendido: o (transaflritico)
Argentina, a (corveta) Belmonte, etc.           Notem-se os seguintes
gneros:       o (vinho) champanha (e no a champanha!), o (vinho)
madeira, o (charuto)     havana, o (caf) moca, o (gato) angord, o (co)
terra-nova.           Mudana de sentido na mudana de gnero. - H
substantivos que     so masculinos ou femininos, conforme o sentido com
que se achem     empregados:      cabea (parte do corpo) o cabea (o
chefe)      capital (cidade principal) o capital (dinheiro, bens)     
lngua (rgo muscular; idioma) - o lngua  lotado (capacidade de um
carro, navio, sala, etc.) - o lotao (forma abreviada
de aut moral (parte da filosofia; moral de um fato; concluso) - O
Moral (conjunto de                   nossas faculdades morais; nimo)
 rdio (a estao) - o rdio (o aparelho)      voga (moda;
popularidade) - o voga (o remador)           Gneros que podem oferecer
dvida:     a) So masculinos:       Os nomes de letra de alfabeto, cl,
champanha, d, eclipse, formicida, grama (uni-     dade de peso),
jngal, jngala, lana-perfume, milhar, pijama, proclama, saca-rolhas,
sanduche, ssia, telefonema, soma (o organismo tomado como expresso
material--- em     oposio s funes psquicas).         86 #
11             b) So femininos:          Aguardente, anlise, fama,
cal, cataplasma, clera, clera-morbo, coma (cabeleira      e vrgula),
dinamite, elipse, faringe, fruta-po, gesta (= faanha), libido, pol,
pre,      sndrome, tbia, variante e os nomes terminados em -gem
(exceo e personagem que      pode ser masc. ou feminino).         c)
So indiferentemente masculinos ou femininos:           gape, avestruz,
caudal, crisma, diabete, gamb, hlice, ris, juriti, igarit, lama ou
lhama, laringe, ordenana, personagem, renque, sabi, sentinela,
soprano, sustica, tapa,     trama (intriga), vspora.
Masculinos com mais de um feminino. - Alm dos j apontados no
decorrer da lio, lembraremos ainda os mais usuais:         1
aldeo - alde, aldeoa      deus deusa, dia (pot.)      diabo diaba,
diabra, diboa      elefante - elefanta, elefoa, ali      javali
javalina, gronda      ladro ladra, ladrona, ladroa      melro
miroa, melra         motor                motora, motriz (adj.)
pardal               pardoca, pardaloca. pardaleja     parvo
prvoa, parva     polons - polonesa, polaca     varo - varoa, virago,
matrona     vilo - vil, viloa          OBSERVAO: As oraes e os
vocbulos tomados materialmente so considerados     como do nmero
singular e do gnero masculino-.  bom que estudes; o sim; o no.
Grau do substantivo. - Os substantivos apresentam-se com a sua
significao aumentada ou diminuda:                   homem   -
homenzarro   -    homenzinho         A M3 estabelece dois graus de
significao do substantivo:               a) aumentatvo: homenzarro
b) diminutivo(l): homenzinho           A indicao gradual do
substantivo se realiza por dois processos:       a)sinttico - consiste
no acrscimo de um final especial chamado sufixo       aumentativo ou
diminutivo: homenzarro, homenzinho;   b)analtico - consiste no emprego
de uma palavra de aumento ou dimi-       nuio (grande, enorme,
pequeno, etc.) junto ao substantivo: homem       grande, homem pequeno.
Aumentativos e diminutivos afetivos. - Fora da idia de tamanho,     as
formas aumentatvas e diminutivas podem traduzir o nosso desprezo,     a
nossa critica, o nosso pouco caso para certos objetos e pessoas:
poetastro,-p.oliticalho, livreco, padreco, coisinha         ) Evite-se
cuidadosamente o erro diminuitivo (com i).         87 #
Dizemos ento que os substantivos esto em sentido pejorativo.       A
idia de pequenez se associa facilmente  de carinho que trans-
parece nas formas diminutivas:         paizinho, mezinha, queridinha.
2 - ADJETIVO           Adjetivo  a expresso modificadora que denota
qualidade, condio     ou estado de um ser:         "Oceano terrvel,
mar imenso     De vagas procelosas que se enrolam     Floridas
rebentando em branca espuma     Num plo e noutro plo" (G. DIAS).
Locuo adjetiva -  a expresso formada de preposio + substan-
tivo com valor de um adjetivo:                     Homem de coragem =
homem corajoso                 Livro sem capa = livro desencapado
"Era uma noite medonha,                 Sem estrelas, sem luar" (G.
DIAS).                 Homem de cor           Note-se que nem sempre
encontramos um adjetivo de sentido per-     feitamente idntico ao de
locuo adjetiva:                           Colega de turma.
Adjetivo explicativo e restritivo (1). - O adjetivo pode ser explica-
tivo ou restritivo.     EXPLICATIVO  o que designa uma qualidade,
condio ou estado essencial       ao ser:         Homem mortal - gua
mole - Gelo frio         RESTRITIVO o que designa qualidade, condio ou
estado acidental ao ser:               Homem bom - gua morna - Gelo
pequeno           Substantivao do adjetivo. - Certos adjetivos so
empregados sem     qualquer referncia a nomes expressos como
verdadeiros adjetivos. A esta     passagem de adjetivos a substantivos
chama-se substantivao:                    "A vida  combate
que os fracos abate,                    Que os fortes, os bravos,
S pode exaltar" (G. DIAS).           (1) A NGB no divide os adjetivos
em explicativos e restritivos, fizemo-lo aqui porque     esta distino
 necessria para casos de pontuao, de sintaxe e de estilstica (cf.
pgo. 228-229).         88 #           Flexes do adjetivo. - Como o
substantivo, o adjetivo pode variar     em nmero, gnero e grau.
Nmero do adjetivo. - O adjetivo acompanha o nmero do subs-     tantivo
a que se refere:         aluno estudioso, alunos estudiosos.           O
adjetivo portanto, conhece os dois nmeros que vimos no substan-
tivo: o singular e o plural.         , Formao do plural dos adjetivos
Aos adjetivos se aplicam as mesmas regras de plural dos substantivos.
Quanto aos adjetivos compostos, lembraremos que normalmente s o
ltimo varia:         amizades luso- b rasileiras, reunies
ltero-musicais.           Variam ambos os elementos, entre outros
exemplos, surdo-mudo,     verde-claro, verde-escuro, verde-gaio:
surdos-mudos, verdes-claros, verdes-     escuros, verdes-gaios.
Gnero do adjetivo. - O adjetivo concorda tambm em gnero com     o
substantivo a que se refere. Conhece, assim, os gneros comuns, ao subs-
tantivo: masculino e feminino.          Formao do feminino dos
adjetivos. - Os adjetivos uniformes so     s que apresentam uma s
forma para acompanhar substantivos masculinos     femininos. Geralmente
e -z:         povo lusada     breve exame     trabalho til     objeto
ruim     estabelecimento     homem audaz     conto simples         estes
uniformes terminam em -a, -e, -1, -m, -r,         - nao lusiada     -
breve prova     - ao til     - coisa ruim     modelar - escola
modelar     - mulher audaz     - histria simples         Excees
principais: andaluz, andaluza; bom, boa; chim, china; espanhol,
espanhola.         Quanto aos biformes, isto , que tm uma forma para o
masculino e     tra para o feminino, os adjetivos seguem de perto as
mesmas regras que     ntamos para os substantivos. Lembraremos aqui
apenas os casos     ncipais:         89 #         a) Os terminados em
-s -or, e -u acrescentam no feminino um a, na     maioria das vezes.
chins, chinesa; lutador, lutadora; cru, crua.       Excees: 1)
corts, descorts, monts e pedrs so invariveis; 2) incolor,
multicor,     sensabor, melhor, menor, pior e outros so invariveis.
Outros em -dor ou -tor apresen-     tam-se em -triz: motor, motriz (a
par de motora, conforme vimos nos substantivos);     outros terminam em
-eira: trabalhador, trabalhadeira (a par de trabalhadora). Supe-
riora (de convento) usa-se como substantivo. 3) hindu  invarivel; mau
fab) Os terminados em -eu passam, no feminino, a -dia:
europeu, europia; ateu, atia.       Excees: judeu, judia; sandeu,
sandia                tabaru faz tabaroa; ru faz r.         c) Alguns
adjetivos tambm, no feminino, mudam a vogal tnica fechada       o para
aberta:         laborioso, laboriosa; disposto, disposta.           Grau
do a efivo. - H trs graus na qualidade expressa pelo     adjetivo:
positivo, comparativo e superlativo* PosiTivo enuncia simplesmente a
qualidade:                      O rapaz  cuidadoso.           *
comPARATivo compara qualidade entre dois ou mais seres esta-
belecendo:     a) uma igualdade:         b) uma superioridade:
c) uma inferioridade:         o rapaz  to cuidadoso quanto (ou como)
os outros.          rapaz  mais cuidadoso que (ou do que) os outros.
o rapaz  menos cuidoso que (ou do que) os outros.           O
SUPERLATIvO pode:         a) ressaltar, com vantagem ou desvantagem, a
qualidade do ser em rela.     o a outros seres:       Q rapaz d o
mais cuidadoso dos (ou dentre os) pretendentes ao emprego.
o rapaz d o menos cuidadoso dos pretendentes.         b) indicar que a
qualidade do ser ultrapassa a noo comum que temos     dessa mesma
qualidade:                              O rapaz  muito cuidadoso.
O rapaz  cuidadosssimo.         90 #           No primeiro caso, a
qualidade  ressaltada em relao ou comparao     com os outros
pretendentes. Diz-se que o superlativo  relativo.       Forma-se o
superlativo relativo com a intercalao do adjetivo nas     frmulas o
mais ... de (ou dentre), o menos ... de (ou dentre).       No segundo
caso, a superioridade  ressaltada sem nenhuma relaco         com
outros seres. Diz-se que o superlativo  absoluto ou intensivo       O
superlativo absoluto pode ser analitico ou sinttico.           Forma-se
o analtico com a anteposio de palavra intensiva (muito,
extremamente, extraordinariamente, etc.) ao adjetivo: muito cuidadoso.
O sinttico  obtido por meio do sufixo -issimo (ou outro de valor
intensivo) acrescido ao adjetivo no grau positivo: cuidadosssimo.
Quanto ao sentido, cuidadosssimo diz mais,  mais enfdtico do que
muito cuidadoso. Na linguagem coloquial, se desejamos que o superlativo
absoluto analtico seja mais enftico, costumamos repetir a palavra
inten-         O meio termo entre estes dois superlativos (muito
cuidadoso - cuida-         dosssimo)  obtido com a frmula mais do que
cuidadoso:           "Estas e outras argies, complicadas com os
procedimentos mais do que dspero     da expulso do coleitor Castracani
em 1639, no concorreram pouco para alienar de         todo o nimo das
populaes_" (R. DA SiLvA, Hist. Port, IV, 75-6).         Alteraes
grficas no superlativo absoluto. - Ao receber o sufixo
intensivo, o adjetivo no grau positivo pode sofrer certas modificaes
cuidadosacuidadosissima      elegante - elegantssimo     cuidadoso -
cuidadosissim         b) os terminados em -vel mudam este final para
-bil:         c) os terminados em -m e -jo passam respectivamente a -n e
a?         A ra estes casos, outros h onde os superlativos se prendem
s form #         acre - acrrimo     amargo           amarssimo
amigo            amicssimo     antigo           antiqssimo     spero
asprrimo     benfico - beneficentssimo     benvolo -
benevolentssimo     clebre -        celebrrimo     clere -
celrrimo     cristo -        cristianssimo     cruel - crudelssimo
difcil      dificlimo     doce         dulcssimo     fiel fidelssimo
frio frigidssimo     geral        generalssimo     honorfico -
honorificentssimo     humilde humlimo     incrvel incredibilssimo
inimigo inimicssimo     ntegro integrrimo     livre - librrimo
magnfico - magnificentssimo,         magro - macrrimo     maldico -
maledicentssimo     malfico maleficentissimo,     malvolo
malevolentssimo     msero - misrrimo     mido minutssimo     negro
nigrrimo     nobre - nobilssimo     parco - parcssimo,     pessoal -
personalssimo     pobre - pauprrimo     prdigo prodigalssimo
provvel probabilssimo     pblico publicssimo     sbio -
sapientssimo     sagrado sacratssimo     salubre salubrrimo     so -
sanssimo     simples - simplicssimo     soberbo - superbssimo
tenaz tenacssimo     ttrico     tetrrimo           Ao lado do
superlativo  base do termo latino, pode circular o que     procede do
adjetivo no grau positivo acrescido da terminao -ssimo:
aglimo - agilssimo        antiqssimo     antigussimo
crudelssimo     cruelssimo        dulcissimo - docissimo
faclimo - facilssimo         humlimohumildssimo     Inacrrimo
magrssimo     nigrrimonegrssimo     pauprrimo - pobrssimo
OBs.: Chamamos a ateno para as palavras terminadas em -io no
precedido de     e que, na forma sinttica, apresentam dois is
srio - serissimo                               precdrio -
precarissimo #                                           frio -
frissimo                             necessrio - necessarissimo
Tendem a fixar-se as formas populares serssinio (coisa serssinza),
necessarssimo e semelhantes, com Um i apenas           Comparativos e
superlativos irregulares. - Afastam-se dos demais na ~     sua formao
de comparativo e superlativo os adjetivos seguintes:         Positivo
Comparativo de          Superlativo               superioridade
absoluto relativo          bom            melhortimo     o melhor
mau            piorpssimo     o pior     grande          maiormximo
o maior     pequeno         menormnimo     o menor           (*) "A
falsa noticia do falecimento de Gonalves Dias teve a boa conseqncia
de mover     o Governo a aliviar-lhe  situao material, que era
prerarissima- (M. BANDEIRA, Poesia e     Prosa, ed. Aguilar, 11, 778).
92         a         c         V:     Q         tig         a( #
No se diz mais bom nem mais grande em vez de melhor e maior     mas
podem ocorrer mais pequeno, o mais pequeno, mais mau, por meno1~.     o
menor, pior.       Ao lado dos superlativos o maior, o menor, figuram
ainda o mximo     e o mnimo que se aplicam a idias abstratas e
aparecem ainda em expres-     ses cientficas, como a temperatura
mxima, a temperatura mnima, m-     ximo divisor comum, mnimo
mltiplo comum, nota mxima, nota     mi nma.       Em lugar de mais
alto e mais baixo usam-se os comparativos superior     e inferior; por o
mais alto e o mais baixo, podemos empregar os super-     lativos o
supremo ou o sumo, e o nfimo.       Comparando-se duas qualidades, ou
aes, empregam-se mais bom,     inais mau, mais grande e mais pequeno
em vez de melhor, pior, maior,     menor:          mais bom do que mau
(e no:  melhor do que mau)     A escola  mais grande do que pequena
Escreveu mais bem do que mal     Ele  mais bom do que inteligente.
Por fim, assinalemos que depois dos comparativos em -or (superior,
inferior, anterior, posterior, ulterior) se usa a preposio a
Superior A ti, inferior AO livro, anterior A ns           Repetio de
adjetivo com valor superlativo. - Na linguagem colo-     quial pode-se
empregar, em vez do superlativo, a repetio do mesmo     adjetivo:
O dia est belo belo (= belssimo)     Ela era linda linda (=
lindssima).           Proferindo-se estas oraes, d-se-lhes um tom de
voz especial para     melhor traduzir a idia superlativa expressa pela
repetio do adjetivo.     Geralmente consiste na pausa demorada na
vogal da slaba tnica.           Comparaes em lugar do superlativo. -
Para expressarmos mais     vivamente o elevado grau de uma qualidade do
ser, empregamos ainda     comparaes que melhor traduzem a idia
superlativa:      Pobre como j (= pauprrimo), feio como a necessidade
(feissimo), claro como     gua, escuro como breu, esperto como ele s,
malandro como ningum.           Usam-se ainda certas expresses no
comparativas: podre de rico,     feio a mais no poder, grande a valer.
Adjetivos diminutivos. - As formas diminutivas de adjetivos podem
adquirir valor de superlativo:      Blusa amarelinha, garoto bonitinho;
" bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu     amigo 1" (A. DF. AzFwDo).
93         I #         3 - ARTIGO           Artigo  a palavra que se
antepe aos substantivos que designam     seres determinados (o, a, os,,
as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas).       Da a diviso dos
artigos em definidos (que so o, a, os, as) e inde-     finidos (um,
uma, uns, umas):                                    quero o livro.
Quero um livro.           No primeiro caso, o substantivo designa um
livro determinado e     conhecido, inconfundvel para a pessoa que fala
ou escreve.       No segundo, o substantivo designa um livro qualquer
dentre outros,       Precedido, de artigo definido pode tambm o
substantivo exprimir a     espcie inteira:         o homem  mortal.
No se trata aqui de um homem determinado, mas, sim, uma refe-
rncia ao ser humano em geral.       Nem sempre se evidencia a oposio
entre o, a, os, as e um, uma, uns,     umas, porque os artigos aparecem
em construes dos mais variados     valores.         4 - PRONOME
Pronome  a expresso que designa os seres sem dar-lhes nome nem
qualidade, indicando-os apenas como pessoa do discurso.
Pessoas do Ocurso. - Trs so as pessoas do discurso: a que fala
(1.a pessoa), a ~~m que se fala (2.a pessoa) e a pessoa ou coisa de que
se     fala (3.a pessoa).           Classificao dos pronomes. - Os
pronomes podem ser: pessoais, ',
i    possessivos, demonstrativos (abarcando o artigo definido),
indefinidos     (abarcando o artigo indefinido), interrogativos e
relativos.           PRONOME SUBSTANTIVO, e PRONOME, ADJETIVO. - O
pronome pode apa-     recer em referncia a substantivo claro ou oculto:
Meu livro  melhor que o teu.           Meu e teu so pronomes porque
do idia de posse em relao  pessoa     do discurso: meu (1.a pessoa,
a que fala), teu (2.a pessoa, a com que se     fala). Ambos os pronomes
esto em referncia ao substantivo livro que     vem expresso no incio,
mas se cala no fim por estar perfeitamente claro     ao falante e
ouvinte. Esta referncia a substantivo caracteriza a funo,,,
94 #         adjetiva de certos pronomes. Muitas vezes, sem que tenha
vindo expresso     anteriormente, dispensa-se o substantivo, como em:
Dar o seu a seu dono     (onde ambos os pronomes possessivos so
adjetivos).     j em: Isto  melhor que aquilo, os pronomes isto e
aquilo no se     referem a nenhum substantivo, mas fazem as vezes dele.
So, por isso,     , pronomes substantivos.     1        H pronomes que
so apenas substantivos ou adjetivos, enquanto     i~ outros podem
aparecer nas duas funes.            Pronomes pessoais. - Os pronomes
pessoais designam as trs pessoas     ~ do discurso:         1.a pessoa:
eu (singular), ns (plural),     2.a pessoa: tu (singular), vs (plural)
e     3.a pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).            O
plural ns indica eu mais outra ou outras pessoas, e no eu + eu.
As formas eu, tu, ele, ela, ns, vs, eles, elas, que funcionam como
,; sujeito, se dizem retas. A cada um destes pronomes pessoais retos,
corres-     ,, ponde um pronome pessoal oblquo que funciona como
complemento e     11 pode apresentar-se em forma tona ou forma tnica.
Ao contrrio das     , formas tonas, as tnicas vm sempre presas a
preposio:         PRONOMES PESSOAIS ~3  PRONOMES PESSOAIS OBLfQUOS
tonos (sem prepos.)tnicos (c/prep.)     Singular: 1.a pessoa: eu
me      mim          2.a pessoa : tu   te            ti     k    3.a
pessoa: ele, ela            lhe, o, a, se     ele, ela, si     Plural :
1.a pessoa: ns         nos ns          2.a pessoa: vs  vos
vs                                          eles, OW, si          3.a
pessoa: eles, elas          lhes, os, as, se         Exemplos de
pronomes oblquos tonos:         ~*Queixamo-nos da fortuna (destino)
para desculpar a nossa preguia?' (Marqus de-     MAJUC).     `A
melhor companhia acha-se em uma escolhida livraria" (IDEM).
!Ixemplos de pronomes oblquos tnicos:         _*Os nossos maiores
inimigos existem dentro de ns mesmos: so os nonos    , vcios
paixbu" (IDEM).     .A& virtudes se harmonizam, os vcios discordam
entre si" (wEm).     Se a preposio  com, dizemos comigo, contigo,
consigo, conosco,        e no: com mi, com ti, etc. Empregam-se,
entretanto, com ns        com vs quando estes pronomes tnicos vm
seguidos de mesmos, pr-        ~,rios, todos, outros ou oraao
adjetiva.         95 #         PRONOME -OBLQUO REFLEXIVO. -  o pronome
oblquo da mesma pes-         soa do pronome reto, significando a i
esmo a ti mesmo etc.:         PRONOME OBLQUO RECPROCO. - 
representado pelos pronomes nos         vos, se quando traduzem a idia
de u ao outro recibrocamente           PRONOME DE TRATAMENTO - Existem
ainda formas de tratamento     indireto de 2.a pessoa que levam o verbo
para a 3.a pessoa. So os cha         A estes I)ronomes de tratamento
r)ertencem as formas de reverncia         que consistem em nos
dirigirmos s pessoas pelos seus atributos ou quali-         Vossa
Alteza (V. A., para prncipes, duques     Vossa Eminncia (V. Em.a, para
cardeais)         Vossa Excelncia (V. Ex.a, para altas patentes
militares, ministros, Presidente da Rep-           blica, pessoas de
alta categoria, bispos e arcebispos)     Vossa Magnificncia (para
reitores de universidade)     Vossa Majestade (V. M., para reis,
imperadores)         Vossa Onipotncia (para Deus - no se usa
abreviadamente)'     Vossa Reverendssima (V. Rev.ma, Dara os sace otes)
Vossa Senhoria (V. s.a, para oficiais at coronel, funcionrios
graduados, pessoas de           1.a) Emprega-se vossa Alteza (e demais)
quando 2.a pessoa, isto , em relao     a quem falamos, emprega-se Sua
Alteza (e demais) quando 3.a pessoa, isto , em         A A-  4r_ 1
2.a) Voc, hoje usado familiarmente,  a reduo da forma de
reverncia.Foss     Merc. Caindo o pronome vs em desuso, s usado nas
oraes e estilo solene, em           3.a) O substantivo gente,
precedido do artigo a e em referncia a um grupo d     pessoas em que se
inclui a que fala, ou a esta sozinha, passa a pronome e se emprev
fora da linguagem cerimoniosa. Em ambos os casos o verbo fica na 3.a
pessoa d(         " verdade que a gente, s vezes, tem c as suas
birras" (ALEXANDRE HERCULANO #           Pronomes possessivos. - So os
que indicam a posse em referncia     s trs pessoas do discurso:
SINGULAR:   1.a pessoa:     meti   minha     meus minhas           2.a
pessoa :   teu    tua    teus tuas           3.a pessoa:    seu    sua
seus suas         PLURAL:     1.a pessoa:     nosso  nossa     ?IOSSOS
nossas          2.a pessoa:     vosso  vossa  vossos    vossas
3.2 pessoa:     seu    sua    SeUs suas           Pronomes
demonstrativos. - So os que indicam a posio dos seres     em relao
s trs pessoas do discurso.       Esta localizao pode ser no tempo,
no espao ou no discurso:                  1.a pessoa este, esta, isto
2.a pessoa esse, essa, isso                  3.a pessoa: aquele, aquela,
aquilo           Este livro  o livro que est perto da pessoa que fala;
esse livro  o     que est longe da pessoa que fala ou perto da pessoa
com quem se fala;     aquele livro  o que se acha distante da 1.a e da
2.a pessoa.        Nem sempre se usam com este rigor gramatical os
pronomes demons-     . trativos; muitas vezes interferem situaes
especiais que escapam  disci-     plina da gramtica.       So ainda
pronomes demonstrativos o, mesmo, prprio, semelhante     e tal.       O
(com as variaes a, os, as) equivale a isto, isso, aquilo, aquele,
aquela, aqueles, aquelas.              No sei o que dizes.     o que me
pedes  impossvel.     "Sigam-me os que forem brasileiros".     No o
consentirei jamais.           O pronome o, perdido o seu valor
essencialmente demonstrativo e     posto antes de substantivo, como
adjunto, recebe o nome de artigo defi-     nido. Assim  que a
gramtica, no exemplo seguinte, considera o primeiro     os artigo
definido e o segundo pronome demonstrativo:  "Os homens de
extraordinrios talentos so ordinariamente os de menor juzo" (Marqus
de MARIC).           Mesmo, prprio, semelhante e tal tm valor
demonstrativo quando     denotam identidades ou se referem a seres e
idias j expressas anterior-     ,mente, e valem por esse, essa,
aquele, aquela, isso, aquilo:  "Depois, como Pdua falasse ao sacristo
baixinho, aproximou-se deles; eu fiz a mesma      coisa" (M. DE Assis,
D. Casmurro, 87).  *No paguei uns nem outros, mas saindo de almas
cndidas e verdadeiras tais promessas      so como a moeda
fiduciria..." (IDEM, ibid, 202).      proibido dizeres semelhantes
coisas.         97 #           Mesmo e prprio aparecem ainda reforando
pronomes pessoais:                      Ela mesma quis ver o problema.
Ns prprios o dissemos. "Tal fao eu,  medida que me vai lembrando,
convindo  construo ou reconstruo       de mim mesmo" (M. DE Assis,
ibid., 203).           Pronomes indefinidos. - So os que se aplicam 
3.a pessoa quando     tem sentido vago ou exprimem quantidade
indeterminada.      . Funcionam como pronomes indefinidos substantivos,
todos invari-     veis: algum, ningum, tudo, nada, algo, outrem.
"Ningum mais a voz sentida                  Do Trovador escutoul" (G.
Dus).           So pronomes indefinidos adjetivos, todos variveis, com
exceo de     cada: nenhum, outro (tambm isolado), um (tambm
isolado), certo,     qualquer (s varivel em nmero: quaisquer), algum,
cada: "As tiras saem-lhe das mos, animadas e polidas. Algumas trazem
poucas emendas       ou nenhumas" (M. DE Assis, Vdrias Histrias, 274).
"A vida a uns, a morte confere celebridades a outros (Marqus de M~CA).
Aplicam-se a quantidades indeterminadas os indefinidos, todos vari-
veis com exceo de mais e menos: muito, mais, menos, pouco, todo,
algum, tanto, quanto, vdrios, diversos:                  Mais amores e
menos confiana (nunca menas!).              Com pouco dinheiro
compraram diversos presentes.              Isto  o menos que se pode
exigir.              Muito lhe devo.              Erraste por pouco.
Quantos no en ram neste caso 1          IOBsERY,kXo: O pronome
indefinido um pode ser usado como substantivo, prin-     ipalmente nas
locu5es do tipo cada um, qualquer um. Como adjetivo recebe o nome
de artigo indefinido.           As duplas quem... quem, qual... qual,
este... este, um... outro     com sentido distributivo tambm so
pronomes indefinidos:             "Qual se abisma nas 16bregas
tristezas,              Qual em suaves jbilos discorre,
com esperanas mil nas idias acesas" (BOCAGE).           Isto : um se
abisma. . . outro discorre.           Muitas vezes a posio da palavra
altera seu sentido e sua classificao:           Certas pessoas (pron.
indef.) no chegam na hora certa (adjetivo), mas em certas     horas
(pron. indefinido).       Algum livro (= certo livro). Livro algum (=
nenhum livro).         98 #           Em outras pocas algum podia ter
sentido afirmativo ou negativo     independente de sua posio:
"Desta gente refresco algum tomamos" (CAMUs, Lustadas, V, 69).
Refresco algum = algum refresco.          "Vs a quem somente algum
perigo          Estorva conquistar o povo imundo" (imm, ibid., VII, 2).
Algum perigo = nenhum perigo.           Locuo PRONOMINAL INDEFINIDA. -
 o grupo de palavras que vale     por um pronome indefinido. Eis as
principais locues: cada um, cada     qual, qualquer um, quem quer,
quem quer que, o que quer que, seja     quem for, seja qual for, quanto
quer que, o mais, alguma coisa.       "As verdades no parecem as mesmas
a todos, cada um as v em ponto diverso     de perspectiva" (Marqus de
MARIC).           Pronomes interrogativos. - So os pronomes
indefinidos quem, que,     qual e quanto, que se empregam nas perguntas:
Quem veio aqui?                     "Que cabea, senhora?"
Que compraste?                     Qual autor desconhece?
Qual consideras melhor?                     Quantos vieram?
Quantos anos tens?           Em lugar de que pode-se usar a forma
enftica o que:       "Agora por isso, o que ser feito de frei
Timteo?1 Era naquele tempo um frade     guapo e alentado 1 O que ser
feito dele?" (A. HERcuLANo, Lendas e Narrativas, II, 135)_
Quem refere-se a pessoas, e  pronome substantivo. Que refere-se a
"' pessoas ou coisas, e  pronome substantivo (com o valor de que
coisa?)    , , ou pronome adjetivo (com o valor de que espcie?) Qual e
tambm que,     indicadores de seleo, normalmente so pronomes
adjetivos:         Em qual livraria compraremos o presente?     Em que
livraria compraremos o presente?           Ressalta-se ainda a seleo
antepondo ao substantivo no plural a     expresso qual dos, qual das:
Em qual dos livros encontraste o exemplo ?       OBSERVAO: Estes
interrogativos saem normalmente dos pronomes indefinidos e     1 por
isso costumam ser chamados indefinidos interrogativos. Aparecem ainda
nas excia-     llmc, e neste caso o que adquire sentido francamente
intensivo: Que susto levei 1     ~(Compare-se com: "Que cabea,
senhora?").           Diz-se interrogao direta a pergunta que termina
por ponto de inter-     Jogao e se caracteriza pela entoao
ascendente: Quem veio aqui?         99 #           Interrogao indireta
 a pergunta que: a) se faz indiretamente e     para a qual no se pede
resposta imediata; b)  proferida com entoao     normal descendente;
c) no termina por ponto de interrogao; d) vem     ,depois de verbo
que exprime interrogao ou incerteza (perguntar, inda-     gar, no
saber, ignorar, etc.):         Quero saber quem veio aqui.           Eis
outros exemplos de interrogao indireta comeados pelos prono-     mes
interrogativos j citados:         Ignoro que cabea, senhora.
Indagaram-me que compraste.     Perguntei-te por que vieste aqui.
No sei qual autor desconhece.     Desconheo qual consideras melhor.
Indagaram quantos vieram.           Pronomes relativos. - So os que
normalmente se referem a um     termo anterior chamado antecedente:
Eu sou o fregus que por ltimo compra o jornal.     (0 que se refere 
palavra fregus.)           Os pronomes relativos so: qual, o qual (a
qual, os quais, as quais),     cujo (cuja, cujos, cujas), que, quanto
(quanta, quantos, quantas), onde.       Quem se refere a pessoas ou
coisas personificadas e sempre aparece     precedido de preposio. Que
e o qual se referem a pessoas ou coisas.     Que e quem funcionam como
pronomes substantivos. O qual aparece     como substantivo ou adjetivo:
As pessoas de quem falas no vieram.     O nibus que esperamos est
atrasado.     No so poucas as alunas que faltaram.     Este  o
assunto sobre o qual falar o professor.     No vi o menino, o qual
menino os colegas procuram.     A casa onde moro  espaosa.
Cujo, sempre com funo adjetiva, exprime que o antecedente  pos-
suidor do ser indicado pelo substantivo a que se refere:         Ali vai
o homem cuja casa comprei         (a casa do homem).           Quanto
tem por antecedente um pronome indefinido (tudo, todo,     todos, todas,
tanto):         Esquea-se de tudo quanto lhe disse.         100 #
PRONOMES RELATIVOS SEM ANTECEDENTE. - Os pronomes relativos quem     e
onde podem aparecer com emprego absoluto, sem referncia a ante-
cedentes:         Quem tudo quer tudo perde.     Dize-me com quem andas
e eu te direi quem s.     Moro onde mais me agrada.           Quem,
assim empregado,  considerado como do gnero masculino     do nmero
singular:                Quem com ferro fere com ferro ser ferido.
OBSERVAO: Os relativos sem antecedentes tambm se dizem relativos
indefinidos.     Muitos autores preferem, neste caso, subentender um
antecedente adaptvel ao contexto.     Interpretando quem como a pessoa
que, onde como o lugar em que, assim substituem:          Quem tudo quer
tudo perde = a pessoa que tudo quer tudo perde.       Este duplo modo de
encarar o problema tem repercusses diferentes na classificao     das
oraes subordinadas, conforme veremos na pg. 221.         5 - NUMERAL
Numeral  a palavra que denota nome de nmero.             "A vida tem
uma s entrada: a sada  por cem portas"
(Marqus de MARIC).           Tipos de numeral. - Dividem-se os
numerais em cardinais, ordinais,     multiplicativos e fracionrios.
Cardinais so osque exprimem a quantidade em si mesma ou a
quantidade certa dos seres. Respondem  pergunta quantos? quantas?.-
um, dois, trs, quatro, cinco, etc.           OBSERVAO: Em vez de
dois, duas, podemos empregar o numeral dual ambos,     ambas, se os
seres so nossos conhecidos ou j foram expressos anteriormente:
Ambas as casas j foram alugadas.           Ordinais so os que denotam
o nmero de ordem dos seres numa srie:                   primeiro,
segundo, terceiro, quarto, quinto, etc.           OBSERVAO: Oltimo,
penltimo, antepenltimo, anterior, posterior, derradeiro, an-
tero-posterior e outros que tais, ainda que exprimam posio do ser, no
tm corres-     pondncia entre os numerais e por isso devem ser
considerados meros adjetivos.           Multiplicativos so os que
exprimem a multiplicidade dos seres. Os,     mais usados so:
duplo ou                             dobro, triplo ou trplice,
qudruplo, quintuplo, sxtuplo,          sptuplo, ctuplo, nnuplo,
dcuplo, cntuplo.         101 #         Fraciondrios so os que indicam
fraes dos seres:         avos.         OBURVAFJ:        1.a)
Emprega-se ainda conto, em lugar de milhlo, na expresso conto de ris.
2.a) Podem ser grafados com li ou [h os seguintes cardinais: bililo (ou
bilho),     trililo, quatrilio, quintililo, sextililo, setililo,
octililo. As formas com lh alo mais     _freqentes.         meio,
tero, quarto, quinto, sexto, stimo, oitavo, nono, dcimo, vigsimo,
centsimo,     milsimo, milionsimo, empregados como equivalentes de
metade, tera parte, quarta                                     parte,
etc.         Para muitos fracionrios empregamos o cardinal seguido da
palavra         onze avos, treze avos,         Lista dos principais
ordinais com o         primeiro     segundo     terceiro     quarto
quinto     sexto     atimo     I     oitavo     nono     dcimo
undcimo ou dcimo primeiro -     duodcimo ou dcimo segundo -
dcimo terceiro     dcimo quarto     Vigsimo     vigsimo primeiro
trigsimo     quadragsimo     qinquag ' simo     sexagsimo
septuagsimo, setuagsimo     octogsimo     nonagsimo     centsimo
ducentsimo     trecentsimo     quadringentsimo     qingent4simo
seiscentsimo, sexcentsimo     septingentsimo, setingentsimo
octingentsimo     nongentsimo, noningentsimo     milsimo     dez
milsimos     cem milsimos     milionsimo     bilionsimo
quinze avos, etc.         cardinal correspondente:         um     dois
trs #         quatro     cinco     seis     sete     oito     nove
dez     onze     doze (e no douze 1)     treze     quatorze, catorze
vinte     vinte e um     trinta     quarenta     cinqenta     sessenta
setenta     oitenta     noventa     cem     duzentos     trezentos
quatrocentos     quinhentos     seiscentos     setecentos     oitocentos
novecentos     mil     dez mil     cem mil     um milho     um bilho
102 #          . 3.a) A tradio da lngua estabelece que, se o ordinal
 de 2.000 em diante, o     primeiro numeral usado  cardinal: 2345.2 -
a duas milsima trecentsima quadrag-     sima quinta. A lngua
moderna, entretanto, parece preferir o primeiro numeral como
ordinal, se o nmero  redondo: dcimo milsimo aniverrio.         6
- VERBO           Verbo  a palavra que, exprimindo ao ou apresentando
estado ou     mudana de um estado a outro, pode fazer indicao de
pessoa, nmero,     tempo, modo e voz.       Caetaremos  uma forma
verbal, porque exprime uma ao (a de     cantar), exercida (referncia
 voz) pela 1.a pessoa (referncia  pessoa)     do plural (referncia
ao nmero), do presente (referncia ao tempo) do     indicativo
(referncia ao modo).           As pessoas do verbo. - Geralmente as
formas verbais indicam as trs     pessoas do discurso, Para o singular
e o pluxal-         1.a pessoa do singular:     " pessoa do singular:
3.a pessoa do singular:         eu canto     tu cantas     ele canta
La pessoa do plural:     ns cantamos     2.a pessoa do plural:    vs
cantais     3.a pessoa do plural:    eles cantam         Os
tempos do verbo. - So:     a)PREsENTE - em referncia a fatos que se
passam ou se estendem       ao momento em que falamos:         eu
canto;         I     b) PRETRrro - em referncia a fatos anteriores ao
momento em que       falamos e subdividido em imperfeito, perfeito e
mais-que-perfeito:       cantava (imperfeito), cantei (perfeito) e
cantara (mais-que-perfeito);     C) FUTURO - em referncia a fatos ainda
no realizados e subdividido       em futuro do presente e futuro do
pretrito4       cantarei (futuro do presente),       cantaria (futuro
do pretrito).         Os modos do verbo. - So:         a)
INDICATIVO - em referncia a fatos reais:                   canto,
cantei, cantarei         103 #         b)
SUBJUNTIVO - em referncia a fatos duvidosos, provveis, possi-
veis, etc.         talvez cante, se cantasse         C)
IMPERATIVO -       etc.:         exprime ordem, pedido, convite,
conselho, splica,         cantai.           As vozes do verbo. - So:
a) ATIVA : forma em que o verbo se apresenta para normalmente
indicar que a pessoa a que se refere pratica a ao. A pessoa diz-se
neste     caso, agente da ao verbal:                  eu escrevo a
carta, tu visitaste o                  primo, ns plantaremos a rvore.
b) PASSIVA: forma verbal que indica que a pessoa recebe a ao
verbal. A pessoa, neste caso, diz-se paciente da ao verbal:     A
carta  escrita por mim, o primo foi visitado por ti, a rvore ser
plantada por ns.           A passiva pode ser analtica (formada com um
dos verbos ser, estar,     ficar seguido de particpio) ou pronominal
(formada com verbo acom-     panhado do pronome oblquo se, que se
chama, no caso, pronome     apassivador):         A casa foi alugada
(passiva analtica).     Aluga-se a casa (passiva pronominal).
A passiva analtica difere da passiva pronominal em dois pontos:
1) pode apresentar o verbo em qualquer pessoa, enquanto a prono-
minal s se constri na 3.a pessoa:                  Eu fui visitado
pelos meus parentes.                  Ns foinos visitados pelos
parentes.           2) pode seguir-se de uma expresso que denota o
agente da     passiva, enquanto a pronominal, no portugus moderno, a
dispensa obri-     gatoriamente:       Eu fui visitado pelos parentes.
Aluga-se a casa (no se diz aluga-se a casa pelo proprietrio).
OBSERVAO: Em construes do tipo batizei-me, chamas-te Jos, h
professores     que vem passiva pronominal com pronomes oblquos de 1.a
e 2.a pessoa. Outros, porm,     no pensam assim, e interpretam o fato
como um emprego da voz reflexiva, indicando     11 uma atitude de
aceitao consciente do nome dado ou do batismo recebido- (j. MATOSO
CMARA, Diciondrio, 36).           c) REFLEXIVA: forma verbal que indica
que a pessoa , ao mesmo     tempo, agente e paciente da ao verbal,
formada de verbo seguido de     pronome oblquo de pessoa igual  que o
verbo se refere:                 eu me visto, tu te feriste, ele se
enfeita,         104 #           O verbo empregado na forma reflexiva
diz-se pronominal.     OBSERVAES:       1.a) Com verbos como
atrever-se, indignar-se, queixar-se, ufanar-se, admirar-se, no     se
percebe mais a ao rigorosamente reflexa, mas a indicao de que a
pessoa a que     o verbo se refere est vivamente afetada. Com os verbos
de movimento ou atitudes     da pessoa "em relao ao seu prprio corpo"
como ir-se, partir-se, e outros como     servir-se, onde o pronome
oblquo empresta maior expressividade  frase, tambm no     se
expressa a ao reflexa. Alguns gramticos chamam ao pronome oblquo,
nestas     ltimas circunstncias, pronome de realce.       2.a) A voz
reflexiva, no plural, pode assumir sentido de reciprocidade:
Eles se odeiam (isto , um odeia o outro).           Voz passiva e
passividade. -  preciso no confundir voz passiva     e passividade.
Voz  a forma especial em que se apresenta o verbo para     indicar que
a pessoa recebe a ao:         Ele foi visitado pelos amigos.
Alugam-se bicicletas.           Passividade  o fato de a pessoa receber
a ao verbal. A passividade     pode traduzir-se, alm da voz passiva,
pela ativa, se o verbo tiver sentido     passivo:                 Os
criminosos recebem o merecido castigo.         Portanto nem sempre a
passividade corresponde a voz passiva(').           Formas nominais do
verbo. - Assim se chamam o infinitivo, o parti-     cpio e o gerndio,
porque, ao lado do seu valor verbal, podem desem-     penhar funo de
nomes. O infinitivo pode ter funo de substantivo     (recordar  viver
= a recordao  vida); o particpio pode valer por     um adjetivo
(homem sabido) e o gerndio por um advrbio ou adjetivo
(amanhecendo, sairemos = logo pela manh sairemos; gua fervendo =
gua fervente). Nesta funo adjetiva o gerndio tem sido apontado
como galicismo; porm,  antigo na lngua este emprego.       As formas
nominais do verbo, Lom exceo do infinitivo, no definem     as pessoas
do discurso e, por isso, so ainda conhecidas por formas infinitas.
Possuem desinncias nominais idnticas s que caracterizam a flexo dos
nomes.       O infinitivo portugus, ao lado da forma infinita, isto ,
sem indica-     o da pessoa do discurso, possui outra flexionada:
Infinito sem flexo                                        Cantar
Infinito flexionado      Cantar eu      Cantares tu      Cantar ele
Cantarmos ns      Cantardes vs      Cantarem eles           (1) Assim
sendo, no se pode falar em voz passiva diante de linguagens do tipo
osso duro     de roer. Houve aqui, se interpretarmos roer = de ser
rodo, apenas passividade, com verbo na     voz ativa. Sobre o sentido
ativo ou passivo do infinitivo, veja-se pgina 244.         105 #
As formas nominais do verbo se derivam do tema (radical + vogal
temtica) acrescido das desinncias:        a)
-r: para o infinitivo: canta-r, vende-r, parti-r.       b) -do: para o
particpio: canta-do, vendi-do (cf. pg. 113), parti-do-       c)
-ndo: para o gerndio: canta-ntio, vende-ndo, parti-ndo.
OBsERvAXo: O verbo vir (e derivados) forma tambm o seu particpio com
a     desinncia -do; mas, pelo desaparecimento da vogal temtica i,
apresenta-se igual ao     gerndio: vindo (por vin-i-do) e vindo
(vi-ndo).           Conjugar um verbo. -  diz-lo, de acordo com um
sistema deter-     minado, em todas as suas formas nas diversas pessoas,
nmeros, tempos,     modos e vozes.       Em portugus temos trs
conjugaes caracterizadas pela vogal     temtica:                1.a
conjugao - vogal temtica a: amar, falar, tirar.            2.a
conjugao - vogal temtica e: temer, vender, varrer.            3.a
conjugao - vogal temtica i: partir, ferir, servir.       O~Ao: No
existe a 4.a conjugao; por  um verbo da 2.a conjugao cuja     vogal
temtica desapareceu no infinitivo.           Verbos regulares,
irregulares e anmalos. - Dz-se que um verbo      regular quando se
apresenta de acordo com o modelo de sua conjugao:     cantar, vender,
partir. No verbo regular tambm o radical no varia.     Tem-se o
radical de um verbo privando-o, no infinito sem flexo, das ter-
minaes -ar, -er, -ir:          am-ar, fal-ar, tir-ar, tem-er, vend-er,
varr-er, part-ir, fer-ir, serv-ir.       Irregular  o verbo que, em
algumas formas, apresenta variao no     radical ou na flexo,
afastando-se do modelo da conjugao a que pertence:       a) variao
no radical em comparao com o infinitivo:          ouvir - ouo; dizer
- digo; perder - perco;     b)variao na flexo, em relao ao modelo:
estou (veja-se canto),         ests (veja-se cantas, um tnico e outro
tono).       Os irregulares se dividem em fracos e fortes. Fracos so
aqueles cujo     radical do infinitivo no se modifica no pretrito:
sentir - senti; perder -     perdi.       Fortes so aqueles cujo
radical do infinitivo se modifica no pretrito     perfeito: caber -
coube; fazer - fiz.       Os irregulares fracos apresentam formas iguais
no infinitivo flexio-     nado e futuro do subjuntivo:
Infinitivo             Sentir             Sentires             Sentir
Sentirmos             Sentirdes             Sentirem         106
Futuro do Subjuntivo        Sentir        Sentires        Sentir
Sentirmos        Sentirdes        Sentirem #           Os irregulares
fortes no apresentam identidade de formas entre o     infinitivo
flexionado e o futuro do subjuntivo:     Infinito flexionado       Caber
Caberes       Caber, etc.         Futuro. do Subjuntivo         Couber
Couberes     Couber, etc.           OBsnvAo: No entram no rol dos
verbos irregulares aqueles que, para conservar     o som, tm de sofrer
variao de grafia:               carregar - carrego - carreguei -
carregues               ficar - fico - fiquei - fique           No h
portanto os irregulares grficos.       Anmalo  o verbo irregular que
apresenta, na sua conjugao, radi-     cais primrios diferentes: ser
(rene o concurso de dois radicais, os verbos     latinos sedre e sse)
e ir (rene o concurso de trs radicais, os verbos     latinos ire,
vadre e sse).       Outros autores consideram anmalo o verbo cujo
radical sofre alte-     raoes que o no podem enquadrar em
classificao alguma: dar, estar, ter,     haver, ser, poder, ir, vir,
ver, caber, dizer, saber, por, etc.          Verbos defectivos e
abundantes. - DEFEc:rivo  o verbo que, na      sua conjugao, no
apresenta todas as formas: colorir, precaver-se,      reaver, etc.
A defectividade verbal  devida a vrias razes, entre as quais a
eufonia e a significao. Entretanto, a defectividade de certos verbos
no     1 se assenta em bases lgicas. Se a tradio da lngua dispensa,
por disso-     nante, a 1.a pessoa do singular do verbo colorir
(coloro), no se mostra     igualmente exigente com a 1.a pess. do
singular do verbo colorar. Por     outro lado, o critrio de eufonia
pode variar com o tempo e com o gosto     dos escritores; da aparecer
de vez em quando uma forma verbal que a     '1        amtica diz no
ser usada.      ~ Quase sempre faltam as formas rizotnicas dos verbos
defectivos.  .Suprimos, quando necessrio, as lacunas de um defectivo
empregando um      sinnimo (derivado ou no do defectivo): Eu recupero
(para reaver);      eu redimo (para remir).     x~         H os
seguintes grupos de verbos defectivos, em portugus:     a)os que no se
conjugam nas pessoas em que depois do radical           aparecem a ou o
:     i      banir, brandir, carpir, colorir, delir, explodir, fremer
(ou fremir), haurir, ruir,      exaurir, abolir, demolir, puir,
delinqir, fulgir, feder, aturdir, bramir, jungir, esculpir,
extorquir, impingir, pruir, retorquir, soer, espargir.           Tais
verbos tambm no se empregam no pres. do subjuntivo, impe-     rativo
negat., e no imperat. afirmat. s apresentam as segundas pessoas do
sing. e pl.         107         f         I #      b)os que se usam
unicamente nas formas em que depois do radical      vem i :
adir, aguerrir, emolir, empedernir, esbaforir, espavorir, exinanir,
falir, fornir, remir,     ressequir, revelir, vagir, florir, renhir,
garrir, inanir, ressarcir, transir, combalir.           c) oferecem
particularidades especiais:              precaver (-se) e reaver. No
pres. ind. s. tm as primeiras pessoas          do plural : precavemos,
precaveis; reavemos, reaveis.       Imperativo: precavei, reavei.
Faltam-lhes o imperat. neg. e pres. do subj. No restante conjugam-se
normalmente.         2 - adequar, antiquar : cabem-lhes as mesmas
observaes feitas ao        grupo anterior.         3 - grassar e rever
(=destilar): s se usam nas terceiras pessoas.         derno so:
OBSERVAES:       1.a) Muitos verbos apontados outrora como defectivos
so hoje conjugados inte-     gralmente: agir, advir, compelir,
desmedir-se, discernir, embair, emergir, imergir, fruir,     polir,
prazer, submergir. Ressarcir (cf. b) e refulgir (que alguns gramticos
s mandam     conjugar nas formas em que o radical  seguido de e ou i)
tendem a ser empregados     como verbos completos.       2.a) Os verbos
que designam vozes de animais geralmente s aparecem lias terceiras
pess. do sing. e plural, em virtude de sua significao, e so arrolados
como defectivos.       3.a) Tambm so considerados defectivos os verbos
impessoais (pois no se referem     a sujeito), que s so empregados na
terceira pess. sing.: Chove muito, Relampeja.     Quando em sentido
figurado, os verbos desta observao, como os da anterior, conju-
gam-se em quaisquer pessoas: Chovam as bnaos do cu.
ABUNDANTE  o verbo que apresenta duas ou trs formas de igual     valor
e funo: havemos e hemos; constri e construi; pagado e pago;
nascido, nato, nado (pouco usado).       Normalmente esta abundncia de
forma ocorre no particpio.           Os principais verbos que gozam
deste privilgio, no portugus mo-         a)                  comprazer
e descomprazer:     Pret. perf. ind. : comprazi, comprazeste, comprazeu,
etc. ou comprouve, comprouveste,       comprouve, etc. M.-q-perf. ind. :
comprazera, comprazeras, comprazera, etc. ou comprouvera, comprou-
veras, comprouvera, etc.     Imperf. subj. - comprazesse, comprazesses,
comprazesse, etc. ou comprouvesse, comprou-       vesses, comprouvesse,
etc. Fut. subj. : comprazer, comprazeres, comprazer, etc. ou comprouver,
comprouvews,       comprouver, etc.         108 #         b) construir e
seu grupo:     Pres. ind. : construo, construis (ou constris), construi
(ou constri), construmos,       construis, construem (ou constroem).
Imper. afirm. : construi tu (ou constri).       Assim se conjugam
desconstruir, destruir, estruir, reconstruir.         c) entupir e
desentupir: Pres. ind. : entupo, entupes (ou entopes), entupe (ou
entope), entupimos, entupis,       entupera (ou entopem). Imper. afirm.
: entupe (ou entope), entupi.       OBSERVAO: O o das formas
abundantes  de timbre aberto.         d) haver:     Pres. ind. : hei,
hs, h, havemos (ou hemos), haveis (ou heis), ho.     Imper. afirm. :
h, havei.         e) ir:     Pres. ind. : vou, vais, vai, vamos (ou
imos), ides (is  forma antiga), vo.         f) querer e requerer:
Pres. ind.: quero, queres, quer (ou quere), queremos, quereis, querem,
requeiro,       requeres, requer (ou requere), requeremos, requereis,
requerem.       Quere e requere so formas que s tm curso em Portugal;
quere  criao recente     (sc. xix-xx, sem adoo geral) e requere 
forma j antiga na lngua, sendo requer     de data recente.         g)
valer: Pres. ind. : valho, vales, vale (ou val), valemos, valeis, valem.
Val  forma antiga e ainda hoje corrente, maxime em Portugal.         h)
imperativo dos verbos em -zer, -zir.       Podem perder o -e na 2.a
pessoa sing.: faze tu (ou faz); traduze tu (ou traduz).     So
freqentssimos os exemplos literrios com os verbos dizer, fazer,
trazer e traduzir.         i) particpio de numerosos verbos.
Existe grande nmero de verbos que admitem dois (e uns poucos at
trs) particpios: um regular, terminado em -ado (1.a conjugao) ou
-ido     (2.a e 3.a conjugao, cf. pg. 113), e outro irregular,
proveniente do     latim ou de nome que passou a ter aplicao como
verbo. Eis uma relao     dessas formas duplas de particpio,
indicando-se entre parnteses se ocorrem     com a voz ativa ou passiva,
ou com ambas:         Infinitivo  Particpio regularParticpio irregular
aceitar     aceitado (a., p.)aceito (p.), aceite (p.)     assentar
assentado (a., p)assento (p.), assente (p.)     entregar    entregado
(a., p.)entregue (p.)     enxugar     enxugado (a., p.) enxuto (p.)
109 #         expressar   expressado (a., p.)expresso (p.)     expulsar
expulsado (a., p.)-pulso (P.)     fartar      fartado (a., p.)farto (P.)
findar      findado (a., p.)findo (P.)     ganhar      ganhado (a.,
p.)ganho (a., p.)     gastar      gastado (a.)  gasto (a., p.)
isentar     isentado (a.) isento (p.)     juntar      juntado (a.,
P.)junto (a., P.)     limpar      limpado (a., P.)limpo (a., p.)
matar       matado (a.)   morto (a., P.)     pagar       pagado (a.)
pago (a., p.)     salvar      salvado (a., P.)salvo (a., P.)     acender
acendido (a., p.)aceso (P.)     desenvolver desenvolvido (a.,
P.)desenvolto (a., p.)     eleger      elegido (a.)  eleito (a., P.)
envolver    envolvido (a., p.)envolto (a., p.)     prender     prendido
(a., p.)preso (p.)     suspender   suspendido (a., p.)suspenso (p.)
desabrir    desabrido     desaberto     erigir      erigido (a.,
p.)erecto (p.)     exprimir    exprimido (a., P.)expresso (a., p.)
extinguir   extinguido (a., p.)extinto (p.)     frigir      frigido (a.)
frito (a., p.)     imprimir    imprimido (a., P.)impresso (a., p.)
inserir     inserido (a., p.)inserto (a., p.)     tingir      tingido
(a., p.)tinto (p.)         OBSERVAC16ES :           1.a) Em geral
emprega-se a forma regular, que fica invarivel com os auxiliares
ter e haver, na voz ativa, e a forma irregular, que se flexiona em
gnero e nmero,     com os auxiliares ser, estar e ficar, na voz
passiva.       Ns temos aceitado os documentos.       Os documentos tm
sido aceitos por ns.       H outros particpios, regulares ou
irregulares, que se usam indiferentemente na     voz ativa (auxiliares
ter ou haver) ou passiva (auxiliares ser, estar, ficar), conforme     se
assinalou entre parnteses.           2.a) H una poucos particpios
irregulares terminados em -e, era geral de intro-     duo recente no
idioma: entregue (o mais antigo), aceite, assente, empregue (em
Portugal).           Locuo verbal. Verbos auxiliares. - Chama-se
locujo verbal a     combinao das diversas formas de um verbo auxiliar
com o infinitivo,     gerndio ou particpio de outro verbo que se chama
principal: hei de     estudar, estou estudando, tenho estudado. Muitas
vezes o auxiliar em.     presta um matiz semntico ao verbo principal,
dando origem aos chamados     aspectos do verbo.       Entre o auxiliar
e o verbo principal no infinito pode aparecer ou     no uma preposio
(de, em, por, a, para). Na locuo verbal  somente     o auxiliar que
recebe as flexes de pessoa, nmero, tempo e modo: have-     remos de
fazer, estavam por sair, iam trabalhando, tinham visto.         110
palavras so compostas. Estes radicais podem ser livres, isto , usados
independentemente na lngua (como guarda-chuva) Ou Presos, isto , no
so usados isoladamente (como agrcola ~ agr + i +cola, lanigero     lan
+ i + gero).       Nas palavras compostas com radicais livres, do tipo
guarda-chuva,     persiste, como  fcil de observar, a individualidade
de seus componentes.     Esta individualidade se traduz: a) na escrita,
pela mera justaposio de     um radical a outro, normalmente separados
por hfen; b) na pronncia,     pelo fato de ter cada radical seu acento
tnico, sendo o ltimo o mais     forte e o que nos orienta na
classificao da posio do acento nas palavras     compostas (por isso
que couve-flor  oxtono e guarda-chuva  parox-     tono)('). Em tais
casos dizemos que as palavras so compostas por jus-     taposio.
Chamamos aglutinao o processo de formar palavras compostas pela
fuso ou maior integrao dos dois radicais subordinados a um s acento
tnico: planalto, fidalgo, lanigero, agrcola.       "A adaptao da
primeira palavra pode ser de quatro espcies: 1)     mudana da parte
final em relao  mesma palavra quando isolada; ex.:     lobis -
(comparar - lobo, em lobisomem); 2) reduo da palavra ao seu
elemento radical; ex.: Planalto, onde plan-  o radical de plano (o com-
posto indica um solo plano e alto numa montanha); 3) elemento radical
alterado em relao  palavra quando isolada; ex.: vinicultura (vip-,
mas     vinh- em vinha "rvore da uva")- 4) elemento radical que no
aparece     em portugus em palavra isolada; ex.: agricultura (a agr
corresponde, em     palavra isolada, campo) (2).       * A segunda
palavra pode ocorrer com as seguintes alteraes: "1) com     mudana na
parte final; ex.: monocrdio (instrumento de uma s corda);     2) com o
elemento radical alterado; ex.: vinagre (um vinho que  acre);     3)
com um elemento radical diverso do que a correspondente palavra
isolada; ex.: agrcola (ao elemento de composio cola corresponde a
idia     de habitar ou cultivar)"(8).           Conceito de raiz ou
radical primrio. - Chama-se raiz, em gram.     tica descritiva, ao
radical primrio ou irredutivel a que se chega dentro     da lngua
portuguesa e comum a todas as palavras de uma mesma famlia.       Se
tomarmos um vocbulo como desregularizar(4), facilmente pode-     mos
surpreender diversos graus de radical; o primeiro, destacando-se-lhe
a vogal temtica e a desinncia de infinito,  desregulariz- (que
aparece     em desregularizao); este radical pode ser reduzido, por
destaques suces-           (1) Cf. pg. 57 n. 1.       (2) J. MAToso
CA~A Jr., Teoria da ~liso Lxica, 95.       (3) Cf. J. MAToso CAmAxA
Jr., Teoria da Andlise Lxica, 95.       (4) U J. MAToso CUARA Jr.,
Diciondrio de Fatos Gramaticais , 177. Para estudos mais     adia~tados
veja-se SAussuRz, Cours de Linguistique Gnrale, 253 e E. NmA,
Morphology (cap.     de introduo).         170 #         sivos, a:
regulariz (sem o prefixo) > regular (sem a desinncia) > regul     (cf.
o latim regla) > reg (que aparece em reger, rgua). Este ltimo
radical que constitui o elemento irredutvel e comum a todas as palavras
do grupo chama-se primrio e coincide, em relao  lngua atual, com
a raiz. Regul-  um radical secundrio (ou do 2.0 grau), como regular-
um radical tercirio (ou do 3.0 grau), e assim por diante.
OBSERVAO: No interessa  gramtica descritiva o conceito de raiz' do
ponto     de vista histrico, que s  vlido para a gramtica
histrica. H freqentes divergncias     entre o estabelecimento de uma
raiz dentro dos dois tipos de gramtica; assim  que     enquanto para a
histrica no h raiz ed- em comer (do latim comedere, de edere
comer), a descritiva a estabelece em com- (cf. com-ida, com-flo,
com-flana).       A raiz ou radical primrio pode apresentar variao
ou variaes;     assim, a raiz reg- se altera em regr- (em regra,
regrar, desregrar).           Palavras cognatas. - Chamam-se cognatas as
palavras que pertencem     a uma famlia de raiz e significao comuns:
corpo, corporal, incorporar,     corporao, corpsculo, corpanzil;
fugir (em foges, temos a raiz alterada),     fugaz, refgio,
subterfgio, trnsfuga.           Constituintes imediatos. - Em anlise
mrfica  importante ter em     conta o princpio dos constituintes
imediatos para que no se faam con-     fuses no plano descritivo da
classificao morfolgica e se estabeleam     as possveis gradaes de
estrutura. Assim  que diante de uma forma     como descobrimento no
iremos enquadr-la no grupo das palavras cha-     madas parassintticas
(considerando des + cobri + mento); trata-se de um     derivado
secundrio cujos constituintes imediatos so o radical secundrio
descobri- e o sufixo ment (o). Em arduamente desprezaremos a desinncia
de feminino -a- (vlida no vocbulo rdua) e analisaremos os
constituintes     imediatos: ardua+mente, sendo ardua- o radical
secundrio. Tambm     em desrespeitosamente os constituintes imediatos
so desrespeitosa (por     destaques sucessivos > respeitosa > respeit >
speit, este ltimo radical     primrio ou raiz). Em cantorezinhos temos
os constituintes imediatos     cantor (es) e zinho (s), depois cantor e
finalmente cant-or. Nessa grada-     o de elementos componentes de uma
estrutura morfolgica, nota-se que     h certa ordem em sua
distribuio; destacam-se primeiro, como nos     constituintes
imediatos, os elementos externos caractersticos da flexo, se-
guidos de elementos internos caractersticos do processo de
transformao     dos vocbulos. Em nosso ltimo exemplo, os externos de
natureza fle-     xional so r?,resentados pelas desinncias de plural:
cantor (es) e zinho(s),     enquai elementos internos so indicados
pelos sufixos diminutivos     de cantor-zinho (derivao sufixal) e pela
desinncia de nome de agente     em cant-or (derivao sufixal).
Variantes dos elementos mrficos. -  comum a variante de deter-
minado elemento mrfico. Assim, altera-se a raiz em reger (reg-) e regra
(regr-) ou fazer (faz-) e fiz; a desinncia modo-temporal do pretrito
im-     perfeito -va- (na 1.a conjugao) ou -a- (na 2.a e 3.a conj.)
passa a -ve-         171 #         ou -e-, respectivamente, na 2.a
pessoa do plural, pelo contato do i de is da     desinncia pessoal
(amavas, amveis, vendias, vendeis; partias, parteis)'.       A forma
livre caber (em descaber) apresenta, por exemplo, uma     variante
mrfica presa -ceber (em receber; perceber, etc).       Tais variantes
se chamam alomorfes.           Neutralizao nos elementos mrficos. -
j vimos que os elementos     mrficos so dotados de significao
externa (como o radical) ou interna     puramente de noo gramatical
(como o sufixo ou a desinncia). Cha-     ma-se neutralizao ao
desaparecimento, na palavra, de uma indicao que     anula a oposio
entre ela e dada palavra de outra classe ou a aproximao     entre dada
palavra e o seu paradigma. A neutralizao pode ocorrer, prin-
cipalmente, por homonmia ou por desaparecimento do elemento mrfico.
Exemplo de homonmia: a) a vogal temtica da 2.a conj. , como vimos
na pgina 113, e; esta vogal, entretanto, passa a i no pret. imperfeito
e no     particpio, o que anula a oposio com a 3.a conj., porque
ficam iguais     nestas formas: vendia, partia; vendido, partido; b) por
outro lado a vogal     temtica da 3.a conj. (i) passa a e quando tona,
isto , 2.a e 3.a pessoa     singular e 3.a pessoa do plural do pres.
ind. e 2.a pessoa sing. imperativo,     anulando a oposio entre a 2.a
e 3.a conjugaes: partes, vendes; parte,     vende; pai-tem, vendem;
parte tu, vende tu. Tambm em falaram a anlise     mrfica auxiliada
pelo contexto dir existir a 3.a pessoa pl. do pret. perf.     ind.
(fal-a-ram), ou do pret. m-q.-perf. (fal-a-ra-m).       Exemplos de
desaparecimento: a) pelo queda da vogal temtica do     verbo vir (i),
anula-se a oposio entre o gerndio e o particpio (cf. pag.     185):
vindo (gen), vindo (part.); b) pela queda da vogal temtica no
infinitivo por, este verbo ficou aparentemente afastado da 2.a conj.,
che-     gando, durante muito tempo, a constituir pretexto para falsa
4.a conj. em     portugus. Cf. pg. 106.       Em pires, como nos
paroxtonos com s no final, h neutralizao do     nmero, cuja
depreenso s  permitida pelo contexto.           Subtrao nos
elementos mrficos. - At aqui temos visto a indi-     cao de uma
noo gramatical atravs de uma adio de determinado     elemento
mrfico: livros (onde s  desinncia de plural), amas (onde s 
desinncia de 2.a pess. sing.).       Mas a indicao pode nascer da
subtrao de determinado elemento     mrfico. Assim dizemos que livro 
singular (uma noo gramatical) em-     bora no haja desinncia
especial;  a oposio com o plural livros que     nos leva a
classificar livro como singular. Tambm a forma verbal ama     pertence
 1.a ou 3.a pess. sing., pela comparao com amas ou qualquer     outra
pessoa do plural.       Dizemos ento que o elemento mrfico 
subtrativo ou zero(').           (1) Cf. E. NIDA, Morphology, e J.
MATOSO CMARA JR., Princpios de Lingstica Geral,     75 e 90.
I         172 #           Acumulao nos elementos mrficos. - Muitas
vezes um elemento     mrfico utilizado para certa noo pode, por
acumulao, servir tambm     para determinar outra noo desprovida de
elemento caracterstico (ele-     mento mrfico subtrativo). As
desinncias de pessoas especiais para o     pret. perfeito (-i, -ste,
-u, -stes, -ram) - cf. pg. 114, acumulam as funes     de desinncia
modo-temporal por no existir nestas formas verbais. Assim      que,
embora haja elemento mrfico subtrativo, sabemos que cantei,     vendi e
parti, por exemplo, esto na 1.a pess. sing. (funo essencial da
desinncia i) do pret. perf. ind. (funo acumulativa da referida
desinncia).           Fuso nos elementos mrficos. - Os elementos
mrficos podem     combinar-se por justaposio ou por fuso. Em livros
juntou-se ao radical     primrio a desinncia de nmero -s-,
justaposta. No plural canais (ca-     nal + es) ou funis (funil + es) a
integrao do radical e desinncia  mais     ntima, no permitindo a
anlise dos dois elementos fundidos. No pri-     meiro exemplo
(cana-i-s) a fuso deu origem a um ditongo, enquanto no     segundo
(funis) favoreceu uma crase (funil + es = funi (l)es > funiis     >
funis). Na 1.a pess. sing. e 2.a pess. pl. do pret. perf. da 3.a conjug.
h crase resultante da fuso da vogal temtica com a desinncia pessoal:
parti ( caroos (plural com o tnico aberto).       ovo -> ovos; firo
--> feres. Em avdlav a mudana de timbre foi o nico ele-     mento
empregado para distinguir o gnero. Em Portugal, em geral,  o timbre
aberto     ou fechado da vogal tnica que distingue a 1.a pess. plur. do
presente do ind. e do     pret. perfeito dos verbos da 1.a e 2.a
conjugaes: levamos () (presente) , levamos ()     (pretrito),
devemos () (presente), devemos () (pretrito). No Brasil no fazemos
em regra esta distino, que fica, em geral, a cargo de advrbio
adequado.         B) 2 - Formao de palavras           Palavras
indivisveis e divisveis. - INDIVISNEL  a palavra que s     possui
como elemento mrfico o radical: mar, sol, ar, , hoje, lpis, livro.
DIVISVEL  a palavra que, ao lado do radical, pode desmembrar-se em
outro ou outros elementos mrficos:         mares (mar-e-s), alunas
(alun-a-s), trabalUvamos (trabalh-d-va-mos).           Palavras
divisveis simples e compostas. - Diz-se SIMPLEs a palavra,
divisvel que s possui um radical. Os outros elementos mrficos que a
compem ou so de significao puramente gramatical ou acrescentam
ao radical a idia subsidiria que denotam os afixos (prefixos ou
sufixos).       Por causa desta nova aplicao de sentido que os afixos
comunicam     ao radical, as palavras simples se dividem em primitivas e
derivadas.         174 #           Primitiva  a palavra simples que no
resulta de outra dentro da     lngua portuguesa:         livro, belo,
barcDerivada  a palavra simples que resulta de outra fundamental:
livraria, embelezar, barquinho.   ComposTA  a palavra que possui mais
de um radical:                 guarda-chuva, lanigero, planalto,
fidalgo.           Tanto as palavras simples (primitivas ou derivadas)
como as com.     postas podem ser acrescidas de desinncias, que servem
para exprimir uma     categoria gramatical (flexo) que, nos nomes e
pronomes, traduz as noes     de gnero e nmero e, nos verbos, nmero,
pessoa, tempo e modo:         a) primitivas flexionadas: livros, meninas
b) derivadas flexionadas: livrarias, meninadas     c) compostas
flexionadas: couves-flores, guarda-livros, fidalgas           Quando a
palavra  constituda de vrios elementos mrficos, cabe,     antes de
mais nada, estabelecer o princpio dos constituintes imediatos (cf.
pg. 171). Analisando, por exemplo, fidalgotes, estabeleceremos que a
palavra  primeiramente formada de fidalgote + desinncia do plural s,
atravs de fidalg(o) + sufixo diminutivo -ote e finalmente da locuo
filho de algo.           Proceam de formao de palavras. - Dois so os
principais processos     de formao de palavras em portugus:
a) composio                       b) derivao           A COMPOSIO
consiste na criao de uma palavra nova composta por     meio de duas ou
mais outras cujas significao depende das qIje encerram     as suas
componentes.         1) Substantivo + substantivo:       a) C~ENAO: 1
- (quando o determinante precede): me-pdtria, papel-moeda;     2 -
(quando o determinante vem depois): peixe-espada, carro-dormitrio,
couve-flor,       b) SUBORDINAO: arco-ris, estrada de ferro,
pdo-de-l.         2) Substantivo + adjetivo (ou vice-versa):
aguardente, obra-prima, fogo-ftuo, belas-artes, baixa-mar, boquiaberto.
3) Adjetivo + adjetivo:                  surdo-mudo, luso-brasileiro,
auriverde.         175 #         4) Pronome + substantivo:
Nosso Senhor, Sua Excelncia.         5) Numeral + substantivo
(inclusive numeral latino):        onze-letras (alcoviteira),
segunda-feira, bisneto, trigmeo, sesqucentenrio
(sesqui = um e meio).         6) Advrbio (bem, mal, sempre) +
substantivo, adjetivo ou verbo:     benquerena, benquisto, bem.querer,
malcriao (inutilmente corrigido para m-criao),
malcriado, sempre-viva.         7) Verbo + substantivo.
lana-perfume, porta-voz, busca-p, passa-tempo.         8) Verbo +
verbo ou verbo + conjuno + verbo:                   vaivm,
leva-e-traz, corre-corre.         9) Verbo + advrbio:
pisa-mansinho, ganha-pouco.         10) Um grupo de palavras ou uma
frase inteira pode condensar-se numa       classe de palavra:       um
Deus-nos-acuda, mais vale um toma que dois te darei, os disse-me-disse.
Como j vimos na pg. 170, a associao dos componentes das pala-
vras compostas se pode dar por:           a) justaposio: guarda-roupa,
me-ptria, vaivm.       b) aglutinao: planalto, auriverde, fidalgo.
"Na anlise mrfica de um composto por justaposio, separam-se
primeiramente as duas palavras, e, depois, procede-se  separao de
cada     uma delas, se so divisveis"(').           Derivao. -
Derivao consiste em~ formar palavras de outra primi-     tiva por meio
de afixos.       Os afixos; se dividem, em portugus, em prefixos (se
vm antes do     radical) ou sufixos (se vm depois). Da a diviso em
derivao prefixal     e sufixal.       DERivAo SUFIXAL: livraria,
livrinho, livresco.       DERIVAO PREFIXAL: reter, deter, conter.
OBsERvAo: Como vimos na pg. 169, os prefixos assumem um valor
significativo     que empresta ao radical um novo sentido, patenteando,
assim, a sua natureza de ele.     mento mrfico de significao externa
subsidiria.       Baseados nisto, a gramtica antiga e vrios autores
modernos fazem da prefixao     um processo de composio de palavras.
(1) J. MATOSO CmARA Jr., Teoria da Andlise Lxica, 94.         176 #
Sufixos. - Os sufixos dificilmente aparecem com uma s aplicao;     em
regra, revestem-se de mltiplas acepes e empreg-los com exatido,
adequando-os s situaes variadas, requer e revela completo
conhecimento     do idioma. A noo de aumento corre muitas vezes
paralela  de coisa     grotesca e se aplica s idias pejorativas:
poetastro, mulheraa. Os sufixos     que formam nomes diminutivos
traduzem ainda carinho: mezinha, pai-     zinho, maninho. Por fim, cabe
assinalar que temos sufixos de vrias     procedncias, sendo os latinos
e gregos os mais comuns.         I - Principais sufixos formadores de
substantivos.         1) Para a formao de nomes de agente:
-dor, -tor, -sor, -or: narrador, genitor, ascensor, cantor     -nte
estudante, requerente, ouvinte     -ista                dentista,
jornalista     -eira,               -eiro : lavadeira, padeiro
-dria,               -drio : bibliotecria, secretrio           2) Para
a formao de nomes de ao ou resultado de ao; estado;     qualidade:
a) Derivados de verbo:     -o, -so : coroao, perdio, compreenso
-mento : casamento, descobrimento     -ura, -dura, -tura : feitura,
mordedura, formatura     -ana (-dncia), -ena (-ncia): mudana,
esperana. parecena, abundncia       b) Derivados de substantivo:
-ada laada, braada     -ura cintura           c) Derivados de
adjetivos :     -ismo : charlatanismo, civismo     -tude, -do:
amplitude, amplido, solido     -ura : doura, brancura     -e.-a, -ez:
beleza, viuvez         3)                          Para significar
lugar, meio, instrumento:         -douro, -doura: bebedouro, manjedoura
_or  corredor     -trio : necrotrio    41  covil     -trio :
dormitrio   1     4) Para significar abundncia, aglomerao, coleo:
-aria, -ario, -cria : cavalaria, infantaria (ou infanteria), casario
-al: laranjal, cipoal     -edo : arvoredo     -io: mulherio     -ame,
-ume, -um: velame, ers-um, mulherum, hornum, negrume     -agem :
folhagem     -ada boiada     -ao chumao         177 #           5)
Para significar causa produtora, lugar onde se encontra ou se faz     a
coisa denotada pela palavra primitiva:         -drio : relicrio,
herbanrio     -eiro, -eira : aucareiro, chocolateira     -aria :
livraria, mercearia         6) Para formar nomes de naturalidade:
-ano, -Jo, -eu: pernambucano, coimbro, liebreu, caldeu.     -ense, -s:
cearense, (portugus -enho: estremenho)     -ista : paulista     -ol:
espanhol     -oto: minhoto (6)     -ato: maiato (natural de Maia)
-ino: platino, bragantino     -eiro : brasileiro     -eta : lisboeta
7) Para formar nomes que indicam maneira de pensar; doutrina que
algum segue; seitas; ocupao relacionada com a coisa expressa pela
pala-     vra primitiva:         -ismo: cristianismo, classicismo
-ista : socialista, espiritista     -ano: maometano, anglicano
8) Para formar outros nomes tcnicos usados nas cincias:         -ite:
emprega-se para as inflamaes. pleurite, rinite, bronquite.     -ema: 
utilizado nos modernos estudos de linguagem com o sentido de "mnima
unidade distintiva": fonema (menor unidade de som); morfema (menor
unidade     significativa de forma).     -oso e -ico: distinguem xidos,
andridos, cidos e sais, reservando-se o ltimo para     os compostos
que encerrem maior proporo do metalide empregado; ex.: cloreto
mercuroso, cloreto mercrico. Ato, -eto, -ito formam nomes de s.-.is:
cIorato, cloreto,     clorito. Ex.: clorato de potssio, cloreto de
sdio. Para os sais de enxofre usa-se o     radical sulf: sulfeto,
sulfito, e no sulfur, que  forma latina. Ex.: sulfato de quinino,
hipossulfito de sdio. Para os de fsforo usa-se o radical fosf, para os
de flor flu: fos-     fato, fluato. Para os de carbnio, o uso vulgar
aceitou as formas carbonato, bem     derivada, e carbureto (em vez de
carboneto), que denota influncia francesa. Ex.: bi-     carbonato de
sdio, carbureto de clcio. nio caracteriza carbonetos de hidrognio,
ex : :     acetilnio, etilnio, metilnio, etc. Ilio aparece em certos
compostos chamados radicais     qumicos, como amlio, metlio, etc. Ina
se encontra em alcaIides e lcalis artificiais,     ex.: atropina,
alcalide da beIadona; cafena, do caf; cocana, da coca; codena, da
papoula; conicina, da cicuta; estricnina, da noz-vmica; morfina, da
papoula; nicotina,     do fumo; quinina, da quina; tena, da rvore do
ch, etc.: anilina, alizarina, etc. Io     aparece em corpos simples,
ex.: silcio, telrio, selnio, sdio, potssio, etc. O1 se     encontra
em derivados de hidrocarbonetos, ex.: fenoI, naftol, etc. A mineralogia
e a     geologia tm tambm sufixos tomados em sentidos particulares:
-ita para espcies     minerais, ex.: pirita; -ito para as rochas, ex.:
granito e -ite para fsseis, ex.: amonite(l).     -oma designa tumor:
epitelioma         (1) ANTzNoR NASCZNTZS, O Idioma Nacional, 3.a ed.,
123-124.         178 #         II - Principais sufixos de nomes
aumentativos e diminutivos:         1)         Aumentativos:
-do, -zo : cadeiro, homenzo     -arro, -arro, -zarro : naviarra,
bebarro, santarro, coparro, homenzarro     -eirlo : vozeiro
-ao, -aa : ricao, barcaa, copao     -astro : poetastro,
politicastro     -alho, -alha, -alho: politicalho, muralha, grandalho
-anzil : corpanzil     -dzio : copzio     -ua: dentua     -eima:
guleima, guloseima, boleima     -anca: bicanca     -asco : penhasco
-az: fatacaz     -ola : beiola     -orra : cabeorra     -eirlo:
chapeirlo, toleiro         2)        Diminutivos:         -inho,
-zinho, -im, -zim : livrinho, florzinha, espadim, valzim (1)     -ito,
xito : copito, amorzito     -ico: namorico, veranico     -isco :
chuvisco, petisco     -eta, -ete, -eto : saleta, diabrete, livreto
-eco : livreco, padreco     -ota, -ote, -oto : ilhota, caixote,
perdigoto     .ejo: lugarejo, animalejo     -acho : riacho, fogacho
-ela : magricela     -iola : arterola     -ola : camisola (tambm tem
sentido aumentativo quando designa a camisa      longa de dormir),
rapazola (cf. -ola)     -ucho: gorducho, papelucho     -ebre : casebre
-ula, -ulo, -cula, -culo: ntula, glbulo, radcula, corpsculo
-alho, -elho, -ilho, -olho, -ulha : ramalho, rapazelho, pesadilho,
ferrolho, bagulho     -aa, -ao, -ia, -io : fumaa, canio, nabia
-el: cordel           (1) Se o vocbulo  masculino e termina em -a,
este a reaparece quando se lhe acres-     centa o sufixo -inho. O mesmo
acontece se  feminino em -o ou singular em -3: Jarbas -.> Jar-
binhas; Carmo (Jolo do) --> Carminho; o Maia -+ o Mainha. (Nota que me
foi fornecida por     Martinz de Aguiar.)         179 #         III -
Principais sufixos para forinar adjetivos:         -(d)io, -(d)io:
fugidio, movedio (todos tirados do tema do particpio     -vel, -bil:
notvel, crvel, solvel, flbil, ignbil     -ento, -(1)ento: cruento,
corpulento     -oso: bondoso, primoroso     -onho: medonho, risonho
-az: mordaz, voraz     -udo: barrigudo, cabeudo     4cio : acomodatco
-drio, -eiro : dirio, ordinrio, verdadeiro, costumeiro     -ano:
humano     -esco, -isco: dantesco, principesco, mourisco     -tico:
problemtico, aromtico     -eno terreno     -ico pblico     -engo :
mulherengo, avoengo     -al, -ar: anual, escolar     -aico : prosaico
-estre : campestre     -este : celeste     -douro: vindouro, imorredouro
-trio : expiatrio, satisfatrio     -ivo : afirmativo, lucrativo
-ecea,, -ceo (em famlia de plantas) : liliceas, papilonceos
IV - Principais sufixos para foi-mar verbos:           1) Para indicar
ao que deve ser praticada ou dar certa qualidade     a uma coisa
(verbo causativo):         -ant (ar): quebrantar     -it (ar):
periclitar, debilitar     -iz (ar): civilizar, humanizar, realizar
2) Para indicar ao repetida (verbos freqentativos):         -a (ar):
espicaar, adelgaar     ej (ar): mercadejar, voejar         3) Para
indicar ao pouco intensa (verbos diminutivos):
it(ar): saltitar, dormitar           OBSERVAO: Muitos verbos exprimem
esta idia por se formarem de nomes dimi-     nutivos: petisco + ar =
petiscar; chuvisco + ar = chuviscar; cuspinho + ar =     cuspinhar.
4) Para indicar incio de ao ou passagem para um novo estado ou
qualidade (verbos incoativos):                ec(er): alvorecer,
anoitecer, apodrecer, endurecer, enfurecer            esc (er):
florescer         180 #         V - Sufixo para formar advrbio:
-mente (junta-se a adjetivo na forma feminina, quando houver):
claramente, sinceramente, sossegadamente, simplesmente, horrivelmente,
enormemente,     primeiramente.           OBSERVAO: Os nomes
terminados em -s e alguns terminados em -or, porque     110 portugus
antigo s tinham uma forma para os dois gneros, no se apresentam
110 feminino: portuguesmente, superiormente.       Os advrbios em
-mente podem ser distribudos em trs classes, conforme o sentido
(10 adjetivo de que se forma(l):       1) exprimem uma idia de
qualidade: claramente, sinceramente, simplesmente,     horrivelmente;
2) exprimem uma idia de quantidade ou medida: copiosamente,
imensamente,     enormemente;       3) exprimem uma idia de relao de
dois seres independente um do outro; entre     as idias de relao
citamos as de tempo e lugar: primeiramente, anteriormente,
atualmente.           Prefixos. - Os principais prefixos que ocorrem em
portugus so de     procedncia latina ou grega, sendo que muitos dos
primeiros correspondem     a preposies portuguesas. Ainda que os
prefixos latinos tenham o mesmo     sentido de seus correspondentes
gregos, formando assim palavras sinni-     mas, estas em regra no se
podem substituir mutuamente, porque tm     esferas semnticas
diferentes.       Assim  que transformao e metamorfose,
circunferncia e periferia,     composio e sntese so sinnimos, a
rigor, mas no se aplicam indistin-     tamente: transformao, por
exemplo,  de emprego mais amplo que me-     tamorfose.         PREFIXOS
E ELEMENTOS LATINOS         abs, ab (afastamento, separao): abstrair,
abuso     ad, a (movimento para aproximao; adicionamento; passagem
para outro estado; s       vezes no tem significao prpria):
adjunto, apor           OBSERVAO: No confundir com o a sem
significao de certas palavras como     alevantar, assentar, atambor
ante (anteriormente, procedncia - no tempo ou no espao): ante-sala,
antelquio,       antegozar, antevspera     ambi (duplicidade):
ambigidade, auibidestro     bem, ben (bem, excelncia de um fato ou
ao): bendizer, benfazejo     circum, circu (em roda de):
circunferncia, circulao      (posio aqum): cisalpino,
cisatlntico, cisandino           OBSERVAO: Ocorre como antnirao de
trans: transatlntico - cisatlntico.     com, con-, co- (companhia,
sociedade, concomitincia): compadre, companheiro, con-       dutor,
colaborar         (1) H. NILSSON-EHLF, Les Adverbes en -tnepit
compliments Wun verbe, 17-18.         181 #         contra (oposio,
situao fronteira; o a final pode passar a o diante de certas deri-
vaes do verbo): contramarchar, contrapor, contramuro, controverter. Em
contra-       dana no ocorre o prefixo contra; o vocbulo nos veio do
francs contredanse,       do ingls country-dance (dana rstica), por
etimologia popular, talvez devida ao       fato de os pares se
defrontarem uns com os outros (da o francs contre).     de-
(movimento para baixo, separao, intensidade, negao): depenar,
decompor. s       vezes alterna com des-: decair - descair     de(s)-,
di(s)- (negao, ao contrria, cessao de um ato ou estado,
separao, abla O,       intensidade): desventura, discordncia, difcil
(dis + fcil), desinfeliz, desfear       (= fazer muito feio), demudar
(= mudar muito)     es-,                                           e-,
ex- (movimento para fora, mudana de estado, esforo): esvaziar, evadir,
ex-       patriar, expectorar, emigrar, esforar       OBSERVAO: s
vezes alterna-se com des-: escampado - descampado; esguedelhar     -
desguedelhar; esmaiar - desmaiar; estripar e destripar         em-, en-;
e-, in- (movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, guar-
necimento, revestimento): embeber, enterrar, enevoar, ingerir     extra-
(fora de, alm de; superioridade; o a final passa, s vezes, a o):
extradio,       extralegal, extrafino, extroverter     im-, in-, i-
(sentido contrrio, negao, privao): impenitente, incorrigvel,
ilegal,       ignorncia, imigrar     intra- (posio interior,
movimento para dentro; o a final passa, s vezes, a o):
intramuscular, introverter, introduzir     inter-, entre (posio no
meio, reciprocidade): entreter, interpor, intercmbio     ob-,
o- (posio em frente): obstar, opor     per- (atravs de, coisa ou ao
completa, intensidade): percorrer, perfazer, perdurar,       persentir
(sentir profundamente)     pos- (posio posterior, no tempo e no
espao): postnico, ps-escrito     pre- (anteriormente, antecedncia,
superioridade): prefcio, prever, predomnio     pro- (movimento para
frente, em lugar de, em proveito de): progredir, projeo     re-
(movimento para trs, repetio, reciprocidade, intensidade): regredir,
refazer, res-       saudar (saudar mutuamente), ressaltar, rescaldar
(escaldar muito)     retro- (para trs): retroceder, retroagir     semi-
(metade de, quase, que faz as vezes de): semicrculo, semilirbaro,
semivogal     so.,                                           sob-, sub-,
sus-, su- (em baixo de, imediatamente abaixo num cargo ou funo;
inferioridade, ao pouco intensa): soterrar, sobestar, submarino,
sustentar, supor     sobre-, super-, supra- (posio superior,
salincia, parte final de um ato ou fenmeno;       em seguida;
excesso): sobrestar, superfcie, supracitado, superlotado     soto-,
sota- (posio inferior, inferioridade; logo aps): sotopor, sotomestre,
sota-voga,     trans-, tras-, tres-, tra-, tre- (alm de, atravs de,
intensidade): transportar, traduzir,       transladar, trespassar,
tresler, tresgastar     OBSMVAES:       1.a) No se h de confundir
trs (numeral) com tres (de trans): tresdobrar     (triplicar);
2.a) s vezes trans  empregado como antnimo de cis: transalpino e
transandino,     por                                           exemplo,
opem-se a cisalpino e cisandino;       3.a) Tambm em certas palavras
se podem alternar as variantes deste prefixo:     transpassar,
traspassar, trespassar.     ultra- (alm de, excesso, passar alm de):
ultrapassar, ultrafino     vice-, vis- (em lugar de, imediatamente
abaixo num cargo ou funo): vice-presidente,       visconde         182
i         I         I         f         I #         PREFIXOS E ELEMENTOS
GREGOS         a, an, este ltimo antes de vogal (privao, negao,
insuficincia, carncia, contradio):       afnico, anemia, annimo,
anxia, amoral     ana (inverso, mudana, reduplicao): anabatista,
anacrnico, analogia, anatomia     anfi (duplicidade, ao redor, dos dois
lados): anfbio, anfibologia, anfiteatro     anti (oposio, ao
contrria): antdoto, antrtico, antpodas, anti-areo     apo
(afastamento): apologia, apocalipse     arqui, arce (superioridade
hierrquica, primazia, excesso): arquiduque, arquimilionrio,
arcediago     cata (movimento para baixo): catacumba, catarata, catlico
di (duplicidade): dilema, disslabo, ditongo     did (atravs de):
dilogo, diagrama           OBsERvAo: Pensando-se que didIogo 
conversa de dois, tem-se empregado erra-     damente trilogo para
conversa de trs.         dis (dificuldade): dispepsia, disenteria
ec-, ex-, exo-, ecto (exterioridade, movimento para fora): eczema,
exegese, xodo, ex-       geno, ectoderma     en-, em-, e-
(interioridade): encmio, encclica, enciclopdia, emblema, elipse
endo (movimento em direo para dentro): endocarpo, endovenosa     epi
(sobre, em cima de): epiderme, epitfio     eu (excelncia, perfeio,
bondade): eufonia, euforia, eufemismo     hemi (metade, diviso em duas
partes): hemiciclo, hemisfrio     hiper (excesso): hiprbole, hiprbato
hipo (posio inferior): hipocrisia, hiptese, hipoteca     meta
(mudana, sucesso): metamorfose, metfora, metonmia     para
(proximidade, semelhana, defeito, vcio, intensidade): parbola,
paradigma, para-       lela, paramnsia     peri (em torno de):
permetro, perodo, periscpio     pro (anterioridade): prlogo,
prognstico, profeta     pros (adjuno, em adio a): proslito,
prosdia     proto- (incio, comeo, anterioridade): prottipo,
proto-histria, proto-mrtir     poli- (multiplicidade): polisslabo,
politesmo     sin-, sim-, (conjunto, simultaneidade): sinagoga,
sinopse, simpatia, silogeu     tele- (distncia, afastamento, controle
feito a distncia): telgrafo, telepatia, teleguiado.
Correspondncia entre prefixos e elementos latinos e gregos.
LATINOS         des, in : desleal, infeliz     contra: contrapor
ambi: ambigidade     a b : abuso     bi (s): bilabial     trans:
transparente, transformao         183         GREGOS         a, an:
amoral, anemia     anti : antipatia     anfi: anfibologia     apo :
apogeu     di: dissilabo     did, meta: difano, metamorfose #
in . ingressar     intra : intramuscular         ex : exportar
super, supra : superfcie, supralingual,      superlotar     bene
benefcio     semi semicrculo     sub: subterrneo    *ad : adjetivo
circum : crcunfrencia     de: depenar     CUM : composio         en
: enc6falo     endo. endovenoso     ec, ex : ~xoto     epi, hiper:
cpiderme, hipertrofia         eu : eufona     hemi hemisfrio     hipo
hiptese     para paralelo     peri periferia     cata catarata     sin
: sntese           Derivao parassinttica. - Chama-se derivao
parassinttica aquela     que consiste em formar vocbulos com o auxlio
simultneo de prefixo e     sufixo: anoitecer, endurecer, empobrecer,
enriquecer.       Este processo  normalmente formador de verbos que
saem de substan-     tivos (anoitecer) ou de adjetivos (endurecer).
Os prefixos que em geral entram nos parassintticos so es-, em- e a-.
Com em- predomina a idia de "Passar de um estado a outro": enriquecer
(passar a rico).       O princpio dos constituintes imediatos (cf. pg.
171) facilmente     estabelece a inexistncia de parassintticos em
formas como deslealdade,     descobrimento ou injustia. A NGB no
agasalhou os parassintticos.           Outros processos de formao de
palavras. - Alm dos processos     gerais tpicos de formao de
palavras, possui o portugus mais os se-     guintes: formao
regressiva, abreviao, reduplicao e converso.       Intimamente
relacionada com a derivao temos a formao regressiva,     que
consiste em criar palavras por analogia, atravs de subtrao de algum
sufixo' dando a falsa impresso de serem vocbulos derivantes; de
atrasar     tiramos atraso, de embarcar, embarque; de pescar, pesca; de
gritar, grito.     Assim tambm os vocbulos rosmaninho e sarampo foram
tomados, res-     pectivamente, como-diminutvo e aumentativo, e da se
tiraram as formas     regressivas rosmano e sarampo, como falsos
primitivos.       O Prof. Sad Ali distribui os vocbulos de formao
regressiva em     quatro grupos:   "1.0)Masculino em -o: atraso,
assento, emprego, vo, esforo, choro, degelo, remo,         mergulho,
suspiro, mando, confronto, rodeio, galanteio, festejo, gargarejo, etc.
2~0)                                        Masculino em -e: embarque,
desembarque, combate, corte, toque, etc.   3.0)Feminino em -a: amarra,
pesca, sobra, splica, leva, engorda, desova, renncia,         rega,
esfrega, entrega, escolha, etc.   4.0)Masculinos e femininos: pago,
paga, custo, custa, troco, troca, achego, achega,         grito, grita,
ameao, ameaa"(1).         (1) Gram. Ser., 163.         184 #
Vrias so as aplicaes dos verbos auxiliares da lngua portuguesa:
1 - ter, haver (raramente) e ser (mais raramente) se combinam     com o
particpio do verbo principal para constiturem novos tempos, cha-
mados compostos, que, unidos aos simples, formam o quadro completo
da conjugao da voz ativa. Estas combinaes exprimem que a ao
verbal est concluda.         Indicativo         Temos nove formas
compostas:         a) pretrito perfeito composto: tenho ou hei cantado,
vendido, partido;     b) pretrito mas-que-perfeito: tinha ou havia
cantado, vendido, partido;     c) futuro do presente composto: terei ou
haverei cantado, vendido, partido;     d) futuro do pretrito composto:
teria ou haveria cantado, vendido, partido;         Subjuntivo       e)
Pretrito Perfeito: tenha ou haja cantado, vendido, partido;       f)
Pretrito mais-que-perfeito : tivesse ou houvesse cantado, vendido,
partido;       g) futuro composto: tiver ou houver cantado, vendido,
partido;         Formas nominais         h) infinitivo composto: ter ou
haver cantado, vendido, partido;     i) gerndio composto: tendo ou
havendo cantado, vendido, partido.           O verbo ser s aparece em
combinaes que lembram os depoentes     latinos, sobretudo com verbos
que denotam movimento: "Os cavaleiros     eram partidos caminho de
Zamora" (A. F. de Castilho, Quadros Histricos,     1, 101). Era chegada
a ocasio da fuga. Sio passados trs meses.           2 - ser, estar,
ficar se combinam com o particpio (varivel em     gnero e nmero) do
verbo principal para constituir a voz passiva (de     ao, de estado e
mudana de estado):  amado, est prejudicada, ficaram     rodeados.
3 - os auxiliares acurativos se combinam com o infinitivo ou gern-
dio do verbo principal para determinar com mais rigor os aspectos do
momento da ao verbal que no se acham bem definidos na diviso geral
-de tempo presente, passado e futuro:         a) incio de ajo: comear
a escrever, por-se a escrever, etc.;     b) iminncia de ajo: estar
para (por) escrever, etc.; c)desenvolvimento gradual da ao; durajo:
estar a escrever, andar       escrevendo, vir escrevendo, ir escrevendo,
etc.           OBSERVAO: No Brasil prefere-se a construo com
gerndio (estar escrevendo),     -enquanto em Portugal  mais comum o
infinitivo (estar a escrever).         III #     d)repetio de ao:
tornar a escrever, costumar escrever (repetio       habitual), etc.;
e)trmino de ao: acabar de escrever, cessar de escrever, deixar de
escrever, parar de escrever, vir de escrever, etc.           Vir de +
infinitivo  construo antiga no idioma e valia por voltar de (ou
chegar) + infinitivo: "De amor dos lusitanos encendidas/ Que vm de
descobrir o     novo mundo" (CAmEs, Lusadas, lX, 40). Depois passou a
significar acabar de + in-     fintivo e, porque em francs ocorre
emprego semelhante, passou a ser, neste sentido,     condenado como
galicismo pelos gramticos: "eu, aos doze anos, vinha de perder meu
pai" (CAmiLo apud H. GRAA, Factos da Linguagem, 462).           4 - os
auxiliares modais se combinam com o infinitivo ou gerndio     do verbo
principal para determinar com mais rigor o modo como se     realiza ou
se deixa de realizar a ao verbal:          a)necessidade, obrigao,
dever: haver de escrever, ter de escrever,          dever escrever,
precisar (de) escrever, etc.           OBSERVAO: Em vez de ter ou
haver de + infinitivo, usa-se ainda, mais moder-     namente, ter ou
haver que + infinitivo: Tenho que estudar. Neste caso, que, como
introdutor de complemento de natureza nominal, funciona como verdadeira
preposio.     No se confunda este que preposio com o que pron.
relativo em construes do     tipo. nada tinha que dizer, tenho muito
que fazer, etc. Para esta ltima linguagem,     ver o que se disse na
pg. 245.         b)
Possibilidade ou capacidade: poder escrever, etc. c)vontade ou desejo:
querer escrever, desejar escrever, odiar escrever,       abominar
escrever, etc.     d)tentativa ou esforo: buscar escrever, pretender
escrever, tentar       escrever, ousar escrever, atrever-se a escrever,
etc.         e)                                         consecuo:
conseguir escrever, lograr escrever, etc.     f)
aparncia, dvida: parecer escrever, etc.     g)movimento para realizar
um intento futuro (prximo ou remoto):       ir escrever, etc.
h)                                         resultado: vir a escrever,
chegar a escrever, etc.           Vir a + infini , tivo de certos verbos
tem quase o mesmo sentido do verbo principal     empregado sozinho: Isto
vem a traduzir a mesma idia (= isto por fim traduz a mesma     idia).
Vir a ser pode ainda ser sinnimo de tornar-se: Ele veio a ser famoso.
NorrA FINAL - Nem sempre a aproximao de dois ou mais verbos constitui
uma     locuo verbal; a inteno da pessoa que fala ou escreve  que
determinar a exis-     tncia da locuo. "Por exemplo, na frase:
queramos colher rosas, os verbos queramos     colher constituiro
expresso verbal se pretendo dizer que queramos colher rosas e     no
outra flor, sendo rosas o objeto da declarao. Se, porm, pretendo
dizer que o     que ns queramos era colher rosas e no fazer outra
cousa, o objeto da declarao      colher rosas e a declarao
principal se contm incompletamente em queramos" (Jos     OITICICA,
Manual de Anlise, 202-203).         112 #           Auxiliares
causativos e sensitivos. - Assim se chamam os verbos     deixar, mandar,
fazer e sinnimos (causativos) e ver, ouvir, olhar, sentir     e
sinnimos (sensitivos) que, juntando-se a infinitivo ou gerndio, no
formam locuo verbal, mas, muitas vezes, se comportam sinteticamente
como tal.           Elementos estruturais do verbo: desinncias e
sufixos verbais. - Ao     radical do verbo, que  o elemento que encerra
a sua significao, se jun-     tam as formas mnimas chamadas
desinncias para constituir as flexes do     verbo, indicadoras da
pessoa e nmero, do tempo e modo.       Chama-se vogal temtica aquela
indicadora da conjugao:                       1.a a : cant-a-r
2.a . : vend-e-r                        3.a i: part-iA vogal temtica
presa ao radical constitui o tema:                 canta-r, vende-r,
parti-r.           Nem todas as formas verbais possuem a vogal temtica,
como, por     exemplo, a 1.a pessoa singular do presente do indicativo e
do subjuntivo.     As vogais e e a em cant-e, vend-a, paft-a so
desinncias temporais (veja     abaixo). Outras vezes a vogal temtica
sofre variao: o a passa a e no     pret. perf. do ind. da 1.a conj. em
contato com i, e passa a o em contato     com u; cant-ar, cant-e-i,
cant-o-u; o e passa a i no pret. imperfeito do ind.     e particpio da
2.a conjugao: vend-e-r, vend-i-a, vend-i-do. A vogal tem-     tica i
da 3.a conjugao passa a e quando tono, no pres. ind. (2.a e 3.a
sing. e 3.a plural) e imperativo (2.a p.): part-e-s, part-e, part-e-m,
part-e.,     se  tnico, nos mesmos casos, funde-se com o i da
desinncia is da 2.a     pessoa do plural: partis por part-i-is.       O
tema  a parte da palavra pronta para receber o sufixo ou a
desinncia.       Sufixo verbal  o que entra na formao dos verbos
derivados:     salt-it-ar, real-iz-ar, etc. (Cf. pg. 180).       As
desinncias modo-temporais so:     a)va(ve) caracteriza o imperfeito do
indicativo da 1.a conjugao:       canta-va (1); b)-a- (e), variao do
anterior, caracteriza o imperfeito do indicativo       da 2.a e 3.a
conjugao: devi-a, parti-a; C)-ra- (re) tono caracteriza o
mais-que-perfeito do indicativo:       canta-ra, vende-ra, parti-ra;
cant-reis; d) -sse caracteriza o imperfeito do subjuntivo: canta-sse,
vende-sse,       parti-sse;         (1)
Pomos entre parnteses a variante do morferna ou alomorfe. (V. pg.
210).         113 #        e)-ra- (re) tnico caracteriza o futuro do
presente: canta-re-i,          canta-r-s, canta-r-o, deve-re-i;
parti-re-i;      f)-ria- (rie) caracteriza o futuro do pretrito:
canta-ria, deve-ria,          parti-ria;        9)
-e- caracteriza o presente do subjuntivo da 1.a conjugao: cant-e;
h)                                         -a- caracteriza o presente do
subjuntivo da 2.a e 3.a conjug.: vend-a,          part-a;        i)
-r- caracteriza o futuro do subjuntivo: canta-r, vende-r, parti-r.
OBSERVAES:       1.a) Nem todas as formas verbais se apresentam com
desinncias e vogal temtica.       2.a) As caractersticas temporais
terminadas em -a (imperf., m.-q.-Perf. do ind.     e futuro apresentam
esta vogal alterada em e na 2.a pessoa do plural, graas ao contato
com a desinncia pessoal -is que provoca a ditongao eis: eu cantava,
vs cantlveis;     eu devia, vs deveis; eu partia, vs pardeis; eu
cantara, vs cantreis; eu cantaria, vs     cantareis). O mesmo ocorre
com a 1.a pess. do fut. do presente: cant-a-re-i.       3.a) As
desinncias pessoais (d. abaixo) do pretrito perfeito servem, por
acumu-     lao, para caracterizar o tempo do verbo.         As
desinncias nmero-pessoais so:         PLURAL                 1.a
Pessoa: -, -o (s no pres. ind.), -i (96 no pret. perf. do ind. e
futuro do presente) (1)     SINGULAR      2.a pessoa: -5, -es (96 no
fut. do subj. e inf. flex.), -ste (s no pret.
perf. do ind.)             3.a pessoa: -, -u (s no pret. perf. do ind.)
1.8 pessoa: -mos             2.a pessoa: -is -des (s no fut. do subj.,
nf. flex. e pres. do ind.                   de alguns verbos
irregulares), -stes (s no pret. perfeito do                   ind.), -i
(no imperativo)             3.a pessoa: -m (indica que a vogal
precedente  natal), -em (s no                   futuro do subj. e inf.
flex.), -ram (s no pret. perfeito                   do indicativo)
Observajes sobre as desinIncias nmero-pessoais.           1.a pessoa
do singular: geralmente falta a desinncia de 1.a pessoa     do
singular, exceto no presente do indicativo, onde aparece a desinncia
-o:     cant-o, vend-o, part-o       No pretrio perfeito do indicativo
e futuro do presente aparece a     desinncia -i :
cante-i, vend-i, part-i                   canta-re-i, vende-re-i,
parti-re-i           2.a pessoa do singular: a desinncia  -s; no
futuro do subjuntivo e     infinitivo aparece -es e no pretrito
perfeito do indicativo -ste :                   cant-a-s, cant-a-r-es,
cant-a-ste.                   vend-e-s, vend-e-r-es, vend-e-ste.
part-e-s, part-i-r-es, part-i-ste.         (1) O travessia Indica
ausncia de desinncia.         114 #           3.a pessoa do singular:
geralmente falta a desinncia de 3.a pess. do     singular; s o
pretrito perfeito do indicativo  que apresenta -u :
cant-o-u, vend-e-u, part-i-u         1.2 pessoa do plural: a desinncia
 sempre -mos:         cant-a-mos, vend-e-mos, part-i-mos           2.a
pessoa do plural: a desinncia  -is; aparece -des no futuro do
subjuntivo, infinitivo flex. e no presente do indicativo de alguns
verbos     irregulares (ter, vir, por, ver, rir, ir); o pret. perfeito
do indicativo apre-     senta -stes e o imperativo -i (na 3.a conj. h
crase com a vogal temtica):                      cant-a-is, vend-e-is,
part-is                  cant-a-r-des, vend-e-r-des, part-i-r-des
cant-a-stes, vend-e-stes, part-i-stes                  cant-a-i,
vend-e-i, part-i.           3.a pessoa do plural: a desinncia  -m, que
nasaliza a vogal prece-     dente; no futuro do subjuntivo e infinitivo
aparece em; o pret. perfeito     do indicativo apresenta -ram :
cant-a-m, vend-e-m, part-e-m                  cant-a-r-em, vend-e-r-em,
part-i-r-em                  cant-a-ram, vend-e-ram, part-i-ram
OBsERvAXo: No futuro do presente d-se uma ditongao; a nasalidade 
indicada     por til e se sobrepe  caracterstica temporal:
cant-a-ro, vend-e-rIto, part-i-Mo           Tempos primitivos e
derivados. - No estudo dos verbos, principal-     mente dos irregulares,
torna-se vantajoso o conhecimento das formas     verbais que se derivam
de outras chamadas primitivas.           1 - Praticamente do radical da
1.a pessoa do presente do indicativo     sai todo o presente do
subjuntivo, bastando que se substitua a vogal final     por e, nos
verbos da 1.a conjugao, e por a nos verbos da 2.a e 3.a
conjugaes:         Presente do indicativo    Presente do subjuntivo
Excees :         cantar       canto          cante     vender
vendo          venda     partir       parto          parta         ser
sou    seja   ir   vou v     dar    dou    d     querer   quero
queira     estar  estou  esteja saber    sei saiba     haver  hei
haja         115 #           2 - Praticamente da 2.a pessoa do singular
e plural do presente do     ndicativo saem a 2.a pessoa do singular e
plural do imperativo, bastando         OBSERVAO: Os verbos em -zer ou
-zir podem perder, tia 2.-a         pessoa do singula         ainda o e
final, quando o z no  precedido de consoante: faze (ou faz) tu, traduz
O imperativo em portugus s tem formas apenas para as segundas
pessoas; as pessoas que faltam so supridas pelos correspondentes do
pre-     sente subjuntivo. No se usa o imperativo de 1.a pessoa do
singular. As     terceiras pessoas do imperativo se referem a voc,
vocs e no a eles. Tam-     bm no se usa o imperativo nas oraes
negativas; neste caso empregam-se         as
formas correspondentes do presente do subjuntivo:         3 - Do tema do
pretrito perfeito do indicativo (que praticamen     acha suprimindo a
desinncia pessoal da 1.a pessoa do plural ou 2.a         se     p. do
singular) saem         a)                                         o
mais-que-perfeito do indicativo, com o acrscimo de -ra (re): ra
ra-s, ra, ra-mos; re-is; ra-m;     b)
o imperfeito do subjuntivo, com o acrscimo de -sse: sse, sse-s, sse,
sse-mos, sse-is, sse-m;     c)                     o futuro do
subjuntivo, com o       r-des, r-em.         acrscimo de -r: r, r-es,
r, i--mos,         Tepna do Pret. Perf. M.-q.-Perf. ind. Imperf, subi,
Fut. subi.       vi (-mos) % ira    visse      vir       N ie (-mos)
N iera     N iesse vier       coube (-mos)       coubera    coubesse
couber       puse (-mos)        pusera     pusesse puser       fo (-mos)
fora     fosse      for         4 - Do infinitivo no flexionado se
formam:         a)                                          o f uturo do
presente, com o acrscimo ao tenia de ra (re) tnico:       re-i, r-s,
r, re-mos, re-is, r-o         116 #       b)o futuro do pretrito, com
o acrscimo de -ria (rie): ria, ria-s, -ria,       ria-mos, re-is,
ria-m.         Infinitivo         cantar         Futuro do presente
cantarei       cantars       cantar       cantaremos       cantareis
cantaro                                        Futuro do pretrio
cantaria                                       cantarias
cantaria                                       cantaramos
cantareis                                       cantariam     Excees:
dizer, fazer, trazer, que fazem direi, farei, trarei, diria, faria,
traria.           c)                                          O
imperfeito do indicativo, com o acrscimo de -va (ve), na 1.a     conj.,
e -a(e), na 2.a e 3.a: cant-a-va, cant-a-va-s, cant-a-va, cant--va-mos,
cant--ve-is, cant-a-va-m     vend-i-a, vend-i-a-s, vend-i-a,
vend-f-a-mos, vend--e-is, vend-i-a-m     part-i-a, part-i-a-s,
part-i-a, part--a-mos, part--e-is, part-i-a-m.         A parte, temos:
a) ser (era, eras, etc.)     b) ter (tinha, tinhas, etc.)     c) vir
(vinha, vinhas, etc.)     d) por (punha, punhas, etc.)           A
slaba tnica nos verbos: formas rizotnicas e arrizotnicas. - Ri-
ZOTNICA  a forma verbal cuja slaba tnica se acha numa das slabas do
radical:         quero, canto, canta, vendem, feito.         radical:
ARRIZOTNICA  a forma verbal cuja slaba tnica se acha fora do
queremos, cantais, direi, vendido.           A lngua portuguesa  mais
rica de formas rizotncas.       So normalmente rizotnicas: a) as
trs pessoas do singular e a 3.a     do plural do presente do indicativo
a do subjuntivo, e as correspondentes     do imperativo; b) os
particpios irregulares; c) a 1.a pessoa e 3.a singular     do pretrito
perfeito dos verbos irregulares fortes: coube, fiz, fez.       Nos
verbos defectivos em geral faltam as formas rizotnicas.       Em vista
do exposto, as trs pessoas do singular e a 3.2 do plural do     pres.
do indic. e subjuntivo tm sempre acentuada a penltima slaba:
frutifico, vociferas, sentencia, trafegam.     Excees:
a)resfolegar e tresfolegar fazem ~esffilego, resflegas, resflega, res-
flegam, etc. Existem ainda as formas reduzidas resfolgar e tres-
folgar, de acentuao regular: resfolgo, tresfolgo, etc.     #
117 #     b)mobiliar faz mobilio, moblias, moblia, mobiliamos,
mibiliais,       mobiliam; mobilie, mobilies, mobilie, etc. Existem
ainda as formas       mobilar (1) e mobilhar que se conjugam de acordo
com a regra       geral: mobilo, mobilas; mobilho, mobilhas, etc.
Mobilar  forma de pouca aceitao entre brasileiros: "Eu vivia
encantonada na sala da frente, que ia de oito a outro, com vrias
sacadas     para o largo, mobiliada (ateno revisor: no ponha
'Inobilada', que      palavra que eu detesto) com uma cama-de-vento,
uma cadeira e um lava-     trio de ferro" (MANUEL BANDEIRA) (2).
Alternincia voclica ou metafonia. - Assim se chama a mudana     de
timbre que sofre a vogal do radical de um vocbulo na forma rizot-
nica. Muitos verbos da lngua portuguesa apresentam este fenmeno:
ferver: fervo, ferves, ferve, fervemos, fervem (o e tnico  fechado na
La pess.     do sing. e na 1.a e 2.a pess. do plural; nas outras,  de
timbre aberto).         Na 1.a conjugaao:         aberta:         a)
a vogal a, no seguida de m, n ou nh, vassa a ser proferida bem
falar: falo, falas, fala, falamos, falais, falam     chamar: chamo,
chamas, chama, chamamos, chamais, ch am           b) ao e fechado
corresponde e aberto, exceto quando no vem se-     guido de m, n, nh,
i, x, ch, Ih         levar. levo, levas, leva, levamos, levais, levam
remar: remo, remas, rema, remamos, remais, r am     alvejar: alvejo,
alvejas, alveja, alvejamos, alvejais, alvejam     Pretextar: pretexto,
pretextas, pretexta, pretextamos, pretextais, pretextam     fechar:
fecho, fechas, fecha, fechamos, fechais, fecham     aparelhar: aparelho,
aparelhas, aparelha, aparelhamos, aparelhais, aparelham     Excees:
invejar (tem e aberto); chegar, ensebar no sofrem metafonia.
Pesar, no sentido de causar tristeza, desprezar,  arrolado tambm
como exceo; porm, no Brasil, o uso mais corrente  conjug-lo como
levar. Os gramticos recomendam-no com e fechado: pesa, pesam; pese,
pesem, etc. ( verbo defectivo, s usado nas terceiras pessoas).
(1) No Brasil s por imitao literria aparece este verbo. Dele nos diz
Manuel Bandeira:     "Este lusitanismo est sendo Introduzido por certos
revisores  revelia doe autora; ;j me enxer     taram a antiptica
palavra numa tradu&o minha, mas eu juro que no a escrevi, nem jamais
a escreverei: escreverei sempre 'mobiliada- (Poesia e Prosa, ed,
Aguilar, li, 441),       (2) Poesia e Prosa, 11, 459-460, ed. Aguilar.
118 #           c) a vogal o passa a o aberto quando no seguida de m,
n, nh ou o     verbo no termina por -oar:         tocar: toco, tocas,
toca, tocamos, tocais, tocam     sonhar: sonho, sonhas, sonha, sonhamos,
sonhais, sonham     Perdoar: perdo, perdoas, perdoa, perdoamos,
perdoais, perdoam.         Na 2.a conjugao:           a) as vogais
tnicas e e o soam com timbre aberto na 2.a e 3.a pessoa     do singular
e na 3.a do plural do pres. do ind. e na 2.a pess. sing. do
imperativo afirmativo, salvo se vierem seguidas de m, n ou nh:
dever: devo (), deves (), deve (), devemos, deveis, devem ()
roer: ri, roei (6)         volver: volvo (6), volves (6), volve (6),
volvemos, volveis, volvem (6)         temer: temo (), temes (), teme
(), tememos, temeis, temem.         comer: como (6), comes (6), come
(6), etc.           Excees: querer e poder tm a vogal tnica aberta
na 1.a pess. do sing.         Na 3.a conjugao:           a) a vogal e,
ltima do radical, sofre alternricias diversas quando     nela recai o
acento tnico:           1 - passa a i na 1.a pess. do sing. do indic.,
e em todo o presente do     subj. e e aberto na 2.a e 3.a pess. sing. e
3.a do plural do pres. do indic.     e 2.a pess. sing. do imperativo nos
verbos:         aderir, advertir, aferir, assentir, auferir, compelir,
competir, concernir, conferir, con-     ~ir, consentir, convergir,
deferir, desferir, desmentir, despir, desservir, diferir, digerir,
discernir, dissentir, divergir, divertir, expelir, ferir, impelir,
ingerir, mentir, preferir,     pressentir, preterir, proferir,
prosseguir, referir, refletir, repelir, repetir, seguir, servir,
sugerir, transferir, vestir:     vestir: visto, vestes, veste, etc.
OBszRvAo: Se o e for nasal mantm-se inaltervel, exceto na 1.a pess.
singular     do pres. do ind. e em todo o pres. do subj., onde passa a
i: sentir: sinto, sentes,     sente, etc.           2 - passa a i nas
trs pessoas do singular e terceira do plural do     pres. ind., em todo
o pres. do subj. e imperativo, salvo, neste, a 2.a     pess. pl.:
agredir, cerzir, denegrir, prevenir, progredir, regredir, transgredir, e
remir (este defec-     tivo; cf. 108).         Pres. ind.: agrido,
agrides, agride, agredimos, agredis, agridem     Pres. subi.: agrida,
agridas, agrida, etc.     1-P. afirmat.: agride, agrida, agridamos,
agredi, agridam         119 #           3 - os verbos medir, pedir,
despedir, impedir e derivados tm e     i     aberto nas formas
rizotnicas, isto , nas trs pessoas do singular e 3.a     do plural do
presente do indicativo e subjuntivo, e no imperativo afir-     mativo,
exceto, neste, na 2.a pessoa do plural:     Medir -
pres. ind.: meo, medes, mede, medimos, medis, medem          pres.
subj.: mea, meas, mea, etc.          imper. afirm.: mede, mea,
meamos, medi, meam.           4 - Os verbos aspergir, emergir, imergir
e submergir tm e tnico     fechado na 1.a pessoa do singular do
presente do indicativo (e formas que     da se derivam); tm e aberto
na 2.a e 3.a do singular e 3.a do plural do     presente do indicativo
(e formas que da se derivam):         aspergir:
asperjo (), asperges (), asperge (), aspergimos, aspergis, aspergem
().           b) a vogal o sofre tambm alternncias diferentes, quando
nela recai     o acento tnico:           1 - Passa a u na 1.8 pessoa
sing. do pres. ind., em todo o pres.     subj. e no imperativo, salvo,
neste, a 2.a pess. do singular e plural; e pa     a o aberto na 2.a e
3.a sing. e 3.a do plural do, pres. ind. e 2.a do singu     do
imperativo:     dormir: pres. ind.: durmo, dormes, dorme, dormimos,
dormis, dormem         pres. subj.: durma, durmas, durma, etc.
imper. afirm.: dorme, durma, durmamos, dormi, durmam         Assim se
conjugam cobrir, descobrir, encobrir, recobrir, tossir. Dormir     e
tossir so regulares no particpio: dormido, tossido.       Para a
conjugao de engolir e desengolir que, a rigor, deveriam     seguir
este modelo, veja-se o que se diz mais adiante.           2 - Passa a u
nas trs pessoas do sing. e 3.11 do plural do presente     do
indicativo, em todo o pres. do subjuntivo e no imperativo afirmativo,
exceto, neste, a 2.a pessoa do plural:            1
1     sortir: pres. ind.: surto, surtes, surte, sortimos, sortis, surtem
pres. subj.: surta, surtas, surta, etc.        imperat. afirm.: surte,
surta, surtamos, sorti, surtam           Por este modelo se conjugam
despolir e polir (cf. pg. 108). Antiga-     mente seguiam este
paradigma cortir e ordir, hoje grafados curtir e urdir     e de
conjugao regular.           c) a vogal u da penltima slaba do
radical passa a o aberto na VL     e 3.a pess. do singular e 3.a do
plural do presente do indicativo e na 2.a     pessoa do singular do
imperativo afirmativo:     acudir: pres. ind.: acudol acodes (6), acode
(6), acudimos, acudis, acodem (6)         pres. subj.: acuda, acudas,
acuda, etc.         imper. afirm.: acode (6), acuda, acudamos, acudi,
acudam         120 #           Assim se conjugam bulir, cuspir,
escapulir, fugir, sacudir. Consumir     e sumir tm o o fechado por
estar seguido de m.         OBSERVAq6ES:           1.a) Assumir,
presumir, reassumir, resumir, so regulares: Pres. ind.: assumo, as-
sumes, assume, assumimos, assumis, assumem.       2.a) os verbos em -uir
no apresentam alternAncias voclicas no radical; a 2.a e     3.a pessoa
do singular do presente do indicativo tm is e i em lugar de es e e, por
haver ditongo oral:     constituir: pres. ind.: constituo, constituis,
constitui, constitumos, constitus, constituem.       Assim se conjugam
anuir, argir, atribuir, constituir, destituir, diluir, diminuir,
estatuir, imbuir, influir, instituir, instruir, puir (defectivo),
restituir, redargir, ruir.       3.a) Construir, desentupir, destruir,
entupir (e cognatos) seguem este modelo ou     ainda admitem
alterrincia. do u em o aberto na 2.a e 3.a pessoa do sing. e 3.a do
plural do presente do indicativo e na 2.a pessoa do sing. do imperativo
afirmativo.     Entupir e desentupir s se afastam do grupo porque
apresentam es e e na 2.a e 3.a     pessoa do sing. do pres. ind.:
entupo, entupes (ou entopes), entupe (ou entope),     entupimos,
entupis, entupern (ou entopem).     construo, construis (ou constris),
construi (ou constri), construmos, construis, cons-       truem (ou
constroem).       Estes verbos so portanto abundantes. Obstruir ,
entretanto, conjugado apenas     como constituir. Cf. obs. 2.a
4.a) Engolir, ainda que se escreva com o, segue o paradigma de acudir;
para o     Vocabulrio de nossa Academia: engulo, engoles, engole,
engulimos, engulis, engolem.     Melhor fora, porm, conjug-lo com o
nas duas primeiras pessoas do plural do pres.     do indicativo,
desfazendo-se a incoerncia.           d) a vogal i do radical do verbo
frigir passa a e aberto na 2.a e 3.a     pess. sing. e na 3.a do plural
do pres. do indicativo e na 2.a pess. sing. do     imperativo afirra.:
Pres. ind.: frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem.
Imper. afirm.: frege, frija, frijamos, frigi, frijam.           Verbos
notveis quanto  pronncia ou flexo.           a) aguar, desaguar,
enxaguar, minguar, apropinqua~, conjugam-se     com o seguinte modelo:
pres. ind.: guo, guas, gua, aguamos, aguais, guam.             pres.
subi.: ge, ges, ge, agemos, ageis, gem.       OBSERVAO: Para
o emprego do trema em apropinquar recorde-se o que se     disse na pg.
72.           b) apaziguar, averiguar, obliquar, santiguar, conjugam-se
pelo se-     guinte modelopres. ind.: apaziguo (), apaziguas (),
apazigua (), apaziguamos, apaziguais, apa-          ziguam, ().
pres. subi.: apazige, apaziges, apazige, apazigemos, apazigeis,
apazigem.         121 #         c) Magoar, conjuga-se:         pres.
ind.: mago, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam.     pres. subi.:
magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoezn.         d) Mobiliar,
conjuga-se:         pres. ind.: mobilio, moblias, moblia, mobiliamos,
mobilia!&, mobiliam.     pres. subj.: mobilie, mobilies, mobilie,
mobiliemos, mobilieis, mobiliem.       OBSERVAO: A variante mobilar
apresenta-se regularmente: mobilo,     mobila, etc.           e)
Resfolegar, conjuga-se:         pres. ind.: resflego, resflegas,
resflega, resfolegamos, resfolegais, resflegam.     pres. subi.:
resflegue, resflegues, resflegue, resfoleguemos, resfolegues,
resfleguem.         OBSERVAES:       La) A forma contrata de
resfolegar  resfolgar, que se apresenta regularmente:     resfolgO,
resfolgas, resfolga, etc.       2.a) o substantivo  resflego,
proparmtono.           f) Dignar-se, indignar-se, obstar, optar,
pugnar, impugnar, ritmar,     -raptar, conjugam-se:
Presente do indicativo     indigno-me (d) obsto (6)             opto
(6)    impugno ()    ritmo (1)     indignas-te (d) obstas (6)
optas (6)   impugnas ()   ritmas (i)     indigna-se (d) obsta (6)
opta (6)    impugna ()    ritma (i)     indignamo-nos  obstamos
optamos     impugnamos     ritmamos     indignais-vos  obstais . optais
impugnais      ritmais     indignam-se (d) obstam (6) optam (6)
impugnam(d) ritmam (i)      rapto (r), raptas (r), rapta (r).
raptamos, raptais, raptam (r)           g) Obviar, conjuga-se:
pres. ind.. obvio (f), obvias (i), obvia (f), obviamos, obvials,
obviam(f).           h) apiedar e moscar, conjugam-se:     apiedar -
pres. ind.: apiedo, apiedas, apieda, apiedamos, apiedais, apiedam.
O Vocabulrio Oficial confunde o antigo apiadar e apiedar numa
conjugao que no aconselhamos: pres. ind.: apiado, apiadas, apiada,
apiedamos, apiedais, apadam. (isto , a nas formas       rizotnicas e
e nas arrizotnicas).           A mesma confuso existe, no Vocabt,lrio
Oficial, com moscar e     muscar (sumir-se). pres. ind.: musco, muscas.
musca, mostamos, moscais, muscam (isto , u nas formas       rizotnicas
e o nas arrzotnca).         122 #         Mais certo seria
conjugarmos regularmente moscar:         pres. ind.: mosco, moscas,
mosca, 1n09camos, moscais, moscam; e muscar:     pres. ind.: musco,
muscas, musca, muscamos, muscais, muscam. .           A correo, porm,
talvez seja mais difcil, por serem muito pouco     usados moscar e
muscar.         i) Verbos com os ditongos fechados ou e ei : roubar e
inteirar.         Conjugam-se no se reduzindo a vogais abertas o e e,
respectivamente:         Roubar         roubo (e no rbo, etc.)
roubas     rouba     roubamos     roubais     roubam         Inteirar
inteiro (e no intro, etc.)     inteiras     inteira     inteiramos
inteirais     inteiram           i) Verbos com os ditongos fechados eu e
oi : tipos endeusar e noivar.     Conjugam-se mantendo o ditongo sem que
o e ou o o passem a timbre     aberto: endeuso, endeusas, endeusa, etc.;
noivo, noivas, noiva, etc.           OBSERVAO: O verbo apoiar tinha
primitivamente fechado o ditongo; hoje      mais corrente proferi-lo
aberto, o que justifica as formas apio, apias, etc.           k)
Verbos com o hiato au.. ai e iu: tipos saudar, embainhar e amiu-
dar. Conjugam-se mantendo o hiato:          saudar     embainhar
amiudar     sado      embanho      amido     sadas     embanhas
amidas     sada      embanha      amida     saudamos   embainhamos
amiudamos     saudais    embainhas    amiudais     sadam     embainham
amidam           OBsERvAXo: Arraigar (com hiato) passou desde cedo a
arraigar (com ditongo,     ar-rai-gar) e da a arreigar. As formas com
ditongo alo mais freqentes, embora     modernamente se tenha
restabelecido arraigar com hiato. Saudar proferido com ditongo
(saudo, saudas, etc.) ocorre aqui e ali nos poetas e se fixa no falar
coloquial e popular.           Verbos terminados em -zer, -zir: tipos
fazer e traduzir. - Perdem o     e final na 3.a pessoa sing. do presente
do indicativo e 2.a pess. sing. do     imperativo afirmativo (este caso
no  obrigatrio e at, com exagero,     vem condenado pelos
gramticos), quando o z no  precedido de     consoante:         fazer:
fao, fazes, faz, etc. Imp. afirm.: faze (ou faz) tu     traduzir:
traduzo, traduzes, traduz, etc. Imp. afirm.: traduze (ou traduz) tu
Mas, cerzir: cirzo, cirzes, cirze, etc.         123 #
Variaes grficas na conjugao. - Muitas vezes altera-se a maneira
de representar na escrita a ltima consoante do radical para conservar o
mesmo som:            1 - os verbos terminados em -car e -gar mudam o c
ou g em qu ou     gu, quando tais consoantes so seguidas de e :
pecar: peco, peques; cegar: cego, cegues.            2 - os verbos
terminados em -cer ou -cir tm c cedilhado antes de     a ou o:
conhecer: conheo, conheces, conhece; ressarcir: ressaro, ressarces.
a ou o:         de a ou o:                  3 - os verbos terminados em
-ar perdem a cedilha antes do e                              comear:
Comeo, comeces.         4 - os verbos terminados em -ger ou -gir mudam
o g em i antes de         eleger: elejo, eleges; fugir: fujo, foges.
5 - os verbos terminados em -guer ou -guir perdem o u antes
erguer: ergo, ergues, erga.     conseguir: consigo, consegues, consiga.
A vogal e passa a ser grafada i quando entra num ditongo oral (verbos
em -uir): atribuo, atribuis, atribui.         VERBos iEm -ear E -iar. -
Os verbos em -ear trocam o e por ei nas           Estas variajes
grficas no constituem irregularidades de conjugao,     no havendo,
por isso, verbos irregulares grficos.         formas rizotnicas:
Nomear: pres. ind.: nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam.
pres. subj,: nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem.
imper. afirm.: nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem.           Os
verbos em -iar so conjugados regularmente: Premiar: pres. ind.: premio,
premias, premia, premiamos, premiais, premiam          pres. subj.,
premie, premies, premie, etc.          imper. afirm.: premia, premie,
premiemos, premiai, premiem.           Cinco verbos em iar se conjugam,
nas formas rizotnicas, como se     terminassem em -ear (mARio  o
anagrama que deles se pode formar):     mediar: medeio, medeias, medeia,
mediamos, mediais, medeiam     ansiar: anseio, anseias, anseia,
ansiamos, ansiais, anseiam     remediar: remedeio, remedeias, remedeia,
remediamos, remediais, remedeiam     incendiar: incendeio, incendeias,
incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam     odiar: odeio, odeias,
odeia, odiamos, odiais, odeiam         124 #         OBSERVAES:
La) Enquanto no Brasil j vamos conjugando os verbos em -ear e -iar pelo
que     acabamos de expor, entre os portugueses ainda se notam
vacilaes em muitos que,     grafados com -iar, deveriam seguir o
modelo de premiar, mas se acostam ao de     nomear: alm do prprio
premiar, agenciar, comerciar, licenciar, negociar, penitenciar,
obsequiar, presenciar, providenciar, reverenciar, sentenciar,
vangloriar, vitoriar, evi-     denciar, gloriar, diligenciar, e outros.
2.a) Hoje no fazemos distino entre crear (tirar do nada, dar
existncia) e     criar (educar, cultivar, promover o desenvolvimento),
usando apenas criar para ambos     os casos, que se conjuga como
Premiar. Entre escritores modernos, porm, podem     ocorrer exemplos de
crear, conjugado como nomear.       3.a) A diferena de conjugao
torna-se imperiosa nos parnimos: afear e afiar,     arrear e arriar,
estrear e estriar; vadear e vadiar, etc.           Quando grafar -ear ou
-iar. - Grafam-se com -ear os verbos que     possuem formas substantivas
ou adjetivas cognatas terminadas em:         a) -, -eio, -eia, -ia :
p - apear     passeio - passear     Exceo: f - fiar         ceia
cear     idia idear         b) consoante ou pelas vogais tonas -a, -e
-o precedidas de consoante:         mar - marear     casa - casear
Excees: amplo - ampliar     breve - abreviar     finana - financiar
graa - agraciar         pente - pentear     branco - branquear     lume
- alumiar     sede - sediar     xtase - extasiar           1ncluem-se
entre os verbos em -ear: atear, bambolear, bruxulear,     cecear,
derrear, favonear, pavonear, semear, vadear.       Grafam-se com -ar os
verbos que possuem formas substantivas cogna-     tas terminadas em:
a) -io, -ia:         alvio - aliviar     scio associar     bvio
obviar         b) -tincia, -nci&., -ena:      distncia     distanciar
diligncia diligenciar         saciar.         delcia - deliciar
polcia - policiar     assovio - assoviar         presena - presenciar
sentena - sentenciar     #         Incluem-se no rol dos verbos em
-iar: anuviar, apreciar, depreciar,           OBSMVAO: Muitas vezes~ o
final -car ou -iar se pode alternar com o simples     -ar: azular ou
azulear; bajar ou bagear (produzir vagens); diferenciar ou diferenar;
balanar ou balancear, etc.         125 #           Erros freqentes na
conjugao de alguns verbos         a) Vir e seus derivados       No
presente do indicativo temos: venho, vens, vem, vimos (e no
viemos), vindes, vm.       No pretrito perfeito do indicativo: vim,
vieste, veio, viemos, viestes,     vieram.       O gerndio  igual ao
particpio, porque neste desapareceu a vogal     temtica: vindo
(vi-rido) e vindo (vin-i-do). Notem-se estes erros comuns nos derivados
de vir, no pret. perf. ind.:             Os guardas interviram na
discusso (por intervieram).             A professora interviu no caso
(por interveio).       O futuro do subjuntivo  vier: Quando eu vier...
(e no vir).     b) Ver e seus derivados           Prover no se conjuga
como ver no:     pret. perf. ind.: provi, proveste, proveul PrO~051
provestes, proveram.     m.-q.-Perf. ind.: provera, prover^ provera,
provramos, provrcis, proveram.     imperj. subj.: provesse, provesses,
provesse, provssemos, provsseis, provessem.     fut. subi.: prover,
proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.     particpio:
provido.           Rever  conjugado por ver; por isso est errada a
flexo em:                A aluna reveu (em vez de reviu) a prova.
Antever  conjugado como ver e, por isso, enganou-se o nosso Casi-
miro de Abreu ao escrever:     "Quem antevera (com e) que dum povo a
runa     Pelo seu prprio rei cavada fosse?" (Obras, 34, ed. S. DA
SILVEIRA).           O futuro do subjuntivo  vir:     Quando eu vier 
cidade e vir oportunidade de compr-lo, ento o farei (e no ver!).
c) Precaver-se. 1            verbo defectivo que nada tem com ver ou
vir; por isso evite-se dizer                 Eu me precavejo ou Eu me
precavenho.                 Precavefam-se ou Precavenham-se.       Para
sua conjugao, veja-se pg. 108.     d) Reaver.        verbo
defectivo, derivado de haver, que  se conjuga nas formas     em que
este possui -v-. No se deve dizer:                    Eu reavejo ou Eu
reavenho.       Cuidado especial merece tambm o pret. perf.: reouve,
reouveste,     reouveram.         126 #           Por isso evitem-se
empregos. como: eu reavi, ele reaveu, etc. Cf.     Pg. 1 OS.         e)
Ter e seus derivados           Deter, derivado de ter, conjuga-se como
este. Logo est errada a frase:                O policial deteu (por
deteve!) o criminoso.         f) Por e seus derivados.           Opor 
derivado de por e por ele se modela na conjugao. Assim     enganou-se
o poeta Porto-Alegre nestes versos, usando opor em vez de     opuser :
"Se aos paternos errores de contraste,     E  minha influio opor
virtudes" (Colombo, 11, 154 apud S. SiLvEraA, Obras de     Casimiro de
Abreu, 34).         g) Estar e seus derivados.           Sobrestar 
derivado de estar e por ele se conjuga; porm, costuma-se     ver
modelado pelo verbo ter, como se fosse sobrester. Assim n~O est certo
o seguinte exemplo de Alberto de Oliveira:     "Deixando a enferma,
sobrestenho o passo- (Poesias, 4.a srie, apud S. SILVEIRA, ibid.).
h) Haver-se e avir-se.            Estes verbos tm empregos diferentes.
Haver-se significa:     1) proceder, portar-se :     "Ele, porm,
houve-se com a maior delicadeza" (M. DE Assis, Brds Cubas, 364).
2) ser chamado a ordem, entrar em disputa com algum, conciliar, (ha
ver-se com algum), e aparece nas ameaas:     Ele tem de se haver
comigo.     "Aquele que sobre ti lanar vistas de amor ou de cobia,
comigo se haverd" (MARTINS     PENA, Comdias, 139 apud S. SiLvEmA,
Li6es, 361).           Avir-se  sinnimo de haver-se, no sentido 2),
isto , significa entrar-     em acordo com, conciliar:       "L se
avenham os sorveteiros com Boileau" (FILINTo EUSIO, Obras, V, 46 apud
R. BAR~, Rplica, 391 nota).           Desavir-se  o contrrio de
avir-se:       Os amigos 9e destivieram (e no se desouveram!) por muito
pouco.           Erra-se freqentes vezes empregando-se, nas ameaas,
avir-se por     haver-se :             Ele tem de se avir comigo (em
lugar de se haver).         127 #         Paradigma dos verbos regulares
Com destaque dos elementos estruturais         1 - Conjugao simples
I -a - Canta,            2-a - Vend-e-r 3.a - Part-ir         MODO
INDICATIVO         Presente         Cant-o    Vend-o         Part-o
Cant-a-s  Vend-e-s       Part-e-s     Cant-a    Vend-e         Part-e
Cant-a-mos               Vend-e-mos     Part-i-mos     Cant-a-is
Vend-e-is      Part-is     Cant-a-m  Vend-e-m       Part-e-m
Pretrito imperfeito         Cant-a-va  Vend-i-a     Cant-a-va-s
Vend-i-a-s     Part-i-a-s     Cant-a-va  Vend-i-a      Part-i-a
Cant-A-va-mos            Vend-f-a-mos   Part-i-a-mos     Cant-A-ve-is
Vend-i-e-is    Part-f-e-is     Cant-a-va-m              Vend-i-a-m
Part-i-a-m         Cant-e-i     Cant-a-ste     Cant-o-u     Cant-a-mos
Cant-a-stes     Cant-a-ram         Cant-a-ra     Cant-a-ra-s
Cant-a-ra     Cant-i-ra-mos     Cant-i-re-is     Cant-a-ra-m
Cant-a-re-i     Cant-a-rd-s     Cant-a-rA     Cant-a-re-mos
Cant-a-re-is     Cant-a-rA-o         Pretrito perfeito         Vend-i
Vend-e-ste     Vend-e-u     Vend-e-mos     Vend-e-stes     Vend-e-ram
Pretrito mais-que-perfeito         Vend-e-ra     Vend-e-ra-s
VVend-e-ra      end-6-ra-mos     Vend-&re-is     Vend-e-ra-m #
Futuro do presente         Vend-e-re-i     Vend-e-rA-s     Vend-e-ri
Vend-e-re-mos     Vend-e-re-is     Vend-e-ra-o         128,
Part-i     Part-i-ste     Part-i-u     Part-i-mos     Part-i-stes
Part-i-ram         Part-i-ra     Part-i-ra-s     Part-i-ra
Part-i-ra-mos     Part-i-re-is     Part-i-ra-m         Part-i-re-i
Part-i-rA-s     Part-i-rA     Part-i-re-mos     Part-i-re-is
Part-i-ri-o #         Futuro do pretrito         Cant-a-ria
Cant-a-ria-s     Cant-a-ria     Cant-a-ria-mos     Cant-a-rie-is
Cant-a-ria-m         Cant-e     Cant-e-s     Cant-e     Cant-e-mos
Cant-e-is     Cant-e-m         Cant-a-sse     Cant-a-sse-s
Cant-a-sse     Cant-A-sse-mos     Cant-;i-sse-is     Cant-a-sse-m
Cant-a-r     Cant-a-r-es     Cant-a-r     Cant-a-r-mos     Cant-a-r-des
Cant-a-r-em         Cant-a tu     Cant-e voc     Cant-e-mos ns
Cant-a-i vs     Cant-e-m vocs         Vend-e-ria     Vend-e-ria-s
Vend-e-ria     Vend-e-ria-mos     Vend-e-rie-is     Vend-e-ria-m
MODO SUBJUNTIVO         Premente         Vend-a     Vend-a-s     Vend-a
Vend-a-mos     Vend-a-is     Vend-a-m         Pretrito imperfeito
Vend-e-sse     Vend-e-sse-s     Vend-e-sse     Vend4-sse-mos
Vend--sse-is     Vend-e-sse-m         Futuro         Vend-e-r #
Vend-e-r-es     Vend-e-r     Vend-e-r-mos     Vend-e-r-des
Vend-e-r-em         MODO IMPERATIVO         Afirmativo         Vend-e tu
Vend-a voc     Vend-a-mos ns     Vend-e-i vs     Vend-a-m vocs;
Negativo         No cant-e-s tu       No vend-a-s tu     No cant-e
voc       No vend-a voc     No cant-e-mos ns    No vend-a-mos ns
No cant-e-is vs     No vend-a-is vs     No cant.e.m vocs    No
vend-a-m vocs         129         Part-i-ria     Plart-i-ria-s
Part-i-ria     Part-i-ria-mos     Part-i-rie-is     Part-i-ria-m
Part-a     Part-a-s     Part-a     Part-a-mos     Part-a-is     Part-a-m
Part-i-ssc     Part-i-sse-s     Plart-i-sse     Part-f-sse-mos
Part-i-sse-is     Part-i-sse-m         Part-i-r     Part-i-r-es
Part-i-r     Part-i-r-mos     Part-i-r-des     Part-i-r-em
Part-e tu     Part-a voc     Part-a-mos ns     Part-i vs     Part-a-m
vocs         No part-a-s tu     No part-a voc     No part-a-mos ns
No part-a-is vs     No part-am vocs, #         FoRMAS NOMINAIS
I Infinitivo                     Ndo flex     Cant-a-r   Vend-e-r
Flexionado         Part-i-r         Cant-a-r   Vend-e.r      Part-i-r
Cant-a-r-es              Vend-e-r-es    Part-i-r-es     Cant-a-r
Vend-e-r      Part-i-r     Cant-a-r-mos             Vend-e-r-mos
Part-i-r-mos     Cant-a-r-des             Vend-e-r-des   Part-i-r-des
Cant-a-r-em              Vend-e-r-em    Part-i-r-em         Gerfindio
Cant-a-ndo       Vend-e-ndo         Particpio         Part-i-ndo
Cant-a-do  Vend-i-do     Part-i-do         2 - Conjugao composta(')
MODO INDICATIVO                   Pretrito perfeito composto     Tenho
cantado             Tenho vendido Tenho partido     Tens cantado
Tens vendido  Tens partido     Tem cantado Tem vendido   Tem partido
Temos cantado             Temos vendido Temos partido     Tendes cantado
Tendes vendido     Tendes partido     Tm cantado Tm vendido   Tm
partido                Pretrio mais-que-perfeito c     Tinha cantado
Tinha partido     Tinhas cantado         Tinhas partido     Tinha
cantado          Tinha partido     Tnhamos cantado       Tnhamos
partido     Tnheis cantado        Tnheis partido     Tinham cantado
Tinham partido         Terei cantado     Ters cantado     Ter cantado
Teremos cantado     TereU cantado     Tero cantado         Tinha
vendido     Tinhas vendido     Tinha vendido     Tnhamos vendido
Tnhes vendido     Tinham vendido         Futuro do presezte composto
Terei veudido       Ters vendido       Ter vendido #           Teremos
vendido       Tereis vendido       Tero vendido         Terei partido
Ters partido     Ter partido     Teremos partido     Terei& partido
Tero partido         (1) Sobre o emprego dos auxiliares ter e haver na
conjugao composta, veja-se a pg. 111.         1.30 #         Teria
cantado     Terias cantado     Teria cantado     Teramos cantado
Tercis cantado     Teriam cantado         Tenha cantado     Tenhas
cantado     Tenha cantado     Tenhamos cantado     Tenhais cantado
Tenham cantado         Tivesse cantado     Tivesses cantado     Tivesse
cantado     Tivssemos cantado     Tivsseis cantado     Tivessem
cantado         Tiver cantado     Tiveres cantado     Tiver cantado
Tivermos cantado     Tiverdes cantado     Tiverem cantado         Ter
cantado         Ter cantado     Teres cantado     Ter cantado     Termos
cantado     Terdes cantado     Terem cantado         Tendo cantado
Futuro do pretrito composto       Teria vendido       Terias vendido
Teria vendido       Teramos vendido       Terleis vendido       Teriam
vendido         MODO SUBJUNTIVO         Pretrito perfeito     Tenha
vendido     Tenhas vendido     Tenha vendido     Tenhamos vendido
Tenhais; vendido     Tenham vendido         Pretrito mais-que-perfeito,
Tivesse vendido      Tivesses vendido      Tivesse vendido
Tivssemos vendido      Tivsseis vendido      Tivessem vendido
Futuro composto #         Tiver vendido     Tiveres vendido     Tiver
vendido     Tivermos vendido     Tiverdes vendido     Tiverem vendido
F~AS NOMINAIS         Inflnitivo         No flexionado composto
Ter vendido         Flexionado composto     Ter vendido     Teres
vendido     Ter vendido     Termos vendido     Terdes vendido     Terem
vendido         Gerndio composto     Tendo vendido         131
Teria partido     Terias partido     Teria partido     Teramos partido
Terfeis, partido     Teriam partido         Tenha partido     Tenhas
partido     Tenha partido     Tenhamos partido     Tenhais partido
Tenham partido         Tivesse partido     Tivesses partido     Tivesse
partido     Tivssemos partido     Tivsseis partido     Tivessem
partido         Tiver partido     Tiveres partido     Tiver partido
Tivermos partido     Tiverdes partido     Tiverem partido         Ter
partido         Ter partido     Teres partido     Ter partido     Termos
partido     Terdes partido     Terem partido         Tendo partido #
Conjugao de verbos auxiliares mais comuns         1 - Conjugao
simples         Ser     Estar      Ter        Haver         MODO
INDICATIVO         Presente         Sou     Estou      Tenho      Hei
s      Ests      Tens       Hs            Est       Tem        H
Somos   Estamos    Temos      Havemos     Sois    Estais     Tendes
Haveis     So     Esto      Tm (1)    Ho         Pretrito
imperfeito         Era     Estava     Tinha      Havia     Eras
Estavas    Tinhas     Havias     Era     Estava     Tinha      Havia
ramos  Estvamos  Tnhamos   Havamos     reis   Estveis   Tnheis
Haveis     Eram    Estavam    Tinham     Haviam         Pretrito
perfeito         Fui     Estive     Tive       Houve     Foste
Estiveste  Tiveste    Houveste     Foi     Esteve     Teve       Houve
Fomos   Estivemos  Tivemos    Houvemos     Fostes  Estivestes Tivestes
Houvestes     Foram   Estiveram  Tiveram    Houveram         Pretrito
mais-que-perfeito         Fora    Estivera   Tivera     Houvera
Foras   Estiveras  Tiveras    Houveras     Fora    Estivera   Tivera
Houvera     Framos Estivramos           Tivramos Houvramos
Freis  Estivreis Tivreis   Houvreis     Foram   Estiveram  Tiveram
Houveram         Futuro do presente         Serei   Estarei    Terei
Haverei     Sers   Estars    Ters      Havers     Ser    Estar
Ter       Haver     Seremos Estaremos  Teremos    Haveremos     Sereis
Estareis   Tereis     Havereis     Sero   Estaro    Tero      Havero
(1) O Vocabulrio Oficial s adota esta forma; porm, nos poetas pode
ocorrer a pronn-     cia como disslabo - te-em -, como dizem crem,
lem, vem. Ocorre o mesmo com v-     (de vir). Note-se, de passagem,
que os disslabos crem, dem, lem so pronncias relativamente
modernas. As formas antigas eram; crem, dem, lem, vem.         132 #
Futuro do'pretrito         Seria      Estaria   Teria      Haveria
Serias     Estarias  Terias     Haverias     Seria      Estaria   Teria
Haveria     Seramos   Estaramos           Teramos     Haveramos
Serfeis    Estarcis Tercis    Havereis     Seriam     Estariam
Teriam     Haveriam                    MODO SUBJUNTIVO         Presente
Seja       Esteja    Tenha      Haja     Sejas      Estejas   Tenhas
Hajas     Seja       Esteja    Tenha      Haja     Sejamos    Estejamos
Tenhamos   Hajamos     Sejais     Estejais  Tenhais    Hajais     Sejam
Estejam   Tenham     Hajam         Pretrito imperfeito         Fosse
Estivesse  Tivesse    Houvesse     Fosses    Estivesses Tivesses
Houvesses     Fosse     Estivesse  Tivesse    Houvesse     Fssemos
Estivssemos          Tivssemos   Houvssemos     Fsseis   Estivsseis
Tivsseis    Houvsseis     Fossem    Estivessem Tivessem   Houvessem
Futuro         For       Estiver    Tiver      Houver     Fores
Estiveres  Tiveres    Houveres     For       Estiver    Tiver
Houver     Formos    Estivermos Tivermos   Houvermos     Fordes
Estiverdes Tiverdes   Houverdes     Forem     Estiverem  Tiverem
Houverem                    MODO IMPERATIVO         Afirmativo
S tu     Est tu ,  Tem tu (1) H tu     Seja voc Esteja voc
Tenha voc   Haja voc     Sejamos ns          Estejamos ns
Tenhamos ns   Hajamos ns     Sede vs  Estai vs  Tende vs  Havei vs
Sejam vocs          Estejam vocs      Tenham vocs   Hajam vocs
Negativo     No sejas tu         No estejas tu       No tenhas tu
No hajas tu     No seja voc        No esteja voc      No tenha
voc    No haja voc     No sejamos ns      No estejamos ns    No
tenhamos ns  No hajamos ns     No sejais vs       No estejais vs
No tenhais vs   No hajais vs     No sejam vocs      No estejam
vocs    No tenham vocs  No hajam vocs         (1) Com m final, e
no com n.         133 #         FoRmAs NomINAIS         Infinitivo nlio
flexionado         Ser       Estar      Ter        Haver
Infinitivo flexionado         ser       Estar      Ter        Haver
Seres     Estares    Teres      Haveres     Ser       Estar      Ter
Haver     Sermos    Estarmos   Termos     Havermos     Serdes
Estardes   Terdes;    Haverdes     Serem     Estarem    Terem
Haverem         Gerfindio         Sendo     Tendo      Estando
Havendo         Participio         Sido      Estado     Tido
Havido         2 - Conjugao composta         MODO INDICATIVO
Pretrito perfeito composto         Tenho   (ou hei)     Tens    (ou
hs)     Tem     (ou h)   sido, estado, tido, havido     femos   (ou
havemos)     Tendes  (ou haveis)     Tm     (ou ho)         Pretrito
mais-que-perfeito composto         Tinha   (ou havia)     Tinhas  (ou
havias)     Tinha   (ou havia)     Tnhamos     (ou havia tos)
sido, estado, tido, havido                  m     Tnheis (ou havels)
Tinham  (ou haviam)         Terei     Ters     Ter     Teremos
Tereis     Tero         Futuro do presente composto         (ou
haverei)     (ou havers)         (ou haver)                   sido,
estado, tido, havido     (ou hav   os     (ou haver=     (ou havero)
134 #         Teria     Terias     Teria     Teramos     Tercis
Teriam         Futuro do pretrito composto         (ou haveria)     (ou
haverias)     (ou haveria)             sido, estado, tido, havido
(ou haveramos)     (ou haverfeis)     (ou haveriam)         MODO
SUBJUNTIVO         Pretrito perfeito         Tenha   (ou haja)
Tenhas  (ou hajas)     Tenha   (ou haja) sido, estado, tido, havido
Tenhamos          (ou hajamos)     Tenhais (ou hajais)     Tenham  (ou
hajam)         Pretrito mais-que-perfeito         Tivesse (ou houvesse)
Tivesses          (ou houvesses)     Tvesse (ou houvesse)sido, estado,
tido, havido     Tivssemos        (ou houvssemos)~     Tivsseis
(ou houvsseis)     Tivessem          (ou houvessem)         Tiver
Tiveres     Tiver     Tivermos     Tiverdes     Tiverem         Ter (ou
haver)         Ter     Teres     Ter     Termos     Terdes;     Terem
Tendo             Futuro composto     (ou houver)     (ou houveres)
(ou houver)              sido, estado, tido, havido     (ou houvermos)
(ou houverdes)     (ou houverem)         FoitMAS NOMINAIS
Infinitivo alo flexionado composto     #         sido, estado, tido,
havido         Infinitivo flexionado composto     (ou haver)     (ou
haveres)     (ou haver)               sido, estado, tido, havido     (ou
havermos)     (ou haverdes)     (ou haverem)         Gcrdndio
(ou havendo)             sido, estado, tido, havido         135 #
1 - Conjugao simples         Presente         Ponho     Pes     Pe
Pomos     Pondes,     Pem         Pretrito mais-que-perf.
Pusera     Puseras     Pusera     Pusramos     Pusreis     Puseram
Presente         Ponha     Ponhas     Ponha     Ponhamos     Ponhais
Ponham         Afirmativo         Pe tu     Ponha voc     Ponhamos ns
Ponde vs     Ponham vocs         Infinitivo, no flexionado
Por         Gerfindio         Pondo         Conjugao do verbo por
MODO INDICATIVO         Pretrito imperfeito        Punha        Punhas
Punha        Pnhamos        Pnheis        Punham         Futuro do
pretrito         Poria     Porias     Poria     Poramos     Poreis
Poriam     #         MODO SUBJUNTIVO         Pretrito imperfeito
Pusesse     Pusesses     Pusesse     Pusssemos     Pussseis
Pusessem         MODO IMPERATIVO         Negativo     No ponhas tu
No ponha voc     No ponhamos ns     No ponhais vs     No ponham
vocs         FoRmAs NomINALS         Infinitivo, flexionado,
Por     Pores     Por     Pormos     Pordes     Porem         Particpio
Posto         136         Pretrito perfeito         Pus     Puseste
Ps     Pusemos     Pusestes     Puseram         Porei     Pors
Por     Poremos     Poreis     Poro         Futuro         Puser
Puseres     Puser     Pusermos     Puserdes     Puserem         Futuro
do presente #         2 - Conjugao composta         Pretrito nerfeito
compost         Tenho     Tens     Tem     Temos     Tendes     Tm
posto     posto     posto     posto     posto     nnsto         Futuro
do Presente composto         Terei     Ters     Ter     Teremos
Tereis     Tero         Pretrito perfei         Tenha     Tenhas
Tenha     Tenhamos     Tenhais     Tenham         Ter         posto
posto     posto     post     posto     post     nnst         finitivo
no flexionado         MODO INDICATIV(:         Pretrito
mais-que-perfeito composto         Tinha     Tinhas     Tinha
Tnhamos     Tnheis     Tinham         Futuro do pretrito composto
posto     posto     posto     posto #         posto     nosto
Teria     Terias     Teria     Teramos     Terleis     Teriam
MODO SUBJUNTIVO         Pretrito mai-nue-nerf         Tivesse
Tivesses     Tivesse     Tivssemos     Tivsseis     Tivessem
posto     posto     posto     posto     posto     nosto         FoRMAs
NomINAIS         Tiver     Tiveres     Tiver     Tivermos     Tiverdes
Tiverem         Infinitivo flexionad         Ter     Teres     Ter
Termos     Terdes     Terem         Gerfindio comnost         Tendo
13         nost(         posto     posto     posto     posto     posto
nosto         posto     posto     posto     posto     posto #
sto         posto     posto     posto     posto     posto     posto
Futur         posto     posto     posto     posto     posto     Dosto #
Conjugao                               de um verbo composto na voz
passiva: ser amado         MODO INDICATIVO         Presente Pretrito
Imperfeito Pretrito perf. simples         Sou amado   Era    amado  Fui
amado     s  amado   Eras   amado  Foste  amado        amado   Er
amado  Foi    amado     somos       amados ramos amados Fomos  amados
Sois        amados reis  amados Fostes amados     So amados  Eram
amados Foram  amados         pretrito perfeito composto         Tenho
sido  amado     Tens sido   amado     Tem sido    amado     Temos sido
amados     Tendes sido amados     Tm sido    amados         Pret.
mais-que-perfeito composto         Pretrito mais-que-perfeito, simples
Fora  amado     Foras amado     Fora  amado     Framos    amados
Freis     amados     Foram amados         Futuro do presente simples
Tinha sido        amado   Serei    amado     Tinhas sido       amado
Sers    amado     Tinha sido        amado   Ser     amado     Tnhamos
sido     amados  Seremos  amados     Tnheis sido      amados  Sereis
amados     Tinham sido       amados  Sero    amados         Futuro do
presente composto         Futuro do pretrito simples         Terei sido
amado   Seria    amado     Ters sido        amado   Serias   amado
Ter sido         amado   Seria    amado     Teremos sido      amados
Seramos amados     Tereis sido       amados  Serf eis amados     Tero
sido        amados  Seriam   amados         Futuro do pretrito composto
Teria sido   amado     Terias sido  amado     Teria sido   amado
Teramos sido  amados     Tereis sido amados     Teriam sido  amados
138 #         MODO SUBJUNTIVO         Presente         Seja  amado
Sejas amado     Seja  amado     Sejamos    amados     Sejais     amados
Sejam      amados         Pretrito mais-que-perfeito,,     Tivesse sido
amado     Tivesses sido amado     Tivesse sido amado     Tivssemos sido
amados     Tivsseis sido amados     Tivessem sido amados
Infinitivo n1o flexionado         Ser     amado         Infinitivo
flexionado         Ser amado     Seres     amado     Ser amado
Sermos    amados     Serdes    amados     Serem     amados
Gerfindio,         Sendo amado         Fosse     Fossa     Fosse
Fssemos     Fsseis     Fosam         OBsRvAFs sobre a voz passiva:
Pretrito imperfeito         amado     amado     amado     amados
amados     amados         Futuro         For  amado     Fores     amado
For  amado     Formos    amados     Fordes    amados     Forem
amados         FORMAs NomINAIS           Pretrito perf #         Tenha
sido     Tenhas sido     Tenha sido     Tenhamos sido     Tenhais sido
Tenham sido         amado     amado     amado     amados     amados
amados         Futuro composto         Tiver sido     Tiveres sido
Tiver sido     Tiv os sido     Tiverdes sido     Tiverem sido
amado     amado     amado     amados     amados     amados
Infinitivo no flexionado, composto         Ter sido amado
Infinitivo flexionado composto         Ter sido     Teres sido     Ter
sido     Termos sido     Terdes sido     Terem sido         amado
amado     amado     amados     amados     amados         Gerndio
composto         Tendo sido amado           La) O particpio neste caso
aparece na forma feminina se a referncia  feita a     ser do gnero
feminino:         Ele  amado. Ela  amada.         2.a) Tambm nas trs
pessoas do plural o particpio vai ao plural:           Voz ativa - Ela
tem estudado. Elai tm estudado.           Voz passiva - Ela  amada.
Elas so amadas.         3.a) Na voz passiva no, se usa o imperativo.
Conjugao de um verbo na voz reflexiva: 1 dar-se. - j vimos #
apie     que o verbo est na voz reflexiva quando o pronome oblquo se
refere     ao pronome reto:             Eu me visto. Ns nos
arrependemos. Eles se foram.         139 #           O pronome tono
pode vir antes, no meio ou depois do verbo ou     verbos (se for uma
conjugao composta), de acordo com certos princ-     pios que sero
futuramente estudados:           a) prcUse: se o vocbulo tono vem
antes: Ele se feriu (pronome     tono procltico);       b) mescUse:
se o vocbulo tono vem no meio (dos futuros, do pre-     sente e do
pretrito): Vestir-se- se puder. Vestir-nos-amos se pudssemos
(pronome tono mesocltico);       c) nclise: se o vocbulo tono vem
depois: queixamo-nos ao diretor     (pronome tono encltico).
NOTA IMPORTANTE. - Se o pronome for encltico na voz reflexiva s haver
uma     alterao no verbo a que pertencer o pronome: perder o s final
da 1.a pessoa do plural:         queixo-me     queixas-te     quelXa-se
queixamo-nos     queixais-vos     queixam-se.         Nas outras
posies, o verbo ficar         intacto:         Ns nos
queixamos.Queixar-nos-emos.           Atente-se para o seguinte modelo e
para as observaes feitas sobre     a impossibilidade da posposio em
algumas formas:         Apiedar-se         MODO INDICATIVO
Presente   Pretrito imperfeitoPretrito perfeito     apiedo-me
apiedava-me   apiedei-me     apiedas-te apiedavas-te  apiedaste-te
apieda-se  apiedava-se   apiedou-se     apiedamo-nos
apiedvamo-nos apiedamo-nos     apiedais-vos             apiedveis-vos
apiedastes-vos     apiedam-se apiedavam-se  apiedaram-se
Pretrito perfeito composto         tenho-me apiedado (1)     tens-te
apiedado     tem-se apiedado     temo-nos apiedado     tendes-vos
apiedado     tm-se apiedado         (1) Nunca se use pronome tono
posposto a         140         Pretrito mais-que-perfeito
apiedara-me     apiedaras-te     apiedara-se     apieddramo-nos
apiedAreis-vos     apiedaram-se         particpio. #     #
Pretrito mais-que-perfeito composto         tinha-me apiedado
tinhas-te apiedado     tinha-se apiedado     tnhamo-nos apiedado
tnheis-vos apiedado     tinham-se apiedado         Futuro do presente
composto         ter-me-ei apiedado     ter-te-s apiedado     ter-se-
apiedado     ter-nos-emos apiedado     ter-vos-eis apiedado
ter-se-o apiedado         Futuro do presente         apiedar-me-ei (2)
apiedar-te-ds     apiedar-se-d     apiedar-nos-emos     apiedar-vos-eis
apiedar-se-do         Futuro do pretrito         apiedar-me-ia
apiedar-te-ias     apiedar-se-ia     apiedar-nos-famos
apiedar-vos-ieis     apiedar-se-iam         Futuro do pretrito composto
ter-me-ia apiedado     ter-te-ias apiedado     ter-se-ia apiedado
ter-nos-amos apiedado     ter-vos-feis apiedado     ter-se-iam apiedado
MODO SUBJUNTIVO         NOTA: Raramente aparece pronome posposto a verbo
neste modo.         Presente    Pretrito imperfeitoPretrito perfeito
apiede-me   apiedasse-me  No se usa pronome     apiedes-te
apiedasses-te posposto a verbo     apiede-se   apiedasse-se  nesta
formal     apiedemo-nos              apiedssemo-nos     apiedeis-vos
apiedsseis-vos     apiedem-se  apiedassem-se         Pretrito
mais-que-perfeito         tivesse-me apiedado     tivesses-te apiedado
tivesse-se apiedado     tivsserno-nos apiedado     tivsseis-vos
apiedado     tivessem-se apiedado     #         Futuro composto
No se usa pronome posposto a     verbo nestas formas 1           (1)
Nunca se use pronome tono posposto a particpio.       (2) Nunca se use
pronome tono posposto aos futuros do presente e do pretrito: usar-se-
a anteposio ou a interposio, como veremos depois.         141 #
MODO IMPERATIVO         Afirmativo         apieda-te tu     apiede-se
voc     apiedemo-nos ns     apiedai-vos vs     apiedem-se vocs
Infinitivo no flexionado simples         apiedar-me',     apiedar-te
apiedar-se     apiedar-nos     apiedar-vos     apiedar-se
Infinito flexionado simples         apiedar-me     apiedares-te
apiedar-se     apiedarmo-nos     apiedardes-vos     apiedarem-se
Gerikidio simples         . Negativo         No se usa pronome posposto
a verbo nesta forma 1         FoRmAs NoMINAIS         Infinitvo no
flexionado composto         apiedado     apiedado     apiedado
apiedado     apiedado     apiedado         Infinito flexionado composto
ter-me apiedado                                   teres-te apiedado
ter-se apiedado                                  termo-nos apiedado
terdes-vos apiedado                                   terem-se apiedado
Gerndio composto         apiedando-me          tendo-meapiedado
apiedando-te          tendo-teapiedado     apiedando-se
tendo-seapiedado     apiedando-nos         tendo-nosapiedado
apiedando-vos         tendo-vosapiedado     apiedando-se
tendo-seapiedado         Particpio     #         No se usa pronome
posposto a verbo nesta formal           Conjugao de um verbo com
pronome oblquo tono (sem ser voz     reflexiva): tipo p-lo. - O verbo
pode acompanhar-se de um pronome     oblquo tono que no se refira ao
pronome reto:                Eu o vi. Ns te admiramos. Ela o chama.
Quando os pronomes oblquos tonos o, a, os, as estiverem depois do
verbo ou no meio modificam-se de acordo com o final a que se acham
pospostos:         142 #           a) se o verbo terminar por vogal ou
semivogal, oral, os pronomes     aparecem inalterados: ponho-o, ponha-a,
ponho-os, ponho-as;           b) se o verbo terminar por r, s ou z,
desaparecem estas consoantes e     os pronomes assumem as formas 10..
Ia, Ios, Ias:         por o = pd-lo; pes o = p6e-lo; diz o = di-lo;
deixar~o ia = deixd-lo-ia.         OBSERVAq6ES:         La) Recorde-se a
acentuao dos oxItonos estudada na pg. 170.     1.a) Se o verbo
termina por ns, o n passar a m: tens o = tem-lo.           c) se o
verbo terminar por som nasal (m ou silaba com til), os     pronomes
assumem as formas no, na, nos, nas:               p6e + o = PU-no, viram
+ a = viram-na.           NoTA: Se os pronomes vm antes do verbo, no
h nenhuma alterao nos pro-     nomes e no verbo: Ele o p6e ali. Eu o
fiz.           OBoavAo: Alguns autores chamam pronominais reflexos aos
verbos na voz     reflexiva e pronominais irreflexivos (ou no reflexos)
aos verbos deste pargrafo.           Atente-se para o seguinte modelo e
para as observaes feitas sobre     a impossibilidade da posposio em
algumas formas:                                            pd_10
(s a conjugao simples)         MODO INDICATIVO         Presente
Pretrito imperfeitoPretrito perfeito     ponho-o    punha-o
pu-lo,     pe-lo     punha-lo      puseste-o     poe-no     punha-o
p-10     PC)MO-10   pnhamo-lo    pusemo-lo     ponde-lo   pnhei-lo
puseste-lo     pem-no    punham-no     puseram-no         Pret.
ma"ue-perf.         pusera-o     pusera-lo     puserz-o     pus6ramo-lo
pusrei-10     puseram-no         Futuro do presente         p6-lo-ei
(1)     P6-10-"     P6.10-A     p6-lo-emos     p6-lo-eis     P6-1040
(1) Note-se que nos futuros do presente e do pretrito h         143
Futuro do pretrito         p6-lo-ia     P6-10-ias     p6-lo-ia #
p6-lo-famos     pb-lo-feis     p6-lo-iam.         formas verbais com
dois acentos. #                      MODO SUBJUNTIVO     NoTA: raramente
aparece pronome posposto a verbo neste modo.         Presente
Pretrito imperfeito Futuro     ponha-o     pusesse-o     No se usa
pronome     ponha-lo    pusesse-lo    posposto   a  verbo     ponha-o
pusesse-o     nesta forma 1     ponhamo-lo  pusssemo-lo     ponhai-lo
pusssei-lo     ponham-no   pusessem-no         MODO IMPERATIVO
Afirmativo         pe-no tu (1)     ponha-o voc     ponhamo-lo ns
ponde-o vs (1)     ponham-no vocs         Infinitivo  Gerfindio
Negativo     No se usa pronome     posposto a verbo     nesta formal
FORMAs NomINATS         Particpio         p-10       pondo-o       No
se usa com pro-                               nome posposto.
Conjugao dos verbos irregulares. - Na seguinte relao de verbos
apresentamos, alm das formas irregulares, algumas regulares em que fre-
qentemente se erra. As formas que aqui faltam e se empregam so todas
regulares.         ].a CONJUGAqXO:         Dar         Pres. ind.: dou,
ds, d, damos, dais, do.     Pret. perf. ind.: dei, deste, deu, demos,
destes, deram.     M.-que-Perf. ind.: dera, deras, dera, dramos,
dreis, deram.     Pres. subi.: d, ds, d, demos, deis, dem.
Pret. imperf. subi.: desse, desses, desse, dssemos, dsseis, dessem.
Fut. subi.: der, deres, der, dermos, derdes, derem.     Por este modelo
conjuga-se desclar; circundar , porm, regular.         Estar
Ver a lista dos verbos auxiliares.       Por este conjugam-se: sobestar.
e sobrestar. So regulares os seus derivados     constar, prestar,
obstar.         (1) Recorde-se que o s final do presente do indicativo
desaparece no imperativo afirmatvo.         144 #         2.a
CONJUGA~AO:         Caber         Pres. ind. : caibo, cabes, cabe,
cabemos, cabeis, cabem.     Pret. perf. ind. : coube, coubeste, coube,
coubemos, coubestes, couberam.     M.-q.-perf. ind.: coubera, couberas,
coubera, coubramos, coubreis, couberam.     Pret. imp. subi. :
coubesse, coubesses, coubesse, coubssemos, coubsseis, coubessem.
Fut. subi.: couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem.
Comprazer         Ver prazer.         Crer         Pres. ind.: creio,
crs, cr, cremos, credes, crem (cf. nota da pg. 132).     Pret. perf.
ind. : cri, creste, creu, cremos, crestes, creram.     Pres. subi. :
creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam.     Pret. imp, subi. :
cresse, cresses, cresse, crssemos, crsseis, cressem.     Fut. subi.
crer, creres, CrCr, crermos, crerdes, crerem.     Imperativo Cr, crede.
Part.: crido.         Por este conjuga-se descrer.         Dizer
Pres. ind.: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem.     Pret. perf.
ind.: disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram.
M.-q.-perf. ind.: dissera, disseras, dissera, dissramos, dissreis,
disseram.     Fut. pres.: direi, dirs, dir, diremos, direis, diro.
Fut. pret.: diria, dirias, diria, diramos, direis, diriam.     Pres.
subi.: diga, digas, diga, digamos, digais, digam.     Pret. imperf.
subi.: dissesse, dissesses, dissesse, dissssemos, disssseis,
dissessem.     Fut. subi.: disser, disseres, disser, dissermos,
disserdes, disserem,     Imperativo: dize, dizei.     Part. : dito.
Por este se conjugam bendizer, condizer, contradizer, desdizer,
maldizer, predizer.         Fazer         Pres. ind. : fao, fazes, faz,
fazemos, fazeis, fazem.     Pret. perf. ind. : fiz, fizeste, fez,
fizemos, fizestes, fizeram.     M.-q.-perf. ind. : fizera, fizeras,
fizera, fizramos, fizreis, fizeram.     Fut. pres. : farei, fars,
far, faremos, fareis, faro.     Fut. pret. : faria, farias, faria,
faramos, farfeis, fariam.     Pres. subi.: faa, faas, faa, faamos,
faais, faam.     Pret. imp. subi.: fizesse, fizesses, fizesse,
fizssemos, fizsseis, fizessem.         145         I             Fut.
subi.: fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem.
Imperativo: faze, fazei (cf. 116, obs.).     Part. : feito.
Por este se conjugam afazer, contrafazer, desfazer, liquefazer,
perfazer, rarefazer,     refazer, satisfazer.
Haver     Ver a conjugao dos verbos auxiliares.
Jazer       Pret. ind. : jazo, jazes, jaz, jazemos, jazeis, jazem.
Pret. Perf. ind. : jazi, jazeste, jazeu, jazemos, jazestes, jazeram.
As outras formas - pois  totalmente conjugado - so regulares. Por este
se modela adiazer.                            Ler     Pres. ind.: leio,
ls, l, lemos, ledes, lem (cf. nota da pg. 132).     Pret. perf. ind.
: E, leste, leu, lemos, lestes, leram.     M.-q.-Perf. ind. : lera,
leras, lera, lramos, lrcis, leram.     Pres. subi. : leia, leias,
leia, leiamos, leiais, leiam.     Pret. imp. subi. : lesse, lesses,
lesse, lssemos, lsseis, lessem.     Fut. subi. : ler, leres, ler,
lermos, lerdes, lerem.     Por este se conjugam reler e tresler.
Perder     Pres. ind. : perco (), perdes, perde, perdemos, perdeis,
perdem.     Pres. subi. : perca (), percas (), perca (), percamos
(), percais (), percam ().                            Poder     Pres.
ind.: posso, podes, pode, podemos, podeis, podem.     Pret. perf. ind. :
pude, pudeste, pde, pudemos, pudestes, puderam.     M.-q.-perf. ind.:
pudera, puderas, pudera, pudramos, pudreis, puderam.     Pres. subi. :
possa, possas, possa, possamos, possais, possam.     Pret. imp.:
pudesse, pudesses, pudesse, pudssemos, pudsseis, pudessem.     Fut.
subi. : puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem.
Prazer                  (Pouco usado na 1.a e 2.a pessoa)       Pres.
ind. : praz, prazem.       Pret. perf. ind.: prouve, prouveram.
M.-q.-Perf. ind.: prouvera, prouveram.       Pret. imp. subi.:
prouVCSSe, prouvessem.       Fut. subi.: prouver, prouverem.       Por
este se conjugam aPrazer, desprazer, desaprazer, verbos que se
apresentam em     todas as pessoas. Comprazer e descomprazer so verbos
completos e se modelam por     prazer, no pret. perfeito e
m.-q.-perfeito do indicativo, pret. imperfeito e futuro do
subjuntivo podem ainda ser conjugados regularmente. Veja-se a pg. 108.
146 #         Querer           Pres. ind. : quero, queres, quer,
queremos, quereis, querem.       Pret- Perf. ind.: quis, quiseste, quis,
quisemos, quisestes, quiseram.       M.-q.-Perf. ind.: quisera,
quiseras, quisera, quisramos, quisreis, quiseram.       Pres. subi.:
queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram.       Pret. imp.
subi.: quisesse, quisesses, quisesse, quisssemos, quissseis,
quisessem.       Fut. subi.: quiser, quiseres, quiser, quisei os,
quiserdes, quiserem.       Part.: querido (a forma quisto s se usa em
benquisto e malquisto).           A moderna forma quere, 3.a pessoa do
singular, em lugar de quer, s  usada     pelos portugueses.
Normalmente no se usa o verbo querer no imperativo; h exemplos     de
querei nos Sermes do Pe. Antnio Vieira. Quando se usa pronome tono
(o, a,     os, as) posposto  3.a pessoa do singular do presente do
indicativo, emprega-se qu-lo     ou quere-o: "Qu-lo o teu povo" (A.
HERCULANO, Lendas e Narr., 1, 79).         Requerer           Pres.
ind.: requeiro, requeres, requer (ou requere), requeremos, requereis,
requerem.       Pret. perf. ind.: requeri, requereste, requereu,
requeremos, requerestes, requereram.       M.-q.-Perf. ind.: requerera,
requereras, requerera, requerramos, requerreis,     requereram.
Pres. subi.: requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais,
requeiram.       Pret. imp. subi.: requeresse, requeresses, requeresse,
requerssemos, requersseis,     requeressem.       Fut. subi.:
requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, requererem.
Imperativo: requere, requerei.       Part. : requerido.           A 3.a
pessoa do singular do presente do indicativo requer  modernamente mais
usada que requere.         Saber         Pres. ind.: sei, sabes, sabe,
sabemos, sabeis, sabem.     Pret. Perf. ind.: soube, soubeste, soube,
soubemos, soubestes, souberam.     M.-q.-Perf. ind.: soubera, souberas,
soubera, soubramos, soubreis, souberam.     Pres. subi.: saiba,
saibas, saiba, saibamos, saibais, saibam.     Pret. imp. subi.:
soubesse, soubesses, soubesse, soubssemos, soubsseis, soubessem.
Fut. subi.: souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem.
ser         Veja a conjugao dos verbos auxiliares.         Ter
Veja a conjugao dos verbos auxiliares.         Trazer         Pres.
ind.: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem.     Pret. perf.
ind.: trouxe, trouxeste, trouxe,, trouxemos, trouxestes, trouxeram.
147         I #         M.-q.-Perf. ind. : trouxera, trouxeras,
trouxera, trouxramos, trouxreis, trouxeran     Futuro do pres. :
trarei, trars, trar, traremos, trareis, traro.     Fut. do pret. :
traria, trarias, traria, traramos, trarcis, trariam.     Pres. subi. :
traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam.     Pret. imp. sub '
i.: trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxssemos, trouxsseis,
trouxessem.     Imperativo : traze, trazei (cf. 116, Obs.).
Valer         Pres. ind. : valho, vales, vale (ou val), valemos, valeis,
valem.     Pres. subi. : valha, valhas, valha, valhamos, valhais,
valham.     Val, por vale,  forma corrente entre os portugueses.
Como valer conjugam-se desvaler e equiivaler.         Ver
Pres. ind. vejo, vs, v, vemos, vedes, vem (cf. nota da pg. 161).
Pret. imp. ind. : via, vias, via, vamos, vcis, viam.       Pret. perf.
ind. : vi, viste, viu, vimos, vistes, viram.       M.-q.-Perf. ind. :
vira, viras, vira, vramos, vreis, viram.       Pres. subi. veja,
vejas, veja, vejamos, vejais, vejam.       Pret. imp. subi. : visse,
visses, visse, vssemos, vsseis, vissem.       Fut. subi. vir, viros,
vir, virmos, virdes, virem.       Part. : visto.       Assim se conjugam
antever, entrever, prever e rever. Prover e desprover mode-     Iam-se
por ver, exceto no pretrito perfeito do indicativo e derivados, e
particpio,     quando se conjugam regularmente.       Pret. perf. ind,
: provi, provCSte, proveu, provemos, provestes, proveram.
M.-q.-perf. ind,: provera, provetas, provera, provramos, provreis,
proveram.       Fut. subi. : prover, proveres, prover, provermos,
proverdes, proverem.       Part. : provido.         3.a CONJUGA~AO :
Acudir         Pres. ind. : acudo, acodes, acode, acudimos, acudis,
acodem.     Pret. perf. ind. : acudi, acudiste, acudiu, acudimos,
acudistes, acudiram.     Pres. subi.: acuda, acudas, acuda, acudamos,
acudais, acudam.     Pret. imp. subi. : acudisse, acudisses, acudisse,
acudssemos, acudsseis, acudissem.     Imperativo : acode, acudi.
Assim se conjugam bulir, construir, cuspir, destruir, engolir(l),
entupir, escapulir,         lugir(2), sacudir, subir, sumir(3).
(1) Para seguir este modelo, melhor seria escrever engulir (com u)' A
forma engolir     o\ nos leva naturalmente  se uinte conjugao que o
Vocabulrio Oficial no registra:         cpigulo, engoles, engole,
engolimos (com o), engolis (com o), engolem.         (2) Leve-se em
considerao a mudana de g para j antes de o e a: fujo, foges, foge,
etc         (3) Conjugam-se, porm, regularmente assumir, presumir,
reassumir, resumir.         148 #           Construir, destruir e
entupir, como verbos abundantes (cf. 109), apresentam como     formas
menos usadas, construis, construi, destrui, entupes, entupe.       Os
demais verbos em udir (aludir, cludir, iludir) so regulares.
Cobrir         Pres. ind. : cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris,
cobrem.     Pret. perf. ind.: cobri, cobriste, cobriu, cobrimos,
cobristes, cobriram.     Pres. subi.: cubra, cubras, cubra, cubramos,
cubrais, cubram.     Imperativo: cobre tu, cubra voc, cubramos ns,
cobri vs, cubram vocs.           Por este se conjugam descobrir,
dormir (regular no part.: dormido), encobrir,     recobrir e tossir
(regular no part.: tossido).         Cair         Pres. ind. : caio,
cais, cai, camos, cais, caem.     P,et. imp. ind.: caa, caas, caia,
caamos, caeis, caam.     Pret. Perf. ind.: caiu, caste, caiu,
camos, castes, caram,     M.-q--perf. ind. : cara, caras, cara,
caramos, careis, caram.     Fut. pres.: cairei, cairs, cair,
cairemos, caireis, cairo.     Fut. pret. : cairia, cairias, cairia,
cairamos, cairleis, cairiam.     Pres. subi. : caia, caias, caia,
caiamos, caiais, caiam.     Pret. imp. subi. : casse, casses, casse,
cassemos, casseis, cassem.     Fut. subi. : cair, cares, cair,
cairmos, cairdes, carem.           Por este se conjugam atrair,
contrair, distrair, esvair, retrair, sair, subtrair, trair,     embair
(para este ltimo cf. pg. 108, Obs. 1.a).     Para a boa acentuao
deste tipo de verbos, recorde-se o que se disse na pg. 71.
Frigir         Pres. ind.: frijo, freges, frege, frigimos, frigis,
fregem.     Pres. subi.: frija, frijas, frija, frijamos, frijais,
frijam.     Imperativo: frege, frija, frijamos, frigi, frijam.     Part.
: frigido e frito.         Atente-se para a troca de g por i antes de a
e o.         Ir         Pres. ind.: vou, vais, vai, vamos (ou imos),
ides, vo.     Pret. imp. ind. ia, ias, ia, amos, cis, iam.     Pret.
perf. ind. fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.     M.-q.-perf. ind.
fora, foras, fora, framos, freis, foram.     Fu t. pres. irei, irs,
ir, iremos, ireis, iro.     Fut. pret. iria, irias, iria, iramos,
ircis, iriam.     Pres. subi.: v, vs, .,, vamos, vades, vo.
Pret. imp. subi. : fosse, fosses, fosse, fssemos, fsseis, fossem.
Fut. subi. : for, fores, for, formos, fordes, forem.         149
I         I         i     'K #         Pres. ind.: meo, medes, mede,
medimos, medis, medem.     Pres. subi.: mea, meas, Mea, meamos,
meais, meam         Pedir serve hoje de modelo para desimpedir,
despedir, expedir e impedir (que         Pres. ind.: minto, mentes,
mente, mentimos, Mentis, mentem.     Pres. subi.: minta, mintas, minta,
mintamos, mintais, mintam.         Por este verbo se conjugam consentir,
desmentir, persentir (sentir profundamente),         pressentir
(prever), ressentir, senti         Pres. ind.: OUO, ouves, ouve,
ouvimos, ouvis, ouvem.     Pres. subi.: oua, ouas, oua, ouamos,
ouais, ouam         Pret. Perf. : poli, poliste, poliu, polimos,
polistes, poliram     Pres. subi.: pula, pulas, pula, pulamos, pulais,
pulam.           Por este verbo se conjugam despolir e sortir (=
abastecer, prover, misturcombinar). Surtir (com u)  regular. surto,
surtes, surte, surtimos, surtis, surtem(l).           enquanto o
progresso das cincias e das artes pule e melhora exteriormente     o
gnero humano, destruiria o intolervel egosmo que destri ou afeia o
formoso edifcio         Pres. ind.: progrido, progrides, progride,
progredimos, progredis, progridem     (1) Significa originar, produzir
efeito. Como surtir so tambm regulares curtir (pouc        a
usado na 1. pessoa do singular e em todo o presente do subjuntivo) e
urdir. #           Pret. Perf. ind. : progredi, progrediste, progrediu,
progredimos, progredistes,     progrediram.       Pres. subi.: progrida,
progridas, progrida, progridamos, progridais, progridam.           Por
este verbo se conjugam agredir, cerzir, denegrir, prevenir, regredir,
transgredir.     Remir, hoje mais usado como defectivo (cf. pg. 108),
seguia outrora o modelo de     progredir: rimo, rimes, rime, remimos,
remis, rimem.       "Por 20 libras anuais a aldeia de Favaios rime todos
os tributos e obtm o     privilgio de nomear o seu juiz" (A.
HERCULANo, Fragmentos, 149).         Rir         Pres. ind.: rio, ris,
ri, rimos, rides, riem.     Pret. imperf. ind.: ria, rias, ria, ramos,
reis, riam.     Pret. Perf. ind.: ri, riste, riu, rimos, ristes, riram.
Part. : rido.         Segue este modelo o verbo sorrir.         Servir
Pres. ind. : sirvo, serves, serve, servimos, servis, servem.       Pres.
subi.: sirva, sirvas, sirva, sirvamos, sirvais, sirvam.
Imperativo: serve, sirva, sirvamos, servi, sirvam.           Por este
verbo se conjugam aderir, advertir, aferir, compelir, competir,
concernir,     conferir, conseguir, convergir, deferir, despir, digerir,
divertir, expelir, impelir, inserir,     perseguir, preferir, preterir,
repelir, seguir, sugerir, vestir.                             Submergir
Pres. ind.: submerjo (), submerges (), submerge (), submergimos,
submergis,     submergem ().     Pres. subi. :     submerjam. ().
Imperativo :         Seguem este         submerja (), submerjas (e),
submerja (6), submerjamos, submerjais,         submerge (), submerja
(), submerjamos, submergi, submerjam(     modelo aspergir, emergir,
imergir.         Vir         Pres. ind.: venho, vens, vem, vimos,
vindes, vm.     Pret. imperf. ind.: vinha, vinhas, vinha, vnhamos,
vnheis, vinham.     Pret. perf. ind.: vim, vieste, veio, viemos,
viestes, vieram.     Fut. pres.: virei, virs, vir, viremos, vireis,
viro.     Fut. pret.: viria, virias, viria, viramos, vireis, viriam.
Pres. subi.: venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham.     Fut.
subi.: vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem.     Imperativo:
vem, venha, venhamos, vinde, venham.     Gerndio: vindo.     Part.:
vindo (cf. pg, 172).         Por este modelo se conjugam advir,
avir-se, convir, desavir, intervir, provir, sobrevir.         151 #
Advrbio. - Advrbio  a expresso modificadora que denota
circunstncia (de lugar, de tempo, modo, intensidade, condio, etc.
Aqui tudo vai bem (lugar e modo).     Hoje no irei l (tempo, negao e
lugar)     O aluno talvez no tenha redigido muito         O advrbio 
constitudo por palavra de natureza nominal ou prono         minal e se
refere geralmente ao verbo     advrbio ou a uma declarao inteira:
Tos escreve bem (advrbio em referncia ao v--,^         ou ainda a um
adjetivo, a um         Jos  muito bom escritor (advrbio em referncia
ao adjetivo bom)     Jos escreve muito bem (advrbio em referncia ao
advrbio bem).         Felizmente Jos chegou (advrbio em referncia a
toda a declarao: Jos chegou;     advrbio deste tipo geralmente
exprime um juizo pessoal de quem fala).           O advrbio estabelece
a transio dos vocbulos variveis para os     invariveis; a rigor no
tem flexo propriamente dita, mas h uns tantos         advrbios que
admitem graus de qualidade como os nomes(')           Locuo adverbial.
-  o grupo geralmente constitudo de     sio + substantivo que tem o
valor e o emprego de advrbio:     com efeito, de graa, s vezes, em
silncio, por prazer, sem dvida, ete.         Outras vezes o
substantivo vem com acompanhante e pode ocorrer at         na verdade,
de nenhum modo, em breve (subentende-se tempo),  direita (ao lado
Freqentemente se cala a preposio nas locues adverbiais de tempo
Espingarda ao ombro (por de espingarda ao ombro), juntou-se ao grupo de
pessoas         Circunstncias adverbiais. - As principais
circunstncias expressas         por advrbio ou locuro adverbial s- #
1~         6) conformidade : Fez a casa conforme     7) dvida : Talvez
melhore o tempo.     8) fim. Preparou-se para o baile.     9)
instrumento: Escrever com lpis.     10)                    intensidade:
Andou mais depressa.     11)                                  lugar:
Estuda aqui. Foi l. Passou pela cidade. Veio dali.     12)
modo: Falou assim. Anda mal. Saiu s pressas. 13)referncia: "O que nos
sobra em glria de ousados e venturosos naveganteN,       mngua-nos em
fama de enrgicos e previdentes colonizadores" (LATINO COE.LHO,
Ant. Nac., 218). 14)tempo: Visitaram-nos hoje. Ento no havia recursos.
Sempre nos cumpri-       mentaram. jamais mentiu.     15)
afirmao: Sim, eles viro. Realmente -,-iro.     16)
negao: No ler sem culos.         a planta.     Acaso encontrou o
livro.           OBSERVAO: A Nomenclatura Gramatical pe os
denotadores; de incluso, excluso,     situao, retificao,
designao, realce, etc.  parte, sem nome especial:     1 -inclusio:
tambm, at, mesmo, etc.: .&t o professor riu-se. Ningum veio,
mesmo o irmo. 2 -excluso : s, somente, -salvo, seno, apenas, etc.:
S Deus  imortal. Apenas       o livro foi vendido. 3 - situao: Mas
que felicidade. Ento duvida que se falasse latim; Pois no        que
ele veio? 4 - retificao: alis, melhor, isto , ou antes, etc.:
Comprei cinco, alis, seis       livros. Correu, isto , voou at nossa
casa.     5 - designao: Eis o homem.     6 - realce: Ns  que somos
brasileiros. 7 -expletivo: l, s, ora, que: Eu sei l! Vejam s que
coisa 1 Oh 1 que       saudade que tenho. Ora decidamos logo o negcio.
8 -explicao : a saber, por exemplo, isto , etc.: Eram trs irmos, a
saber:       Pedro, Antnio e Gilberto.           Advrbios de base
nominal e pronominal. - O advrbio, pela sua     origem e significao,
se prende a nomes ou pronomes, havendo, por isso,     advrbios nominais
e pronorninais.           Entre os nominais se acham aqueles formados de
adjetivos acrescidos     do sufixo mente: rapidamente (= de modo
rpido).           OBSERVAO 1.a: Se o nome tem forma para masculino e
feminino, junta-se o     sufixo ao feminino. Fazem exceo alguns
adjetivos terminados em s e or, que no     portugus antigo s
apresentavam uma forma para ambos os gneros. Da dizer-se
portuguesmente (e no portuguesamente); superiormente (e no
superioramente).           OBSERVAo 2.a: Numa srie de advrbios, em
geral s se usa a forma em -     mente no fim: Estuda atenta e
resolutamente. Havendo nfase, pode-se repetir o     advrbio na forma
plena:       "Depois, ainda falou gravemente e longamente sobre a
promessa que fizera" (M. DF     Assis apud S. SILVEIRA, Li6es, 480).
153 #         2) relativos: onde (em que), quando (em que), como (por
que)                   li. ---           Os advrbios relativos, como os
pronomes relativos, servem de ligar     a orao a que pertencem com a
outra orao. Nas idias de lugar em-         pregamos onde, em vez de
em que, no qual (e flexes         Precedido das preposies a ou de,
grafa-se aonde e dond         O stio aonde vais  pequeno.      bom o
colgio donde samos.           Ainda como os pronomes relativos, os
advrbios relativos podem em-     pregar-se de modo absoluto, isto ,
sem referncia a antecedente (cf. pg.           Os advrbios
interrogativos de base pronominal se empregam nas per-     guntas
diretas e indiretas (cf. pg. 222) em referncia ao lugar, tempo,
Onde est estudando o primo? Ignoro onde estuda.     Quando iro os
rapazes? No sei quando iro os ravazes         Como fizeram o
trabalho?(1). Perguntei-lhes como fizeram o trabalh
OBsERvAXo: O Vocabulrio Oficial preceitua que se escreva em duas
palavras o     advrbio interrogativo por que, por estar preocupado em
indicar a origem pronominal     do advrbio, distinguindo-o de porque
conjuno. Melhor seria, seguindo a tradio     do idioma, grafar todo
porque numa s palavra. Quanto  origm, por que e porque     se
identificam: porque (e o mesmo vale para quando e como) no se enquadra
apenas como conjuno; porque, quando e como so, em verdade "expresses
adverbiais     conjuntivas, isto , expresses que, sem perderem a sua
funo adverbial, tm conco-           Gradao dos advrbios. - H
certos advrbios, principalmente os     de modo, que podem sofrer flexo
gradual, empregando-se no comparativo     e superlativo de acordo com as
regras que se aplicam aos adjetivos:         a)
inferioridade: Falou menos alto que (ou do que) o irmo     b)
igualdade: Falou to alto quanto (ou como) o irmo.         1)
analtico: Falou mais alto que      (ou do que) o irmo.     2)
sinttico: Falou melhor (ou Pior)         que (ou do que) o irmo.
Como chovel Vela como chove.     (2)                    MmaiNz Dz
AGUIAR, Notas e Estudos, 197. #                       a) sinttico:
Falou Pessimamente, altissimo, baixssimo,     2 - SuPERLATivo
dificlimo.     ABSOLUTO      h) analtico: Falou muito ruim, muito
alto, extremamente                     baixo, consideravelmente difcil,
o mais depressa possvel                     (indica o limite da
possibilidade).     3 - DiMINUTIVO COM VALOR DE SUP~TIVO. - Em linguagem
familiar pode-se expressar       o valor superlativo do advrbio atravs
de sua forma diminutiva.       Andar devagarzinho (muito devagar, um
tanto devagar).       Acordava cedinho e s voltava  noitinha.
Saiu agorinha.           O diminutivo das frmulas de recomendao no
indica mais lentido     ou ligeireza da realizao do fato, mas serve
de expressar ou acentuar a     recomendao:         V depressinha
apanhar o meu chapu.      bom que estudes devagarinho.
O~Ao: Em lugar de mais bem e mais mal empregam-se melhor, pior:
"Ningum conhece melhor os interesses do que o homem virtuoso;
promovendo     a felicidade dos outros assegura tambm a prpria"
(Marqus de MARic).         Usa-se, entretanto, de mais bem e mais mal
junto a adjetivos:           "Os esquadres mais bem encavalgados foram
despedidos logo em seguimento dos     fugtivoV (A. HERcuLANo, Eurico,
224).       "Com a maa jogada s mos ambas abalava e rompia as armas
mais bem tem-     peradas..." (id, ibid, 108).         8 - PREPOSI(;A0
Preposijo  a expresso que, posta entre duas outras, estabelece uma
subordinao da segunda  primeira:           Casa de Pedro (marca uma
relao de posse).       Mesa de mrmore (marca uma relao de matria
de que uma coisa  feita).       Passou por aqui (marca uma relao de
lugar por onde).           Casa, mesa e passou so subordinantes ou
antecedentes; Pedro, mdr-     more e aqui so subordinados ou
conseqentes. O subordinante  repre-     sentado por substantivo,
adjetivo, pronome, verbo, advrbio ou interjeio:
Livro de histrias                     17til a todos
Alguns de vs                     Necessito de ajuda
Referentemente ao assunto                     Ai de mim 1         155 #
O subordinado  constitudo por substantivo, adjetivo, verbo (no infi-
nitivo) ou advrbio:         Casa de Pedro     Pulou de contente
Gosta de estudar     Ficou por aqui     'rem que fazer isso.
Locuo prepostiva  o grupo de palavras com valor e e-"prego de
uma preposio. Er~ geral a locuo prepositiva  constituda de
advrbio     ou locuo adverbial seguida da preposio de, a ou com
O garoto escondeu-se atrs do mvel               No samos por causa
da chuva                colgio ficava em frente a casa               
ofcio foi redigido de acordo con? o modelo.           s vezes a
locuo prepositiva se forma de duas preposies, como     de per (na
locuo de per si), at a e para com:     Foi at ao colgio
Mostrava-se bom para com todos.           Preposies essenciais e
acidentais. - H palavras que s aparecem     na lngua como preposies
e, por isso, se dizem treposies essenciais:     a, de, com, por, para,
sem, sob, entre, etc.       SO ACIDENTAIS as palavras que, perdendo a
seu valor e emprego pri-     mitivos, passaram a funcionar como
preposies:           durante, como, conforme, feito, exceto, salvo,
visto, segundo, mediante,                              tirante, fora,
afora, etc.           S as preposies ESSENCIAIS se acompanham de
formas tnicas dos     pronomes oblquos:         Sem mim no fariam
isso     Exceto eu, todos foram contemplados.           Acmulo de
preposies. - No raro duas preposies se juntam para     dar maior
efeito expressivo s idias1 guardando cada uma seu sentido
primitivo:         Andou por sobre o mar           Estes acmulos de
preposies no constituem uma locuo prepo-     sitiva porque valem
por duas preposies distintas. Combinam-se com     mais freqncia as
preposies: de, para e por com entre, sob e sobre.       "De uma vez
olhou por entre duas portadas mal fechadas para o interior de     outra
sala..." (CAmmo, A Queda dum Anjo, 175).       "Os deputados
oposicionistas conjuravam-no a no levantar mo de sobre os projetos
dcpredadores" (ID., ibid,),         156 #           Combinao e
contrao com outras palavras. - Diz-se que h     combinao quando a
preposio, ligando-se a outra palavra, no sofre     reduo. A
preposio a combina-se com o artigo definido masculino:     a + o = ao;
a + os = aos.       Diz-se que h contrao quando, lia ligao com
outra palavra, a pre-     posio sofre reduo. As preposies que se
contraem so: (1).         A         De         1) com o artigo definido
ou pronome demonstrativo feminino:       a + a = ; a + as = s (esta
fuso recebe o nome de crase)         2) com o pronome demonstrativo:
a + aquela = aquela; a + aquelas = quelas (crase)          a + aquele =
quele; a + aqueles = queles (crase)          a + aquilo = quilo
(crase)         1) com o artigo definido masculino e feminino:
de+o=do;de +a = da;de+os = dos; de+ as =das         2) com o artigo
indefinido:             de + um dum; de + uns = duns             de +
uma duma; de + umas = dumas          3) com o pronome demonstrativo:
de + aquele = daquele; de + aqueles = daqueles            de + aquela =
daquela; de + aquelas = daquelas            de + aquilo = daquilo
(te + esse = desse; de + esses = desses; de + este = deste; de + estes =
destes     de + essa = dessa; de + essas = dessas; de + esta = desta; de
+ estas = destas     de + isso = disso; de + isto = disto         4) com
o pronome pessoal:               de + ele = dele; de + eles = deles
de + ela = dela; de + elas = delas         5) com o pronome indefinido:
de + outro doutro; de + outros doutros          de + outra doutra; de +
outras doutras, etc.           (1) Pode-se tambm considerar contrao
apenas o caso de crase; nos outros diremos que     houve combinao. A
NGB no tomou posio neste ponto. Na realidade o termo combinao     
muito amplo para ficar assim restringido.         157 #         aquele =
naquele; em + aquelanaquela; em + aqueles = naqu     -em + aquelas =
naquelas; em + aquilo naquilo         per + lo = pelo; per + los =
pelos; per + Ia = pela; per + Ias = ela         Para (pra) - com o
artigo definido:         para (pra) + o = pro; para (pra) + os = pros;
para (pra) + a = pra; ara         Co(m) - com artigo definido:
co (m) + o = co; co, (m) + os = cos; co (m) + a = coa; co, (m) + as =
coas         A preposio e sua posio. - Em vez de vir entre o termo
subor-         dinante e o subordinado, a preposio, graas 
possibilidade de outra dis-     posio das palavras, pode vir
aparentemente sem o primeiro:             (subordinado)   (subordina
Os primos estudaram com Jos       (subordinante)(subordinado)     Com
Fos os ibrimos estudaram #         Principais preposies e locues
prepositivas;         a             dentro      para com     abaixo de
dentro de   como     debaixo de    por dentro de    conforme     em
baixo de   dentro em   de conformidade com     por baixo de  durante
consoante     acerca de, cerca de       emna conta de     acima de
em favor de contra     de cima de    em lugar de de     em cima de    em
prol de  de acordo com     por cima de   em troco de dentre     a fim de
em vez de   desde, ds     ante          entre       por     antes de
exceto      por meio de     atravs de    fora de     per     ao lado de
a frente de quanto a, enquanto a     ao longo de   em frente de  em
razo de     a par com     junto a     segundo     aps          junto
de    sem     aps de       para        sem embargo de      roda de
mediante    sob     ao redor de   at a       sobre     a respeito de
atrs de    trs     at           detrs de   diante de     defronte de
por detrs depor diante de     por defronte de           com         9 -
CONJUN4~XO           Conjuno  a expresso que liga oraes ou, dentro
da mesm2D     orao, palavras que tenham o mesmo valor ou funoa) "O
velho teme o futuro e se abriga no passado" (Marqus de MAIuc).
(liga oraes)       b)                                    "O nascimento
desiguala, mas a morte iguala a todo0 (ID.).                    (liga
oraes)       C)                                          "O
arrependimento  ineficaz quando as reincidncias so consecutivas"
(ID.)                       (liga oraes)       d)
"Muitos homens so louvados porque so mal conhecido0 (ID.).
(liga oraes)    e)"Uma velhice alegre e vigorosa  de ordindrio a
recompensa da mocidadr        virtuosa" (ID.).                  (liga
palavras)     As sociedades humanas deixam de existir ou se dissolvem ~
os vcio$                         (liga oraes)      (liga oraes)
e crimes sobrepujam as virtudes" (ID.).     (liga palavras)
Tipos de conjuno. - Dividem-se as conjunes em coordenativas     e
subordinativas.         159 #         I           C)ORDENATIVAS so as
conjunes que ligam palavras ou oraes do     mesmo valor ou funo.
Nos exemplos acima so conjunes coordena-     tivas: e, mas, ou. Em
a), b) e f) as conjunes coordenativas e, mas e ou     ligam duas
oraes independentes (cf. pg. 216); em e) e f) as conjunes
coordenativas ligam duas palavras do mesmo valor e funo (os adjetivos
alegre e vigorosa e os substantivos vcios e crimes).
SUBORDINATIVAS so as conjunes que ligam uma orao a outra dita
principal, estabelecendo entre elas uma relao de dependncia (cf. pg.
216). Nos exemplos acima, as conjunes subordinativas quando e porque
iniciam orao que se aclia subordinada  principal para indicar, a res-
peito desta, uma circunstncia de tempo (quando) ou de causa (porque).
OBamvAo: Duas ou mais oraes subordinadas podem estar coordenadas
entre     si desde que tenham o mesmo valor e funo: Estudou porque
queria e porque os     pais lhe pediam (cf. pg. 219).           Locuo
conjuntiva -  um grupo de palavras com valor e emprego     de uma
conjuno: para que, a fim de que, tanto que, por isso, por isso
que, etc.         Conjunes coordenativas. - As conjunes
coordenativas podem ser:       a)ADiTivAs: quando estabelecem a ligao
de palavras ou oraes         sem outra idia subsidiria: e e nem (e
no):           "Um concerto de notas graves saudava o por do sol e
confundia-se com o rumor     (Ia cascata (Jos im ALENCAR).       "No
empresteis o vosso nem o alheio, no tereis cuidados nem receio"
(Marqus     de MARIC).           b) ADVERSATIVAS: quando ligam
palavras ou oraes que estabelecem     oposio, contraste,
compensao, ressalva:             mas, porm, contudo, todavia,
entretanto, seno, etc.           "Acabou-se o tempo das ressurreies,
mas continua o das insurreies" (ID.)       "E agora as entregais desta
maneira no a pastores, seno a lobos" (VIEIRA apud     A. NAscENTEs,
Dificuldades de Andlise SinUtica, 7).     c)ALTERNATIVAS: quando ligam
expresses e oraes que ou estabele-       cem uma separao ou
excluso da palavra ou orao a que se       ligam: ou, ou.. . ou, j
... id, ora. .. ora, etc.         "Quando a clera ou o amor nos visita,
a razo se despede- (ID.).     d)CONCLUSIVAS: quando ligam oraes que
encerram uma concluso:       logo, pois (no meio ou no fim da orao),
portanto, por isso, etc.:         Estudou, logo ser recompensado.
160 #     e)EXPLICATIVAS: quando comeam orao que explica a razo de
ser do que se diz na orao a que se ligam: pois (no incio da
orao), que (porque), porque, porquanto:
Venha, porque desejo conversar com voc.      Fazia tudo para ser
agradvel, pois no deixava uma pergunta sem resposta.           As
explicatvas que e porque aparecem normalmente depois de ora-     es
optativas e imperativas.         OBSERVAES:           1.a) As
explicativas no passam de causais coordenativas, que nem sempre se se-
param claramente das causais subordinativas que veremos adiante. "Em
certas lnguas     distingue-se a causal subordinativa da causal
coordenativa pela diversidade de partcula     (em francs parce que,
car; em ingls because, for; em alemo weil, denn); em portugus,
empregando-se porque ou que para um e outro caso, conhece-se a diferena
pela pausa.     A causal subordinativa separa-se da orao principal por
uma pausa muito fraca (que     se representa, quando muito, por uma
vrgula). A causal coordenativa separa-se da     proposio anterior por
uma pausa mais forte (que se figura por vrgula, ponto e     vrgula, e
at por ponto final)". (SAIo ALI, Gramtica Secundria, 203).       2.a)
Cumpre no confundir as conjunes explicativas; com as partculas e
locues     explicativas do tipo de a saber, isto , por exemplo, que,
por no se enquadrarem     nas classes de palavras estabelecidas pela
gramtica tradicional, constituem um grupo      parte, estudado na pg.
153.           Conjunes subordinativas. - As conjunes
subordinativas; compre-     endem dois grupos: as integrantes e as
adverbiais.           As INTEGRANTES so que (nas declaraes de fatos
certos) e se (nas     declaraes de fatos incertos e dubitativos), e
servem para iniciar oraes     como sujeito, objeto, predicativo,
complemento nominal, ou aposto, con-     forme veremos na sintaxe.
Desejo que tudo v bem. No sei se tudo vai bem.           AS ADVERBIAIS
iniciam oraes que exprimem uma circunstncia     adverbial de outra
orao dita principal e se subdividem em:           1) CAUSAIS: quando
iniciam orao que exprime a causa, o     a razo do pensamento na
orao principal:           que (= porque), porque, como (= porque,
sempre anteposta a sua principal,     no portugus moderno), visto que,
visto como, j que, uma vez que (com o verbo     no indicativo), desde
que (com o verbo no indicativo), etc.       "A memria dos velhos 
menos pronta porque o seu arquivo  muito extenso"     (Marqus de
MARic).       "Como ia de olhos fechados, no via o caminho" (M. DF.
Assis, Memrias Ps-     tumas, 19).       "Desde que se fala,
indeterminadamente, e no plural, em direitos adquiridos e     atos
jurdicos perfeitos, razo era que no plural e indeterminadamente se
aludisse a     casos julgados" (R. BARBOSA, Parecer, 1, 25, 2.a ed.).
161 #         IOBSERVA96ES :           1.a) j se condenou injustamente
o emprego de desde que em sentido causal, s     o aceitando com idia
temporal (assim que) ou condicional.       2.a) Evite-se o emprego de de
vez que por no ser locuo legitima.           2) COMPARATIVAS: quando
iniciam orao que exprime o outro     termo da comparao. A comparao
pode ser assimilativa ou quantitativa.      assimilativa "quando
consiste em assimilar uma coisa, pessoa, qualidade     ou fato a outra
mais impressionante, ou mais conhecida"('). As conjun-     es
comparativas assimilativas so como ou qual, podendo estar em corre-
lao com assim ou tal postos na orao principal, ou ainda aparecer
.assim como :           "O medo  a arma dos fracos, como a bravura a
dos fortes" (Marqus de MAiUC).       "A ignorncia, qual outro
Factonte, ousa muito e se precipita como ele" (ID.).       "O jogo,
assim como o fogo, consome em poucas horas o trabalho de muitos
anos" (ID.).
i       A comparao quantitativa "consiste em comparar, na sua
quantidade  i     ou intensidade, coisas, pessoas, qualidades ou fatos"
(J. M. Cmara, ibid.).     H trs tipos de comparao quantitativa:
a) Igualdade - introduzida por como ou quanto em correlao com
o advrbio tanto ou tio da orao principal:           "Nenhum homem 
to bom como o seu partido o apregoa, nem to mau como     o contrrio o
representa" (Marqus de MAiucA).       "Nada incomoda tanto aos homens
maus como a luz, a conadncia e a razo" (ID.).         ,b)
Superioridade - introduzida por que ou do que em correlao       com o
advrbio mais da orao principal:         -0 orgulho do saber  talvez
mais odioso que o do poder" (ID.).     -,0 homem bom espera mais do que
teme, o mau receia mais do que espera" (ID.).         c) Inferioridade -
introduzida por que ou do que, em correlao com       o advrbio menos
da orao principal:     "Tempos h em que  menos perigoso mentir que
dizer verdades" (ID.).           3) CONCESS1VAS: quando iniciam orao
que exprime que um obst-     culo - real ou suposto - no impedir ou
modificar a declarao da     orao principal: ainda que, embora,
posto que, se bem que, conquanto,     apesar de que, etc.:
"Ainda que perdoemos aos maus, a ordem moral no lhes perdoa, e castiga
a     .nossa indulgncia" (ID.). i:         (1) MAToso CAmARA,
Gramdtica, 11, 48.         162 #           4) CONDICIONAIS (e
hipotticas): quando iniciam orao que em     geral exprime: a) uma
condio necessria para que se realize ou se     deixe de realizar o
que se declara na orao principal; b) um fato - real     ou suposto -
em contradio com o que se exprime na principal. Este     modo de dizer
 freqente nas argumentaes. As principais conjunes,
condicionais (e hipotticas) so: se, caso, sem que, uma vez que (com o
verbo no subjuntivo), desde que (com o verbo no subjuntivo), dado que,
sem que, contanto que, etc.:           "Se os'homens no tivessem alguma
cousa de loucos, seriam incapazes de he-     rosmo" (ID.).       "Se as
viagens simplesmente instrussem os homens, os marinheiros seriam mais
instrudos" (ID.).           5) CONFORMATIVAS: quando iniciam orao que
exprime um fato em     conformidade com outro expresso na orao
principal: como, conforme,     segundo, consoante :
"Tranqilizei-a como pude" (M. DE Assis, Memrias Pstumas, 174).
Fez os exerccios conforme o professor determinou.           6)
CONSECUTIVAS: quando iniciam orao que exprime o efeito ou
conseqncia do fato expresso na orao principal. A conjuno conse-
cutiva  que, que se prende a uma expresso de natureza intensiva como
tal, tanto, tio, tamanho, posta na orao principal. Estes termos
intensivos     podem facilmente calar-se:           "Os povos exigem
tanto dos seus validos, que estes em breve tempo se enfadam     * os
atraioam" (Marqus de MARICA).       "Os vcios so to feios que,
ainda enfeitados, no podem inteiramente dissimilar     * sua fealdade"
(ID.).       "Vive de maneira que ao morrer no te lastimes de haver
vivido" (ID.). rato ,     vive de tal maneira que (que em conseqncia
... ).            ainda conjuno consecutiva o que depois de orao
negativa para     denotar que a conseqncia se d a todo transe, se
repete sempre que     ocorrer o fato anterior (o verbo da consecutiva
est no subjuntivo): ,         No brinca que no acabe chorando.
OBSERVAO: Muitos gramticos do este que como conjuno condicional.
7) FINAIS: quando iniciam orao que exprime a inteno, o objetivo,
a finalidade da declarao expressa na orao principal: para que, a fim
de que, que (para que), porque (para que):           "Levamos ao Japo o
nosso nome, para que outros mais felizes implantassein     naquela terra
singular os primeiros rudimentos da civilizao ocidental" (L. CoELHO,
Ant. Nac, 219).         163 #           8) MODAIS: quando iniciam oraao
que exprime o modo pelo qual     se executou o fato expresso na orao
principal: sem que:           Fez o trabalho sem que cometesse erros
graves.           OBsERvAo: A Nomenclatura Gramatical Brasileira no
agasalhou as conjunes     modais e, assim, as oraes modais, apesar
de por o modo entre as circunstncias     adverbiais.           9)
PROPORCIONAIS: quando iniciam orao que exprime um fato que     ocorre,
aumenta ou diminui na mesma proporo daquilo que se declara     na
orao principal:  medida que,  proporo que, ao passo que, (tanto
mais) ... quanto mais, (tanto mais) ... quanto menos, (tanto menos) ...
quanto mais, (tanto mais) ... menos, etc.:         "O ano quanto mais
alto sobe, mais pequeno se afigura" (Marqus de MARIC).     Progredia 
medida que se dedicava aos estudos srios.           10) TEMPORAIS:
quando iniciam oraao que exprime o tempo da     realizao do fato
expresso na orao principal. As principais conjunes     e locues
conjuntivas temporais so:           a) para o tempo anterior: antes
que, primeiro que:           "Ningum, senhores meus, que empreenda uma
jornada extraordinria, primeiro     que meta o p na estrada, se
esquecer de entrar em conta com suas foras"...     (Rui BARBOSA, Ant.
Nac., 126).     la)para o tempo posterior (de modo indeterminado) :
depois que,       quando:         quando disse isso, ningum acreditou.
c)para o tempo posterior imediato: logo que, tanto que (hoje raro),
assim que, desde que, apenas, mal, eis que, (eis) seno quando,
eis seno que :           Logo que saram, o ambiente melhorou.
"Apenas o tigre moribundo sentiu o odor da criana, fez uma contoro
violenta,     e quis soltar iam urro" (J. DE ALENCAR).     d)para o
tempo freqentativo (repetido): quando (com o verbo no       presente),
todas as vezes que, (de) cada vez que, sempre que :           "Quando o
povo no acredita na probidade, a imoralidade  geraP (Marqus de
MARIC).           CaBsERvAo: Evte-se o erro de preceder com em o que
da locuo todas as vezes     que (dizendo: todas as vezes em que).
164         i #        e)para o tempo concomitante: enquanto, (no)
entretanto que          (hoje raro):           Dormiu enquanto estava no
cinema.       OBSERVA(: Entretanto ou no entretanto so advrbios de
tempo, com o sentido     de nesse nterim, nesse tempo, nesse intervalo:
"O aperto dos sitiados aumentava entretanto de dia para dia" (REBELO DA
SILIVA,     Histria de Portugal, IV, 208).       Mais modernamente
entretanto passou a valer por uma conjuno adversativa, e     por
influncia do advrbio, tem sido empregado precedido da combinao no
(no     entretanto). Muitos puristas condenam tal acrscimo.         f)
para o tempo terminal: at que     Passeou at que se sentisse esgotado.
 conjuno temporal o que que se segue a expresses de tempo: agora
que, hoje que, ento que, a primeira vez que, etc.       Agora que tudo
aca~ou, posso pensar mais tranqilamente.           Se o conjunto 
proferido sem pausa, estabelece-se uma unidade de     sentido 
semelhana de depois que, id que, etc., e se passa a considerar o
todo como locuo conjuntiva temporal:       Agora que tudo acabou,
posso pensar mais tranqilamente.           Que excessivo. - Sob o
modelo das locues conjuntivas finalizadas     por que, desenvolveu-se
o costume de acrescentar esta partcula junto a     palavra que s por
si funciona como conectivo: enquanto que, apenas que,     embora que,
mal que, etc., construes que os puristas no tm visto com     bons
olhos, apesar dos exemplos de escritores corretos:          porque a ~
cincia-  mais lenta e a imaginao mais vaga, enquanto que     o que
eu ali via era a condensao viva de todos os tempos" (M. DF, Assis,
Memrias     Pstumas, 24).           Aparece ainda o que excessivo
depois de expresses de sentido tem-     poral como:         Desde
aquele (lia que o procuro.           Conjunes e expresses enfticas.
- As conjunes coordenativas     podem aparecer enfatizadas. Para esta
nfase o idioma se serve de vrios     recursos. Assim, a adio pode
vir encarecida das expresses do tipo:                        n4o s ...
mas (tambm)                    no s ... mas (ainda)
no s ... sendo (tambm)                    nlo s ... que tambm,
etc.:         Ndo s se aplica ao portugus mas ainda ao latim.
165 #         A alternativa pode ser enfatizada pela repetio:
Ou estudas ou brincas.                  j dizes sim, j dizes no.
Ora vem aqui, ora vai ali.     A srie nem... nem adquire sentido
aditivo negativo.     Nem estudou nem tirou boas notas (no estudou e
no tirou...           Quer ... quer e ou ... ou, com o verbo no
subjuntivo e tom de voz     descendente, podem denotar a concesso
quando a possibilidade de aes     opostas no impede a declarao
contida na orao principal:             Quer estudes quer no,
aprenders facilmente a lio.           Nas subordinadas e principais a
correlao de uma expresso com o     conectivo ou outro termo da orao
a que se prende, para mostrar relao     em que essas oraes se acham
com a circunstincia ou fato j expresso,      outro meio de enfatizar a
interdependncia oracional. Esta expresso     memorativa  constituda
por advrbio ou equivalente:       "Como os sbios no adulam os povos,
tambm estes os no promovem" (Marqus     de MARIC).       "Quando os
homens se desigualam, ento se harmonizam" (ID.).       Embora no me
digam a verdade, ainda assim perguntarei mais vezes.       "Acabemos,
pois, de despertar deste mortal letargo" (EPIFANIo DIA9, Gramtica
Elementar, 119).       "Estudemos portanto, e no nos deixemos dominar
pela preguia" (RrBEiRo Dz     VAwoN~s, Gram. Portuguesa, 251).
OBSERVAO FINAL: Maximino Maciel, levando em conta o valor adverbial de
muitas     palavras que em geral so apontadas como conjuno, reduziu o
grupo desta ltima     classe a. e, ou, mas. (Cf. Gramtica Descritiva,
153).         10 - INTERJEI(;,&O           Interjeijo  a expresso com
que traduzimos os nossos estados emo-     tivos. Eis as nossas
principais interjeies:     1) de exclamao: viva !     2) de
admirao: ah ! oh     3) de alvio: ah! ch!     4) de animao:
coragem! eia! sus!     5) de apelo ou chamamento: ! ol! al! psit!
Psiu!     6) de aplauso: bem! bravo!     7) de desejo ou ansiedade: oh!
oxal! tomara!     8) de dor fsica: ai! ui!     9) de dor moral: oh!
1.0) de dvida, suspeita, admirao: hum! hem! (tambm hein)     11) de
impacincia : arre ! irra ! apre ! puxa ! (melhor ser, no registrado
oficialmente,       pucha)         166         I #         12) de
imposio de silncio: caluda! Psiu! (demorado)     13) de repetio:
bis!     14) de satisfao: upa! oba! opa!     15) de zombaria: liau!
Locuo interjetiva -  um grupo de palavras com valor de inter-
jeio: ai de mim; ora bolas; com todos os diabos.       As interjeies
so proferidas em tom de voz especial ascendente ou     descendente,
conforme as diversas circunstncias dos nossos estados     emotivos.
Quando esto combinadas com uma frase maior exclamativa, podem-se
separar da frase por meio de uma vrgula, ou por meio do ponto de
exclamao, ao qual se deve seguir, entretanto, letra minscula:
Oh 1 que doce harmonia traz-me a brisa (CAxmo ALvEs, apud. J. MAToso C~
JR.,     Gramtica, 1, 65).         B) 1 - Estrutura dos vocbulos
Vocbulo e morfema           Vocdbulo  a menor forma livre da
enunciao, constitudo de um ou     mais morfernas.       Chama-se
morfema a menor unidade de significao que constitui o     elemento ou
os elementos integrantes do vocbulo. Os morfernas podem     ser livres
e presos, conforme se usam independente ou dependentemente     na
enunciao. Os morfernas apresentam: a) uma significao externa,
referente a noes do nosso mundo (aes, estados, qualidades, ofcios,
seres em geral, etc.), b) uma significao interna (puramente da esfera
das     noes gramaticais). A depreenso de um morfema depende de dois
re-     quisitos: a) a significao e b) a forma fontica.  importante
observar-     mos que uma s forma fontica pode representar mais de um
morfema:     assim -s representa o plural era as casas e a 2.a pessoa
singular em cantas.     Por outro lado, um s morferna pode ter
realizaes fonticas diferentes     em virtude do ambiente fontico do
contexto em que se acha; por exem-     plo, o morfema que corresponde 
letra -s para indicar o plural em     portugus se realiza como jx/
diante de consoante surda (os ces), como     /j/ diante de consoante
sonora (os gatos) e como /z/ diante de vogal     (os homens) (1).
(1) O estudo das diversas realiza5es fonticas de um dado morfema, como
 o caso do     nosso ndice de plural, recebe, em lngiltIca
descritiva, o nome de morfofonmica ou     morfonmica.         167 #
Os elementos mrficos. - Em portugus, os vocbulos se poderr         a)
mar, sol, ar, , hoje, lpis;     b) aluno alunas trabalhvamos
c) casaro, livrinho, cantor, casamento, folhagem, alemo, fertilizar,
Em a) os vocbulos no se podem reduzir a formas menores, porque     s
possuem um elemento mrfico chamado radical. Radical  o ncleo
do vocbulo onde repousa a significao externa da palavra.           j
nos vocbulos do grupo b) segue-se ao radical (de significao
externa) um ou mais elementos de significao interna ou puramente gra
matical. Aluno pode desmembrar-se em alun e o (1). O primeiro elemento
(radical) encerra a significao do vocbulo, cabendo ao final o rela
cion-lo ao niorfema do gnero masculino. Em alunas o radical  alun, e
as encerra dois elementos de significao interna: 1) -a (indicador dc
Em trabalhd         gnero feminino) e 2) -s (indicador do nmero
plural).     vamos o radical  trabalh- e os elementos mrficos de
significao intern2         so: 1) -va (que caracteriza o pret.
iniperf. do indicativo dos verbos da     1.a conjugao) e 2) -mos (que
caracteriza a 1.a pessoa do plural).       Os elementos mrficos de
significao interna, indicadores das flexes     gramaticais, chamam-se
desinncias e se dividem em nominais e verbais.       As desinncias nos
nomes e em certos pronomes denotam as flexes         de gnero e
nmero; nos verbos: nmero, pessoa, tempo e modo.           Muitas vezes
o radical no se prende diretamente s desinncias; com     pleta-o uma
vogal para constituir o tema do vocbulo e por isso se chamE
Tema _ portanto, o radical acrescido da vogal temtica e qu
constitui a parte do vocbulo pronta para receber a desinncia ou sufixo
Nos nomes a vogal temtica (a, o, e) quase sempre coincide com a
desinncias de gnero. A vogal temtica o ou e se acha representada, s
vezes, por uma semivogal de um ditongo: PO, PES. No tm vogal
temtica os nomes terminados em consoante ou vogal tnica, e por isso se
dizem ATEMTICOS: ma- f Neste caso o tema coincide com o radical
OBSERVAO: Em geral a vogal tnica final (, , 6, , 6) resulta da
crase d     da vogal do radical com a temtica: f i), apesar de, na
linguagem tcnica, dizer-se dictico e no dctico. Por outro lado, em
regra     no vamos ao grego para formar palavras novas; elas nos vm do
estran-     geiro, mormente de Frana, atravs da nomenclatura
cientfica comum      maioria das naes cultas. E os erros que l fora
se cometem na formao     dos neologismos no so por ns corrigidos.
Aceitamos, e no h corri-     gi-las, formas errneas como quilmetro
(por quilimetro), hectmetro     (por hecatmetro).       Outras vezes
no se leva em conta o sentido rigoroso do termo grego.     Assim se
aplica algos  dor fsica em vez da moral e se diz cefalalgia (dor
de cabea), odontalgia (dor de dente), nevralgia (dor de um nervo); tam-
bm empregando-se geo para indicar terra como elemento, em vez de
argila (uma vez que o primeiro s se poderia aplicar ao globo
terrestre),     se diz gefago (= comedor de terra) por argilfago.
Ainda nos cabe     dizer que muitos dos nomes tcnicos, principalmente
gregos, trazem na     sua etimologia uma noo que o progresso
cientfico considera errnea ou     imperfeita. Dessarte dtomo, que
significa indivisvel, o que no se pode     inais dividir, no pode ser
hoje tomado ao p da letra; oxignio quer dizer     gerador de deidos,
como se todos os cidos contivessem este corpo. Como     so termos cuja
etimologia no  inquirida, podem continuar a ser em-     pregados sem
inconvenincia. Por fim, lembramos os casos de esqueci-     mento
etimolgico em que o sentimento moderno no d conta do sentido     de
elemento constitutivo da palavra, dizendo, por exemplo, ortografia
correta (ortos = correta), caligrafia bonita (calos = belo). Os bem
falantes reagem contra muitos esquecimentos como hemorragia de sangue,
decapitar a cabea, exultar de alegria, estes dois ltimos latinos.
Os principais radicais gregos usados em portugus so     aer, aer-os
(ar): acronauta, aerostato, areo     angel-os - aggel-os (enviado,
mensageiro): anjo, evangelho     ag-o, agog-os (conduzir, condutor):
demagogo, pedagogo          (1) O ar vernculo  tal, que a rigor no se
poderia falar de hibridismo em muitas dessas     inovaes vocabulares.
186 #          ag-n, -on-os (combate): agonia, antagonista      agr-os
(campo): agronomia      eti-a - aiti-a (causa): etiologia      acr-os -
akr-os (alto, extremidade): acrpole, acrobata, acrstico     alg-os
(sofrimento, dor): nevralgia, nostalgia      anem-os (vento, sopro):
anemoscpio, anmona      ant-os - anth-os (flor): antologia
antrop-os - anthrop-os (homem): filantropo, misantropo, antropfago
arc-aios - arch-aios (antigo): arcaico, arqueologia     arc, arch-
(governo): anarquia, monarquia     arc, arch-os (chefe que comanda):
monarca     aritm-os - ariffim-os (nmero): aritmtica, logaritmo
arct-os (urso): rtico, antrtico, 'o nome drtico refere-se s
constelaes Grande Ursa       e Pequena Ursa, em uma das quais se acha
a Estrela Polar", SAiD AU, Gram       Sec., 167)     aster, ast(c)r-os
(estrela): asteride, astronomia     aut-os (si mesmo): autgrafo,
autonomia     bal-o - ba11-o (projetar, lanar): balstica, problema,
smbolo.     bar-is - bar-ys, bar-os (pesado, grave): bartono,
barmetro     bibl-ion (livro): biblifilo, biblioteca     bi-os (vida):
biografia, anfbio     cir, quir-os - cheir, cheir-os (mo):     col-e -
chol-e (blis): melancolia     cor-os, corea - chor-os (cro): coria
(dana em coro), coreografia     cron-os chron-os (tempo): crnico,
cronologia, iscrono, anacronismo     cro'm-a chrom-a (cor):
cromolitografia     cris-OS chrys-os (ouro): crisstorno, crislida,
crisntemo     quil-os chilios (mil): quilograma     quil-os chylos
(suco): quilfero     dactil-os - daktyl-os (dedo): datilografia ou
dactilografia     dem-os (povo): democracia, epidemia     derm-a (pele):
epiderme, paquiderme     do-ron (dom, presente): dose, antdoto, Pandora
dox-a (opinio): ortodoxo, paradoxo     dra-ma, -atos (ao, drama):
drama, dramtico, melodrama     drom-os (corrida, curso): hipdromo,
prdromo     dinam-is - dynam-is (fora): dinmica, dinammetro
edr-a (base, lado): pentaedro, poliedro     id-os - eid-os (forma),
donde procede dide (que se assemelha a): elipside     ic-on - eik-on,
-on-os (iffiagem): Icono, iconoclasta.     electra - eleUr-on (mbar,
eletricidade): eltrico, eletr6metro     erg-on (obra, trabalho), da os
sufixos urgo, -urgia: metalurgia, dramaturgo, energia     ep2ter-a
(entranhas): enterite, disenteria     etn-os - ethn-os (raa, nao):
tnico, etnografia     gam-os (casamento), da gamo (o que se casa):
polgamo, bgamo, criptgamo         quirptero, cirurgia, quiromancia
187 #         gaster, gast(e)-ros (ventre, estmago): gastrnomo,
gastralgia     ge                                             (terra):
geografia, geologia     genes-is (ao de gerar): gnese, hidrognio
gen-os (gnero, espcie): homogneo, heterogneo     gloss-a ou glott-a
(lngua): glossrio, glotologia, epiglote     gon-ia (ngulo): pollgono,
diagonal     gon-os (formao, gerao): cosmogonia, teogonia.
graf-o, gram-o - graph-o (escrever), e da graph-ia (descrio), graph-o
(que escreve),       gramm-a (o que est escrito): geografia, telgrafo,
telegrama     hem-a - haim-a, -atos (sangue): anemia     here-o -
haire-o (tomar, escolher): heresia, hertico     helio (sol):
helioscpio, heliotrpio     hemer-a (dia): efrnero, efemrides
heter-os (outro): heterodoxo, heterogneo     hier-os (sagrado):
hierarquia, hierglifo     hip-os - hipp-os (cavalo): hipdromo,
hipfago     hol-os (entregue de todo, inteiramente): olgrafo,
holocausto     hom-os (semelhante): homogneo, homnimo     hor-a
(hora): horscopo     hid-or - hyd-or, -atos (gua), dai hydor, hydro,
como elemento de composio:       hidrognio, hidrografia     ict-io -
icht-yo, -yos (peixe): ictiologia, ictifago     idi-os (prprio,
particular): idioma, idiotismo     isos (semelhante). iscrono,
isotrmico     cac-os - kak-os (mau): cacofonia, cacografia     cai-os -
kal-os (belo), kallos (beleza): caligrafia     card-ia - kard-ia
(corao): cardaco, pericrdio     carp-os - harp-os (fruto).
pericarpo, endocarpo     cejal-e hephal-e (cabea): cefalalgia, encfalo
cosm-os Aosm-os (mundo). cosmografia, cosmopolita     crat-os krat-os
(poder): democrtico, aristocrtico     cicl-os kykl-os (crculo):
herniciclo, bicicleta     leg-o (dizer, escolher). ecletismo
lamban-o (tomar), da leps-is (ao de tomar), lemma (coisa tomada):
epilepsia, lema,       dilema     log-os (discurso, tratado, cincia):
dilogo, arqueologia, bacteriologia, eplogo     maqu-c - mach-e
(combate): logomaquia     macr-os - makr-os (grande): macrbio
man-ia (mania, gosto apaixonado por): bibliornania, monomania
manci-a - mantei-a (adivinhao): cartomancia, quiromancia     martir,
ri-os - martyr, yr-os (testemunho): mrtir, martirlogo     megas,
megal-os (grande): megalomania     mel-as, -an-os (negro): melancolia,
melansia     mel-os (msica, canto): melodia, melodrama     mes-OS
(meio): Mesopotmia     meter, metr-os (me), metrpole         188
7 #         metr-on (medida): barmetro, termmetro     micr-os -
mikr-os (pequeno): micrbio, microscpio     mis-os (dio): misantropo
mnem-e (memria): amnsia, mnemotcnica     mon-os (s): monlogo,
monlito     morf-e - morph-e (forma): morfologia     mit-os - myth-os
(fbula, mito): mitologia     miri-a - myri-a em vez de myri-o (dez
mil): miripode     necr-os - nekr-os (morte): necrpole, necrologia
ne-os (novo): neologismo, nefito     nes-os (ilha): micronsia,
melansia     neur-on (nervos): nevralgia, neurastenia     nom-os (lei,
administrao, poro): astronomia, autonomia     od-e (canto): pardia
od-os (caminho, via): xodo, mtodo, perodo     odon, -ont-os (dente):
odontologia     onom-a, -atos (nome): pseudnimo, sinnimo     of-is,
of-id oph-is, oph-id-os (serpente): ofdio     oftalm-os ophtaim-os
(olho): oftalmia, oftalmoscpio     ops, op-os (vista): ops-is (ao de
ver), opt-ik-os (que se refere a viso): miopia,       autpsia
oram-a (vista): cosmorama, panorama     ornis, ornit-os - ornis,
ornith-os (ave): ornitologia     or-os (montanha): orografia     ort-os
- orth-os (direito, reto): ortodoxo, ortografia, ortopedia     ost-eon
(osso): osteologia, peristeo     ox-is - ox-ys (cido, agudo):
oxignio, paroxismo     pes,
ped-os - pais, paid-os (criana, menino): pedagogia     pale-os -
palai-os (antigo): paleontologia, paIeografia     pan, pant-os (todos):
panorama, panplia, pantesmo, pantgrafo     pat-os path-os (afeco,
doena): patologia, simpatia     fag-o phag-o (comer): antropfago,
hipfago     fan-o, fen-o - phain-o (fazer aparecer, brilhar): difano,
fenmeno     femi - phemi (eu digo, falo): eufemismo, profeta     fer-o,
for-os - pher-o (levar, trazer), phor-os (que traz): fsforo, semforo
fil-os - phil-os (amigo): filarmonia, filantropo     fobe-o, fob-os -
phobe-o (temer, fazer fugir), da phob-os: hidrfobo, anglfobo,
russfobo     fos,                                           fot-os -
phos, phot-os (luz): fsforo, fotografia     plut-os - plout-os
(riqueza): plutocracia     fon-e - phon-e (voz): cacofonia, telefone
pol-is (cidade): acrpole, metrpole, necrpole     pol-is - pol-ys
(muito): poligamia, polgono, policromia, polinsia     pos,
pod-os - pous, pod-os (p): antpoda, miripode     prot-os (primrio):
protagonista, protocolo, protozorio, protoplasma     pseud-os
(falsidade, mentira): pseudnimo         189 #         psiqu-e - psych-e
(alma): psicologia, metempsicose     pter-on (asa): quirptero,
coleptero     pir, pir-os - Pyr, Pyr-os (fogo, febre): pirotcnico,
antipirina     re-o - rhe-o (correr, fluir): catarro, diarria
sisin-os - seisrn-os, da sism (estremecimento): sismologia, ssmico
scope-o - shopeo (examinar), da scpio (que faz ver): telescpio,
microscpio     sof-os - soph-os (sbio): filsofo     estat-os -
stat-os (que se mantm): aerstato, hidrosttica     estere-o - stere-o
(slido): estereotipo, estereotomia     estref-o - streph-o (virar,
voltar): apstrofe, catstrofe     taf-os - taphos (ffimulo): epitfio,
cenotfio     tauto por to auto (o mesmo): tautologia     tecn-e -
techn-e (arte): politcnico     teras, terat-os (prodgio, fenmeno,
monstro): teratologia     tele (longe): telgrafo, telefone, telescpio
te-os - the-os (deus): teologia, teocracia, politesmo     term-os -
therm-os (quente): termmetro     tes-is - thes-is (ao de por, ter):
anttese, sntese     tom-e (cortadura, seco): tomo, tomo,
estereotomia     top-os (lugar): tpico, topografia, atopia
trauin-a, -atos (ferimentos): traumtico     tip-os - typ-os (tipo,
carter): tipografia, arqutipo     zo-on (animal, ser vivo): zoologia,
zofito           Famlias etimolgicas de radical latino. - Chama-se
famlia etimo-     lgica a uma srie de vocbulos cognatos. Cabem aqui
as judiciosas obser-     vaes do Prof. Said Ali: "parece cousa
extremamente fcil distinguir     palavras derivadas de palavras
primitivas quando se trata de exemplo     como pedreiro, pedraria,
pedregulho ou fechamento, laranjal, bananeira,     que no requerem
especial cultivo da inteligncia para algum saber que     se filiam
respectivamente a pedra, fechar, laranja, banana. So entretanto
numerosos os casos em que transparece menos lcida a relao entre o
termo derivado e o derivante, sendo necessrio algum estudo para
perceber     a filiao. Outras vezes tem havido tal excluso de forma e
sentido, que     surge um curioso conflito entre o sentimento geral do
vulgo e o fato     encarado  luz da pesquisa cientfica" (1).
Nesta matria cabe distinguir cuidadosamente uma forma livre de     uma
forma presa (cf. pg. 167). Receber, por exemplo,  considerada     como
derivada prefixal, embora -ceber no tenha curso independente na
lngua, porque  uma forma presa de caber, que aparece numa srie de
palavras portuguesas:         re I     per -ceber     con         (1)
Gramtica Histrica, 11, 3.         190 #     0 mesmo ocorre com
~resistir, cuja forma presa -sistir  elemento          a srie:
co um a Um         re     per     con-sistir     de     sub         j o
mesmo critrio no se aplica a outros vocbulos como esquecer
iludir e inteligncia, que passaram a funcionar, para o sentimento dos
que falam portugus, como vocbulos primitivos.         Eis uma pequena
lista de cognatos com radical latino:         aequus, a, um (direito,
justo): adequar, equao, equidade, igual, inquo.         ager, agri
(campo): agrrio, agricultor, agrcola, peregrino.         ago, agis,
egi, actum, agere (impelir, fazer): gil, ator, coagir, exigir, indagar,
prdigo         alter, a, um (outro): alterar, alternncia, altrusmo,
outro.     ango, angis, anxi, angere (apertar): angina, ngulo,
angstia, nsia, angusto         cado, cadis, cecidi, casum, cadere
(cair): acidente, cadente, incidir, ocaso.         caedo, caedis,
cecidi, caesum, caedere (cortar): cesariana, cesura, conciso, inciso,
precisar.         H numerosos derivados em cida, cdio, cuja
significao  matar:         J7atricida, homicida, infanticida,
matricida, patricida, regicida, uxoricida, suicida,         fatricdio,
homicdio, suicdio, etc.         capio, capis, cepi, captum, capere
(tomar): antecipar, cativo, emancipar, incipiente,         mancebo.
caput, capitis (cabea): cabea, capito, capital, decapitar,
precipcio.         caveo, caves, cavi, cautum, cavere (ter cuidado):
cautela, incauto, precaver-se.     colo, colis, colui, cultum, colere
(habitar, cultivar): agrcola, colnia, culto, ncola,
inquilino, cu tura (agr -, av -, ort-, p c -, r ., v n -, e c.).
cor,                                cordis (corao): acordo, discrdia,
misericrdia, recordar.         dica, dicis, dixi, dictum, dicere
(dizer): abdicar, bendito, dicionrio, ditador, fatdico,
maledicncia         do, das, dedi, datum, dare (dar): data, doao,
editar, perdoar, recndito         doceo, doces, docui, doctum, docere
(ensinar): docente, documento, doutor, doutrina,         duo, duae, duo
(dois): dobro, dual, duelo, duplicata, dvida         duco, ducis, duxi,
ductum, ducere (levar, dirigir): conduto, duque, educao, dtil,
Droduzir, traduo, viaduto.         Deste radical h numerosos
derivados em duzir (a-, con-, de-, intro-, pro-, re-         se., tra-,
etc.). #             eo, is, ivi, itum, ire (ir): comcio, circuito,
itinerrio, transitivo, subir.         191 #         facio, facis, feci,
factum, facere (fazer): afeto, difcil, edificar, facnora, infecto,
malefcio         fero, fers, tuli, latum, ferre (levar, conter):
ablativo, aferir, conferncia, frtil, oferecer,         frango,
frangis, fregi, fractum, frangere (quebrar): frao, frgil, infringir,
naufrgio,         fundo, fundis, fudi, fusum, fundere (derreter):
ftil, funil, refutar, fundir (con-, di-,         in- re. 1 confuso
difuso profuso.         gero, geris, gessi, gestum, gerere (gerar):
beligerncia, exagero, famigerado, gerndio,         jacio, jacis, jeci,
jactum, jacere (lanar): abjecto, jacto, jeito, injeo, sujeito
lac, lactis (leite): lcteo, lactante, lactente, leiteria, laticnio.
lego, legis, legi, lectum, legere (ler): florilgio, legvel, leitura,
lente         loquor, loqueris, locutus sum, loqui (falar): colquio,
eloqncia, locuo, prolquio     mitto, mittis, misi, missum, mittere
(mandar): demitir, emisso, missionrio, remeter,         moveo, moves,
movi, motum, movere (mover): motorista, motriz, demover, comoo,
nascor, nasceris, natus sum, nasci (nascer): natal, nativo, nascituro,
renascimento.         nosco, noscis, novi, notum, noscere (conhecer):
incgnita, noo, notvel     opus, operis (obra): obra, cooperar,
operrio, opereta, opsculo.         patior, pateris, passus sum, pati
(sofrer): compatvel, paciente, paixo, passional, passiv         plico,
plicas, plicavi ou plicui, plicatum ou plictum, plicare     aplicar, ch
ar, cmplice, explicar, implcito, rplica.         (fazer pregas,
dobrar):         Pono, Ponis, Posui, positum, ponere (colocar): aposto,
dispositivo, disponvel, posio         quaero, quaerj . s, quaesvi ou
quaesai, quaesitum, quaerere (procurar): adquirir, inquirir
rego, regis, rexi, rectum, regere (dirigir): correto, reitor, regncia,
regime, reto.         rumpo, rumpis, rupi, ruptum, rumpere (romper):
corrupo, corruptela, roto, ruptura         c ' 1   , sectum, secare
(cortar): bissetriz, inseto, secante, seo, segador,         solvo,
solvis, solvi, solutum, solvere (desunir): absolver, dissoluto,
resolver, soluo,         'p"i" specis, spexi , spectum, specere (ver):
aspecto, espetculo, perspectiva, prospecto,         sto, stas, steti,
statum, stare (estar): estado, distncia, estante, obstculo,
substncia.     sterno, sternis, stravi, stratum, sternere (estender por
cima): consternar, estrada, estra         (I) Fero  defectivo,
apresentando forma do radical de tollo (tuli, latum); assim, no
cognatos aferir e ablativo. Ao primeiro se associam conferncia, frtil,
oferece; ao segundo,     -lado e relaxado Esta observaeo se estende a
qualquer forma latina que ap ntar seme- #         sumo, sumis, sumpsi,
sumptum, sumere (tomar, apoderar-se): assumir, consumir, sumi-
dade, sumrio.     tango, tangis, tetigi, tactum, tangere (tocar):
contagioso, contingncia, tato, contacto,      , atingir.         tendo,
tendis, tetendi, tensum ou tentum, tendere (estender): atender,
distenso, con-         tente        tenso nretenso         teneo,
tenes, tenui, tentum, tenere (ter): contentar, abstinncia, tenaz,
sustentar, tenor,         detento.         torqueo,
torques, torsi, tortum, torquere (torcer): extorso, tortura, extorquir,
tor-       tuoso, distoro.         video, vides, vidi, visum, videre
(ver): evidncia, prvido, vidente, visionrio, previ-       dncia.
volvo, volvis, volvi, volutum, volvere (envolver): devolver, envolto,
revoluo         193 #         A) Noes Gerais         111 - Sintaxe
Que  orao         - Orao  a unidade do discurso.           A
orao encerra a menor unidade de sentido do discurso com pro-
psitos definidos, utilizando os elementos de que a lngua dispe de
acordo com determinados modelos convencionais de estruturao ora-
cional            1       Entoao oracional. - Em portugus, como em
numerosas outras     lnguas, as oraes se caracterizam pela entoao,
isto , pela maneira com     que so proferidas dentro de certa cadncia
meldica. A parte final de     uma orao  sempre marcada por algum dos
tipos de entoao. Depois     da entoao final fazemos em geral uma
pausa de longa ou curta durao,     conforme o que temos em mente
expressar.       Simples vocbulos como joo, Absurdo!, W, Sim,
constituem oraes     completas desde que ocorram entre duas pausas, e
formam unidades de     sentido se ocorrerem entre dois silncios.
Dentro da entoao final podemos estabelecer algumas diferenas
fonmicas, isto quer dizer diferenas que repercutem no sentido que as
oraes encerram:         a) ENTOAO ASSERTIVA: Joo estuda.
Aqui a linha meldica marca uma subida da voz at a parte que     recebe
o acento frsico (cf. pg. 55) e da acusa uma descida at a parte
final. A linha meldica apresenta, portanto, uma parte ascendente e
outra           (1) Fizemos estudos minuciosos da anlise sinttica e de
sua mportIncia na sintaxe em     nosso livro Lies de Portugus pela
Analise Sintltica (4.a ed., 1966), para o qual remetemos     o leitor
estudioso.         194 #         lw~         descendente. A entoao
assertiva, caracterstica da orao declarativa,         simbolizada por
[.] (1).         b) ENTOAO INTERROGATIVA: Joo estuda? Quem veio aqui?
A linha meldica na interrogao s tem a parte ascendente. Distin-
guimos a interrogao geral ou de sim ou no, feita em relao ao
contedo     de toda a orao (Joo estuda ?) da interrogao parcial,
feita em relao     a um termo da orao (Quem veio aqui ?). Na
primeira a resposta se     resume ou se pode resumir em sim ou no e a
parte ascendente da     entoao  mais acentuada; na segunda, a
pergunta  feita, em geral, por     vocbulos especiais de interrogao
e a resposta  dada por vocbulo ou     reunio de vocbulos.
Simbolizamos a entoao da interrogativa geral     com [?] e da
interrogativa parcial com [g]. Percebe-se a diferena de sentido     em
oraes do tipo: Quem viu o filme ? Com a entoao da interrogativa
parcial [?] indaga-se pela pessoa que viu o filme; a entoao da
interro-     gativa geral [] significa " sobre este assunto que se
pergunta ?"         c) ENTOAO EXCLAMATIVA: Joo estuda !           A
linha meldica na exclamao s tem tambm a parte ascendente.     Ela
traduz um enunciado expresso com acentuado predomnio emocional     para
comunicar, acompanhada ou no de mmica, dor, alegria, espanto,
surpresa, clera, splica, entusiasmo, desdm, elogio, gracejo. A
entoao     exclamativa tambm  empregada para exigir a presena ou a
ateno de     algum (Joo 1 Menino ) ou para traduzir ordens e pedidos
(Corra 1         Salte 1). A entoao exclamativa pode combinar-se com
os tipos enuncia-     dos anteriormente. Compare-se a resposta Joo (da
pergunta parcial:     Quem estuda 1) com Joo para chamar ou atrair a
ateno e com Joo ? !         quando a pergunta envolve um sentimento
de surpresa. Simbolizamos a         entoao exclamativa com [11 (2).
d) ENTOAO SUSPENSIVA OU PAUSAM Ele, o irmo mais velho, tomou
conta da fa lia           Consiste a entoao suspensiva ou pausal em
elevar a voz antes da     pausa final dentro da orao. Difere das
entoaes finais pelo fato de     mostrar que o enunciado no termina no
lugar em que, em outras circuns-     tncias, a estrutura oracional.
poderia marcar o fim de unia orao. Sim-     bolizamos a entoao
suspensiva com [J. Note-se o contraste de sentido     pela entoao
distinta que se d ao trecho: O homem que vinha a cavalo     parou
defronte da casa. Se proferimos: O homem , que vinha a cavalo ,
parou defronte da casa, trata-se de um s homem na narrao. Se profe-
rimos: O homem que vinha a cavalo parou defronte da casa (sem
entoao suspensiva), pressupe-se que na narrao h mais de um homem.
(1) Tomamos a lio a BLWMFXZLD, Language, 114-115.         (2) J.
MATOSO CMARA jr., Princpios de Lingstica Geral, 3^ 106.         195
#           A importncia da situao e do contexto. - No intercmbio de
nossos pensamentos desempenham relevante papel a situao e o contexto.
Entende-se por SITUAO o ambiente fsico e social onde se fala;
CONTEXTO  o ambiente lingstico onde se acha a orao(').
Situao e contexto so estmulos decisivos para a melhor aproxima-
o entre falante e ouvinte ou escritor e leitor. Atravs destes
estmulos     falante e ouvinte se identificam numa situao espacial e
temporal, e a     atividade lingstica atinge seu objetivo com um
simples vocbulo ou     fragmento de orao.           Constituio das
oraes. - A orao pode ser constituda por uma     seqncia de
vocbulos ou por um s vocbulo:                    a) Joo estuda
b) Passeamos                    C) Sim. Joo                    d) Fogo!
Parada de nibus           No primeiro caso temos uma orao que
encerra- nos seus limites os     dois termos essenciais de que se
compe: sujeito: - ou o ser de quem se     declara alguma coisa - e a
predicado - aquilo que se declara na orao.       O segundo exemplo nos
evidencia que no  necessria a represen-     tao do sujeito por
vocbulo especial, uma vez que pode ser depreen-     dido da desinncia
do verbo -mos : ns passeamos.       No terceiro caso, temos uma orao
cujo enunciado se relaciona com     um contexto exterior, sem o que
seriam simplesmente absurdos, Expli-     cam-se, por exemplo, como
resposta s perguntas Voc passeou ? e Quem     veio aqui?       No
quarto caso temos oraes cujo enunciado se relaciona com situa-     o
em que se acha o falante, e assim, contm um elemento extralrt-
gstico; fora desta situao os enunciados tambm seriam absurdos.
A lngua portuguesa conhece todas as constituies de oraes acima
indicadas. As constituies favoritas da estrutura oracional em
portugus     apresentam a seqncia de sujeito e predicado, podendo o
primeiro vir     includo na desinncia verbal (tipo: passeamos).
Chamam-se construes menores as do caso c) e d).           (1) SOUSA DA
SILVEIRA (Obras de Casimira de Abreu, 2.a ed., 188), comentando a
substi-     tuio de um Quando? (s interrogativo) por um Quando11
(Interrogativo-exclamativo), diz:     "Fizeram mal, entre outros
motivos, porque prejudicaram um pouco a beleza desta poesia, que     
um mimo. Nas trs primeiras estrofes a moa responde afirmativamente s
perguntas do     poeta; mas na quarta, em que ele comea a tornar-se
indiscreto, ela replica-lhe com um "ora 1"     numa espcie de muxoxo,
como a mand-lo calar-se. Ele, porm, continua, e com maior indis-
crio. Ento ela, fazendo-se alheia ao casa, Mponde-lhe com uma
pergunta, acompanhada de     espanto e com suspenso da frase, o que
tudo explica a mltipla pontuao da edio de 1859,     isto , o ponto
de interrogao, o de exclamao e os de reticncia. "Quando?" equivale
sim-     plesmente a "quando foi isso?, ao passo que "Quando? I..." quer
dizer, mais ou menos:     "Quando foi toda essa histria que desconheo,
e at me espanta que voc me pergunte     semelhante coisa ?"
196 #           Estruturao sinttica: objeto da sintaxe. - Ao elaborar
oraes     conta o falante com a liberdade de escolher os vocbulos;
mas no pode     criar a estrutura em que eles se combinam na
comunicao de suas idias.     As'estruturas oracionais obedecem a
certos modelos formais que podem     no ser coincidentes de uma lngua
para outra e que constituem os padres         estruturais         As
estruturas oracionais ou construes sintticas apresentam seus
rocessos caractersticos u,- so*         a) associao dos vocbulos de
acordo com a sua funo sinttica;     b) concordncia dos vocbulos de
acordo com certos princpios fixa-         dos na lngua;         c)
ordem dos vocbulos de acordo com sua funo sinttica.           Assim
na orao Os bons alunos do alegria aos pais temos os bons     alunos
exercendo a funo de sujeito (de acordo com a), o que lhe     garante,
como posio normal, o lugar inicial no contexto (de acordo     com c)
e, por ser constitudo por um ncleo masculino e no plural     (alunos),
determina que nesse nmero e genero estejam seus adjuntos     (os e
bons) e no plural o verbo da orao (do), estando os d,ois ltimos
casos de acordo com o b).           A sintaxe  o estudo dos padres
estruturais de uma lngua determi-     nados pelas relaes recprocas
na orao e das oraes no discurso. Pode     ainda ocupar-se a sintaxe
do emprego dos vocbulos. NGB divide a sintaxe         e :         a) de
concorddncia       nominal                ~ verbal         b) de
regncia      nominal                ~  verbA         c) de colocao
No presente livro adotaremos o seguinte esquema ara o estudo da
sintaxe portuguesa:         SINTAXE '         1) das ORAES
estuda as relaes rec-      simples     procas *e o emprego das
compostas     oraes no discurso 1         2) dos vocABuLos
estuda as relaes rec-     procas e o emprego dos     vocbulos
considerados     como partes das ora-     es         197         a)
substantivo     b) adjetivo     C) numeral #         d) pronome     e)
artigo     f) verbo     g) advrbio     h) preposio     i) conjuno #
A orao na lngua falada e na lngua escrita. - A orao na lngua
falada conta com numerosos recursos para alcanar seu objetivo de uni-
dade de comunicao. Entram em seu auxlio no s elementos lings-
ticos de que dispe o idioma, mas ainda os recursos extralingsticos
elocucionai (os sons inarticulados como o muxoxo, o riso, o suspiro) ou
no-elocucionais (isto ,  margem da lngua, como a mmica).       Na
lngua escrita entram em jogo outros fatores. Em primeiro lugar'
desaparece o recurso da entoao que, como diz Matoso Cmara, "tem de
ser deduzida do texto pelo leitor (no qual se transforma o ouvinte),
mediante uma tcnica especial, que  a arte da leitura. Em segundo
lugar,     esse leitor encontra-se, ao contrrio do ouvinte no
intercmbio falado,     muito distante no tempo e no espao, e no  em
regra um indivduo     determinado e conhecido pelo EscRiToR (em que se
transformou o falante).     Finalmente, no envolve ao discurso uma
situao concreta e bem     definida" (1).           Sintaxe e estilo:
necessidade sinttica e possibilidade estilstica. -      importante
distinguir uma necessidade sinttica, ditada pelas relaes
recprocas dos vocbulos na orao, da possibilidade estilistica que
permite     ao falante ou escritor uma escolha dentre dois ou mais
elementos de ex-     presso que a lngua lhe oferece, para atingir
melhor expressividade.       Esta escolha pessoal tira  orao seu mero
valor representativo para     transform-la num "apelo  atividade e
comunho social, ou, ento, libe-     rao psquica" (2). Samos,
assim, do terreno da sintaxe e entramos no     domnio do estilo.
Pode-se definir estilo como "um conjunto de processos que fazem da
lngua representativa um meio de exteriorizao psquica e apelo" (3),
isto     , estabelece o contraste entre o intelectivo e o emocional,
mais do que     o contraste entre o coletivo e o individual (cf. pg.
347).           Tipos de orao. - A orao pode encerrar:     a)a
declarao do que observamos ou pensamos (orao declarativa com
entoao assertiva):                     o dia est agradvel
Amanha iremos  praia                     Joo ainda no chegou.     b)a
pergunta sobre o que desejamos saber (orao interrogativa com
entoao interrogativa) -                     o dia est agradvel?
Quem sair hoje?         (1) J. MATOSO Cm~ jr., Princpios de
Lingstica Geral, 3, 200.     (2) J. MAToso CAmAaA jr., ibid., 204.
(3) Imu, curso na cA&c.         198 #         r-         I     c)a
ordem, a splica, o preceito, o desejo, o pedido para que algo
acontea ou deixe de acontecer (orao imperativa com entoao
exclamativa):         S Jorte.     Venha aquil         Bons ventos o
levem         Queira Deus 1         d)
o nosso estado emotivo de dor, alegria, espanto, surpresa, elogio,
desdm Ioraro exclamativa com entoa o exclamativaN:         Que susto
levei 1     Que lindo dia 1     Como chove 1           OBSERVAO: Como
vimos, a orao exclamativa pode combinar-se com os tipos     anteriores
para indicar um predomnio emocional com que elo enunciadas. Da poder
aparecer o ponto de interro o sq ido do de exclamao:         Eles
vo ficar zana2dos ?         As oraes exclamativas so normalmente
introduzidas por pronomes         ou advrbios de sentido intensivo
B)              O bert'Odo SiMbles         Chama-se perodo o conjunto
oracional cuja enunciao termina por         silncio ou pausa mais
aprecivel, indicada normalmente na escrita por         nto           O
perodo se diz simples quando constitudo por uma s orao     Nesta
circunstncia, a NGB chama-lhe orao absoluta.         Perodo composto
 aquele que encerra mais de uma orao         C)      Ncleo
panha.         I           D-se o nome de ncleo de uma funo
sinttica  sua expresso prin-     cipal despojada do complemento que
exige ou do adjunto que a acom-         1 - ERMOS ESSE CIAIS A RA
As oraes de estrutura favorita em portugus se compem de dois
termos essenciais: sujeito e predicado.         Sujeito  o termo da
orao que denota a pessoa ou coisa de que         afirmamos ou neiramos
uma ao, estado ou ou idade. #     #           Predicado  tudo o que
se declara na orao, ordinariamente em     referncia ao sujeito.
SUJErro         Marcela     Este carro     O artista     O pai
Virgilia     Pedro e Paulo         PREDICADO         suspirou com
tristeza     no anda?     fora aplaudido     est alegre     era
religiosa     saram (1)           Omisso do sujeito ou do predicado. -
Nem sempre se pede o     aparecimento obrigatrio dos termos da orao
que exprimem o sujeito     ou o predicato: Trabalhamos.       O sujeito
ns est implcito no verbo, indicado pelo morfema -mos,     desinncia
de 1.a pessoa do plural.       O vocbulo Joo (em resposta  pergunta
quem veio aqui 1) constitui     uma orao cujo predicado (veio) se
depreende pelo contexto anterior     constitudo pela pergunta que
ocasionou a resposta Joo.       Chama-se elipse  omisso de um
elemento lingstico. Em trabalha-     mos e Joo, nos exemplos
apontados, dizemos, respectivamente, que o     sujeito e predicado so
elticos ou ocultos.           S~jeito indeterminado. - Sujeito
indeterininado  o que no se     nomeia ou por no se querer ou por no
se saber faz-lo.       A lngua portugesa moderna indetermina o
sujeito de duas maneiras     diferentes:     a)pondo o verbo da orao
(ou o auxiliar, se houver locuo verbal)       na 3.a pessoa do
singular ou, mais freqentemente, do plural, sem       referncia a
pessoa determinada:         Diz                  que eles vo bem (diz =
dizem)     Dizem que eles vo bem     Esto chamando o vizinho
b)empregando o pronome se junto a verbo de modo que a orao       passe
a equivaler a outra que tem por sujeito algum, a gente ou
expresso sinnima:                    Vive-se bem aqui
Precsa-se de bons empregados         (1) Diz-se sujeito simples o
constitudo de um s ncleo: Pedro saiu.     Composto  o constitudo
por        mais de um ncleo, ligado por conjuno:
Pedro e P4UIO MOM.         200         von #         70~_           O
pronome se nesta aplicao sinttica recebe o nome de ndice de
indeterminao do sujeito.      OBSERVAO: Cumpre no confundir sujeito
oculto com sujeito indeterminado.           Oraes sem sujeito. - H
oraes que encerram apenas a declarao     contida no Predicado, sem
que se cogite de atribu-la a nenhum sujeito:                   Chove
Faz calor                   H bons livros na sua biblioteca
Em tais casos dizemos que se trata de oraes sem sujeito e o verbo
que nelas entra se chama impessoal.         Os principais verbos
impessoais. - So:     a)os que denotam fenmeno da Natureza: chover,
trovejar, nevar,       relampejar, anoitecer, fazer (frio, calor) e
semelhantes:     b)o verbo haver nas oraes que denotam ou no
existncia de pessoa       ou coisa.     H livros sobre a mesa
(equivalente a existem livros sobre a mesa).                c) o verbo
ser nas indicaes de tempo como: Era  sobremesa.
Era uma hora e meia.           Na indicao de existncia, como em era
um rei, era um rei e uma     rainha, pode-se considerar o verbo ser como
tendo sujeito (um rei, um rei     e uma rainha) ou como impessoal. A
opinio mais generalizada  a pri-     meira, razo por que o verbo vai
ao plural em eram um rei e uma rainha.     Para o problema da
concordricia neste caso, veja-se a pg. 306.         OBSERVAES:
1.a)  preciso no confundir as oraes de verbo impessoal com as que
encerram     um verbo em cujo contexto no est seu sujeito que se
depreende pelo contexto an-     terior: "Se a regra do professor
Carneiro acerta, errei eu, no tem dvida" (Rui BARBOSA,     Rplica,
331). O sujeito, o pronome isto ou equivalente, refere-se ao fato de a
pessoa     errar. Trata-se apenas de um Sujeito eltico.           2.a)
H mestres que pem ainda entre os impessoais os seguintes verbos:
a) Haver, fazer nas idias de tempo:       H cinco anos. Faz trs dias
que no o vejo (cf. pg. 234).     b) verbo acompanhado do pron. se como
ndice de indeterininao do sujeito:       Vive-se bem aqui. Precisa-se
de bons empregados.           3,a) Na linguagem familiar do Brasil 
freqente o emprego do verbo ter como     impessoal,  maneira de haver:
H bons livros na biblioteca                   Tem bons livros na
biblioteca         201 #           Em tal construo parece ter-se
originado uma mudana na formu-     lao da frase A biblioteca tem bons
livros, auxiliada por vrios outros     casos em que haver e ter tm
aplicaes comuns. A gramtica normativa,     entretanto, pede se evite
este emprego de ter impessoal. Em linguagem     coloquial escritores
modernos j agasalharam esta construo:     "Na Rua Toneleiros tem um
bosque, que se chama, que se chama, solid~" (MANUEL       BANDEIRA,
Poesia e Prosa, lI, 419).                            2 - TIPOS DE
PREDICADO: VERBAL, NOMINAL                            E VERBO-NOMINAL. O
PREDICATIVO         Tipos de predicado. - O predicado declara
a) uma ao que, se referida ao sujeito, o apresenta como agente ou
paciente:         agente           O aluno brinca          { Machado de
Assis escreveu belos livros     paciente Belos livros foram escritos por
Machado de Assis          { Os maus alunos foram castigados         b)
uma qualidade, estado ou condio:         O aluno  brincaffido.
Machado de Assis foi um escritor.     A aluna esteve quieta.     os
circunstantes ficaram atnitos com a cena,     O primo parece adoentado.
Este livro  o meu.           Quando o predicado exprime uma ao que o
sujeito pratica ou sofre,     o verbo constitui o seu elemento
principal. Dai chamar-se verbal a este     tipo de predicado.
Quando o predicado exprime uma qualidade, estado ou condio, o     seu
elemento principal  um nome (adjetivo ou substantivo) que se refere
a outro nome sujeito, podendo ser um ou ambos os termos representados
por pronome. A este tipo de predicado chama-se nominal. O nome que,
no predicado nominal, constitui o elemento principal. se diz
predicativo.         O aluno  brincalhlo.     Sujeito - o aluno
Predcado nominal -  brincaffigo     Predicativo - brincalho. #
Pode ocorrer na declarao a fuso do predicado verbal com o no     m
na, sto , ao a a ao se enunc: a tambm um estado, qualidad(
Nos exemplos dados emincia-se uma ao (assistiram, chegou, nomea-
ram) e um estado, qualidade ou condio que se d concomitante  ao
verbal (alegres, atrasado) ou como conseqncia dela (secretrio d
Este tipo de predicado misto recebe o nome de verbo-nominal.         No
predicado verbo-nominal o edicativo de referir-se -o---ei-
Excepcionalmente o verbo chamar pode pedir predicativo de objeto
OBSERVAO: Ainda assim EPIFANio DiAs. RIREIRO DE VASCONCELOS C MAItTINZ
DE           Verbos de ligao. - Chama-se de ligao o verbo que entra
no     predicado nominal. Seu ofcio  apresentar do sujeito um estado,
quali-         Todos ficaram adoentados.     Maria tomou-se estudiosa.
Elas acabaram cansadas.     Pedro caiu doente.     * cliente fez-se
mdico.     * crislida virou borboleta     * inocente converteu-se em
culpado #         d)                continuidade de estado:         e)
aparncia:         Ns continuamos livres.     Maria permanece
satisfeita.                     mestra parecia zangada (= parecer
estar).                 roupa parece velha (= parecer ser).
OBSERVAES SOBRE PREDicATivo: No raro a funo predicativa pode ser
exercida     por expresses formadas da preposio de + substantivo ou
pronome, como acontece     nos seguintes casos(l):     a) Ele  dos
nossos amigos (abreviadamente: ele  dos nossos);  b)Este homem  de
baixa condio, esta mesa  de mdrmore, onde a preposio indica
procedncia ou matria de que uma coisa  feita;  C)Sou de parecer, isto
no  da sua competncia, onde se pode ver uma filiao ao      genitivo
predicativo do latim (aliquid est mei judicii, apud MADVIG-ENFNio,
Gram.      Latina, 281, obs.);  d)Isto no  de ser humano, isto 
muito dele, esta  bem dele, para exprimir "o      que  prprio de
algum ou de alguma coisa". Prende-se ao genitivo latino com      esse:
Cuius vis hominis est errare nullius, nisi insipientis, in errore
perseverare      (CcERo apud MADVIG-ENFNio, Gram. Latina, 282). No
h, portanto, necessidade      de se recorrer a elipses.       NOTA. Em
isto  bem, a par de isto  bom, o advrbio no exerce funo de
predicativo, uma vez que o verbo ser  verbo nocional, e no de ligao.
Representa     a construo latina bene est por bonum est (cf. italiano
 bene, francs c'est bien).         3 - CONSTITUIO DO PREDICADO
VERBAL      (Verbo intransitivo e transitivo. Complementos verbais)
O verbo que constitui o elemento principal do predicado verbal pode
ser intransitivo ou transitivo.           Intransitivo  o verbo que no
precisa de complemento para integrar     o seu sentido, isto , c! verbo
que se basta a si mesmo:         Os homens trabalham.     As
lavadeiras cantam.     *            criana adormeceu.     *
rio desce vagarosamente.           Transitivo  o verbo que necessita de
complemento que integre sua     predicao:                 Os alunos
leram belas poesias.                 Estas censuras no tm grande
valor.                 Falava aos colegas.                 As crianas
obedecem aos Pais.                 Lembrei-me da encomenda.
Queixou-se da chuva.         (1) Cf. MEYzR-LDEKE, Grammaire, 111,
449-450.         204 #           Os verbos transitivos se dividem em
diretos e indiretos. Dizem-se     DIRETOS os que tm complementos no
iniciados por preposio necessria:                 Estas censuras no
tm grande valor.                 Os alunos leram belas poesias.
Transitivos INDIRETOS so os verbos que se acompanham de comple-
mento iniciado por preposio necessria. Se falta a preposio nesses
casos     pode prejudicar-se o sentido ou a correo do contexto:
Falavas aos colegas.                   As crianas obedecem aos Pais.
Lembrei-me da encomenda.                   Queixou-se da chuva.
A classificao do verbo depende da situao em que se acha em-
pregado na orao. Muitos verbos, de acordo com os vrios sentidos que
podem assumir, ora entram no grupo dos verbos de ligao, ora so
intransitivos, ora so transitivos diretos ou indiretos:     Ele passou
a presidente (verbo de ligao).     * caula passou o mais velho
(transitivo direto).     * chuva passoid- (intransitivo).     Maria
passo"s novidades s colegas (transitivo acompanhado de dois
complementos).           Assim no podemos, a rigor, falar em verbos
intransitivos ou transi-     tivos, mas em emprego intransitiVO ou
transitivo dos mesmos verbos.         OBSERVAES :       1.a) Verbos h
que mudam a construo de acordo com o sentido em que     aparecem
empregados: assistir o doente (= socorrer) e assistir ao filme
(presenciar),     querer o livro (= desejar) e querer a algum (=
estimar).       2,a) Verbos h que admitem mais de uma construo sem
que se altere a sua     significao geral: presidir a cerimnia ou
presidir  cerimnia, crer isso ou crer     nisso, consentir isso ou
consentir nisso, ajudar algum ou ajudar a algum, servir     algum ou
servir a algum.           Espcies de complementos verbais. - Os
complementos dos verbos     transitivos diretos recebem o nome de objeto
direto (isto , complemento     no encabeado por preposio
necessria):         Os alunos leram belas poesias.         Sujeito: os
alunos     Predicado verbal: leram belas poesias     Objeto direto:
belas poesias.           Em lugar do nome que funciona como objeto
direto se podem usar     os pronomes oblquos: o, a, os, as:
Os alunos leram-nas                    Estas censuras no o tm
205 #           Os complementos dos verbos transitivos indiretos recebem
o nome     de objeto indireto (isto , complemento encabeado por
preposio     necessria):         Falavas aos colegas,     As crianas
obedecem aos pais.     Lembrei-me da encomenda,     Queixou-se da chuva.
Falavas aos colegas     Sujeito: tu (oculto)     Predicado verbal:
falavas aos colegas     Objeto indireto: aos colegas           Em lugar
do nome, geralmente precedido das preposies a ou para,     que
funciona como objeto indireto, se podem usar muitas vezes os pro-
nomes oblquos lhe, lhes:                    Falavas-lhes.
As crianas jhes obedecem.           Este  o nico caso em que o objeto
indireto nunca vem encabeado     por preposio.           OBSERVAO:
A NGB, a bem da simplicidade, rene sob a denominao     nica de
objeto indireto complementos verbais preposicionados de nature7as bem
diversas: o objeto indireto propriamente dito, em geral encabeado pelas
preposies     a ou para (escrevi aos pais), o complemento partitivo,
em geral encabeado pela     preposio de (lembrar-se de alguma coisa)
e o complemento de relao, tambm     encabeado, em geral, pela
preposio de (ameaar algum de alguma coisa). Isto     nos leva a
compreender a presena de dois objetos indiretos numa mesma orao
como:         Queixa-se dos maus tratos ao diretor (1)         exprime:
a)- a pessoa ou coisa que recebe a ao verbal:                   o
soldado prendeu o ladro         Sentidos do objeto direto. - Quanto ao
sentido, o objeto direto         b)              o produto da ao:
o poeta comps um belissimo soneto     c)a pessoa ou coisa para onde se
dirige um sentimento, sem que o objeto       seja forosamente afetado
pelo dito sentimento:                Otelo ama a Iago, e lago odeia a
Otelo(2)           (1) Autores h que consideram objeto indireto apenas
o complemento que pode ser repre-     sentado por lho; aos outros
precedidos de preposio, complemento* de verbos, chamam com-
plemento relativo. Cf. RocHA UmA, Gramtica Normativa.     (2) M. SAm
ALI, Gr4MdtiCa HistriCa, 1, 183.         2W #         d)
com os verbos de movimento, o espao percorrido ou o objetivo final:
("4ndei longes terras" - G. DiAs -, atravessar o rio, correr os lugares
sacros,     subir a escada, descer a montanha, navegar rio abaixo, etc.)
ou o tempo decorrido     (viver bons momentos, passar o dia no campo,
dormir a noite inteira, etc.).           Sentidos do objeto indireto. -
O objeto indireto pode expri     a) a pessoa ou coisa que recebe a ao
verbal.                          Escrever aos pais         b)
a pessoa ou coisa em cujo proveito ou prejuzo se pratica a ao:
Trabalha para o bem'geral da famlia      c)a pessoa ou coisa que,
vivamente interessada na ao expressa pelo      verbo, procura captar
simpatia ou benevolncia de outrem (dativo      tico):
Prendam-me esse homem     No me venham com essas histrias         d)
a pessoa possuidora:                 Conheci-lhe o pai (lhe: objeto
indireto de posse)             Tomou o pulso ao doente         e)
a pessoa a quem pertence uma opinio (o que pode ocorrer com os
verbos de ligao):           Para ns ele est errado (para ns: objeto
indireto de opinio)                             Antnio pareceu-me
tristonho           OBsERvAo: Poder-se-ia ainda acrescentar a classe
dos verbos transitivos adver-     biados que pedem como complemento uma
expresso adverbial como: Irei  cidade     ou voltei do trabalho. A NGB
no agasalhou, entretanto, este tipo de complemento,     considerando-o,
como veremos adiante, mero adjunto adverbial.           A preposio
como posvrbio. - Muitas vezes aparece depois de     certos verbos uma
preposio que mais serve para lhes acrescentar um novo     matiz de
sentido do que reger o complemento desses mesmos verbos:
Arrancar a espada       Arrancar da espada (acentua a idia de uso do
objeto e a retirada total da     bainha ou cinta).
Cumprir o dever         Cumprir com o dever (acentua a idia de zelo ou
boa vontade para executar algo).                        Fiz que ele
viesse     Fiz                                         com que ele
viesse (acentua a ideia do esforo ou dedicao empregada).         207
#         I            preposio que se emprega nestes casos deu-lhe o
Prof. Antenor     Nascentes o nome de posvrbio (1).
OBSERVAO: Em Perguntar por algum a preposio  um posvrbio
denotando     curiosidade, interesse (A. Nascentes).           Objeto
direto preposicionado. - No raro o objeto aparece iniciado     de
preposio:         Amar a Deus sobre todas as coisas           A
preposio quase sempre aparece para evidenciar o contraste entre     o
sujeito e o complemento, no se confundindo com o caso do posvrbio,
por este repercute na significao do verbo. Ocorre o objeto direto pre-
posicionado nos seguintes principais casos:     a) quando se trata de
pronome oblquo tnico (uso hoje obrigatrio):            "Nem ele
entende a ns, nem ns a ele" (CAMES, Os Lusadas, V, 28).
b)quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou
manifestaes de sentimento, se deseja encarecer a pessoa ou ser per-
sonificado a quem a ao verbal se dirige ou aproveita:
Amar a Deus sobre todas as coisas                  Consolou aos amigos
c)quando se deseja evitar confuso de sentido, principalmente quando
ocorre:           1)                                        invero (o
objeto direto vem antes do sujeito): A Abel matou Caim.    2)comparao:
"Isto causou estranheza e cuidados ao amorvel Sarmento, que
prezava Calisto como a filho" (CAMILO, Queda de um Anjo, 80, ed. Pedro,
Pinto).           OBsERvAo: Sem preposio poder-se-ia interpretar
filho como sujeito: como     filho preza.         d)
na expresso de reciprocidade: um ao outro, uns aos outros:
Conhecem-se uns aos outros         e)                       com os
pronome relativo quem :                      Conheci a pessoa a quem
admiras      f)nas construes paralelas com pronomes oblquos (tonos
ou tnicos)      do tipo:          `Mas engana-se contando com os falsos
que nos cercam. Conheo-os, e aos leais"     (A. HERCULANO, O Bobo,
102).         (1) A. NASCENTES, O Problema da Regncia, 17.         208
#     g)nas construes de objeto direto pleonstico, sem que constitua
norma       obrigatria:           "Ao ingrato, ou no o sirvo, porque
(para que) me no magoe" (R. LOBO,     Ant. Nacional, 278).
Objeto direto interno. - Chama-se objeto direto interno ao comple-
niento que, acompanhado de uma expresso qualificativa, serve para
repetir a idia contida no verbo, que  geralmente intransitivo:
"Morrer morte infame de peo criminoso" (A. HERCULANO, O Bobo, 248).
O complemento pode no ser do mesmo radical do verbo, mas h de
pertencer  mesma esfera de significao:                  "lidei cruas
guerras" (G. DIAS, I-Juca-Pirama).              Dormir o sono da
eternidade              Chorar lgrimas de crocodilo
Concorrncia de complementos diferentes. - Um verbo transitivo     pode
acompanhar-se de dois objetos, podendo da surgir as trs seguintes
principais possibilidades:         1)
objeto indireto de pessoa (com a ou para) e objeto direto de coisa:
"Eu sou aquele a quem padre Antnio de Azevedo ensinou princpios de
solfa,     e as declinaes da arte francesa" (CAMILO, O Bem e o Mal,
37, ed. M. Casassanta).           Pertencem a este, entre outros, os
seguintes verbos:         aconselhar, agradecer, ludir, anunciar,
assegurar, atribuir, avisar, ceder, conceder,     confiar, consentir,
dar, declarar, dedicar, dever, dizer, doar, encobrir, entregar,
explicar,     expor, extorquir, fiar, furtar, impedir, imputar,
informar, ministrar, mostrar, negar,     ocultar, oferecer, ordenar,
pagar, pedir, perdoar, perguntar, permitir, preferir, proibir,
prometer, propor, requisitar, responder, revelar, rogar, roubar,
sacrificar (dar em sa-     crifcio), subtrair, sugerir, tirar, tomar,
tributar.         e os que exprimem percepo dos nossos sentidos ou do
esprito, como     ver, ouvir, conhecer, etc.:                  Ouviu-o
a um parente prximo.     2)objeto direto de pessoa e um complemento de
relao (a que a NGB       chama objeto indireto):           "D. Miguel
de Almeida e D. Anto de Almada, informando-o de tudo, pediram-lhe     a
sua cooperao". (R. DA SILVA, Histria de Portugal, IV, 127).
Pertencem a este grupo os seguintes principais verbos:
aconselhar, acusar,                           ameaar, avisar, bendizer,
certificar, convencer, culpar, desculpar,               informar,
louvar, maldizer, persuadir, prevenir.         209 #         3) objeto
indireto de pessoa (com a ou para) e complemento de relao       (a que
a NGB chama objeto indireto):           Queixou-se dos maus tratos
(complemento de relao) ao diretor (obj. indireto).       Desculpou-se
do ocorrido aos (ou com os) amigos.         OBSERVAES :       1.a)
Alguns verbos podem admitir duas ou mais construoes sem que se altere
fundamentalmente a sua significao geral: ensinar alguma coisa a algum
ou ensinar     algum a fazer alguma coisa; avisar alguma coisa a algum
ou avisar algum de     alguma coisa; aconselhar alguma coisa a algum
ou aconselhar algum a fazer alguma     coisa; informar alguma coisa a
algum ou informar algum de alguma coisa; per-     guntar alguma coisa
a algum ou perguntar algum sobre alguma coisa.       2.a) Em virtude
do cruzamento de diferentes construes podem aparecer dois     objetos
diretos (hoje raramente) ou indiretos: rogar algum que faa alguma
coisa,     ensinar a algum a ler, lembrar a algum de alguma coisa,
esquecer a algum de     alguma coisa, etc.         4         -
COMPLEMENTOS NOMINAIS           No apenas verbos, mas substantivos e
adjetivos podem necessitar de     complementos:         a) Substantivos:
b) Adjetivos:         O jovem demonstrava inclinao pela cincia.
Nossa prima tinha desconfiana de tudo.      digno de louvor o amor 
ptria.         Os conhecimentos so teis a todos.     Essas palavras
eram imprprias ao local.     Os meninos estavam desejosos de vitria.
Tais termos da orao recebem o nome de complementos nominais     e
designam a pessoa ou coisa como o eto da ao ou sentimento que os
substantivos ou a etivos significam.           OBsERvAXo: Incluem-se
entre os complementos nominais os que servem de     completar os
advrbios de base nominal:       Referentemente ao assunto, tudo vai
bem.         5 - ADJUNTO: SEUS TIPOS           Adjunto: seus tipos. - 
um termo oracional de natureza acessria     que especifica ou individua
um nome ou pronome ou exprime uma cir-     cunstncia adverbial.
Dividem-se, portanto, os adjuntos em adnominais e     adverbiais.
210 #         I           Adjunto adriominal. -  uma expresso que
especifica ou individua     um nome ou pronome:       "A inexperincia
da mocidade ocasiona a sua originalidade" (Marqus de MARIC
Adjuntos adnominais de inexperincia (termo fundamental ou ncleo     do
sujeito): a e da mocidade.       Adjuntos adnominais de originalidade
(termo fundamental ou ncleo     do objeto direto): a e sua.       O
adjunto adnominal  expresso por:     a) adjetivo ou locuo adjetiva:
Homem ajuizado                       Homem de juizo
Homem sem juzo       "A vida humana sem religido  viagem sem roteiro"
(Marqus de MARIC).         b)              pronomes adjuntos:
Meu livro                 Este caderno                 Nenhum erro
Cada semana                 O homem cujos defeitos conheo...
Que coisa fizeste?'         c)                     artigo (definido ou
indefinido):         d)      numeral         O livro     Um livro
Dois dias     Primeira fila      e)locues adjetivas que exprimem, alm
de qualidade (como no item      a), posse e especificao:
Inexperincia da mocidade                    lbum de retratos
OBsERvAXo: s vezes, principalmente depois de expresses de sentimentos
(como     bom, triste, feliz, infeliz, coitado, etc.), o adjunto
adnominal se liga ao substantivo     por meio da preposio de.- "A
aldeia em que o bom do clrigo pastoreava o seu     rebaiiiio..." (A.
HERCULANo, Lendas e Narrativas, 11, 115).           Adjunto adverbial. -
 uma expresso que denota uma circunstncia     adverbial em referncia
ao verbo, adjetivo ou outro advrbio:      "Os abusos, como os dentes,
nunca se arrancam sem dores" (M. MAIUc, Mximas).      "O luxo, como o
fogo, devora tudo e perece de faminta" (IDEm).         211     _
"As pessoas mais devotas so de ordinrio as menos religiosas" (IDEm).
" necessrio subir muito alto para bem descortinar as iluses e
angstias da     ambio, poder e soberania" (IDEm).     Nunca: adjunto
adverbial de tempo, em referncia ao verbo arrancar.     Sem dores.-
adj. adv. de modo, em referncia ao verbo arrancar.     De faminto :
adj. adv. de causa, em referncia ao verbo perecer.     Mais : adj. adv.
de intensidade, em referncia ao adjetivo devotas.     Menos : adj. adv.
de intensidade, em referncia ao adjetivo religiosas.     De ordinrio :
adj. adv. de tempo, em referncia ao verbo ser.     Alto : adj. adv. de
modo, em referncia ao verbo subir.     Muito : adj. adv. de
intensidade, em referncia ao advrbio alto.     Bem: -adj. adv. de
modo, em referncia ao verbo descortinar.           O adjunto adverbial
 expresso     a) advrbio:         b) locuo adverbial:         Nunca
se arrancam     As pessoas mais devotas     Subir muito alto
Arrancam-se sem dores     So de ordinrio           OBSERVAO: Em
construo do tipo perece de faminto, onde a preposio pre-     ctile
ao adjetivo, houve na realidade omisso de um verbo de ligao (ser,
estar,     ficar, etc): perecer de ficar faminto.           As
principais circunstncias adverbiais j foram assinaladas na mor-
fologia, no captulo do advrbio. '1           Advrbios de base nominal
ou pronominal. - Os advrbios de base     nominal podem desempenhar na
orao papis sintticos prprios de     nomes e pronomes. Assim hoje
(que se prende ao substantivo dia) apa-     rece nitidamente como
sujeito em:                      Hoje  segunda-feira           Aqui, de
base pronominal, com o valor de este,lugar, funciona como     sujeito
em:         Aqui  timo para a sade.          OBSERVAO FINAL: j
lembramos, na pg, 207, que deveramos distinguir os     advrbios que
funcionam como complemento dos que funcionam como adjunto, porque
aqueles so essenciais e estes acidentais  estruturao oracional. Em
Ir a Silo Paulo     ou Voltar do trabalho, as circunstncias adverbiais
elo necessrias  prediCao do     verbo e melhor se classificariam
como complementos adverbiais. E o fato mais se     alicera quando se
comparam estes exemplos com A ida a Sgo Paulo ou A volta do
trabalho, em que a So Paulo e do trabalho so complementos nominais. A
NGB,     talvez presa ao sentido, no levou em conta o papel sinttico
das expresses adverbiais     nos exemplos aludidos. Para ela, em ambos
os casos h adjuntos adverbiais.         212 #         6 - AGENTE DA
PASSIVA           Agente da passiva. - Na voz passiva o termo que
exprime queir     pratica a ao sobre o sujeito se diz, em sintaxe,
agente da passiva (cf.     pg. 104), iniciado pelas preposies de e
per (por):       * livro foi escrito pelos alunos.       * notcia foi
sabida de todos.           j assinalamos que s a passiva analtica
comporta o aparecimento do     agente da passiva.       O agente da
passiva, de natureza adverbial, corresponde, na voz ativa,     ao
sujeito:       O livro foi escrito pelos alunos.       Os alunos
escreveram o livro.         7 - APOSTO: SEUS TIPOS           Aposto. - 
um termo oracional de natureza substantiva ou prono-     minal que se
refere a uma expresso de natureza substantiva ou prono-     minal para
melhor explic-la, ou para servir-lhe de equivalente, resumo     ou
identificao:             4           "Agora nenhum rei est aqui, mas
sim o Mestre de Avis, vosso antigo capitio"     (A. HERCULANo, Lendas e
Narrativas, 1, 266).           Marca-se uma equivalncia mais explcita
entre o atual Mestre de     Avis e o vosso antigo capito (aposto
explicativo).           Serve ainda o oposto para:     a) enumerar
(aposto enumerativo):       "Duas cousas se no perdoam entre os
partidos polticos: a neutralidade e a apos-     tasia" (M. de MARic,
MUimas).            Nada impedia seus planos: tristezas, dores,
dificuldades.           O aposto explicativo e o enumerativo podem vir
encabeados pelas     expresses a saber, por exemplo, isto , verbi
gratia (abreviatura v.g., por     exemplo), convm a saber (ou a saber):
Duas coisas o incomodavam, a saber: o barulho da rua e o frio intenso.
b) recapitular (aposto recapitulativo):            Tristezas, dores,
dificuldades, nada impedia seus planos.           O aposto
recapitulativo  normalmente representado por um nome     indefinido
como tudo, nada, ningum, qualquer, etc.         21) #         c)
marcar uma distribuio (aposto distributivo):           Eram dois bons
alunos, um em matemtica e o outro em portugus.       Machado de Assis
e Gonalves Dias so os meus escritores preferidos, aquele     prosa e
este na poesia.     d)marcar uma especificao (aposto especificativo),
onde a um nome       prprio se junta um nome comum que indica a espcie
a que aquele       pertence:         Rio Amazonas     Montes Pireneus
O poeta Castro Alves     Tecidos Aurora     Lojas Paulistas
Cervejaria Brahma           O aposto especificativo pode ligar-se ao
nome a que se     da preposio de:         Praa da Repblica     Serra
da Mantiqueira     o nome de ptria     A cidade de Lisboa
refere atravs           Como bem lembra Epifnio Dias, "da
arbitrariedade do uso  que     depende o empregar-se em uns casos de
definitivo, em outros a aposio.     Diz-se por exemplo: o nome de
Augusto, mas, a palavra Augusto; a cidade     de Lisboa, mas: o rio
Teio" (1).           OBSERVAO: Muitos autores no consideram como
aposto a expresso encabe-     ada por preposio, como nos exemplos
indicados, dando-a como adjunto adnominal.     Ambas as anlises so
aceitveis, mas nos inclinamos para a aposio.           Aposto em
referncia a uma orao inteira. - O aposto no se refere     apenas a
um termo de uma orao, mas ao conjunto de idias expressas     numa
orao inteira:                Ele falou em altas vozes, sinal do seu
descontentamento.           De ordinrio usa-se como aposto de uma
orao inteira o pronome     demonstrativo o ou um substantivo como
coisa, motivo, fato, acompanhado     de uma expresso modificadora:
Todos resolveram silenciar, o que muito me contrariou.
Passeamos muito, coisa que nos deixou exaustos.            Conseguimos a
primeira colocao, fato digno de aplauso.         (1) Grarndtica
Portuguesa Elementar, 5 154, obs. 1.a         214 #         Aposto
circunstancial. ~ Chama-se aposto circunstancial aquele que
designa "o tempo, hiptese, concesso, causa, comparao, ou debaixo de
que respeito  considerada a pessoa ou coasa" (1), na poca da ao
O aposto circunstancial vem imediatamente preso ao nome a que per
tence ou r meio de uma preposio ou expresso de valor adverbial
"Aos quinze ou dezesseis anos casou com um alfaiate que morreu algum
tempo     depois, deixando-lhe uma filha. Viva e moa, ficaram a seu
cargo a filha, co     dois anos, a me, cansada de trabalhar" (M. DE
-Assis, Memrias Pstumas, 200).
r ,     no se trata de preposio essencial, muitos preferem ver
oraes de estruturas     reduzidas subentendendo o que lhes falta:
quando era presidente, nunca fugiu aos           ,Nssim se denomina o
termo da orao atravs do qual chamamo     pomos em evidncia o ser a
que nos dirigimos:         As alegrias duram pouco, meu bom irm4o
Montanhas, vede que belo amanheceri         O vocativo pode vir
precedido de interjeio (normalmente ) e se         caracteriza sempre
pela entoao exclamativa:           Para maior nfase da pessoa a quem
nos dirigimos usamos do vocativo     senhor (senhora), depois de uma
afirmao ou negao. Note-se que no     h pausa entre o advrbio e o
vocativo (ainda que haja vrgula) 'se o #         D) O perodo composto
1 - ORAES INDEPENDENTES          E DEPENDENTES           Quanto s
suas relaes sintticas dentro do perodo composto, as     oraes
podem ser independentes e dependentes.           Orao independente 
aquela que no exerce funo sinttica de     outra a que se liga:
Preparamo-nos para a viagem e partimos.         O perodo  composto
porque encerra duas oraes:               1.a) Preparamo-nos para a
viagem               2.a) e partimos.           Tais oraes se dizem
independentes porque uma no exerce funao     sinttica de outra; ambas
renem em si todas as funes de que necessitam     para se constiturem
por si ss unidades do discurso.           Orao dependente  aquela
que exerce funo sinttica de outra     e vale por um substantivo,
adjetivo ou advrbio. A dependente  um     termo sinttico que tem a
forma de orao.                  bom que tomemos as precaues.
Antnio deseja que compareas  festa.                  Brasil Precisa
de que o amemos.                  livro que comprei  importante.
Saiu cedo porque o servio era muito.           Em todos os exemplos
acima temos perodos compostos com duas     oraes onde a 2.a 
dependente da 1.a porque exerce uma funo sin-     ttica desta:
que tomemos as precaues  sujeito de  bom;     que compareas  festa
 objeto direto de Antnio deseja;     de que o amemos  objeto indireto
de O Brasil Precisa;     que comprei  adjunto adnominai de livro, que
pertence  orao o livro  importante;     porque o servio era muito 
adjunto adverbial de causa de saiu cedo.         2 - ORAI~XO PRINCIPAL
Chama-se orao principal aquela que pede uma dependente. Nos
aludidos trechos so oraes principais:        bom; Antnio deseja; O
Brasil Precisa; O livro  importante; saiu cedo.         216 #
Nem sempre a orao principal vem antes de sua dependente:
Porque o servio era muito, saiu cedo.           Mais de uma orao
principal. - Num perodo pode haver mais de     uma orao principal:
No sei se Jos disse que eu empresara o livro.           A 1.a orao
no sei  principal em relao  2.a se Jos disse, porque     esta 
seu objeto direto. Por sua vez a 2.a orao  principal em relao     
3.a que eu emprestara o livro, que funciona como seu objeto direto.
Assim sendo, a 2.21 orao se nos apresenta sob duplo aspecto sinttico:
dependente em relao  1.a e principal em relao  3.a       No
havendo denominao especial para estes casos, poderemos dizer
principal de 1.a categoria (ou grau), de 2.a categoria (ou grau), etc.
(1).           Orao principal no  a 1.a orao. - j assinalamos que
a orao     principal pode vir depois de sua dependente:
Porque o sei-vio era muito, saiu cedo.         No perodo:         Saiu
cedo, mas voltou tarde porque choveu         as duas primeiras oraes
(saiu cedo e mas voltou tarde) so independen-     tes entre si, mas a
2.a se nos apresenta sob duplo aspecto sinttico:      independente em
relao  1.a e principal em relao  3.a, porque esta      o seu
adjunto adverbial de causa (note-se que a chuva foi a causa de voltar
tarde, e no de sair cedo).           Orao principal nem sempre  a de
sentido principal. - A orao     principal  determinada pela relao
sinttica da orao dentro do pe-     rodo, no importando se o sentido
que encerra  ou no aquele de que     dependem as outras oraes.
No perodo:         Se no chover, chegarei cedo         a orao
chegarei cedo  principal e se no chover  dependente porque     esta
exerce a funo de adjunto adverbial de condio daquela. Se o nosso
ponto de referncia deixasse de ser a relao sinttica (objeto de
estudo     da sintaxe) para ser o sentido, a orao se no chover
passaria a ser     aquela de que dependeria a declarao chegarei cedo.
Isto nos patenteia que a determinao da oraao principal no
envolve a preocupao de apontar o sentido principal. Orao principal
(1) A expresso 1.a categoria j ocorre eni FAUSTO BARRETO (Antologia
Nacional, intro-     duo) desde 1887.         217 #         no  a
que encerra o sentido principal, mas a que tem um dos seus     termos
sob forma de orao.           Tipos de oraes independentes. - H dois
tipos de oraes inde-     pendentes: as coordenadas e as intercaladas.
SO COORDENADAs as oraes independentes que formam uma sequn_     cia,
relacionadas pelo sentido:              Passavam os soldados e
agitavam-se as bandeiras.              Correu, mas no chegou a tempo.
SO INTERCAL~ as oraes independentes que, no pertencendo     
seqncia, a aparecem como elemento adicional que o falante julga
ser esclarecedor:          Machado de Assis - este escritor  um dos
mais importantes de nossa literatura     - era de origem humilde.
Meu pai - Deus o guarde - mostrou-me o caminho do bem.           As
oraes intercaladas este escritor  um dos mais importantes de
nossa literatura e Deus o guarde so meros acrscimos que o falante
houve     por bem juntar; na realidade, s importava dizer Machado de
Assim era     de origem humilde e meu pai mostrou-me o caminho do bem.
As oraes dependentes so subordinadas. - As oraes dependentes     se
dizem subordinadas porque, exercendo uma funo sinttica da prin-
cipal, so uma pertena desta na seqncia oracional.
Coordenao. - Chama-se coordenao a seqncia de oraes em     que
uma no exerce funo sinttica da outra.       A coordenao pode ser
feita no s entre as oraes independentes     (coordenadas e
intercaladas) mas ainda entre as dependentes (subordi-     nadas) que
no exercem funo sinttica entre si:                  Ouve e obedece
aos teus superiores                       que estudes
Espero   e                      { que venas na vida           No
primeiro exemplo h duas oraes independentes que se coorde-     nam;
no segundo, encontra-se uma principal (espero) que tem como     obI .
eto direto as oraes dependentes que estudes e que venas na vida.
Como se trata de oraes que no exercem funo sinttica entre si,
podem-se coordenar.       Ocorre a coordenao entre oraes
subordinadas quando estas exer-     cem a mesma funo sinttica de uma
principal.           OBURVAIO: A maioria dos tratadistas tem colocado
em pontos opostos coorde-     nado e subordinao, mas um exame detido
nos patenteia que a oposio que se         218 #         deve
estabelecer no  entre oraes coordenadas e subordinadas, mas entre
oraes     independentes e dependentes. A coordenao  um processo de
estruturao de     oraes do mesmo valor sinttico, quer sejam
independentes (onde a equivalncia      permanente) ou dependentes
(onde a equivalncia se d quando exercem idntica     funo
sinttica). Infelizmente a NGB, embora reconhecendo que "coordenadas
entre     si podem estar quer principais, quer independentes, quer
subordinadas% no rompeu         de uma vez Dor todas com a tradicional
oposio que aqui pomos de lado.         Subordinao. - Chama-se
subordinao  seqncia de oraes em         Na seqncia
subordinativa uma orao dependente pode ser termo         A ora o se
todos disseram  de endente da principal sei ( seu
o brin-         objeto direto) e principal de 2.a categoria de que no
queria         quedo (objeto direto do verbo disseram).
Classificao das oraes quanto  ligao entre si. - Alm da clas-
sificao das ora~s quanto s relaes em que se acham dentro do
perodo, elas podem ainda ser divididas quanto  ligao em conectivas
SO CONECnVAs as oraes que, numa srie coordenativa ou subord
dinativa, se acham ligadas  anterior por palavras especiais de conexo
Os conectivos so as conjunes Coordenativas (para a srie coorde-
nativa), as conjunes subordinativas, os pronomes e advrbios relativos
"O juzo fora a fortuna  obedincia, ou escusa os seus servios" (ID.
No s estuda portugus mas ainda se aplica  matemtica (coordenao
enftica)         "No admira que o juizo seja censurado, quando a
loucura j foi elogiada" QY         "Divertimo-nos com os doidos na
hiptese de que no o somos" (D).).         "A memria dos velhos 
menos pronta porque o seu arquivo  muito extenso" (Im) #
"Nenhum homem  to bom como o seu partido o apregoa, nem to mau como
o contrrio o representa" (ID.).       "Ain4a que perdoemos aos maus, a
ordem moral no lhes perdoa, e castiga a     nossa indulgncia (ID.).
"Se as viagens simplesmente instrussem os homens, os marinheiros seriam
os     mais instrudos" (ID.).       " Faz d ver um homem to Valente
assim morto como se mata qualquer poltro"...     (CAmiLo, O Bem e o
Mal, 191).       "Para que os bens sejam mais durveis, so os males que
deles nos ensinam a     usar" (ID.).       "Quando samos de nossa
esfera, ordinariamente nos perdemos na dos outros".       "No podemos
fitar os olhos no solo, nem o pensamento em Deus, sem que fiquem
deslumbrados" (ID.).       "O luxo, assim como o fogo, tanto brilha
quanto consome" (ID.).         2 - Atravs de pronomes e advrbios
relativos:       " Ningum duvida tanto como aquele que mais sabe"
(ID.).       "Homens h como as serpentes que envenenam aqueles a quem
mordem" (ID.).       "Depois da missa, o pastor acompanha os seus a Vila
Cova, onde passava o dia"     (CAmiLO, O Bem e o Mal, 42).         O
SO JUSTAPOSTAs as oraoes que, numa srie, no se ligam  anterior
por palavras especiais de conexo:           " bem feiozinho, benza-o
Deus, o tal teu amigo- (ALUISIO DE AZEVEDO).       "O amor cega a
muitos, a fortuna deslumbra a todos" (M. DE MARIC).       "AS naes
no morrem de velhas, as revolues as remoam" (ID.).       "Tratai bem
ao vilo, le i-os maltrata; tratai-o mal, ento vos acata" (li).).
"Louvemos a quem nos louva para abonarmos o seu testemunho" (ID.).
"Quem no espera na vida futura, desespera no presente" (ID.).
"No venios os defeitos de quem amamos, nem os primores dos que aborre-
CCIDOS" (ID.).       "A ordem pblica periga onde se no castiga" (ID.).
"Sabeinos qual foi o nosso princpio, ningum sabe qual ser o seu fim"
(ID.).       "No sabemos quanto valemos e de que somos capazes: as
ocasies e circuns-     tncias no-lo fazem conhecer" (ID.).
Tivesse-me falado, tudo se arranjaria.                 No o vejo, h
cinco semanas.                 Espero sejas feliz.         A orao
justaposta se separa da anterior ou se caracteriza:     a)por sinal de
pontuao adequado, geralmente vrgula, como ocorre       nos exemplos
1, 2, 3 e 4; b)por palavras de natureza pronominal ou adverbial
intimamente rela-       cionadas com os relativos, mas sem referncias a
antecedentes, como       sucede nos exemplos 5, 6, 7 e S.         220 #
c)por palavra de natureza pronominal ou adverbial, de sentido indefi-
nido, que inicia uma interrogao indireta, como se verifica nos exem-
plos 9 e 10;      d)pelo contexto e entoao descendente, com o verbo no
passado (geral-      mente no subjuntivo), conforme o exemplo 11;
e)pela orao subordinada adverbial temporal posposta  principal que
encerra os verbos haver e fazer, de acordo com o exemplo 12;         f)
pela omisso do conectivo subordinativo, como no exemplo 13.
OBSERVA96ES :           1.a) Pelos exemplos aduzidos, v-se que
justaposio  um processo de ligao     de oraes, e no uma natureza
sinttica que se pode por ao lado da coordenao e     subordinao,
como imaginou o Prof. Jos Oiticica. Por outro lado, a justaposio
ocorre entre oraes independentes e dependentes, entre coordenadas e
subordinadas,     o que no nos permite aceitar a lio da NGB que s
considera sindticas (em nossa     nomenclatura corresponde a
conectivas) e assindticas (em nossa nomenclatura, a     justapostas) as
coordenadas. Vimos que h tambm subordinadas sindticas e assin-
dticas. Do ponto de vista de conexo interoracional se equivalem os
seguintes     exemplos, independentes de sua natureza sinttica:
Vim, vi, venci                   Tivesse dinheiro, eu viajaria
No o vejo h cinco semanas                   Espero sejas feliz
2.a) De caso pensado separamos dos exemplos acima aqueles em que temos
palavras     de natureza pronominal ou adverbial sem antecedente ou nas
interrogaes indiretas,     porque h mestres que vem a pronomes e
advrbios relativos, bastando, para isso,     subentender uni
antecedente adequado. Assim sendo, para tais estudiosos no estamos
diante de justaposio ou assindetismo. No aceitamos esse modo de ver
as coisas     porque, embora as estruturas apresentem paralelismo de
sentido, no so idnticas     quanto  natureza sintdtica. Por outro
lado, a adaptao para efeito de anlise pode     mudar o plano
morfolgico do vocbulo.       EM: A Pessoa Para quem te diriges deve
resolver o problema, QuEm  pron.     relativo (cujo antecedente 
pessoa) e funciona como adjunto adverbial de dirigir-se,     razo por
que se rege da preposio para. j no exemplo do M. DE MARic: "A
vida  sempre curta para quem esperdia e no aproveita o tempo", quem 
pronome     indefinido e funciona como sujeito de esperdia e nlo
aproveita; a preposio para     no pertence  funo sinttica do
quem, que no rege (pois  sujeito dos dois verbos),     mas  funo
sinttica desempenhada por toda a orao iniciada pelo quem (objeto
indireto de opinio ou complemento nominal de curta, funes ambas que
pedem a     preposio).       Transformar o pronome indefinido do
exemplo acima em pronome relativo no     contraria o esquema semAntico,
mas tira  nossa lngua a possibilidade de apresentar     um pronome
indefinido em misso quase-conexiva.       A crtica se estende 
interrogao indireta, com a agravante de compndios que     aceitavam
as oraes como substantivas terem dado porque, onde, como e quando
como conjuno integrante, criando, dessarte, um problema para uma
classe de vo-     cbulos que no exerce funo sinttica, porque essas
novas conjunes integrantes     sero adjuntos adverbiais dentro da
orao a que pertencem.         221 #           Em lngua portuguesa
podemos, portanto, proceder  anlise adotando qualquer     dos dois
critrios, isto , as oraes sero substantivas (sem subentender
antecedente)     ou adjetivas (subentendendo antecedente). Pelas razes
expostas, adotamos o primeiro           3.a) Sobre o paralefismo de
sentido em estruturas sintticas de natureza diferente     so dignas de
repetio as palavras de Mrio Barreto: " ... cumpre-nos fazer notar
que essas duas formas diferentes (coordenao e subordinao) para os
olhos ou para     o ouvido so equivalentes muitas vezes quanto ao
sentido, e que uma frase de coorde     nao tem, no raro, no fundo uma
contextura to firme como se fosse formada de     membros estreitamente
ligados por conjunes e pronomes relativos, que so os     -conectivos
mais importantes com que ligamos asseres separadas, fazendo perodo do
que, sem eles, seria livre agregao de frases. Faamos notar enfim que
predomina     em ou outro desses dois processos, conforme a ndole do
gnero literrio, do assunto     .do escritor. Mostre-se aos alunos que
se pode construir (1.0 grau): "O dia est     bonito; no temos que
fazer; vamos passear", ou (2.0 grau): "O dia est bonito e     no temos
que fazer; vamos, pois, passear". Enfim (3.0 grau, subordinao e
perodo)     "porque o dia est bonito e porque nada temos que fazer,
vamos passear". Outros     --- 1_           "O exrcito compunha-se de
cem mil combatentes e ia comandado pelo rei" = "O     exrcito que ia
comandado pelo rei, compunha-se de cem mil combatentes". "Era
inocente e condenaram-no" = "Condenaram-no, ainda que era inocente".
"Meu     amigo tinha tido febre; no estava de todo restabelecido; tinha
o rosto plido e     triste" ou "meu amigo, que tinha tido uma febre de
que no estava plenamente resta     belecido, tinha o aspecto triste";
ou, j que dispomos de no pequena variedade de     modos, "ele tinha o
aspecto triste, porque havia tido" etc.; ou "o meu amigo, no     se
tendo restabelecido de uma recente febre, tinha triste aspecto" e assim
por diante     Os vrios modos de exposio so expedientes para chamar
mais especial ateno a     um ou outro aspecto de um fato e de suas
causas; so antes um ornamento do que     um meio substancial da fala, e
servem a um intento estilstico" (Factos da Lngua         QUADRO
SINOTICO DE CLASSIFICACAO DE ORACOV         subordinao ~         3 -
INTERROGAO DIRETA E INDIRETA           j vimos (pg. 195) que a
interrogao pode ser parcal ou total     conforme pergunte por algum
termo da orao que no seja o predicado,         Agora cabe-nos
acrescentar que a interrogao pode ser estruturada #           Chama-se
interrogao direta aquela que  representada por uma     orao
independente caracterizada por entoao interrogativa (isto , tem
ascendente a sua parte final) e comeada, se for parcial, por um
vocbulo     interrogativo:         Que pensas disso?     Onde  a
festa?     j saiu pela manh?     Conseguiram resolver todos os
problemas?           Chama-se interrogao indireta aquela que, no
pedindo resposta     imediata,  representada por uma orao dependente
destituda de     entoao interrogativa, comeada pelos pronomes ou
advrbios interro-     gativos quem, qual, que, quanto, como, porque,
onde e quando, ou pela     conjuno integrante se :         Quero saber
que pensas disso     Pergunto-lhe onde  a festa     Diga-me quando Jos
saiu     Mostrei-te como conseguiram resolver todos os Problemas
Indagamos-lhe quem foi o responsvel pelos prejuzos     Desconheo se
foram felizes nas provas         OBSERVAES:       1.a) Com exceo da
conjuno se, as oraes subordinadas na interrogao indi-     reta no
se ligam  sua principal por vocbulo especial de conexo, o que nos
levou     a coloc-las no grupo das justapostas (cf. 220-       2.a)
"Sendo as expresses como, quanto, quo, que aplicadas tanto em frases
interrogativas como em frases exclamativas, casos h que se devem
interpretar como     exclamaes indiretas: Olha como ela chora. Bem
sabes quanto me custa. Olha que     infinidade de moedas, etc. (SAID Am,
Gram. Sec., 182).         4 - ORAOES COORDENADAS CONECTIVAS
Tipos de oraes coordenadas conectivas. - As oraes conectivas se-
caracterizam pelas conjunes coordenativas (cf. pg. 160) que as
intro--     duzem e podem ser:         a) ADITIVAS:       "A nossa
vaidade atraioa e revela freqentes vezes a nossa incapacidade" (M.
de MARIC).       "A misantropia no  nem pode ser vcio ou defeito da
gente moa" (ID.).         b) ADVERSATIVAS:          "O estudo confere
cincia, mas a medtqtlo, originalidade" (ID.).      "Na montanha
goza-se mais, porm o vale  mais abrigado" (ID.).         223 #
c)          ALTERNATIVAS:           "A mulher douta ordinariamente ou 
feia, ou nienos casta" (ID.).       "A imaginao ora aterra, ora
diverte a razo para melhor a domiiiai" (ID.).         d)
CONCLUSIVAS:         e)         EXPLICATIVAS:         O dia est
agradvel, por isso devemos aproveit-lo.     Jos zangou-se comigo,
portanto ndo o cumprimentei.                 Estude, que todos passaro
a apreci-lo.             Desapareceu, pois no o encontrei em nenhum
lugar.       "Os criados inocentes e impecveis nesta matria - por isso
que zelavam a     fidalguia de seu amo contra o plebesmo do sobrinho de
mestre Antnio - juraram     de espreitar os passos de Casimiro. . . "
(CAMILO, O Bem e o Mal, ed. Casassanta, 85) (*).         5 - ORAES
INTERCALADAS           O que denotam as oraes intercaladas. - As
oraes intercaladas     - como simples elementos adicionais de
esclarecimento - no vm em     geral introduzidas por conjuno (as que
aparecem possuem mero valor     stilstico intensivo) e podem denotar:
a)ADVERTNCIA: quando esclarece um ponto que o falante julga indis-
pensvel:         Tudo - nesse tudo et incluo as maiores esperanas -
foi em vo.     b)CiTAEs: quando encerra a pessoa que Profere a
declarao a que       nos referimos:         V embora! - exclamou o
Policial.     No peo nada a ningum - atalhou o iringo.         c)
DESEJO: quando traduz um desejo (bom ou mau) do falante:           "
bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu amigol" (ALUISIO DE AZEVEDO)'
O teu primo - raios o partam! - ps-me de cabelos brancos.         d)
ESCUSA: quando o falante aprot?eita a ocasio para se desculpar:
"Pouco depois retirou-se; eu fui v-la descer as escadas, e no sei por
que fen-     meno de ventriloquismo cerebral (perdoem-me os fillogos
essa frase bdrbara) mur-     murei comigo..." (M. DE Assis, Brs Cubas,
325).           (9) A rigor melhor seria evitar a bipartio em
coordenadas expIlcativas e subordinada     causais - com que e porque
~, uma vez que alo muito frgeis os critrios usados para tal
distino. Cf. nossas Lies de Portugus, 4.a ed., pg. 134, nota.
224 #         e)                                       OPINIO: quando o
falante aproveita o ensejo para opinar:      Joo - como era bom! -
gostava de nos levar a passeios.      A poesia - diga-se antes a asnice
- ocupava dez repletas pginas de papel.           PERMISSO: quando o
falante se serve da oportunidade para solicitar       algo:       "Meu
esprito (permita-me aqui uma comparao de criana), meu esprito era
naquela ocasio uma espcie de peteca" (M. DE Assis, Ibid., 282).
g)RESSALVA: quando o falante aproveita a ocasio para fazer uma
ressalva:     Os livros, pode-se bem dizer, so o alimento do esprito.
"Cobia de ctedras e borlas que, diga-se de passagem, Jesus Cristo
repreendeu     severamente aos fariseus". (CAMiLO, Bomia do Esprito,
300).     "Daqui a um crime distava apenas breve espao, e ela o
transps, ao que parece"     (A. HERCULANO, Fragmentos, 123).     Ele,
que eu saiba, nunca veio aqui(l).         6 - ORAOES SUBORDINADAS
Substantivas           Funes sintticas exercidas pelas substantivas.
- As oraes subor-     dinadas substantivas so aquelas que exercem, em
relao  sua principal,     as funes sintticas especficas de um
substantivo, que so:         a) SujEiTo       (a orao se diz sub-
jetiva)          b) OBJETO DIRETO         (a orao se diz obje-     1~
tiva direta)                   No se sabe se tudo vai
bem     1 - Conectivas(2)         bom que estudes               Cumpre
que venhamos                 cedo                   Quem tudo quer tudo
2 - justapostas          perde.               No se descobriu    quem
{               veio aqui         ConectivasEsperamos que nos ajudem
{ Desconhecemos se vieram         2 - justapostas      No sabia como
fazer o      problema  Ele procurava quem o pu-      desse ajudar
(1) Com seus alunos deve apenas o professor insistir na conceituaAo de
orao intercalada,     desprezando mincias de dassificao.      (2)
As subordinadas substantivas conectivas se introduzem pelas conjunMs
integrantes.         225 #         C) OBJETO INDIRETO        (objetiva
indireta)         ' I - Conectivas f         2 - Justapostas         d)
PREDICATIVO          1 - Conectivas       (a orao se diz pre-
dicativa){ 2 - Justapostas         C)            COMPLEMENTO NOMINAL
(orao completiva no.       minal)         Precisas de que te Protejam
Esquecem-se de que tinham     feito mal o servio      Precisas de quem
te pro-      teja  Deu-se o prmio a quantos      o mereciam      A
verdade  que todos      saram         I - Conectivas         [ 2 -
Justapostas         Ele era quem menos re.      clamava       Estava
receoso de que tudo       acabasse mal      Tinha medo de que fugs.
{ semos      Estava receoso de quem o      prendesse  Tinha necessidade
de quan-      tos dele se aproximavam      1)APosTO (a orao  sempre
justaposta; em virtude de uma contaminao sinttica,      pode trazer
uma conjuno expletiva (U. pg. 332).         ~orardo apositiva):
                           sua resposta foi esta: nio me agrada muito.
                            sua resposta foi esta: que nio me agrada
muito.         Caractersticas das oraes substantivas:           1.a)
No trazem, no seu incio, preposio necessria as subjetivas,
objetivas diretas, predicativas e apositivas. Vm iniciadas por
preposio     necessria (que se pode omitir) as objetivas indiretas e
completivas     nominais.           2.a) A orao subjetiva tem o verbo
de sua principal na 3.a pessoa     do singular e num destes trs casos:
a)              Verbo na voz passiva         1) PRONOMINAL (verbo +
pronome se): Sabe-se que tudo vai bem.     2) ANAUTICA (Ser, estar,
ficar + particpio): Ficou provado que tudo vai bem. #             226 #
substantivo     b) Verbo ser, estar, ficar +       ou
{ 'adjetivo                 verdade que resolvemos o contrrio.
Foi bom que compreendessem a situao.                Estd claro que
concordarei.                Ficou certo que me avisaria.     c)Verbo do
tipo de parece, consta, urge, ocorre, corre, importa, convm,
cumpre, di, punge, acontece, etc.                   Parece que tudo
acabar bem.                   Urge que insistas no caso.
Convm que saiamos cedo.         3.a) A orao predicativa aparece
depois do verbo ser, completando-o:              A verdade  que
resolvemos o contrrio.           OBSERVAO: Por uma pessoalizao do
verbo parecer (cf. acima, 2.a. c), a predi-     cativa vem como
complemento deste verbo no seguinte exemplo do M. de MAItMA:
"Nunca nos esquecemos de ns, ainda quando parecemos que mais nos
ocupamos     dos outros".           4.8) A orao completiva nominal,
como o nome indica,  comple-     mento de substantivo ou adjetivo,
enquanto a objetiva indireta  com-     plemento de verbo :
substantivo,,,. completiva nominal           adjetivo - + preposio +
orao passivo --> indeterminador foi traada pelo     fillogo patrcio
Martinz de Aguiar:           "1.0 (CASO) Pronome reflexivo. - A funo
inicial e prpria do     pronome se , como em latim, a de reflexivo,
isto : faz refletir sobre o     sujeito a ao que ele mesmo praticou.
Ex.: O homem cortou-se. Indica     pois, ao mesmo tempo, atividade e
passividade. O homem cortou, mas foi     cortado, pois a si prprio 
que cortou. Se penetrarmos bem na inteli-     gncia das diversas frases
reflexivas, veremos que a passividade chama mais     a nossa ateno,
impressiona mais a nossa sensibilidade do que a atividade.     Quando
temos notcia de que algum se suicidou, o primeiro quadro que     se
nos apresenta ao esprito  o do indivduo plido, inerte, sem vida.
Da poder o pronome se vir a funcionar como:           2.0 (CASO)
Pronome apassivador. -  o segundo estdio de evoluo.     Sendo
reflexivo, o pronome indica, como vimos, atividade e passividade,     e
esta nos impressiona mais do que aquela, pelo que pode chegar a ser
ndice de passividade. Ex.: Vendem-se casas. Fritam-se ovos.
3.0 (CASO) Pronome indeterminador do agente. - Como no segundo     caso
o agente nunca foi expresso na linguagem comum, tendo-se tornado
obsoleto o seu emprego at na linguagem literria, o pronome se acabou
por assumir a funo de indeterminador do agente. Ex.: Estuda-se.
Dana-se.          4.o (CASO) Pronome indeterminador do sujeito de
verbos intransitivos.     Como, no terceiro caso, no se d objeto aos
verbos, apesar de transi-     tivos, e como o agente oculto, se
presente, seria o sujeito, o pronome se     pode vir a indeterminar o
sujeito de verbos intransitivos. Ex.: Dorme-se.     Acorda-se.
OBsERvAo: O 3.0 e 4.0 casos so idnticos na prtica; mas, no terreno
cientfico,      imprescindvel separ-los, pois servem para
demonstrar,  luz da lingstica psico-         255 #         lgica, a
contagio sucessiva de funes do pronome. Os mesmos casos matam de
vez a questo chinesa de saber se o pronome se pode ou no ser sujeito.
No o      nunca, no pelas razes dadas nas gramticas, mas porque
assim o demonstra o estudo     da sua evoluo.           5.0 (cAso)
Pronome indeterminador do sujeito de qualquer verbo.     - Como no caso
anterior o pronome se indetermina o sujeito dos verbos
intransitivos, pode, por extenso, indeterminar o sujeito de qualquer
verbo,     transitivo, intransitivo ou atributivo (isto , de ligao).
Ex.: Est-se bem     aqui. Quando se  bom. Vende-se casas. Frita-se
ovos. "A Bernardes     admira-se e ama-se".           OBSIERVAES
FINAIS, Vende-se casas e frita-se ovos so frases de emprego ainda
antiliterrio, apesar da j multiplicidade de exemplos. A genuna
linguagem literria     requere vendem-se, fritam-se. Mas ambas as
sintaxes so corretas, e a primeira no      absolutamente, como fica
demonstrado, modificao da segunda. So apenas dois     estdios
diferentes de evoluo. Fica tambm provado o falso testemunho que
levan-     taram  sintaxe francesa, que em verdade nenhuma influncia
neste particular exerceu     em ns. . . " (1).         Pode ainda o
pronome se juntar-se a verbos que indicam:       1)sentimento:
indignar-se, ufanar-se, atrever-se, admirar-se, lembrar-se,
esquecer-se, orgulhar-se, arrepender-se, queixar-se.     2)
movimento ou atitudes da pessoa em relao ao seu prprio corpo:
ir-se, partir-se, sentar-se, sorrir-se.           No primeiro caso, no
se percebendo mais o sentido reflexivo da     construo, considera-se o
se como parte integrande do verbo, sem classi-     ficao especial.
No segundo, costumam os autores chamar ao se pronome de realce ou
expletivo.           Combinao de pronomes tonos. - Ocorrem em
portugus as se-     guintes combinaes de pronomes tonos, notando-se
que o que funciona     como objeto direto vem em segundo lugar:
mo = me + o; ma = me + a; mos = me + os; mas = me + as; to = te + o;
ta= te+a; tos=te+os; tas=te+as; lho=lhe+o; lha = lhe+ a;     lhos = lhe
+ os; lhas = lhe + as; no-lo = nos + o; no-la = nos + a; no-los =
nos + os; no-las = nos + as;,vo-lo = vos + o; vo-la = vos + a; vo-los =
vos     + os; vo-las = vos + as; lho = lhes + o; lha = lhes + a, lhos =
lhes + os;     lhas = lhes + as.         se me  -Se-me     se te  -Se-te
se lhe -se-lhe         se nos     -se-nos     se vos     -Se-vos     se
lhes    -se-lhes           (1) Notas o Estudos de Portugus, 181-183. Na
transcrio, adaptei a grafia do autor     ao sistema oficial vigente,
256 #           'Se dizeis isso pela que me destes, tirai-ma: que no
vo-la pedi eu" (A. HERCULANO,     Lendas e Narrativas, 1, 267).       "E
como, a pouco e pouco, se foram exaurindo os cascalhos e afundando os
veleiros, o banditismo franco imps-se-lhes como derivativo  vida
desmandada" (E.     DA CUNHA, Os Sert6es, 218).         OBMVAES:
1.a) A rigor, na combinao s entra a forma lhe, que, na lngua antiga,
servia     tanto ao singular como ao plural.           2.a) Nas demais
combinaes, o portugus moderno prefere substituir o pronome     tono
objetivo indireto pela forma t6nica equivalente, precedida da preposio
a.     Enquanto dizemos hoje a mim te mostras ou te mostras a mim, a
lngua de outros     tempos consentia em tais dizeres:       "Porque
assi te me mostras odiosa?" (J. CoRTE-REAL, Naufrdgio de Seplveda,
apud S. SILVEIRA, Lies de Portugus,  271).           3.a) A lngua
padro rejeita a combinao se o (e flexes) apesar de uns poucos
exemplos na pena de literatos:       "Parece um rio quando se o v
escorrer mansamente por entre as terras pr-     XiMaS..." (LIMA
BARRETO, Vida e Morte de Gonzaga de S, 49, apud S. SILVEIRA,
Revista de Cultura, n.O 198, pg- 268).           Foge-se ao erro de
duas maneiras principais:     a) cala-se o pronome objetivo direto: Ndo
se quer.     b) substitui-se o pronome o (e flexes) pelo sujeito ele (e
flexes):                       No se quer ele.           Apesar disto,
ocorre em bons escritores construo em que se junta o pronome     o (e
diretos) a verbo na voz reflexiva:           "Temo que se me argua de
comparaes extraordinrias, mas o abismo de       Pascal  o que mais
prontamente vem ao bico da pena" (M. DE Assis, Histrias       sem Data,
29, apud S. SiLvEiRA, ibid.).       "No se d baixa ao soldado quando
j no pode com a milcia? No se lha       d at em tempo de guerra?"
(CASTILHO, Felicidade pela Agricultura, lI, 106       apud S. SILVEIRA,
ibid.).           4.EL) A lngua padro admite pode-se comp.lo ou
pode-se compor, quando no     h locuo verbal:           Pode-se de
algum modo lig-lo a Schopenhauer.'.. (JOo RIBEIRO, Fabordo,
19). JLIO ~EIRA (Estudo da Lingua Portugusa, 11, 30-31) diz que em
Portugal        menos comum do que no Brasil a primeira construo.
Funo do pronome tono em Dou-me ao trabalho. - Em geral, o     pronome
tono da forma verbal reflexiva portuguesa funciona como objeto
direto: dou-me (obj. direto) ao trabalho (obj. indireto) de fazer.
Em francs e espanh , ol, esse pronome aparece como objeto indireto:
je me donne Ia peine de le faire; me doy el trabaio de hacerlo.
257 #         Pronome possessivo           Seu e dele para evitar
confuso. - Em algumas ocasies, o possessivo     seu pode dar lugar a
dvida a respeito do possuidor. Remedeia-se o mal     com a substituio
de seu, sua, seus, suas, pelas formas dele, dela, deles,     delas, de
voc, do senhor, etc., conforme convier.           Em
Jos, Pedro levou o seu chapu,         o vocbulo seu no esclarece
quem realmente possui o chapu, se Pedro ou     Jos.        verdade
que a disposio dos termos nos leva a considerar Jos o     dono do
chapu; mas a referncia a Pedro tambm  possvel. Assim     sendo,
serve-se o falante do substituto dele, se o possessivo pertence a
Pedro:                       Jos, Pedro levou o chapu dele.       "Com
efeito, Margarida gostava imenso da presena do rapaz, mas no parecia
dar-lhe uma importAncia que lisonjeasse o corao dele". (M. M Assis,
Contos Flu-     minenses, 24).           Se o autor usasse o possessivo
seu, o corao poderia ser tanto de     Margarida quanto do rapaz.
Pode-se, para maior fora de expresso, juntar dele a seu
Jos, Pedro levou o seu chapu dele,       "Se Adelaide o amava como e
quanto Calisto j podia duvidar, sua honra dele     era por peito 
defesa da opressa..." (CAMILO, Queda dum Anjo, 109).           Menos
usual, porm correta,  a unio dos dois possessivos como no
seguinte exemplo da citada obra de Camilo:       " certo, Sr.
Presidente, que a feinina toca o requinte da depravaao, e chega a
efeituar horrores cuja narrao  de si para gelar ardncias do sangue,
para infundir     pavor em peitos equdnimos; porm, o mbil dos crimes
seus dela  outro" (o que vern     sublinhado  transcrio de CAmiw,
ibid., 86).           Os pronomes pessoais tonos ine, te, se, nos, vos,
lhe, lhes, podem seu     usados com sentido possessivo:
Tomou-me o chapu = Tomou o meu chapu.           Ainda neste caso, 
possvel ocorrer a repetio enftica lhe .. . dele :       "D. Adelaide
ficou embaada. Seria agravar as meninas de dezoito anos, e edu.
cadu como a filha do desembargador, e amantes como elas de um
comprometido     esposo, estar eu aqui a definir a entranhada zanga que
lhe fez no esprito dela o     desprop69ito de Calisto" (CAmiLo, Queda
dum Anjo, 104).         Foge-se ainda  confuso empregando-se o
adjetivo prprio :     "Andrade contentou-se com o seu prprio sufrgio"
(M. DE Assis, C. Fluni. 19).         258 #         r           Posio
do pronome possessivo. - De modo geral, o possessivo vem     anteposto
ao nome a que se refere:              o meu livro. Tuas preocupaes.
Nossos deveres.           A posposio ocorre no estilo solene, em prosa
ou verso, e, em nome     de pessoas ou de graus de parentesco, pode
denotar carinho:                Deus meu, ajudai-mel            "Esta 
a ditosa ptria minha amada" (CAMEs, Lus.).            "Formosa filha
minha, no temais" (ID., ibid.).           A nfase permite tambm a
posposio, principalmente se o substan-     tivo vem desacompanhado do
artigo definido:                Conselho meu, ela no tem. Filho meu no
faria tal.           Em certas situaes, h notvel diferena de
sentido com a posposio     do possessivo (1).           Minhas
saudades so saudades que sinto de algum. Saudades minhas so saudades
que algum sente de mim.       "Parece que Miss Dlar ficou com boas
recordaes suas, disse D. Antnia" (M.     DF. Assis, C. Flum., 2, 17).
Notamos o mesmo em suas cartas e cartas suas.       Recebi suas cartas
(isto , cartas que me mandaram ou que pertencem  pessoa     a quem me
dirijo).       Recebi cartas suas (i. ., enviadas a mim pela pessoa).
Invariavelmente, usamos de notcias suas, como no seguinte exemplo:
"Peo-lhe que me mande notcias suas" (E. DA CUNHA).         Fora destas
construes, a lngua moderna evita tal emprego objetivo:
"Mova-te a piedade sua e minha" (CAm., Lus., 111, 127). Entenda-se: a
piedade     delas (das criancinhas) e de mim.           Possessivo para
indicar idia de aproximao. - junto a nmeros     o possessivo pode
denotar uma quantidade aproximada:                Nessa poca, tinha
meus quinze anos (aproximadamente).            Era j homem de seus
quarenta anos.           OBSERVAO: Valorizamos tambm uma noo
quantitativa por meio do adje-     tiNo bom:       "O maior Vilela
observava um rigoroso regmen que lhe ia entretendo a vida.     Tinha
uns bons sessenta anos" (M. DE Assis, C. Flum., 2.a ed., 53).
(1) Diz-se que o Possessivo tem sentido objetivo quando designa o ser
que  alvo de uma     ao ou sentimento qualquer. Fora deste caso, tem
sentido subjetivo.  muitas vezes difcil     distinguirmos os dois
casos.         259 #           Valores afetivos do ossessivo - O
possessivo como temos visto n     se limita a exprimir apenas a idia
de posse. Adquire variados matizes d(           Assim, o possessivo pode
apenas indicar a cousa que nos interessa, po     nos estarmos referindo,
como ele, a causa que nos diz respeito, ou por qu(           O nosso
heri (falando-se de um personagem de histrias) no soube que fazer.
Trabalho todo dia minhas oito horas (cf. Joo RiBEmo, Aut.
Contemporneos, pg. 206).         Alm de exprimir a nossa simpatia,
serve tambm o possessivo par         traduzir nosso afeto, cortesia,
deferncia, submisso, ou ironia:     Meu prezado amigo. Minha senhora,
esta,  a mercadoria que lhe serv     Meus senhores e minhas senhorasl
Meu Dresidente, todos o esDeram.         Meu coronel, os soldados esto
prontos 1 Meu tolo, no vs que estou brincando?         "Qual cansadas,
seu Antoninho 1" (LIMA BARRETO)     "Ande, seu diplomtico, continue"
(M. Dz Assis).         seu no , como parece a alguns estudiosos, a
forma possessiva de 3.11     pessoa do singular. Trata-se aqui de uma
reduo familiar do tratamento         Difere a forma seu~ (admite ainda
as variantes seo, s) do termo         nobre, senhor, por traduzir nossa
familiaridade ou depreciao.         Ocorrendo isoladamente, prevalece
a forma plena senhor, conforme         "Depressa, depressa, que a filha
do Lemos vai cantar; e depois  o senhor. Est         Um fingido
respeito ou cortesia - bem entendido alis pelos presentes         Pela
forma abreviada seu modelou-se o feminino su         "E ri-se voc, sua
atrevida?f - exclamou o moleiro, voltando-se para Perptua
Emprego do pessoal pelo possessivo. - Embora de pouca freqncia,
pode aparecer o possessivo por uma forma de pronome pessoal precedido
da preposio de. Neste caso est a expresso ao p de + pronome
"Vs os que no credes em bruxas, nem em almas penadas, nem nas
tropelias     de Satans, assentai-vos aqui ao lar bem juntos ao p de
mim, e contax-vos-ei a                              11         histria
de D. Diogo Lopes, senhor de Biscaia (HERc., Lendas, 11, 7).
"No sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha
a     modista ao p de si, para no andar atrs dela" (M. DE Assis,
Vrias Histrias, 31). #           Possessivo expresso por uma locuo.
- Expressa-se o possessivo ainda     por meio de uma perfrase em que
entra o verbo ter, haver ou sinnimo:           "De um Rei que temos,
alto e sublimado" (CAM., Lus., 11, 80). Isto : de um     Rei nosso.
O possessivo em referncia a um possuidor de sentido indefinido.     -
Se o possessivo faz referncia a pessoa de sentido indefinido expresso
ou     sugerido pelo sentido da frase, emprega-se o pronome de 3.a
pessoa:           " verdade que a gente, s vezes, tem c as suas
birras - disse ele, com certo ar     que queria ser no e saa parvo"
(HERC., Len as, 11, 158).           Se o falante se inclui no termo ou
expresso indefinida, usar-se o     possessivo de 1.a pessoa do plural:
A gente compreende como estas cousas acontecem em nossas vidas (Cf.
CAMILO,     Queda).           Repetio do possessivo. - Numa srie de
substantivos, pode-se usar     o possssivo (como qualquer outro
determinante do nome) apenas junto     ao primeiro nome, se no for
nosso propsito enfatizar cada elemento da     srie:           "A prova
da sua perspiccia e diligncia estava em ter j no caminho da forca
os desgraados cuja sentena vinha trazer  confirmao real" (HERc.,
Lendas, 1, 187).            Note-se a nfase e a oposio entre os
possuidores (eu e tu):           "O teu amor era como o ris do cu: era
a minha paz, a minha alegria, a minha     esperana (ID., ibid., 190).
Se o termo vem acompanhado de modificador, no se costuma omitir     o
possessivo da srie:           "Foi a tua dignidade real, a tua justia,
o teu nome que eu quis salvar da tua     prpria brandura" (ID., ibid.,
191).            Omite-se o possessivo na srie sem nfase ainda que os
substantivos     sejam de gnero ou nmero (ou ambas as coisas)
diferente:        ... entendera (Calisto Eli) que a prudncia o mandava
viver em Lisboa     consoante os costumes de Lisboa, e na provncia,
segundo o seu gnio e hbitos     aldeos" (CAmiLo, Queda dum Anjo,
107).            Se. se trata de substantivo sinnimo, dispensa-se a
repetio do     possessivo:           Teu filho, de quinze anos apenas,
 teu orgulho e ufania.           Se os substantivos forem de
significao oposta, o possessivo em regra     no  dispensado:
Teu perdo e teu dio no conhecem o equilbrio necessrio  vida,
261 #           Substituio do possessivo pelo artigo definido. - Sem
ser norma     de rigor absoluto, pode-se substituir o possessivo pelo
artigo definido,     quando a idia de posse se patenteia pelo sentido
total da orao. Este     fato ocorre principalmente junto dos nomes de
partes do corpo, das peas     do vesturio, faculdades do esprito e
certas frases-feitas:           "D. Fernando afastou-a suavemente de si:
ela alevantou o rosto celeste orvalhado     de pranto... D. Leonor
ergueu as mlos suplicantes, com um gesto de profunda an-     gstia"
(HERc., Lendas, 1, 190).          aqui parou (Calisto Eli), e cruzando
os braos, se esteve largo espao     quedo, e fito nas janelas"
(CAMILO, Queda dum Anjo, 110).       "E o vento assobiava no vigamento
da casa, e nas orelhas de Calisto, o qual,     levado do instinto da
conservao, levantou a gola do capote  altura das bossas
parietais..." (ID., ibid.).       Ele perdeu o juizo. Tem a vida por um
fio. Recuperou a memria.           OBSERVAO: Dispensa-se o artigo
definido nas expresses Nosso Senhor, Nossa     Senhora, assim como nas
frmulas de tratamento onde entra um possessivo, do tipo:     vossa
excelncia reverendissima, sua majestade, etc.           O possessivo e
as expresses de tratamento do tipo Vossa Excelncia.     -
Empregando-se as expresses de tratamento do tipo de vossa excelncia,
vossa reverendssima, vossa majestade, vossa senhoria, onde aparece a
forma possessiva de 2.a pessoa do plural, a referncia ao possuidor se
faz hoje em dia com os termos seu, sua, isto , com possessivo de 3.a
pessoa do singular:           Vossa Excelncia conseguiu realizar todos
os seus propsitos (e no: todos     vossos propsitos).           Tais
tipos de ttulos honorficos comearam a aparecer no portugus     entre
os sculos xiv e xv e a havia realmente uma possibilidade de alter-
nncia de seu, sua, vosso, vossa. A luta durou at aproximadamente o
sc. xvii, quando as formas de 3.a pessoa saram vitoriosas. Assim
sendo,     modernamente s deve aparecer o possessivo conforme o exemplo
dado.     Raras excees em escritores do sc. xviii para c so devidas
a imitaes     literrias, justamente repudiadas.como arcaicas, ou
ento porque o autor,     em romance ou novela histrica, para no cair
em anacronismo, faz seus     personagens falar a linguagem da poca.
Entre os escritores a cuja autoridade se abrigam os defensores do
arcasmo aqui citado, se acha Alexandre Herculano. vido leitor e cons-
tante hspede dos monumentos histricos, o autor da Histria de
Portugal,     tratando do perodo de D. Joo 1 (1385-1433), no Monge de
Cister (pro-     nuncie-se este ltimo nome como oxtono), teve
oportunidade de mostrar     o quanto sabia da, evoluo de sua lngua,
conhecimento que o faz o     melhor prosador ou um dos melhores que as
letras portuguesas tiveram.     Assim, pensamos que tal situao
especialssima do probo e perspicaz     historiador no abre a porta
para a prtica da velha construo.         262         I #
Pronome demonstrativo           A posio ndicada pelo demonstrativo
pode referir-se ao espao, ao     tempo (demonstrativos dicticos
espaciais e temporais)(') ou ao discurso     (demonstrativo anafrico).
Demonstrativos referidos  noo de espao. - Este (e flexes)
aplica-se aos seres que pertencem ou esto perto da 1.a pessoa, isto ,
daquela que fala:             Este livro  o livro que possuo ou tenho
entre mos.             Esta casa  a casa onde me encontro.
Esse (e flexes) aplica-se aos seres que pertencem ou esto perto da
2.a pessoa, isto , daquela com quem se fala:          Esse livro  o
livro que nono interlocutor traz.          Essa casa  a cata onde se
encontra a pessoa a quem me dirijo.           Na correspondncia, este
se refere ao lugar donde se escreve, e esse     denota o lugar para onde
a carta se destina. A referncia  missiva que     escrevemos se faz com
este, esta :           "Manaus, 13-1-1905       Meu bom amigo Dr. Jos
Verssimo, - escrevo-lhe dissentindo abertamente de     sua opinio
sobre este singularssimo clima da Arnaznia..." (E. DA CUNHA).
Escrevo-te estas linhas para dar-te notcia desta nossa cidade e
pedir-te as novas     dessa regio aonde foste descansar.
Quando se quer apenas indicar que o objeto se acha afastado da
pessoa que fala, sem nenhuma referncia  2.a pessoa, usa-se de esse
"Quero ver esse cu da minha terra                To lindo e to azul
V' (C. Dz ABazu),           Na linguagem animada, o interesse do falante
pode favorecer uma     aproximao figurada, imaginria, de pessoa ou
cousa que realmente     se acham afastadas dos que falam. Esta situao
exige este:       "Di-me a certeza de que estou morrendo desde o
primeiro dia da tua unio     com este homem... a certeza de que o hs
de amar sempre, ainda que ele te des-     preze como j te desprezou"
(CAMILO, Queda dum Anjo, 152).           Tal circunstncia deve ter
contribudo para Q emprego de este como     indicador de personagens que
o escritor traz  baila.       "Este Lopo, bacharel em direito, homem de
trinta e tantos anos, e sagaz at a     protrvia, vivia na companhia do
irmo morgado..." (ID., ibid., 149).                   1       (1)
Sabemos que o termo ddictico no representa a boa forma portuguesa de
adaptao     do vocbulo grego, conforme nos mostrou o Prof. CANDIDO
JUC (filho), In Categoria, 35 e os.     Adotamo-lo por ser emprstimo
cientfico disseminado.         263 #         19 r           Por outro
lado, cabe a esse a misso de afastar de ns pessoa ou coisa     que na
realidade se acham ou se poderiam achar prximas:       "Vs frica, dos
bens do mundo avara,         Olha essa terra toda, que se habita
Dessa gente sem lei, quase infinita" (C~Es, Lus. X, 92 apud SAm ALI).
Estas expresses no se separam por linhas rigorosas de demarcao;
por isso exemplos h de bons escritores que contrariam os princpios
aqui     examinados e no faltam mesmo certas orientaes momentneas do
es-     critor que fogem s perscrutaes do gramtico.
Demonstrativos referidos  noo de tempo. - Na designao de     tempo,
o demonstrativo que denota um perodo mais ou menos extenso,     no qual
se inclui o momento em que se fala,  este (e flexes):         Neste
dia                              no dia de hoje) celebramos a nossa
independncia.         Este ms                               no ms
corrente) no houve novidades.  Aplicado a tempo j passado, o
demonstrativo usual  esse (e flexes):            Nessa poca
atravessvamos uma fase difcil.           Se o tempo passado ou
vindouro est relativamente prximo do mo-     mento em que se fala,
pode-se fazer uso de este, em algumas expresses:                Esta
noite (= a noite passada) tive um sonho belssimo.           Porm, com
a mesma linguagem esta noite poderamos indicar a noite     vindoura.
Outro exemplo:         "Meu caro Barbosa:       Deves ter admirado o meu
silncio destes quinze dias, silncio para ti, e silncio     para o
jornal" (CAmiLo, Cem Cartas, 56).           A indicao temporal de este
e esse dispensa outra expresso adverbial,     se circunstncia de tempo
no se apresenta ao falante como elemento     principal do conjunto:
"Para o jogo bastava esse movimento de pelo" (M. LoBATo). Esse movimento
vale por: o movimento que se fez naquele momento.
Demonstrativos referidos a nossas prprias palavras. - No discurso,
quando o falante deseja fazer meno ao que ele acabou de narrar ou ao
que vai narrar, emprega este (e flexes):       "Entrou Calisto na sala
um pouco mais tarde que o costume, porque fora vestir-se     de cala
mais cordata em cor e feitio. No me acoimem de arquivista de insignifi-
cncias. Este pormenor (isto : o pormenor a que fiz referncia) das
calas prende     mui intimamente com o cataclismo que passa no corao
de Barbuda" (CAMILO,     Queda dum Anjo, 93).         264 #
"Se no existisse Ifignia... acudiu Calisto. j este nome (i. : o nome
que     proferi) me soava docemente quando na minha mocidade, pela
angstia da filha de     Agameno, cujo sacrifcio o orculo de ulida
demandava.           - Ali, tambm eu reconheo essas angstias (i. :
aquelas a que se refere) da     tragdia de Racine" (ID., ibid, 135).
"... no h linguagem que no soe divinamente falada por minha prima.
Essas lisonjas - volveu ela sorrindo - aprendeu-as no seus livros
velhos, primo     Calisto?" (ID., ibid., 136).           Por este ltimo
exemplo, podemos verificar que se a referncia  feita     s palavras
da pessoa com quem se fala, o demonstrativo empregado      esse (e
flexes). No trecho, essas lisonjas so as que faz Calisto  sua
prima.           H situaes embaraosas para o emprego do
demonstrativo anafrico,     isto , aquele que se refere a palavras
ditas ou que se vo dizer dentro do     prprio discurso. Ocorre o caso,
por exemplo, nas referncias a enun-     ciados anteriores que envolvem
afastamento da 1.a. pessoa ou ao tempo     em que se fala. Nestes casos,
geralmente, prevalece a preferncia para     nossas prprias palavras,
aparecendo, assim, o anafrico este (e flexes) em     lugar do dictico
esse (e flexes):           - "Ento que te disse ele ?...       - Que
tinhas l outra... e que te viu passear com ela.       - Viu-me a
passear com nossa parenta, viva de um general. Quem disse ao
javardo que esta (a que me refiro) senhora era minha amante" (CAmiLo,
ibid., 157).           Expresso um nome a que, na construo do
discurso, se quer ajuntar     uma explicao, comparao, ou se lhe quer
apontar caracterstica saliente,     costuma-se repetir este nome (ou o
que lhe serve de explicao, compa-     rao, ou caracterstica)
acompanhado do demonstrativo esse (e flexes):           "O olhar da
opinio, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que
pisamos o territrio da morte" (M. DE Assis, Brs Cubas, 81 apud SousA
DA SILVEIRA).       "Creio que por ento  que comeou a desabotoar em
mim a hipocondria, essa     flor amarela, solitria, de um cheiro
inebriante e sutIP (ID., ibid., 83 apud S. DA     SILVEiRA, Lies,
307).           Reforos de demonstrativos. - A necessidade de avivar a
situao     dos objetivos e pessoas de que fala, leva o falante a
reforar os demons-     trativos com os advrbios aqui, a, ali, acol :
este aqui, esse a, aquele ali     ou acol.           Em tais
situaes, aqui, a, ali, acol etc., perdem seu valor restrito de
advrbio e passam a funcionar como elementos reforadores intimamente
relacionados com a natureza dos pronomes, pois fazem notvel referncia
s pessoas gramaticais:             Eu c tenho minhas dvidas. Ele ld
diz o que pensa.         265 #           Tambm desempenham o papel de
reforo enftico mesmo e prprio,     presos a substantivos ou pronomes,
com o valor de em pessoa (em sentido     prprio ou figurado):        Eu
Prprio assisti  desagradvel cena. Ela mesma foi verificar o fato.
Neste sentido de identidade, mesmo e prprio entram no rol dos
demonstrativos.       No seguinte trecho de M. de Assis aparece muito:
"Voc ignora que quem os cose sou eu, e muito eu" (Vdrias Histrias,
230).           Outros demonstrativos e seus empregos. - j vimos que
mesmo e     prprio denotando identidade e com o valor de em pessoa so
classificados     como demonstrativos:       "Tal fao eu,  medida que
me vai lembrando e convindo  construo ou     reconstruAo de mim
mesmo" (M. DE Assis, D. Casmurro, 203).       "De resto, naquele mesmo
tempo senti tal ou qual necessidade de contar a algum     o que se
passava entre mim e Capitu" (ID., ibid., 225).       "Veja os
algarismos: no h dois que faam o mesmo offcio" (ID., ibid., 267).
Pode ainda o demonstrativo mesmo assumir o valor de prprio, at:
"Estes e outros semelhantes preceitos no h dvida que no so pesados
e     dificultosos; e por tais os estimou o mesmo Senhor, quando lhes
chamou Cruz nossa"     (VIEIRA, Sermes, XI, 150).       "Os mesmos
animais de carga, se lhe deitam toda a uma parte, caem com ela"
(ViEmA apud. EPIPANIO, Sintaxe,  86-a).           Mesmo, semelhante e
tal tm valor de demonstrativo anafrico, isto     , fazem referncia a
pensamentos expressos anteriormente:       "Depois, como Pdua falasse
ao sacristo, baixinho, aproximou-se deles; eu fiz     a mesma cousa"
(M. DE Assis, D. Casmurro, 87).       "No paguei uns nem outros, mas
saindo de almas crididas e verdadeiras tais     promessas so como a
moeda fiduciria, - ainda que o devedor as no pague, valem     a soma
que dizem" (ID., ibid, 202 - F. TvoRA, O Cabeleira, 56).       Falaste
em dois bons estudantes, mas no encontrei semelhantes prendas na
sala de aula.           Tal (sozinho ou repetido) e outro so
demonstrativos de sentido inde-     finido. O primeiro aparece junto 
designao de um dia, lugar ou cir-     cunstncias reais, que no
queremos ou no podemos precisar:       "Ele combinou com o assassino
assaltarem a casa em tal dia, a tal hora, por     tais e tais meios" U.
OITICICA, Manual de Andlise, 40).           Outro se emprega com o valor
de um segundo, mais um (no sentido     de diferente.. como mesmo no de
igual,  adjetivo):       Ele me tratou mal e eu fiz outro tanto (tanto,
veremos mais tarde,  pronome     indefinido).         266         F, #
Tais acepes imprecisas levam alguns estudiosos a classificarem tal
e outro como indefinidos.       Como elemento reforador dos que foram
tratados anteriormente,     aparece mesmo junto aos advrbios
pronominais: agora mesmo, ai mesmo,     aqui mesmo, j mesmo, etc.
OBSERVAO: Sobre o emprego tido como errneo de mesmo como advrbio,
veja-se, mais adUm pode ter, em certas expresses, o valor de mesmo:
"Oh cousa para espantar                    Que ambos a ferida tem
Dum tamanho, em um lugar"       (isto : do mesmo tamanho e no mesmo
lugar) (CAM6ES, apud J. MotEiRA).                Honra e proveito no
cabem num saco.           No estilo familiar e animado, emprega-se o
demonstrativo com o valor     de artigo definido:           Esse Joo 
das arbias 1 Aquela Maria tem cada idia 1 (Brds Cubas, 36).
Posio dos demonstrativos. - Em situaes normais, onde no impere
a nfase, o demonstrativo vem anteposto ao nome. Em caso contrrio,
pode o adjetivo vir posposto, principalmente se o demonstrativo se
referir     ao pensamento j expresso.       "Logo depois, senti-me
transformado na Summa Theologica de S. Toms, impressa     num volume, e
encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas; idia     esta
que me deu ao corpo a mais completa imobilidade_" (M. DE Assis apud S.
SILVEIRA, Li6es, 306).       "... Os seus olhos serenos, como o cu,
que imitavam na cor, tomaram a terrvel     expresso que ele costumava
dar-lhes no revolver dos combates, olhar esse que, s     por si, fazia
recuar os inimigos" (HERCULANo, apud. S. SILVEIRA).           Nas
oraes exclamativas ocorre tambm a posposio: que dia este!
Mesmo pode corresponder a dois vocbulos. latinos: idem e ipse. No
primeiro caso, denota identidade e reclama a presena do artigo ou de
outro demonstrativo:           Disse as mesmas coisas. Referiu-se ao
mesmo casal. Falou a este mesmo homem.           Idntico a ipse,
emprega-se junto a substantivo ou pronome e equi-     vale a prprio, em
pessoa (em sentido pr6prio ou figurado)('):                     Ela
mesma se condenou.               ,speito do ipio latino faz Blatt um
comentrio que se pode aplicar ao nosso       (1) A re     mesmo: "Pour
des raleons historiquem, on a Pliabitude de ranger ipie parmi les
pronome     dmonstratite, biem que, si Von tient au mens, on puisse
pluc lgitfmement le qualifier Wintensif"     (Prdcis de Syntaxe Latine,
S 186).         267 #           Em ambos os sentidos, mesmo pode
aparecer antes ou depois do subs-     tantivo. Nota-se apenas, na lngua
moderna, certa preferncia para a ante-     posio, quando o
demonstrativo assume o valor de idem, isto , indica     identidade.
Pronome indefinido           Nem sempre se pode estabelecer claramente a
diferena entre simples     indefinidos, tratados neste lugar, dos
quantitativos indefinidos; isto porque     certos indefinidos aparecem
aplicados  quantidade.           Empregos e particularidades dos
principais indefinidos. - O inde-     finido pode estender a sua
significao a todos os indivduos de uma classe:           Todos os
homens so bons. Cada livro deve estar no lugar prprio. Qualquer
falta merece ser punida.       Livro algum ser retirado sem
autorizao. Nenhum erro foi cometido.           A significao do
indefinido se pode estender apenas a um ou a alguns     indivduos de
uma classe:         Certas folhas ficaram em branco. Da surgiro outros
enganos.         Sobre os principais pronomes indefinidos
acrescentaremos:         a) A Igum           Anteposto ao substantivo,
tem valor positivo: Recebeu algum recado     importante.       Posposto
ao nome, assume significao negativa, podendo ser substi-     tudo
pelo indefinido negativo nenhum. Ocorre com maior freqncia     este
emprego em frases onde j existem expresses negativas (no, nada,
sem, nem) :           No vimos sinal algum de perigo.       "Nunca
juizo algum alto e profundo        Nem cftara sonora ou vivo engenho
Te d por isso fama nem memria        Mas contigo se acabe o nome e
glria"           OBSERVAO: Em linguagens de outras     valor
positivo:      "Desta gente refresco algum tomamos       E do rio fresca
gua; mas contudo       Nenhum sinal aqui da ndia achamos" (CAM., Lus,
V, 69.).       Entenda-se: tomamos algum refresco (isto : mantimentos).
(CAM., Lus., IV, 102).         pocas, podia algum posposto assumir
268 #           "Palavra alguma arbia se conhece       Entre a
linguagem sua que falavam" (ID., ibid., V, 76).       Isto :
reconhece-se uma ou outra palavra rabe.       Podia ocorrer algum
anteposto com significao negativa:       "Vs, a quem no somente
algum perigo       Estorva conquistar o povo imundo" (CAM., Lus., VII,
2).       Entenda-se: nenhum perigo, perigo algum.       Finalmente,
podia ainda haver a posposio da palavra negativa ao substantivo
seguido de algum:       "Assim fomos abrindo aqueles mares       Que
gerao alguma no abriu" (CAM., Lus, V, 2).         b) Cada
junta-se a substantivo singular, a numeral coletivo e expresses for-
madas por numeral seguido de substantivo no plural:       "Uma iluso
gemia em cada canto,       Chorava em cada canto uma saudade" (Lus
GUIMARES JNIOR).       Cada sculo possui seus homens importantes.
Faz prova em cada trinta dias.            condenado o emprego de cada
em lugar de cada um nas referncias     a nomes expressos anteriormente:
Os livros custam trinta cruzeiros cada (por cada um).           Cada no
sofre variao, mas a concordncia do verbo com o sujeito     se
processa normalmente:       "Convm notar o trduo das Lemrias
No corre a flux: cada dois dias levam       entre si um profano
intercalado" (CAsTiLHo, Fastos, 111, 57. Exemplo colhido       em F.
CosTA, Lxico, 53).       OBsERvAo: Com exagero, j se condenou por
mal soante a expresso por     cada, que, segundo a crtica, lembraria
porcada (vara de porcos). Rui (Rplica, 126,     ed. da Imprensa
Nacional) defendeu brilhantemente o falso cac6fato (mau som).
Lembra Sousa da Silveira o valor intensivo de cada, como no seguinte
exemplo:       '. Ento  cada temporal, que at parece que os montes
estremecem" (EA, A     Cidade e as Serras, 288, apud. Li6es de
Portugus,  388).       Conta cada histria 1         c) Certo
 exclusivamente na lngua moderna pronome indefinido quando
antecede ao substantivo:       "A vida celibata, podia ter certas
vantagens prprias, mas seriam tnues, e com-     pradas a troco da
solido" (M. DE Assis, Brds Cubas, 306).         269 #           Havendo
nfase, poder aparecer um certo, expresso que tem sido,     com algum
exagero, recriminada pelos gramticos. Alexandre Herculano,     notvel
escritor portugus, talvez influenciado pelas teorias gramaticais
reinantes, aboliu, em redaes posteriores, o artigo indefinido (junto
ou     no a palavras indefinidas), tirando, muita vez, o colorido
enftico do     trecho primitivo. De um certo usou ele nos seguintes
passos:           "Foroso  que um poeta creia no pensamento, que o
agita, e no ideal, aonde     tem de ir buscar um certo nmero
d'exiOncia..." (Fragmentos, 162).       "Passado todo este tempo os
escravos de um certo Adcio, que herdara o domnio     daquela
montanha..." (ibid, 215).           Posposto ao substantivo, certo fixou
o seu emprego de adjetivo, com     o sentido de "acertado% "ajustado",
"exato", "verdadeiro". Ambos os     sentidos, indefinido e
qualificativo, so aproveitados nos seguintes jogos     de palavras:
Tenho certos amigos que no so amigos certos.           Note-se, com o
Diciontrio Contempordneo, que certo atenua o que     na significao do
substantivo haja de demasiadamente absoluto, quando     este indefinido
vem anteposto a nome que exprime qualidade, proprie-     dade ou modo de
ser:         Goza de certa reputao de talento,     A pera tem uma
certa novidade.           Nesta significao atenuativa, certo,
equivalente a algum (e flexes),     se aproxima dos quantitativos
indefinidos.           Nota - No portugus de outras pocas a funo de
adjetivo ocorria,     ou podia ocorrer, ainda anteposto ao nome:
"Deveis de ter sabido claramente       Como  dos fados grandes certo
intento" (isto : intento certo) - (CAM6ES,     Lus, 1, 24).       "Esta
ilha pequena que habitamos        em toda esta terra certa escala (i.:
escala certa)       De todos os que as ondas navegamos" (ID., ibid, 1,
54).       "Atento estava o rei na segurana       Com que provava o
Gama o que dizia;       Concebe dele certa confiana, (i. : confiana
segura)       Crdito firme em quanto proferia" (ibid, VIII, 76).
d) Nenhum         algum:         Refora a negativa no, podendo ser
substitudo pelo indefinido,         No tnhamos nenhuma dvida at
aquele momento.         270 #           Sem nfase, nenhum vem
geralmente anteposto ao substantivo; ha-     vendo desejo de avivar a
negao, o indefinido aparece posposto:       "Que  l? redargi; no
cedi cousa nenhuma, nem cedo" (M. DE Assis, Brs     Cubas, 134).
Referindo-se o nome no plural, nenhum se flexiona:       "Mas se anda
nisto mistrio, como quer o condestvel, espero que no sero
nenhuns feitios..." (REBELO DA SILVA, Contos e Lendas, 3.a ed., 195).
Em certas frases de formas afirmativas, nenhum pode adquirir valor
afirmativo, como sinnimo de qualquer:       Mais do que nenhum homem,
ele trabalhava para a tranqilidade.           Enquanto nenhum  um
termo que generaliza a negao, nem um se     refere  unidade:
No tenho nenhum livro.     No tenho nem um livro, quanto mais dois.
Pronome relativo           Usa-se o qual (e flexes) em lugar de que,
principalmente quando     o relativo se acha afastado do seu antecedente
e o uso deste ltimo possa     dar margem a mais de uma interpretao:
O guia da turma, o qual nos veio visitar hoje, prometeu-nos voltar
depois (com     o emprego de que o sentido ficaria ambguo).
Pode-se ainda recorrer  repetio do termo:     "Arrastaram o saco para
o paiol e o paiol ficou a deitar fora" (C. NETO, Aplogos, 12).
D-se ainda o afastamento do relativo em relao ao seu antecedente
era exemplos como o seguinte:       No fundo de um triste vale dos
Abruges, terra angustiada e sfara, um pobre     eremita vivia que
deixara as abominaes do sculo pela soledade do deserto (Joo
Rimuto, Floresta de Exemplos, 2, 219).         Hoje  mais comum
construir:         "eremita que deixara... vivia" ou "vivia um pobre
eremita que deixara...".           Em geral substitui-se que por o (a)
qual depois de preposio ou     locuo prepositiva de duas ou mais
slabas. Empregamos sem que ou     sem o qual, a que ou ao qual, de que
ou do qual, mas dizemos com mais     freqncia apesar do qual, conforme
o qual, perante o qual, etc. O mo-     vimento rtmico da frase e a
necessidade expressiva exigem, nestes casos,     um vocbulo tnico
(como o qual) em lugar de um tono (como que).         271 #
Com freqncia, a preposio que deveria acompanhar o relativo
emigra para o antecedente deste relativo:           "A barra  perigosa,
como dissemos; porm a enseada fechada  ancoradouro seguro,     pelo
que (o porque, razo por que) tem sido sempre couto dos corsrios de
Berbria"     (A. HERCULANO, Fragmentos, 69).       "... at o induzirem
a mand-lo sair da corte, ao que (o a que) D. Pedro atalhou     com
retirar-se antes que lhe ordenassem" (ID., ibid., 91).       "... no
tardou a ser atravessado, pelo corao, com uma seta, do que (o de que)
imediatamente acabou (ID., ibid, 97).           A construo regular,
sem migrao da preposio,  pouco usada e     se nos apresenta como
artificial:       "Assim me perdoem, tambm, os a quem tenho agravado,
os com quem houver     sido injusto, violento, intolerante_" (R. BARWSA,
Orao aos Moos, 23).           Na linguagem coloquial e na popular
pode aparecer o pronome rela-     tivo despido de qualquer funo
sinttica, como simples conectivo     oracional. A funo que deveria
ser desempenhada pelo relativo vem     mais adiante expressa por um
substantivo ou pronome precedido de pre-     posio.  o chamado
relativo universal que, desfazendo uma complicada     contextura
gramatical, se torna um "elemento lingstico extremamente     prtico"
(1):                         Ali vai o homem que eu falei com ele
por                          Ali vai o homem com quem eu falei
Costuma-se empregar ainda que ou quem seguido de pronome pessoal
oblquo (que ou quem... lhe) onde o rigor gramatical estaria a pedir
este relativo precedido de preposio.  prtica antiga que ainda
persiste     no colquio moderno:       "Agora sim, disse ento aquela
cotovia astuta, agora sim, irmo, levantemos o vo     e mudemos a casa,
que vem quem lhe di a fazenda" (= o a quem di a fazenda)     (MANUEL
BERNARDES, 1, 70).           Outras vezes o relativo no se refere
propriamente ao seu antecedente,     mas a um termo a ele relacionado:
"Bem vs as lusitdnicas fadigas           Que eu j de muito longe
favoreo" (CAmEs, Lustadas, 11, 171).           O pronome relativo se
refere a lusitanos, idia contida no adjetivo     lusitMicas.     .
"Isto que parece absurdo ou desgracioso  perfeitamente racional e belo
- belo      nossa maneira, que no andamos a ouvir na rua os rapsodos
recitando os seus versos,     nem os oradores os seus discursos, nem os
filsofos, as suas filosofias" (M. DE Assis,     apud S. DA SILVEIRA,
Revista de Filologia e de Histria, 1, 28). Aqui o relativo se
refere ao pronome pessoal ns que se depreende do pronome possessivo
nossa.           (1) K. NyRoP, Gra~aire Ristorique de Ia Langue
Franaise, V, pg. 330.         272 #           No pertence  boa norma
da lngua repetir sob forma pronominal     a funo sinttica j
desempenhada pelo relativo. So escassos os exem-     plos como os
seguintes:           "(nome) que to dissesse a brisa perfumada
Lasciva perpassando pelas flores" (CAsimiao DE ABREU, Obras, ed. S. DA
SILVEIRA,      29).       "... o homem que se destina, ou que o
destinou seu nascimento, a uma vocao     pblica, no pode sem
vergonha ignorar as belas-letras e os clssicos" (A. GARKET,     apud S.
DA SILVEIRA, ibid.).           Tambm no  para imitar o emprego de
cujo (e flexes) significando     o qual (e flexes). Os exemplos que
dele se nos deparam na pena de um     bom conhecedor do idioma cortio
Filinto Elsio se devem explicar como     uma iniciativa do idioleto do
escritor, mas que no ganhou foros de cidade.         3 - EMPREGO DO
VERBO         Emprego de tempos e modos           1) Indicativo. -  o
modo que normalmente aparece nas oraes     independentes, e nas
dependentes que encerram um fato real ou tido     como tal.
Presente - O presente denota uma declarao:     a) que se verifica ou
que se prolonga at o momento em que se fala:       "ocorre-me uma
reflexo imoral, que  ao mesmo tempo uma correo de estilo"     (M. DE
Assis, Brds Cubas, 56).         b)                    que acontece
habitualmente:                       A Terra gira em torno do Sol.
c)                         que representa uma verdade universal:
"O interesse adota e defende opinies que a conscincia reprova" (M. DE
MARIC).           Emprega-se o presente:     a)pelo pretrito, em
narraes animadas e seguidas (presente histrico),       como para dar
a fatos passados o sabor de novidade das coisas atuais:           "Pela
manh, bates-lhe  porta, chamando-o. Como ningum responda, procuras
entrar. Um peso imprevisto detm o esforo do teu brao. Insistes.
Entras. E recuas,     os olhos escancarados, o rosto transfigurado pela
dor e pelo assombro, o corao parado     no peito" (HumBERTo Dz CA~
Sombras que Sofrem, 16-17).         273         i #         b) pelo
futuro do indicativo para indicar com nfase uma deciso-
Amanh eu vou  cidade.         c) pelo pretrito imperfeito do
subjuntivo:                   Se respondo mal ele se zangaria,
d) pelo futuro do subjuntivo:                Se queres a paz prepara-te
para a guerra.           OBsERvAo: Para exprimir ao comeada
emprega-se, em geral, o verbo estar     seguido de infinitivo precedido
de a ou gerndio.                      Estava {    a falarsobre tal
assunto.                       falando {           Pretrito imperfeito
- Emprega-se quando nos transportamos men-     talmente a uma poca
passada e descrevemos o que ento era presente:       "Eugnia coxeava
um pouco, to pouco, que eu cheguei a perguntar-lhe se machu-     cara o
p" (M. DE Assis, Brs Cubas, 193).           Nos pedidos e solicitaes
ou denota que duvidamos da realizao do     fato ou exprime um desejo
feito com modstia:       " Queria viver para o seu filho. ~  como ele
explicava o desejo da vida" (CAmun     CAsTELo ~co, A Neta do Arcediago,
22).       Sr. Manuel, eu desejava telefonar.,           Pode
substituir, principalmente na conversao, o futuro do pretrito,
quando se quer exprimir fato categrico:       ---Seme desprezasse,
morreria, matava-me" (C. C. BitANco, ibid, 19).           Pretrito
perfeito - "O pretrito imperfeito  o tempo da ao pro-     longada ou
repetida com limites imprecisos; ou no nos esclarece sobre     a
ocasio em que a ao terminaria ou nada nos informa quanto ao
momento do incio. O pretrito perfeito pelo contrrio fixa e enquadra
a ao dentro de um espao de tempo determinado"('):           "Marcela
teve primeiro um silncio indignado; depois fez um gesto magnfico:
tentou atirar o colar  rua. Eu retive-lhe o brao; pedi-lho muito que
no me     fizesse tal desfeita, que ficasse com a jia. Sorriu e ficou"
(M. Dz Assis, Brds Cubas, 57)).         O pretrito composto (tenho
trabalhado) exprime:         ti) repetio ou prolongao de um fato at
o momento em que se fala,       ou fato habitual:           "No me tens
dito nada das tuas ocupaes nessa casal, (CAmiLo, Correspondncia
Epistolar, 11, 133).         (I) M. SAm ALI, Gram. Histdrica, 11, 103.
I         I         274 #         b) fato consumado:         I
Tenho dito (no fim dos discursos).           Pretrito mais-que-perfeito
(simples e composto) - Denota uma ao     atiterior a outra j passada:
"No dia seguinte, antes de me recitar nada, explicou-me o capito que s
por     motivos graves abraara a profisso martima..." (M. DE Assis,
ibid., 66-67).           OBSERVAO: Em certas oraes temporais aparece
o pretrito perfeito onde se     esperaria o mais-que-perfeito:
"Logo que se retirou o inimigo, mandou D. Joo Mascarenhas enterrar os
mortos"     (E,jFNio DIAs, Gramtica Elementar, 208).       "Ao revs
encontra-se em ora5es subordinadas o mais-que-perfeito correspondendo
a um presente da orao subordinada, quando este presente tem o sentido
de um     pretrito, v.g. Os antiqurios; dizem (= deixaram escrito) que
ele vivera neste     reinado" (ID., ibid.).           Emprega-se ainda o
mais-que-perfeito simples em lugar do futuro do     pretrito do
indicativo e do pretrito do subjuntivo, o que serve hoje como     trao
estilstico de linguagem solene:       "dizendo: Mais servira (=
serviria), se no fora (= fosse) para to longo amor     to curta a
vida" (CAmEs, Rimas, 147).       "Que fora (= seria) a vida, se nela
no houvera (= houvesse) lgrimas?" (A.     HERCULANO, Eurico, 32).
Futuro - O futuro do presente e o do pretrito denotam uma ao que
ainda se vai realizar:       "Os homens nos Parecero sempre injustos
enquanto o forem as pretensbes do     nosso amor prprio" (M. DE
MAiuc).       "Sem a crena em uma vida futura, a presente seria
inexplicvel" (ID.).         I           O futuro do presente pode ainda
exprimir:         a) em lugar do presente, incerteza ou idia
aproximada, simples possibi-     lidade ou asseverao modesta:
"O mal no ser a especiaria do benir (ID.).       Ele ter seus vinte
anos.           No caso de ser empregado, em linguagem polida, nas
interrogaes,      futuro "no obriga o interlocutor a responder, como
quando se emprega      verbo no presente ou no pretrito"(').       b)
em lugar do imperativo, uma ordem ou recomendao, principalmente
nas prescries e recomendaes morais:       Defenders os teus
direitos       No furtars         (1) SAiD AU, Gramdtica Secunddria,
225.         275 #           "Nas oraes condicionais de se, nas
temporais de quando e enquanto, nas con-     formativas (de segundo e
conforme, etc.), nas adjetivas que denotam simples concepo%     o
futuro indicativo  substitudo pelo futuro conjuntivo (subjuntivo) - o
qual s     nestas oraes se usa (ou tambm em certos casos pelo
presente conjuntivo); assim     diz-se: se veio, se vi, mas: se vir,
quando veio, quando vi, mas: quando vir, aquele     que v, aquele que
viu, mas: aquele que vir" (EPIFNio DiAs, Gramdtica Elementar,     
209-a, obs.).           O futuro do pretrito se emprega ainda para
denotar:         a) que um fato se dar, agora ou no futuro, dependendo
de certa       condio:           "A vida humana seria incomportvel
sem as iluses e prestgios que a circundam"     (M. DE MARIC).
"Se pudssemos chegar a um certo grau de sabedoria, morreramos tsicos
de amor     e admirao por DeuC (ID.).         b) asseverao modesta
em relao ao passado, admirao por um fato       se ter realizado:
Eu teria ficado satisfeito com as tuas cartas (R. DE VA~CELOS).     Ns
pretenderamos saber a verdade.     Seria isso verdadeiro?
Emprega-se o auxiliar tivera (ou houvera) na orao condicional, em
lugar do mais-que-perfeito, em relao a um futuro do pretrito posto
na orao principal:       Estudaria (ou teria estudado), se tivera (=
tivesse) sabido da prova.           2) Subjuntivo. - O modo subjuntivo
ocorre normalmente nas     oraes independentes optativas, nas
imperativas negativas e afirmativas     (nestas ltimas com exceo da
2.a pessoa do singular e plural), nas     dubitativas com o advrbio
talvez e nas subordinadas em que o fato      considerado como incerto,
duvidoso ou impossvel de se realizar:           Bons ventos o levem.
"No e-Prestes, no disputes, no maldigas e no ters de arrepender-te"
(M.     DE MARIC).       "No desenganemos os tolos se no queremos ter
inumerveis inimigos" (ID.).       "Louvemos a quem nos louva para
abonarmos o seu testemunho" (ID.).       "Talvez a estas horas desejem
dizer-te peccavi! Talvez chorem com lgrimas     de sangue" (A.
HERcuLANo, Monge de Cister, 1, 58).       "Faltam-nos memrias e
documentos coevos em que possamos estribar-nos para     relatar tais
sucessos" (Im, Histria de Portugal, 1, 451).           OBSERVAO: s
vezes ocorre o indicativo com talvez: "Magistrado ou guerreiro,     de
justo ou generoso se gaba: - e as turbas talvez o aplaudem e celebram
seu nome"     (ID., Fragmentos, 180). Parece que o indicativo deixa
antever a certeza de que o     de que se duvida se pode bem realizar.
276 #           Nas oraes subordinadas substantivas ocorre o
subjuntivo nos     seguintes principais casos:     a)depois de
expresses (verbos, nomes ou locues equivalentes) que       denotam
ordem, vontade, consentimento, aprovao, proibio, receio,
admirao, surpresa, contentamento:       "Prouvera a Deus, venervel
Crimilde - tornou o qingentrio - que nos fosse     lcito desamparar
estes muros" (A. HERCULANO, EUriCO, 146).       "Proibi-te que o
revelasses" (ID., Monge de Cister, 1, 294).       Espero que estudes e
que sejas feliz.     b)depois de expresses (verbos ou locues formadas
por ser, estar, ficar       + substantivo ou adjetivo) que denotam
desejo, probabilidade, vul-       garidade, justia, necessidade,
utilidade:                 Cumpre que venhas cedo                 Convm
que no nos demoremos                  bom que compreenda logo o
problema     C)depois dos verbos duvidar, suspeitar, desconfiar e nomes
cognatos       (dvida, duvidoso, suspeita, desconfiana, etc.) quando
empregados       afirmativamente, isto , quando se trata de dvida,
suspeita ou des-       confiana reais:       "... me vinham  mente
suspeitas de que ela fosse um anjo transviado do cu..."     (A.
HERCULANO, Monge de Cister, 11, 321).       "A luz... que suspeitdvamos
Procedesse de lmpada esquecida por sonolento moo     de reposte..."
(ID., ibid., 333).           Se o falante tem a suspeita como coisa
certa, ou nela acreditar, o     normal  aparecer o indicativo:
"Suspeitava-se que era a alma da velha Brites que andava ali penada" (ID
ibid., 364).           Usa-se o subjuntivo nas oraes adjetivas que
exprimem:     a) fim:       "Ando  cata de um criado que seja econmico
e fiel" (RIBEIRO DE VASCONCELOS).       b)conseqncia (o relativo vem
precedido de preposio, geralmente,       com):       "Daqui levars
tudo to sobejo       Com que faas (= que com isso) o fim a teu desejo"
(CAMEs, Lusadas, 11, 4).     c) uma conjectura e no uma realidade:
Compare-se:             O cidado que ama sua ptria engrandece-a
(realidade)             O cidado que amo sua ptria engrandece-a
(conjectura)         277 #         depois de um predicado negativo, ou
de uma interrogao de sentido     negativo quando enunciam uma
qualidade que determine e restrinja     a idia expressa por esse
predicado ou interrogao:         No h homem algum que possa gabar-se
de ser completamente feliz.     Quem h a que seja completamente
feliz?(1)            Nas oraes adverbiais usa-se o subjuntivo:
a)nas causais de no porque, no (ou nem), quando se quer dizer que
a razo aludida no  verdadeira:       "Deitei-me ontem mais cedo, no
porque tivesse sono, mas porque precisava de     me levantar hoje de
madrugada" (R. DE VASCONCELOS, Gramdtica Portuguesa, 274).     b)nas
concessivas de ainda que, embora, conquanto, posto que, se bem
que, por muito que, por pouco que (e semelhantes), no havendo
entretanto, completo rigor a respeito:       "Ainda que perdoemos aos
maus, a ordem moral no lhes perdoa, e castiga a     nossa indulgncia"
(M. DE MARIC).       "Por mais sagaz que seja o nosso amor prprio, a
lisonja quase sempre o en-     gana" (ID.).           Entram neste rol
as alternativas de sentido concessivo (ou... ou,     quer ... quer) e as
concessivas justapostas do tipo de fosse ele o culpado,     ainda assim
lhe perdoaria.     c)nas condies de se, contanto que, sem que, a no
ser que, suposto que,       caso, dado que, para exprimir hiptese, e
no uma realidade. Entra       ainda neste grupo a comparativa
hipottica como se:       "Se as viagens simplesmente instrussem os
homens, os marinheiros seriam os mais     instrudos" (M. DE MARIC).
"E moviam os lbios, como se tentassem falar" (A. HERCULANO, Eurico,
26).           Se se tratar de coisa real ou tida como tal, geralmente
aparece o     indicativo:       "No h momento que perder, se queremos
salvar-nos" (ID., bd., 253),     d)nas consecutivas quando se exprime
uma simples concepo e no um       fato real:       "Devemos regular a
nossa vida de modo que possamos esperar e no recear depois     de nossa
morte" (M. DE MARIC).       "No subais to alto que a queda seja
mortal" (ID.).         e)        nas finais:       "Os maus so
exaltados para serem felizes, para que caiam do mais alto e sejam
esmagados" (U).).         (1)
RIBEIRO DE VASCONCELOS, GramMica Portuguesa, 274-5         278         I
I #         I         I         nas temporais de antes que, assim que,
at enquanto, depois que, logo      u, uando ocorrem nas newares ou nas
indicaces de simDles con-         cepo, e no uma realidade (caso em
que aparece o indicativo           "Cumprirei o que ordenas, porque
jurei obedecer-te cegamente enquanto     salvissemos a irm de Pelgio"
(A. HEacuLANo, Eurico, 215).         Casos -Particulares           1) A
orao substantiva que completa a exclamao de surpresa quem     diria
constri-se com indicativo ou subjuntivo:         Quem diria que ele era
capaz disso.     Oucra diria aue ele fosse cal)az disso         2) com
os indefinidos do tipo o que quer que  mais comum o em         prego do
subjuntivo:         Saiu com o que quer que fosse         A. Herculano
vacilou entre o emprego de fosse (ed. de 1876) e era         (ed. de
1864) no seguinte passo:         "Com um olhar de simpatia e compaixo,
misturada do que quer que era de         admiraro e de terror
involuntrio" (Eurico, 265, ed. 1864).           3) Tambm tm o verbo
no subjuntivo as oraes introduzidas por     que, quando restringem a
generalidade de um asserto:         "No h, que eu saiba, expresso
mais suave" (1).          3) Imperativo. - Cumpre apenas acrescentar ao
que disse na pg. 11     ue o infinitivo pode substituir o imrwrativo
nas ordens instantes:           "Todos se chegavam para o ferir, sem que
a D. lvaro se ouvissem outras palavras     seno estas: Fartar,
rapazes" (A. HERcuLANo, Fragmentos, 98).           OBuavAclo: Os casos
aqui lembrados esto longe de enquadrar a trama com-     plexa do
emprego de tempos e modos em portugus. So vrias as situao que
podem, ferindo os princpios aqui expostos, levar o falante ou escritor
a buscar novos     meios mais expressivos. So questes que fogem ao
mbito da Gramtica e constituem         preocupao da Estilstica.
Emprego das formas nominais. - A respeito das formas nominais,
cumpre acrescentar ao que se disse nas pginas anteriores:         (1)
EPIFANio DIAs, GramMica Portuguesa Elementar, 128.         279 #
Emprego do inf initivo (flexionado e sem flexo).         1 - Infintivo
pertencente a uma locujo verbal :           No se flexiona normalmente
o infinitivo que faz parte de uma locu-     o verbal:           "E o
seu gesto era to desgracioso, coitadinho, que todos,  exceo de
Santa,     Puseram-se a rir" (A. DE AzEvEDo, apud Ant. Nacional, 138).
"Pois, se ousais levar a cabo vosso desenho, eu ordeno que o faas" (A.
HEacuLANo,     ibid., 196).       "Depois mostraram-lhe, um a um, os
instrumentos das execues, e explicaram-lhe     por mido como haviam
de morrer seu marido, seus filhos e o marido de sua filha"     (CAmiLo,
ibid, 221).           Encontram-se exemplos que se afastam desse
critrio quando ocorrem     os seguintes casos:     a)o verbo principal
se acha afastado do auxiliar e se deseja avivar a       pessoa a quem a
ao se refere:           "Possas tu, descendente maldito       De uma
tribo de nobres guerreiros,       Implorando cruis forasteiros,
Seres presa de vis Aimors" (G. DIAS, Poesias, 11, 31, ed. M. BANDEIRA).
... dentro dos mesmos limites atuais podem as cristandades nascerem ou
anula-     rem-se, crescerem ou diminuirem em certos pontos dessem
vastos territrios" (A.     HERcuLANo, Fragmentos, 173).         b)
o verbo auxiliar, expresso anteriormente, cala-se depois :
"Queres ser mau filho, deixares uma ndoa dInfmia na tua linhagem" (A.
HERcuLANo, ibid., 174).         2 - Infinitivo dependente dos verbos
causativos e sensitivos :           Com os causativos deixar, mandar,
fazer (e sinnimos) a nonna      aparecer o infinitivo sem flexo,
qualquer que seja o seu sujeito:           "Sancho II deu-lhe depois por
vlida a carta e mandou-lhes erguer de novo os     marcos onde eles os
haviam posto" (A. HERcuLANO, apud Fragmentos, 64).       "Fazei-os
parar" (ID., ibid., 75).       "Deixai vir a mim as criancinhas".
Mas flexionado em: "e deixou fugirem-lhe duas lgrimas pelas faces"
(ID., ibid.,     155)(1).           (1) A flexio se apresenta geralmente
quando o Infinitivo vem acompanhado de um     pronome pessoal oblquo
tono.         280         i #           Com os sensitivos ver, ouvir,
olhar. sentir (e sinnimos) o normal      empregar-se o infinitivo sem
flexo, embora aqui o critrio no seja to     rgido:       "Olhou
para o cu, viu estrelas... escutou, ouviu ramalhar as rvores" (ID.,
ibid, 101).       " ... o terror fazia-lhes crer que j sentiam ranger e
estalar as vigas dos simples. . . "     (ID., ibid, 172),           Os
seguintes exemplos atestam o emprego do infinitivo flexionado:       "Em
Alcoentre os ginetes e corredores do exrcito real vieram escaramuar
com     os do infante, e ele prprio os ouvia chamarem-lhe traidor e
hipcrita" (ID., ibid., 96).       "Creio que comi: senti
renovarem-se-me as foras" (lu., ibid., 172).         OBURVAES:
La) Com os causativos e sensitivos pode aparecer ou no o pronome tono
que     pertence ao infinitivo: "Deixei-o embrenhar (por embrenhar-se) e
transpus o rio     aps ele" (ID., ibid., 77); "O faquir deixou-o
afastar (por afastar-se)" (ID., ibid,);     "Encostando-se outra vez na
sua dura jazida, Egas sentiu alongar-se a estrupiada dos
cavalheiros_" (ID., O Bobo, 265-6, ed. 1878); "E o eremita viu-a, ave
pernalta e     branca, bambolear-se em vo, ir chegando, passar-se para
cima do leito, aconchegar-se     ao pobre homem..." U0X0 RIBEMO,
Floresta de Exemplos, 327). Por isso no cabe     razo a Mmo B~To
(Atravs do Diciondrio,9.51 da 3.R ed.) quando condena,     nestes
casos, o aparecimento do pronome tono.       2.a) Aqui tambm o
infinitivo pode aparecer flexionado por se calar o auxiliar:     '~viu
alvejar os turbantes, e, depois surgirem rostos tostados, e, depois,
reluzirem armas---     (A. HF.ReuLANo, Eurico, 257).         3 -
Infinitivo fora da locuo verbal :           Fora da locuo verbal,
---aescolha da forma infinitiva depende de     cogitarmos somente da
ao ou do intuito ou necessidade de pormos em     evidncia o agente do
verbo"(').       O infinitivo sem flexo revela que a nossa ateno se
volta com     especial ateno para a ao verbal; o flexionamento serve
de insistir na     pessoa do sujeito:                para vencer na vida
Estudamos { para vencermos na vida           Ocorre o infinitivo
flexionado nos seguintes casos principais:     1.0)"sempre que o
infinitivo estiver acompanhado de um nominativo,       sujeito, nome ou
pronome (quer igual ao de outro verbo, quer       diferente);
sempre que se tornar necessrio destacar o agente, e referir a ao
especialmente a um sujeito, seja para evitar confuso, seja para tornar
mais claro o pensamento. O infinitivo concordar com o sujeito que
temos em mente;         (1) SAw AM, Gratndtica Secunddria, 246.
281 #     3.0)quando o autor intencionalmente ps em relevo a pessoa a
que o        verbo se refere"('):           Estudamos para ns vencermos
na vida       "Beijo-vos as mos, senhor rei, por vos lembrardes ainda
de um velho homem     de armas que para nada presta hoje" (A. HERcuLANo,
apud. Antologia Nacional, 195).       ,, permitido aos versistas
poetarem em prosa" (CAmmo, A Queda dum Ano, 60).         APNDICE
PASSAGEM DA VOZ ATIVA A PASSIVA E VICE-VERSA           Em geral, s pode
ser construdo na voz passiva verbo que pede objeto     direto,
acompanhado ou no do indireto. Dai a lngua padro lutar contra
linguagens do tipo:                       A missa foi assistida por
todos,         uma vez que o verbo assistir, nesta acepo, s se
constri com objeto indi-     reto: Todos assistiram  missa.       
fora do uso j se fazem concesses aos verbos:
apelar: A sentena no foi apelada.               aludir: Todas as
faltas foram aludidas.               obedecer: Os regulamentos no so
obedecidos.               pagar: As pensionistas foram pagas ontem.
perdoar: Os erros devem ser perdoados.               responder: Os
bilhetes seriam respondidos hoje.           Na passagem da ativa para a
passiva segue-se o esquema:         1.0)
o sujeito da ativa, se houver, passa a agente da passiva;         2.0)
o objeto direto da ativa, se houver, passa a sujeito da passiva;
3.11) o verbo da voz ativa passa para a voz passiva, conservando-se o
mesmo      1 tempo e modo;         4.0)
no sofrem alterao os outros termos oracionais que apaream.
Exemplo 1                                        A tiva
Eu 11 o livro                                           Passiva
o livro foi lido por mim         Exemplo 2: (com pronome oblquo)
Ns o ajudamos ontem - Ele, ontem, foi ajudado por ns.         (1) SAm
ALI, Dificuldades da Lingua Portuguesa, 5.a ed., 72.         282 #
Exemplo 3: (com sujeito indeterminado)         Enganar-me-lo ~ Eu serei
enganado.         Exemplo 4: (com tempo composto)     Eles tm cometido
erros - Erros tm sido cometidos por eles. Exemplo 5 :(com sujeito
indeterminado de verbo que aparecer na             passiva pronominal)
Vendem casas  - Vendem-se casas             Vendem esta casa - Vende-se
esta casa.         4 - EMPREGO DE PREPOSIOES         1) A
Esta preposio aparece nos seguintes principais empregos:         a)
Introduz complementos verbais (objetos indiretos) e nominais repre-
sentados por nomes ou pronomes oblquos tnicos:       "Perdoamos mais
vezes aos nossos inimigos por fraqueza, que por virtude" (M.     DE
MARIC).       "O nosso amor prprio  muitas vezes contrrio aos nossos
interesses       "A fora  hostil a si prpria, quando a inteligncia a
no dirige" (ID.).         b) Introduz objetos diretos nos casos
apontados na pg. 208.       "O mundo intelectual deleita a poucos, o
material agrada a todos" (ID.).       "O homem que no  indulgente com
os outros, ainda se no conhece a si     Pl'pl'iO" (ID.).         c)
Prende infinitivos a certos verbos que o uso ensinar:       "Os homens,
dizendo em certos casos que vo falar com franqueza, parecem dar     a
entender que o fazem por exceo de regra" (ID.).           Geralmente
tais verbos indicam a causa, o incio, a durao-a conti-     nuao ou
o termo de movimento ou extenso da idia contida no verbo     prin
cipal. Os principais so:     abalanar-se, acostumar-se, animar-se,
anuir, aparelhar-se, aprender, apressar-se, arro-     jar-se, aspirar,
atender, atrever-se, autorizar, aventurar-se, chegar, comear (tambm
com de e por), concorrer, condenar, continuar, costumar, convidar
(tambm com para),     decidir-se, entrar, estimular, excitar-se,
expor-se, habilitar-se, habituar-se, meter-se,     obrigar, por-se,
principiar, resolver, vir.         d) Prende infiditivos a certos
verbos, formando locues equivalentes e       gerindios de sentido
progressivo:       "Anda visitando os defuntos? disse-lhe eu. Ora
defuntos 1 respondeu Virglia com     um muxoxo. E depois de me apertar
as mos: - Ando a ver se ponho os vadios para     a rua" (M. DY, Assis,
apud, S. SILVEIRA, Lies, 309).         283 #         e)
Introduz infinitivo designando condio, hiptese, concesso, exceo:
A ser verdade o que dizes, prefiro no colaborar.       "A filha estava
com quatorze anos; mas era muito fraquinha, e no fazia ilada,     a no
ser namorar os capadcios que lhe rondavam a rtula" (M. DF, Assis, Brds
Cubas, 201).      1)Introduz ou pode introduzir o infinitivo da orao
substantiva sub-      jetiva do verbo custar (cf. pg. 236):
"Custou-lhe muito a aceitar a casa" (M. DE Assis, ibid., 194).
g) Introduz numerosas circunstncias, tais como:           1) termo de
movimento ou extenso:              "Nesse mesmo dia levei-os ao Banco
do Brasil" (ID., ibid., 151).           OBsERvAo: Com os advrbios
aqui, ld, cd e semelhantes no se emprega pre-     posio: "Vem c,
Eugnia, disse ela..." (ID., ibid., 96).           2) tempo em que uma
coisa sucede:           "Indaguei do guarda; disse-me que efetivamente
"esse sujeito" ia por ali s vezes.     - A que horas?" (ID., ibid,
172).         3)          fim ou destino:         cional, 145).
.. apresentaram-se a falar ao imperador" (R. POMPIA, apud Antologia Na-
Tocar . missa (= para assistir  missa).           4) meio, instrumento
e modo:           matar  fome, fechar  chave, vender a dinheiro, falar
aos gritos, escrever.a lpis,     viver a frutas, andar a cavalo.
Com os verbos limpar, enxugar, assoar indicamos de preferncia o
instrumento com em, e os portugueses com a :           9impar as
lgrimas no leno",- "limpar as lgrimas ao leno".         5) lugar,
aproximao, contigidade, exposio a um agente fsico:         "Vejo-a
a assomar  Porta da alcova..." (M. DE Assis, Brs Cubas, 14).     Estar
 janela, ficar  mesa, ao Porto, ao sol.           6) semelhana,
conformidade:           ---Nosai a ns, que gostamos da paz,.." (M. DF.
Assis, apud S. DA SILVEIRA,     Lies, 310).     "Desta vez falou ao
modo bblico" (ID., ibid.)     Quem puxa aos seus no degenera.
284 #           7) distribuio                  proporcional, gradao:
um a um, ms a ms, pouco a pouco       OtisERvAo: Diz-se Pouco a
pouco, pouco e pouco, a pouco e pouco.       "Pouco a pouco muitas
graves matronas... se tinham alongado da corte para     %uas honras e
solares" (A. HERCULANO, O Bobo, 21).           8) preo: A como esto as
mas? A cem cruzeiros o quilo.       9) foi~ma numerosas locues
adverbiais:  pressa, s pressas, s claras,     s ocultas, s cegas, a
granel, a rodo, etc.           Emprego do  acentuado. - Emprega-se o
acento grave no a para     indicar que soa como vogal aberta nos
seguintes dois casos.  1.0)quando representa a construo da preposio
a com o artigo e pro-        nome a ou o incio de aquele (s), aquela
(s), aquilo, fenmeno que        em gramtica descritiva se chama crase:
Fui  cidade.       O verbo ir pede a preposio a; o substantivo cidade
pede o artigo     feminino a: Fui a a cidade.      2.0)quando representa
a pura preposio a que rege um substantivo fe-        minino singular,
formando uma locuo adverbial:  fora,  mngua,         bala, 
faca,  espada,  fome,  sede,  pressa,  noite,  tarde,        etc.
(1).         Ocorre a crase nos seguintes casos pria) diante de palavra
feminina, clara ou oculta, que no repele artigo:                  Fui 
cidade.                  Dirigia-se  Bahia e depois a Paris.
Para sabrmos se um substantivo feminino no repele artigo, basta
constru-lo em oraes em que apaream regidos das preposies de, em
por. Se tivermos puras preposies, o nome dispensa artigo; se tivermos
necessidade de usar, respectivamente da, na, pela, o artigo ser
obrigatrio:                  ..........Venho da Gvea
Fui  Gvea Moro na Gvea                  ..........Passo pela Gvea
..........Venho de Copacabana                 Fui a CopacabanaMoro em
Copacabana                    { Passo por Copacabana
OBSERVAES:       1.a) o nome que sozinho dispensa artigo, pode t-lo
quando     adjetivo ou locuo adjetiva:          Fui  Copacabana Venho
da Copacabana de minha infncia          Moro na Copacabaria de minha
infncia          de minha infncia { Passa pela Copacabana de minha
infncia                  Assim se diz: Irei  casa paterna         (1)
Cf. SAID ALI, Meios de Expressdo e Alterardes Setndfiticas, 11-23, 2A
ed.         285         acompanhado dc #           2.a) Se for
facultativo, nas condies acima, o emprego de de ou da, em ou tia,
por ou pela, ser tambm facultativo o emprego do a acentuado:
Venho          da Frana         {      de     Moro em Frana         {
na     Passo          pela Frana        { por         Fui  Frana
{ a         b) diante dos demonstrativos a, aquele, aquela, aquilo :
               Referiu-se                quele que estava do seu lado
quela                     { quilo {         c)
diante de possessivo em referncia a substantivo oculto:
Dirigiu-se quela casa e no  sua.     d)diante de locues adverbiais
constitudas de substantivo feminino       plural: s vezes, s claras,
s ocultas, s escondidas, s trs da manh.     No ocorre a crase nos
seguintes casos principais:       a) diante de palavras de sentido
indefinido:                               uma
certa                    Falou a       qualquer   pessoa
cada                           toda     OBSERVAO: H acento antes do
numeral uma: Irei v-la  uma hora.           b) diante dos pronomes
relativos que (quando o a anterior for uma     preposio), quem, cuja :
Est a a pessoa 4 que fizeste aluso.       O autor a cuja obra a
crtica se referiu  muito pouco conhecido.       Ali vai a criana a
quem disseste a notcia.           c) diante de verbo:         Ficou a
ver navios     Livro a sair em Lreve           d) diante de pronome
pessoal e expresses de tratamento como V.     Ex.a, V. S.a, V. M., etc.
No disseram a ela e a voc toda a verdade.               Requeiro a V.
Ex.a com razo.         286 #           e) nas expresses formadas com a
repetio de mesmo termo (ainda     que seja um nome feminino), por se
tratar de pura preposio:     frente a frente, cara a cara, face a
face, gota a f) diante da palavra casa quando desacompanhada de adjunto:
irei a casa logo mais     A crase  facultativa nos seguintes casos
principais :       a) antes de pronome possessivo com su~stantivo claro:
Dirigiu-se  minha casa, e no  sua                      { a
No portugus moderno d-se preferncia ao emprego do possessivo     com
artigo e, neste caso, ao a acentuado.         b) antes de nome prprio
feminino:                   As aluses eram feitas  Angela
{ a           c) antes da palavra casa quando acompanhada de expresso
que     denota o dono ou morador, ou qualquer qualificao:         Irei
~         , a         I         casa de meus pais           OBSERVAO
FINAL:  preciso no identificar crase e craseado com acento e
acentuado. Em tempos passados, principalmente entre os romnticos, a
preposio     pura a era em geral acentuada, ainda diante de masculino,
sem que isso quisesse indicar     a craseado. Da os falsos erros que se
apontam em escritores dessa poca, mormente     em J. de Alencar.
2) At           Esta preposio indica o limite, o termo de movimento,
e, acompa-     nhando substantivo com artigo (definido ou indefinido),
pode vir ou no     seguida da preposio a :
Caminharam at a escola                            {           "Ouvido
isto, o desembargador comoveu-se at s lgrimas, e 1 diste com mu,
entranhado afeto" (CAMILO, A Queda dum Anjo, 67).       " ... e prometem
ser-lhe amparo at ao fim" (ID., ibid., 77).       "Albernaz saiu fora
da roda dos amigos e foi at a um canto da sala..." (LIMA     BARRETO,
apud S. DA SILVEIRA, Lies,  496).            preciso distinguir a
preposio da palavra de incluso at que se     usa para reforar uma
declarao com o sentido de inclusive, tambm,         287 #
mesmo, ainda. A preposio pede pronome pessoal oblquo tnico e a
palavra de incluso pede pronome pessoal reto:         Ele chegou at
mim e disse toda a verdade.     At eu recebi o castigo.         3) Com
Aparece nas circunstncias de companhia, ajuntamento, simultanei-
dade, modo, maneira, meio, instrumento, causa, concesso (principalmente
seguida de infinitivo), oposio:           "Quando os bons capitulam
com os maus sancionam a prpria runa" (M. DE     MARICA).       "Nunca
agradecemos com tanto fervor como quando esperamos um novo favor- (ID.).
"A economia com o trabalho  uma preciosa mina de ouro" (ID.).
"Somos atletas na vida; lutamos com as paixes dos outros homens e com
as     nossas" (ID.).       "Queremos gover , nos perfeitos com homens
imperfeitos: disparate" (ID.).       "O silncio com ser mudo no deixa
de ser por vezes um grande impostor" (li).).       "A sociedade poltica
nasceu da famlia; mas a famlia no acabou com (= tem-     poral) a
existncia da sociedade" (A. HERCULANO, Fragmentos, 144).
Inicia o complemento de muitos verbos e nomes (obj. indireto e
complemento nominal):           "O lisonjeiro conta sempre com a
abonao do nosso amor prprio" (M. DE MARIC).       "O homem que no 
indulgente com os outros, ainda se no conhece a si     prprio" (ID.).
4) Contra         Denota oposio, direo contrria, hostilidade:
Lutava contra tudo e contra todos.               Remar contra a mar.
Votar contra algum           Condenam bons mestres como galicismo o
emprego desta preposio     depois do verbo apertar (estreitar e
sinnimos) apesar dos exemplos de     escritores corretos, uso que se
vai generalizando:           "Apertei contra o corao o punho da
espada" (A. HERCULANO, M. de Cister,     1, 37); "E Dulce caiu nos
braos do guerreiro trovador, que desta vez a estreitou     contra o
peito..." (ID., O Bobo, 144).           Tambm se considera como
galicismo contra no sentido de em troca     de : Dar a mercadoria contra
recibo (por mediante recibo).         288 #         5) De           a)
Introduz complemento de verbos (obj. indireto) e nomes (compl.
nominal) que o uso ensinar:           "Os sbios vivem ordinariamente
solitrios: receiam-se dos velhacos, e no podem     t0]Crar O,5 t0105"
(M. DE MARIC).              ---0temor da morte  a sentinela da vida"
(ID.).           b) Indica a circunstncia de lugar donde, origem, ponto
de partida     dum movimento ou extenso (no tempo e no espao), a
pessoa ou coisa     de que outra provm ou depende, em sentido prprio
ou figurado e o     agente da passiva (por ser o ponto de partida da
ao), principalmente     com os verbos que exprimem sentimento e
manifestao de sentimentos:           "A maior parte dos erros em que
laboramos neste mundo provm da falsa defi-     nit7o, ou das no6es
falazes que temos do bem e do mal" (ID.).       "A doura e beleza das
mulheres parecem inculcar que so anjos e serafins que     (lesceram dos
cus e se humanaram. na terra" (ID.).       "Sancionada a virtude s
pela opinio pblica, ela desaparece da vida domstica     e de todos
aqueles lugares no vistos da multido" (A. HERCULANo, Fragmentos, 143).
OBsEavAo: Modernamente o agente da passiva se rege mais de por.
c) Indica a pessoa, coisa, grupo ou srie a que pertence ou de que
se salienta, por qualquer razo, o nome precedido de preposio:
"A credulidade e confiana de muitos tolos faz o triunfo de poucos
velhacw~ (M.     D1,. MARIC).         d) Indica a matria de que uma
coisa  feita:         I           .. .. ela s lhe aceitava sem
relutncia os mimos de escasso preo, como a cruz     de ouro, que lhe
deu, uma vez, de festas" (M. DF, Assis, Brds Cubas, 54).         e)
Indica a razo ou a causa por que uma coisa sucede:         "O luxo,
como o fogo, devora tudo e perece de faminto" (M. DE MARIC).     Cantar
de alegria, morrer de medo.            f) Indica o assunto ou o objeto
de que se trata:           "Dizer-se de um homem que tem juizo  o maior
elogio que se lhe pode faze     (11. DE MARIC). 1           g) Indica o
meio, o instrumento ou modo, em sentido prprio ou     figurado:
"O esprito vive de fices, como o corpo se nutre de alimentos" (ID.).
h) Indica a comparao, hoje principalmente na expresso do que
So mais de trs horas.         I         289 #           i) Indica a
posio, o lugar:       "Sucede freqentes vezes admirarmos de longe o
que de perto desprezamos" (M.     DE MARIC).         j) Indica uma
coisa contida na outra:     Copo de leite (= o leite que o copo contm),
copo d'gua.         OBSERVAO: Pode-se dizer tambm: copo com leite,
com gua.         1) Indica o fim, principalmente com infinitivo
D-me de beber um copo d'gua.         m) Indica o tempo:
De noite todos os gatos so pardos.           n) ligando dois
substantivos, imediatamente ou por intermdio de     certos verbos,
serve para caracterizar e definir uma pessoa ou coisa:       "O homem de
juizo aproveita, o tolo desaproveita, a experincia prpria" (ID.).
Rua do Ouvidor.       OBSERVAO: Nas denominaes de ruas, escolas,
teatros e casas comerciais e em     circunstncias que tais se costuma
omitir a preposio sem que haja regra fixa para     tal critrio:
Avenida Rio Branco, Colgio Pedro li (mas Rua do Ouvidor).           o)
Indica o todo depois de palavras que significam parte:       A maioria
dos homens, um tero dos soldados, um punhado de bravos; um pouco
(ou uma pouca) de gua.       OBsERvAo: Depois dos comparativos maior,
menor, etc. pode ser substitudo     por entre: O maior de todos (=
entre todos).           p) Indica modo de ser, semelhana, e normalmente
vem precedendo     predicativo:      "Muitos figuram de Digenes, para
se consolarem de no poderem ser Alexandres"     (M. DE MARIC).
OBSERVAES:       La) Note-se a frmula  de com o sentido de  prprio
de: " da natureza hu-     mana que muitos homens trabalhem para manter
os poucos que se ocupam em pensar     para eles, instru-los e
govern-los" (ID.).       2.a) Em construo do tipo acusar de
negligente, presumir de formosa, "explicam-se     :geralmente pela
omisso de um verbo atributivo (ser, estar, etc.) ou pela fuso da
,construo do adjetivo com a de substantivo no mesmo lugar" (M.
BARRETo, De     -Gramtica, 2.a ed., 297). Acusar de negligente = acusar
de ser negligente, acusar de     :sua negligncia.         i         No
ocorre esta preposio nos seguintes principais casos           a) em
construes de tipo:           A primeira coisa que fiz foi vir a Madri
(e no foi de vir).         290         W_ #           b) "com os verbos
e adjetivos que significam afastamento ou dife-     rena, e com os que
envolvem a idia de aumento ou diminuio,     superioridade ou
inferioridade, a designao da medida que no tem     preposio" (1):
Aumentar um centmetro (e no aumentar de um).       Este nmero excede
aquele duas dezenas (e no excede de duas dezenas).       Mais novo
alguns meses (e no mais novo de alguns meses).           c) depois do
verbo consistir: a prova consiste em duas pginas mimeo-     grafadas (e
no consiste de duas).           NOTA FINAL: os puristas, sem maiores
exames, tm tachado de galicismo a     expresso de resto (= quanto ao
mais). Alm de usada por grandes escritores, tem     raizes no latim de
reliquo.         6)   Em         Denota:         1)
lugar onde, situao, em sentido prprio ou figurado:
"Formam-se mais tempestades em ns mesmos que no ar, na terra e nos
mares"     (M. DE MARIC).           OBSERVAO: Com alguns verbos, para
se exprimir esta circunstncia, se emprega     um pronome oblquo tono
em lugar da expresso introduzida por em: "Pulsa-lhe     (1= nele)
aquele afeto verdadeiro" (M. DE Assis). No me toque. Bateu-nos.
Mexeu-lhe.         2)                tempo, durao, prazo:
"Os homens em todos os tempos, sobre o que no compreenderam, fabularam"
(M. DE MAIUC).           OBSERVAO: Precedendo um gerndio, a
preposio em aparece nas circunstncias     de tempo, condio ou
hiptese: "Ningum, desde que entrou, em lhe chegando o     turno, se
conseguir evadir  sada" (R. BARBOSA).         3)        modo, meio:
Foi                   em pessoa receber os convidados.     Pagava em
cheque tudo o que comprava.     4)a nova natureza ou forma em que uma
pessoa ou coisa se converte,       disfara, desfaz ou divide:
"O homem de juizo converte a desgraa em ventura, o tolo muda a fortuna
em     misria" (ID.).         5)            preo, avaliao:
A casa foi avaliada em milhares de cruzeiros,         (1) EipiFANio
DiAs, GramdUca Elementar, 5 152, JLIO MOREIRA, Estudos 11, 46-47.
291 #         6) fim, destinao:         Vir em auxlio. Tomar em
penhor. Pedir em casamento.         OBSERVAO: Tem-se, sem maior exame,
condenado este emprego da preposi         em como galicismo. Tem-se
tambm querido evitar a expresso em questo, por se     ter inspirado
em modo de falar francs; mas  linguagem hoje comunssima e cor
infinitivo)         9) lugar para onde se dirige um movimento, sucesso,
em sentido prprio         Saltar em terra. Entrar em casa. De gro em
gro. Dar em doido (= chega         OB.svi- Xo: A lngua Dadro no
aceita este emprego com os verbos vir, chegar         preferindo a
preposio a: Ir  cidade; chegar ao colgio.         10) forma,
semelhana, significao de um gesto ou ao         mergulhando. ~ ."
(C. NETo apud. S. DA SiLvFiRA, Li6es, 506-7         Denota posio
intermediria no espao ou no tempo, em sentid(         ,,Entre o queijo
e o caf, demonstrou-me Quincas Borba que o sistema era         dest i
o da dor" (M. DE Assis, Brds Cubas, 301         Como as outras
preposies, rege pronome oblquo tnico, de modo         s e ode dizer
entre mim e ti., entre ele e mim, entre voc e mim, etc.     "'>-- -e
vens is nedir-me adoraes quando entre mim e ti est a cruz ensan-
As pessoas cultas evitam exemplos como entre eu e tu, entre eu e les
entre eles e eu e semelhantes. Deste ltimo, em que o pronome reto no
vem junto da preposio entre ocorrem alguns exemplos literrios que a
"Odeio toda a gente/ com tantas veras d'alma e to profundamente/, que
me     ufano de ouvir que entre eles e eu existe/ separao formal" (A.
F. DE CASTILHO, #         8) Para           Denota:         1) a pessoa
ou coisa em proveito ou prejuzo de quem uma ao  pra-       ticada
(objeto indireto ou complemento nominal):      "Aborrecemos o
absolutismo nos outros, porque o cobiamos para ns mesmos"     (M. DE
MARICA).      "A preguia nos maus  salutar para os bons" (ID.).
2) a pessoa a que se atribui uma opinio (objeto indireto):      "O
pedir para quem no tem vergonha  menos penoso que trabalhar" (ID.).
3) fim, destinao:       "a filha deu-me recomenda" para Capitu e para
minha me" (M. DE Assis apud     S. DA SiLvEiRA, Li6es, 509-b).
4) fim:      "O ambicioso, para ser muito, afeta algumas vezes no valer
nada" (ID.).         5) termo de movimento, direo para um lugar com a
idia acessria de       demora ou destino:
Foi para Europa.       OBSERVAO: Denota apeiias o lugar onde em
construes do tipo: Ele     agora para o Norte.         6) tempo a que
se destina um objeto ou ao, ou para quando alguma       coisa se
reserva:       "Faz para as matanas seis anos que voc justou comigo
uma porca por 4     moedas..." (CAmux), apud J. MoREiRA, Estudos, 11,
49).                     Vou a para as seis horas         9) Por (e
Per)           Denota:     1) lugar por onde, em sentido prprio ou
figurado:       "Tais eram as reflexes' que eu vinha fazendo, por
aquele Valongo fora, logo     depois de ver e ajustar a casa" (M. DF.
Assis, Brds Cubas, 190).         2) meio:       Puxar pelo palet, rezar
pelo livro, segurar pelos cabelos, levar pela mo, ler pelo
rascunho, contar pelos dedos, enviar pelo correio.         3) modo:
Repetir por ordem, estudar por vontade.      -Louvamos Por grosso, mas
censuramos por mido" (M. DE MARIC).         293 #         4)
distribuio:         Vrias vezes por dia.         5) diviso,
indicando a pessoa ou coisa que recebe o quinho:            Distribuir
pelos pobres, repartir pelos amigos, dividir por trs a herana.
6) substituio, troca, valor igual, preo:
Comer gato por lebre.       "O baro dizia ontem, no seu camarote, que
uma s italiana vale por cinco     brasileiras" (M. DE Assis, Brs
Cubas, 183).         7) causa, motivo:          "O amor criou o Universo
que pelo amor se perpetua" (M. Dz MAiuc).      "Muitos se abstm por
acanhados do que outros fogem por virtuosos" (ID.).         8) nos
juramentos e peties designando a pessoa ou cousa invocada para
firmar o juramento e para interceder.         jurar pela sua honra,
pedir pela sade de algum (ENFNio DIAS, Gramtica Ele-     mentar, 
163-b).         9) em favor de, em prol de:                    Morrer
pela ptria, lutar pela liberdade.         10)           tempo, durao:
"Qual  aquele que, assentado, por noite de luar e serena sobre uma
fraga ma-     rinha, no sente irem-se-lhe os olhos ... ?" (A HERCULANo,
Fragmentos, 159).         11)             agente da passiva:
"As mulheres so melhor dirigidas pelo corao do que os homens Pela
razo"     (M. DE MARICA).     12)depois dos nomes que exprimem
disposio ou manifestao de       disposio de nimo para com alguma
coisa-           "A paixo pelo jogo pressupe ordinariamente pouco amor
pelas letras" (M. DE     MARIC).           OBSERVAO: No procede mais
o ter-se como errnea a construo com por,     nestes casos, porque, no
portugus contemporneo, o uso de de se especializou no     sentido de
genitivo objetivo. No portugus de outros tempos, amor de Deus era
tanto o que consagramos a ele (genitivo objetivo) ou o que ele tem, o
que nos     consagra (genitivo subjetivo). Em lugar de amor pelas letras
dz-se tambm correta-     mente amor s letras. Quando nos casos de
gentvo objetivo e, 5correr ambigidade
OSCI     com o emprego da preposilo de, costuma-se substituir esr%reop
o por contra     (se o nome designa sentimento hostil) ou para com (se
o sentimento  benvolo):     Guerra contra os inimigos e respeito para
com todos.         294         W_ #         13)               fim (em
vez de para):           Iorcejava por obter-lhe a benevolncia, depois a
confiana" (M. DF Assis, Brs     Cubas, 194).     14)introduzindo o
predicativo do objeto direto, denota qualidade, estado       ou conceito
em que se tem uma pessoa ou coisa:         ele vir.         Ter
algum por sbio. Enviar algum por embaixador. Tenho por certo que
5 - CONCORDANCIA           Consideraes gerais. Chama-se concordncia
ao fenmeno gramatical     que consiste em o vocbulo determinante se
adaptar ao gnero, nmero     ou pessoa do vocbulo determinado.       A
concordncia pode ser nominal ou verbal. - Diz-se concordncia
nominal a que se verifica em gnero e nmero entre o adjetivo e o pro-
nome (adjetivo), o artigo, o numeral ou o particpio (vocbulos deter-
minantes) e o substantivo ou pronome (vocbulos determinados) a que
se referem:          "O capito rosnou alguma cousa, deu dous passos,
meteu a mo no bolso, sacou     um pedao de papel, muito amarrotado;
depois,  luz de uma lanterna, leu uma ode     horaciana sobre a
liberdade da vida martima,, (M. DE Assis, Brds Cubas, 65).
Diz-se concordncia verbal a que se verifica em nmero e pessoa entre
o sujeito (e s vezes o predicativo) e o verbo da orao:          "Os
outros no sabendo o que era, falavam, olhavam, gesticulavam, ao tempo
que     ela olhava s, ora fixa, ora mbil, levando a astcia ao ponto
de olhar s vezes para     dentro de si, porque deixava cair as
plpebras" (ID., ibid, 183).       "Chegando  rua, arrependi-me de ter
sado" (ID., ibid.).       "Eram 2 de novembro de 1512" (A. HERCULANO,
Fragmentos, 124).           A concordncia pode ser estabelecida de
vocbulo para vocbulo ou     de vocbulo para sentido. A concordncia
de vocbulo para vocbulo ser     total ou parcial (tambm chamada
atrativa), conforme se leve em conta     a totalidade ou o mais prximo
dos vocbulos determinados numa srie     de coordenao:
"Repeli-a, porque se me ofereciam vida e honra a troco de perptua
infmia"     (A. HERCULANO, EUriCO, 147).           O verbo ofereciam
concorda com a totalidade do sujeito composto:     vida e honra.
"porque entre ele e Suintila... estd o cti e o inferno" (ID., ibid.,
143).         295 #         Jk         I         I i ~           O verbo
est concorda, atrativamente, com o sujeito mais prximo     (o cu) da
srie coordenada o cu e o inferno.       ... via-se em todas as faces
pintado o espantoso e o terror" (ID., Fragmentos, 124).           O
verbo via e o adjetivo pintado concordam, por atrao, com o     sujeito
mais prximo da srie o espanto e o terror.       "Quando a educao, os
livros, e o sentir daqueles que nos odeiam, apagou em     nossa alma o
selo da cruz" (ID., ibid., 143).           O verbo apagou concorda, por
atrao, com o sujeito mais prximo     (o sentir daqueles) do sujeito
composto, ainda que este venha anteposto     ao verbo.       A
concordncia de vocbulo para sentido se diz ainda concordncia     "ad
sensum" ou silepse :       "A plebe vociferava as mais afrontosas;
injrias contra D. Leonor: e se chegassem     a entrar no pao, ela sem
dvida seria feita pedaos pelo tropel furioso" (ID., ibid, 41).
O verbo vociferava concorda com o sujeito plebe que, sendo um cole-
tivo, pde, pelo seu sentido de plural, levar ao plural o verbo
chegassem.       "Era gente colectcia, muitos, acaso, sem ptria da
guerra, e por isso pouco     habituados a resignar-se com as vrias e
tediosas fases de um assdio" (ID., apud     Fragmentos, 51).
O termo gente, de sentido coletivo,  o responsvel pela flexo mas-
culina de muitos e habituados, por se levar em conta a idia de soldados
contida no vocbulo gente.         Concordncia nominal     A -
Concordncia de vocbulo para vocbulo         a) H um s vocbulo
determinado.           O vocbulo determinante ir para o gnero e
nmero do vocbulo     determinado:       "Aflige-nos a glria alheia
contestada com a nossa insignificncia" (M. DE MARIC).       "Os bons
exemplos dos pais so as melhores lies e a melhor herana para os
filhos" (ID.).       "Eu amo a noite solitria e muda" (G. DIAS, Obras
Poticas, 1, 314).       Eu estou quite. Ns estamos quites.         b)
H mais de um vocbulo determinado.           Observar-se-o os
seguintes casos:         1.0) Se os vocbulos determinados forem do
mesmo gnero, o vocbulo        determinante ir para o plural e para o
gnero comum, ou concor-         Male #         r-            dar,
principalmente se vier anteposto, em gnero e nmero com o        mais
prximo:           Amava no estribeiro-mor as virtudes e a lealdade
nunca desmentidos" (R. DA     SILVA, Contos e Lendas, 124).       "O tom
e gesto caricioso, com que ela dizia isto, no moveu medianamente o
esposo-     (CAMILO, Queda dum Anjo, 158).       "e os nossos Baslio e
Duro, bem assim o Sr. Magalhes..." (0. MENDES, Firglio
Brasileiro, 72) (1).         OBSF.RVAES:           1.a)  injusta a
crtica do gramtico E. Carlos Pereira (Gramtica Expositiva,     427,
3, nota) aos seguintes exemplos: "... a mo esquerda, entre cujos ndice
e     polegar pendia o pergaminho_" (A. HERCULANO, M. de Cister, 11, 24)
e "... pelas     exigncias cada vez maiores destas devoradas e
insacidveis fome e sede de leitura" (A.     F. DE CAsTiLHo, Fastos, 1,
315).       2.a.) Precedendo um substantivo (ttulo ou prenome), ocorre
o plural: Os irmos     Pedro e Paulo. Os apstolos Barnab e Paulo.
2.0)Se os vocbulos determinados forem de gneros diferentes, o voc-
bulo determinante ir para o plural masculino ou concordar em
gnero e nmero com o mais prximo:           "Vinha todo coberto de
negro: negros o elmo, a couraa e o saio" (A. HERCULANO,     rurico,
107).       "Como se um grande incndio devorasse as brenhas e os
carvalhais antigos" (ID.,     ibid., 86).      "Caiada a natureza, a
terra e os homens" (G. DIAS, Obras Poticas, 1, 315).
OBSERVAO: Por uma questo de agrado auditivo (eufonia), prefere-se que
numa srie de vocbulos determinados de gneros diferentes ~ida de
vocbulo     determinante no masculino plural, venha o determinado
masculino em ltimo lugar.         c) H um s vocbulo determinado e
mais de um determinante.           O vocbulo determinado ir para o
plural ou ficar no singular, sendo,     neste ltimo caso, facultativa
a repetio do artigo: As literaturas brasi-     leira e portuguesa ou A
literatura brasileira e portuguesa ou A literatura     brasileira e a
portuguesa.           " e os cronistas tudense e toledano fazem comeada
a luta dos dous reis depois     daquele consrcio" (A. HERCULANO, H. de
Portugal, 111, 86).       "Li um anncio, convidando mestra de lnguas
inglesa e francesa para o colgio"     (CAMILO, A Queda dum Anjo, 128).
(1) Comenta com razo SouSA DA SILVEM (Trechos Seletos, 251 da 4.a ed.):
"O possessivo     no plural, determinando dolo substantivos do singular,
e evitando assim o Impreciso de "o nosso     Baslio e Durgio" e o
pesado de "o nosso Baslio e nosso Duro". Cf.: "Os mesmos Pitt e Napo-
lelo, apesar de precom, no foram tudo aos vinte e um anos" (M. oz Aim,
Papis     Avulsos, 88).         297 #         B - Concordncia de
vocbulo para sentido.           O vocbulo determinante pode deixar de
concordar em gnero e     nmero com a forma do vocbulo determinado
para levar em considera-     o, apenas, o sentido em que este se
aplica: o (vinho) champanha, o (rio)     Amazonas.           Entre os
diversos casos desta concordncia pelo sentido aparecem os
seguintes:         1) as expresses de tratamento do tipo de V. Ex.a, V.
S.a, etc.:             V. Ex.a  atencioso (referindo-se a homem)
{ atenciosa (referindo-se a mulher)           2) a expresso a gente
aplicada a uma ou mais pessoas com incluso     da que fala:
"Pergunta a gente a si prprio (refere-se a pessoa de sexo masculino)
quanto     levaria o solicitador ao seu cliente por ter sonhado com o
seu negcio" (PINHEIRO     CHAGAS apud Mmo BAwaTo, Vitimos Estudos,
413) (1).           3) o termo determinado  um coletivo seguido de
determinante em     gnero ou nmero (ou ambos) diferentes:
"Acocorada em torno, nus, a negralhada mida, de dois a oito anos" (H.
DE     CAMPOS, Memrias, 84).           Note-se que acocorada e mida
concordam com a forma gramatical     de negralhada, enquanto nus o faz
levando em conta o seu sentido     grupo de negrinhos de dois a oito
anos).           4) o vocbulo determinado aparece no singular e mais
adiante o     determinante no plural em virtude de se subentender aquele
no plural:       "No compres livro somente pelo ttulo: ainda que
paream bons, so muitas     vezes pssimos" UOO RIBEIRO, Gramtica
Portuguesa, 321).       "Mas no nos constou em que ano comeou nem
quantos esteve com ele" (FR.     LUIS DE SOUSA apud Joo RIBELRO, ibid.)
(2).         C - Outros casos de concordncia nominal.           1) Um e
outro, nem um nem outro. - Com um e outro, nem um     nem outro pe-se
no singular o determinado (substantivo), e no plural     ou singular o
verbo da orao, quando estas expresses aparecem como     sujeito:
(1) Est correto neste caso tambm o emprego da concordricia com a
forma gramatical     do vocbulo determinado: "Com estes leitores assim
previstos, o mais acertado e modesto      a gente ser sincera" (CAmmo
apud M. BARRETO, ibid., 411).       (2) Pode ocorrer a aparente
discordricia entre um nome e um pronome: "Lus escreveu     uma ode
admirvel como sabia escrev-las" (Joo RiBirao).         298 #
Ir"-         "Parou um momento e, olhando para um e outro lado,
endireitou a carreira         IA. HERCULANO, Eurico, 107).
---Masuma e outra cousa duraram apenas rpido instante" (ID., ibid.,
218).         Com nem um nem outro  de rigor o singular para o
substantivo e verbo:         em um ne outro livro merece ser lido.
Se as expresses um e outro, nem um nem outro se aplicarem a nomes
de gneros diferentes,  mais comum o emprego das formas masculinas:
"Ali teve el-rei escondido algum tempo, e l comearam os seus amores
com     rainha, que to fatais foram para um e outro" (A. HERCULANO,
Fragmentos, 35).       "Renousavam bem Derto um do outro a matria e o
esprito" (ID., Eurico, 44)           2) Mesmo, prprio, s. C  d
om. o vocbulo determinado     em gnero e nmero: ,         Ele mesmo
disse a verdade. Ela mesma disse a verdade.         Elas prprias foram
ao local         xTA- no estamos ss         "Eles ss se encaminham
para essa parte...         " (A. HERCULANO, EUriCO, 153).           Em
lngua literria, ocorre o adjetivo s varivel onde no colquio se
prefere usar do advrbio s, portanto invarivel:         .1
iJA   A                 . - -*- lutar no seu rosto com         as rosas
da mocidade" (A. F. GASTILHO, Revista Lisbonense, rt.0 24).
Mesmo, alm de se empregar na idia de identidade (= em pessoa)
aparece ainda como sinnimo de prprio, at :         "ao mesmo demnio
se deve fazer Justia, quando ele a tiver" (Pe. ANTNIO VIEIRA
apud EPIFNto DIAS, Sintaxe Histrica,  86-a).         agora (aqui
mesmo, j mesmo, agora mesmo) tacilitaram. o aparec me .. o     moderno
do vocbulo como advrbio, modo de dizer que os puristas con-
P  -1       "... vaidosos de seus apelidos, mas     de imitarem seus
avoengos" (CAMILO, O           3) Leso. -  adjetivo, e no forma do
verbo lesar, em construe     de tipo: crime de lesa-ptria, crime de
leso-patriotismo. Por isso h de         concordar com o seu determinado
em gnero e nmero:         ---o - a substncia no fosse J um crime de
leso-gosto e lesa-seriedade ainda         por cima as pernas saam sobre
as botas" (CAMILO, Queda dum Anjo, 83)           (1) O mesmo Camilo
reprovou a um amigo tal prtica de linguagem: "Se fizeres terceira
edio deves purific-la das palavras mesmo como advrbio, posto que
tenhas um exemplo em     CAmrs e                               tros em
D. FRANCISCO MANUEL DE MELO" (Correspondncia   Ia11 167 #     #
4 Anexo. - Anexo, como adjetivo, concorda com o vocl)ulo deter-
mio em gnero e nmero:         Correm anexos aos processos vrios
documentos.     Vai anexa a declarao solicitada.           5) Meio. -
Como numeral, concorda em gnero e nmero com o     vocbulo determinado
claro ou oculto:           "Para aquilatar a importncia do tropeiro,
basta lembrar que o Brasil tem cerca     de oito e meio milhes de
quilmetros quadrados de superfcie ... " (AFONso ARINOS,     Histria e
Paisagens, 102).         Era meio-dia e meia (i. : e meia hora).
6) Possvel. - Com o mais possvel, o menos possvel, o melhor pos-
sivel, o pior possvel, quanto possvel, o adjetivo possvel fica
invarivel,     ainda que se afaste do vocbulo Mais :         Paisagens
o mais possvel belas.     Paisagens o mais belas possvel.
Paisagens quanto possvel belas.           Com o plural os mais, os
menos, os piores, os melhores, o adjetivo     possvel vai ao plural:
Paisagens as mais belas possveis.         Esto erradas concordncias
como         paisagens as mais belas possvel.         Fora destes
giros, a concordncia de possvel se processa normalmente:           "As
alturas e o abismo so as fronteiras dele: no meio esto todos os
universos     Possivei0 (A. HERCULANO, Fragmentos, 160).           7) A
olhos vistos. -  tradicional o emprego da expresso a olhos     vistos
no sentido de claramente, visivelmente, em referncia a nomes femi-
ninos ou masculinos:           "... padecia calada e definhava a olhos
vistos" (M. DF, Assis, Papis Avulsos,     13, apud. Tradies
Cldssicas, 370).           Mais rara, porm correta,  a concordncia de
visto com a pessoa ou     coisa que se v:           "As minhas foras
medravam a olhos vistas de dia para dia" (CASTILHo apud C.     RiBEixo,
Seres Gramaticais, 554).       "O baro desmedrara a olhos visto"
(CAmiLo, apud Joo CuRioso, Camilo, 32).         300 #         lpp~
i           8)  necessrio pacincia. - Com as expresses do tipo 
necessrio,      bom,  preciso, o adjetivo pode ficar invarivel
qualquer que seja o     gnero e o nmero do vocbulo determinado,
quando se deseja fazer uma     referncia de modo vago ou geral:
 necessrio pacincia.            possvel ainda, em tais casos,
aparecer no singular o prprio verbo     da orao:       " doce ao
velho       Sons d'argentina voz" (G. DIAS apud S. SILVEIRA, Lies de
Portugus, 254).           9) Alguma coisa boa ou alguma coisa de bom. -
Em alguma coisa     boa o adjetivo concorda com o vocbulo determinado:
"Quem tivesse reparado em Fr. Vasco perceberia facilmente que na sua
alma se     passava tambm alguma cousa extraordinria" (A. HERCULANO
aputi M. BARRETO,     Factos, 144).           Em alguma coisa de bom no
concorda com coisa, sendo empregado     neutralmente (como algo de novo,
nada de extraordinrio, etc.).       Por atrao pode-se fazer a
concordncia do adjetivo com o vocbulo     determinado que funciona
como sujeito da orao:           "Que tinha pois, Ricardina, de
sedutora ?" (CAMiLo apud, M. BARRETO, Op.     laud., 146).       "Amor
prprio do vilo; que a infmia nada tinha de engenhosa" (ID., ibid.).
10) Um pouco de luz e uma pouca de luz. - Ao lado da construo
normal um pouco de gua pode ocorrer a concordncia atrativa uma
pouca de luz, por se haverem fundido numa s expresso as duas seguintes
maneiras de dizer: pouco de luz + pouca luz (1):          "e aos ps
deles os fiis que obtinham para ltima jazida uma pouca de terra. .
(A. HFRCULANO, Eurico, 154).           11) Concordncia do pronome. - O
pronome, como vocbulo deter-     minante, concorda em gnero e nmero
com o vocbulo determinado.       Emprega-se o pronome oblquo os em
referncia a nomes de diferentes     gneros:       "A generosidade, o
esforo e o amor ensinaste-os tu em toda a sua sublimidade"     (A.
HERCULANO, ibid., 35).           12) Ns por eu, vs por tu. -
Empregando-se vs em referncia a     uma s pessoa, pe-se no singular
o adjetivo:       -Sois injusto comigo" (A. HERCULANO apud EMNio DIAS,
Sint. Hist, 14-b).         (1) D-se ao fenmeno o nome de contaminao
ou cruzamento sinttico. Cf. pg. 331.         301 #         1, , 1
Ao se empregar, em idnticas condies, o pronome ns, o adjetivo
pode ficar no singular ou ir ao plural:           Antes sejamos breve
que prolixo.       "Entre o desejo de alimentar a curiosidade do leitor
e o receio de faltar  exao     histrica, hesitvamos perplexos" (A.
HERCULANO, ibid.).           13) Alternncia entre adjetivo e advrbio.
- H casos em que a     lngua permite usar ora o advrbio (invarivel)
ora o adjetivo (vari"Vamos a falar srias"(CAMiLo apud. M. BARRETo,
Novos Estudos, 265) (adjetivo).                   Vamos a falar srio
(advrbio).           "Os momentos custam caros" (R. DA SILVA, ibid.)
(adjetivo).                 Os momentos custam caro (advrbio).
"Era esta a herana dos miserveis, que ele sabia no escassearem na
quase soli-     tra e meia arruinada Cartia" (A. HERCULANO, EUriCO,
12).           A distino entre adjetivos e advrbios s se d
claramente quando     o vocbulo determinado est no feminino ou no
plural, onde a flexo nos     leva a melhor interpretar o termo como
adjetivo.       Notemos, por fim, que alerta  rigorosamente um advrbio
e, assim,     no se deve flexionar:         Estamos todos alei-ta.
H uma tendncia para se usar deste vocbulo como adjetivo, mas     a
lngua padro recomenda se evite tal prtica.           14) Particpios
que passaram a preposio e advrbios. - Alguns     particpios passaram
a ter emprego equivalente a preposio e advrbio     (como, por
exemplo, exceto, salvo, mediante, nio obstante, tirante, etc.)     e,
como tais, normalmente devem aparecer invariveis. Entretanto, no
se perdeu de todo a conscincia de seu antigo valor, e muitos escritores
procedem  concordncia necessria:       ,, Os tribunais, salvas
excees honrosas, reproduziam... todos os defeitos do sis-     tema"
(R. DA SILVA, Histria de Portugal, IV, 67).       "A iazo desta
diferena  que a mulher (salva a hiptese do cap. ci e outras)
entrega-se por amor. . . " (M. DE Assis, Brs Cubas, 327).
Como bem pondera Epifnio Dias, flexionar tais vocbulos       "
expressar-se na verdade com correo gramatical, mas de modo desusado"
(Sint.     histrica, % 220-a).           15) A concordncia com
numerais. - Quando se empregam os car-     dinais pelos ordinais, no
ocorre a flexo:                   Pgina um. Figura vinte e um.
OBsER%Ao: Na linguagem jurdica diz-se: A folhas vinte e uma. A folhas
quarenta e duas.         302         r" #         CotirnrdAncia verbal
A - Concordncia de vocbulo para vocbulo         a) H um s sujeito
que seja um coletivo:         1) Se o sujeito for simples e singular, o
verbo ir para o singular, ainda         "A vida tem uma s entrada: a
sada  por cem portaC (M. DE MARIC)         2) Se o sujeito for
simples e plural, o verbo ir para o plural:            "Os bons
conselhos desprezados sdo com dor comemorados" (ID.).         "A virtude
aromatiza e purifica o ar, os vcios o corrompem" (ID.).         "Povo
sem lealdade no alcana estabilidade" (ID.).         b) Hd mais de um
sujeiu         Se o sujeito for composto, o verbo ir, normalmente, para
o plural,         qualquer que seja a sua posio em relao ao sujeito:
*'... os dios civis, as ambies, a ousadia dos bandos e a corrupo
dos costu     liaviam feito incrveis progressos" (A. HEILCULANo,
Eurico, 21).         "Repeti-as, porque se me ofereciam vida e honras a
troco de perptua infncia"         (ID., ibid., 144).         i
ORSERVACUS:           1 a) Pode dar-se a concordncia com o ncleo mais
prximo, principalmente se     sujeito vem depois do verbo: "O romeiro 
livre como a ave do cu: respeitam-no o     besteiro e o homem d'armas:
d-lhe abrigo o vilo sob o seu colmo, o abade no         2.a) Quando o
ncleo  singular e seguido de dois ou mais adjuntos     verbo no
plural, como se tratasse na realidade de sujeito composto:
"ainda quando a autoridade paterna c materna fossem delegadas..." (A.
GARRETT,           3.a) Nas obras com mais de um autor adota-se
modernamente o hbito alemo     de se indicar a autoria com os nomes
separados por hfen, caso em que o verbo da     orao vai ao plural ou
ao singular (levando-se, neste caso, apenas em conta a obra     em si):
Meillet-Ernout dizem (ou diz) no seu Dictionnaire Etymologique - que a
Quando o sujeito simples  constitudo de nome ou pronome que     se
aplica a uma coleo ou grupo, pode o verbo ir ao plural. A lngua
moderna impe apenas a condio esttica, uma vez que soa geralmente #
Se houver, entretanto, distncia suficiente entre o sujeito e o verbo
e se quiser acentuar a idia de"plural do coletivo, no repugnam 
sensi-     bilidade do escritor exemplos como os seguintes:
"Comeou ento o povo a alborotar-se, e pegando do desgraado ctico o
arrastaram     at o meio do rossio e ali o assassinaram, e queimaram,
com incrvel presteza" (A. HER-     CULANo, Fragmentos, 83).       "Faa
como eu: lamente as misrias dos homens, e viva com eles, sem
participar-lhe     dos defeitos; porque, meu nobre amigo, se a gente vai
a rejeitar as relaes das famlias,     justa ou injustamente
abocanhadas pela maledicncia, a poucos passos no temos quem     nos
receba" (CAMILO, A Queda dum Anjo, 64).         C - Outros casos de
concordncia verbal.         1) Sujeito constitudo por pronomes
pessoais.           Se o sujeito composto  constitudo por diferentes
pronomes pessoais     em que entra eu ou ns, o verbo ir para a 1.a
pessoa do plural:           "vnhamos da missa,ela, o pai e eu" (M. nF,
Assis, Brds Cubas, 309).           Se na srie entra tu ou vs e nenhum
pronome de 1,a pessoa, o verbo     ir normalmente para a 2.a pessoa do
plural:           "E, assim, te repito, Carlota, que Francisco Salter
voltar, ser teu marido, e     tereis (i. , tu e ele) larga
remunerao dos sofrimentos que oferecerdes a Deus. . . "     (CAMILO,
Carlota Angela, J9).           OBSERVAO: ou porque avulta como idia
principal o ltimo sujeito ou porque,     tia lngua moderna, vai
deiaparecendo o tratamento vs, pode, nestes casos, o verbo     aparecer
na 3.a pessoa do plural:           "quando tu e os outros velhacos da
tua laia lhe estorroaram na cara lixo e terra.. .     (A. HERCULANO,
Monge de Cister, 1, 152, apud S. ALI, Gram. Histrica, 11, 69).
2) Sujeito ligado por srie aditiva enftica.           Se o sujeito
composto tem os seus ncleos ligados por srie aditiva     enftica (no
s... mas, tanto ... quanto, no s... como, etc.), o verbo     concorda
com o mais prximo ou vai ao plural (o que  mais comum     quando o
verbo vem antes do sujeito):       "Tanto o lidador como o abade haviam
com toda a precauo" (A. HERCULANO, O Bobo, 184).         3) Sujeito
ligado por com.         seguido para o stio que ele parecia buscar
Se o sujeito no singular  seguido de outro no singular ou no plural
atravs da preposio com, pode o verbo ficar no singular, ou ir ao
plural     para realar a participajo simultdnea na ajo :         304
#         Ir-           "El-rei, com toda a corte e toda a nobreza,
estava fora da cidade, por causa     peste em que ento Lisboa ardia"
(A. HERCULANO, Fragmentos, 84).       "Estas exDlica~ no evitaram nue o
desembar dor --                                        1  O5"us
prognosticassein o derrancamento, do morkado da Agra..." (CAMILO, A
Queda dum     Avio, 108).           Em lugar de com pode aparecer outra
expresso de sentido aditiv       "Nesta conjuntura, um deputado dileto
da rainha, por nome Antnio Jos da     Silva Peixoto, coadjuvado pele
foliculdrio Jos Acrsio das Neves, levantaram-se     prorromperam em
"vivas"... (CAMILo apud. M. ~RETO, Novos Estudos, 206).         4)
Sujeito ligado por nem. .. nem.           O sujeito composto ligado pela
srie aditiva negativa nem ... nem     1.--- ^     11
1         --- o norma mente ao niural e, as vezes ao singular:
" a nobre dama recm-chegada,  qual nem o cansao de trabalhosa
jornada,     nem o hbito dos cmodos do mundo puderam impedir..." (A.
HERCULANO, Eurico, 136).       ... "nem Deus, nem o mundo lhes dar a
mnima recompensa" (ID., Fragmen-     tos, 16).         5) Sujeito
ligado por ou.           O verbo concordar com o sujeito mais prximo
se a conjuno     indicar:         a) excluso:           "a quem a
doena ou a idade impossibilitou de ganharem o sustento " (A
HERCULANO, Fragmentos, 16).         b) retificao de mmero gramatical
Xantares  o nome que o autor ou autores do Cancioneiro chama     dos
Nobres do a cada um dos poemetos.         c) identidade ou eauivalncia
:         " (ID., O Bobo, 131)         O professor ou o nosso segundo
pai merece o respeito da ptria           Se a idia expressa pelo
predicado puder referir-se a toda a srie o     sujeito composto, o
verbo ir para o plural:          "A nulidade ou a validade do
contrato... eram assunto de direito civil"     HERCULANO, apud
Fragmentos, 20).         6) Sujeito representado por expresso como a
maioria dos homens.           Se o sujeito  representado por expresses
do tipo de a maioria de,     a maior parte de, grande parte de, parte de
e um nome no plural, o verbo     ir para o singular ou plural:
11 a maior parte deles recusou segui-lo com temor do poder da regente"
(A,     HERCULANO, Fragmentos, 38). #         7) A concorddncia do verbo
ser.           a) Se o sujeito  constitudo por um dos pronomes isto,
isso, aquilo,     tudo e o verbo da orao  ser seguido de predicativo
no plural, o verbo     vai para o singular ou plural, sendo este ltimo
caso o mais freqente-         "A ptria no  ningum: sgo todos" (RUI
BARWSA, Discurso no Colgio Anchieta, 11).     "Justia  tudo, justia
 as virtudes todas" (A. GAR=, Educao, 45).           b) Se o sujeito
denota pessoa, o verbo ser concorda com o sujeito,     qualquer que seja
o nmero do predicativo:         Ela era as preocupaes do pai.
c) Se o sujeito da orao que denota identificao  expresso por
substantivo e o verbo  ser seguido de pronome pessoal, o verbo concorda
em nmero e pessoa com este ltimo-         Os responsveis somos ns.
d) Nas oraes interrogativas iniciadas pelos pronomes quem, que, o
que, o verbo ser concorda com o nome ou pronome que vier depois:
O que so comdias P (CAMJLO, A Queda dum Anjo, 40).     Quem eram os
convidados?           e) Nas oraes em que aparecem expresses como 
muito,  pouco,      mais de,  tanto seguidas de determinao de
preo, medida ou quanti-     dade, o verbo ser  empregado no singular:
Trs mil cruzeiros  pouco pelo servio.          473).           f)
Nas oraes que exprimem horas, datas, districias, o verbo ser
concorda com a expresso numrica:         "Eram quatro de agosto,
quando se encontraram" (A. HERCULANo, FragmenIns. 70).
Da cidade  ilha so vinte quilmetros.                 "Eram as horas
da treva profunda" (ID., Eurico, 52).         Com a expresso perto de
se encontra s vezes o singular-     "Era perto de duas horaV (M. DE
Assis, apud S. SILVEMA, Li6es de Portugus,           g) Na expresso
era uma vez um rei, que introduz narraes, pode-%-e     considerar o
verbo como intransitivo (com sujeito um rei), ou como     transitivo
direto sem sujeito (= havia uma vez um rei). No primeiro     caso, o
verbo concorda com o sujeito se no houver a expresso uma vez :
M as:         Era um rei.     Eram um rei e uma rainha.         Era uma
vez um rei e uma rainha.         306             T         8) A
concorddncia com mais de um.           Depois de mais de um o verbo  em
geral empregado no singular         "... mais de um poeta tem
derramado..." (A. HERCULANO, Fragmentos, 155)         "Mais de um
corao de guerreiro batia apressado_" (ID., ibid, 169).     "Sei que h
mais de um que no se envergonharam dela" (ID., ibid.).           Nas
oraes exclamativas com que de (= que quantidade de) seg     de
substantivo no Dlural o verbo vai ao plural:           Se o sujeito for
constitudo de um pronome plural de sentido partitivo     (quais,
quantos, algumas, nenhuns, muitos, poucos, etc.), o verbo con
corda com a expresso Partitiva introduzida Dor de ou dentre :
"Quais dentre vs... sois neste mundo ss e no tendes quem na morte
regu     com lgrimas a terra que vos cobrir? Quais de vs sois, como
eu, desterrados no meio         do gnero humano? (A. HERCULANO, Eurico,
188-9).         "quantos dentre vs estudam conscienciosamente o
passado?" UOS DE ALENCAR           a) Se o sujeito da orao,o pronome
relativo que, o verbo concorda     com o antecedente, desde aue este no
funcione como nredicativo de         "No gastava ele as horas que lhe
sobeia m do erccio do seu laborioso minis.         trio numa obra do
senhor?" (A. HERCULANO, Eurico         18).         " tu, que tens de
humano o gesto e o peito" (CAMEs, Lusiadas, 111, 127).           b) Se
o antecedente do pronome relativo funciona como predicativo,     o verbo
da orao adjetiva pode concordat com o sujeito de sua principal     ou
ir para a 3.a pessoa (se no se quer insistir na Intima relao entre o
I         "j que no me  dado buscar-te, sers tu que virds lanar-te
nos braos do te         "Sou eu o primeiro que no sei classificar este
livro" (ID., ibid., 311).         'Irarnos dois scios, que entra m no
comrcio da vida com diferente cantal'         ~(M. uE Assis, apud S.
SILVFiRA, Li6es de Portugus, 461) #           c)  de rigor a
concordncia do verbo com o sujeito de ser nas expres-     ses de tipo
sou eu que, s tu que, foste tu que, etc. (era prtica da lngua     at
fins do sc. xviu usar um pronome demonstrativo como antecedente     do
relativo : sou eu o que, etc.):       "No fui eu que o assassinei" (A.
HERCULANO, apud SAID ALI, (.ram. Histrica,     11, 75).       "Foste tu
que me buscaste" (ID., bid.).           d) Se ocorrer o pronome quem, o
verbo da orao subordinada vai     para a 3.a pessoa do singular,
qualquer que seja o antecedente do relativo,     ou concorda com este
antecedente('):       "Eram as paixes, os vcios, os afetos
personalizados quem fazia o servio dos     seus poemas" (A. HERCULANO,
apud SAiD ALI, ibid., 77).       "s tu quem ds rumor  quieta noite,
s tu quem ds frescor  mansa brisa,       Quem dds fulgor ao raio,
asas ao vento,       Quem na voz do trovo longe rouquejas" (G. DiAs,
apud SAiD ALI, ibid.).           e) Em linguagem do tipo um dos.. . que,
o verbo da orao adjetiva     pode ficar no singular (concordando com
um) ou no plural (concordando     com o termo no plural), prtica,
alis, mais freqente.       "Este era um dos que mais se doam do
procedimento de D. Leonor" (A. HERCULANO,     Fragmentos, 37).       "Um
dos nossos escritores modernos que mais abusou do talento, e que mais
portentos auferiu do sistema..." (ID., ibid, 46).       O singular  de
regra quando o verbo da orao s se aplica ao seletivo um.     Assim
nos dizeres "foi um dos teus filhos que jantou ontem comigo", " uma das
tragdias de Racine que se representar hoje no teatro", ser incorreto
o emprego do     nmero plural; o singular impe-se imperiosamente pelo
sentido do discurso" (E.     CARNEIRO RIBEIRO, Redao do Projeto 763,
ed. 19055).         12) A concorddncia com os verbos impessoais.
singular:         Nas oraes sem sujeito o verbo assume a forma de 3.a
pessoa do                        H vrios nomes aqui.
Deve haver cinco premiados.                    No o vejo hd trs meses.
No o vejo faz trs meses.       OBSEMAO: Os exemplos literrios que
se encontram de tais verbos no plural     no ganharam foros de cidade:
"Houveram alguns que alumiados da graa do Esprito     Santo abraaram
o culto e a f de Cristo" (FILINTO EUSIO, Vida e Feitos dTI-Rei     D.
Manuel, 1, 20).       "Houveram coisas terrveis" (CAMiLo, apud. Joo
CURIOSO, Camilo, 1, 98.)           (1) Sobre esta ltima possibilidade
comenta SAro ALI: " fora de combater-se unia con-     cordncia que
no  mais do que o corolrio de um fenmeno de sintaxe histrica
portuguesa     fundada em sintaxe latina, tem desaparecido da linguagem
literria o emprego de quem com     verbo em 1.& e 2.4 pessoa, vigorando
todavia a antiga concordricia desde que se empregue     que em lugar de
quem" (op. laud.).         308 #         num&ica:         13) A
concordncia com dar (e sinnimos) aplicado a horas.           Se
aparece o sujeito relgio, com ele concorda o verbo da orao:
O relgio deu duas horas.         No havendo o sujeito relgio, o verbo
concorda com a expresso         No relgio deram duas horas.
14) A concordncia com o verbo na passiva pronominal.           A lngua
padro exige que o verbo concorde com o termo que a gra-     mtica
aponta como sujeito (Cf. pg. 104):                         Alugam-se
casas.                     Vendem-se apartamentos.
Fazem-se chaves.         15) A concordncia na locuo verbal.
Havendo locuo verbal cabe ao verbo auxiliar concordar com o
sujeito:          "Bem sei que me podem vir com duas objees que
geralmente se costumam faze?."     (Colquios Aldees, apud M. BARRETo,
Novos Estudos, 215).           Se se considera costumar' fazer como dois
verbos principais sem que     haja locuo verbal, o costumar ter como
sujeito a 2.a orao que, con-     siderada materialmente, vale como
substantivo do nmero singular (cf.     pg. 112, nota final):
"No se costuma Punir os erros dos sditos sobre,a efgie venervel dos
monarcas"     (R. DA SILVA, apud M. BARRETO, ibid.).         : . Assim
se poder dizer:         As estrelas                        parecem
brilhar (loc. verbal)           { parece brilharem ( = parece brilharem
as estrelas)           Em as estrelas parecem brilharem temos a
contaminao sinttica das     duas construes.           Com poder e
dever seguidos de infinitivo, a prtica mais generalizada     
considerar a presena de uma loc. verbal:           "Quando, porm, o
sentido determinar exatamente o sujeito verdadeiro, a con-     cordncia
no pode ser arbitrria. Ex.: Quer-se inverter as leis, e nunca
querem-se     inverter as leis. Neste caso  evidente que o nico
sujeito possvel.  inverter" (Jolo     RIBEiRo, Gramtica Portuguesa,
322).         309 #         J         16) A concordncia com a expresso
no (nunca) ... seno.           O verbo concorda com o termo que se
segue a seno :           "Ao aparecer o dia, por quanto os olhos podiam
alcanar, no se viam seno     cadveres" (A. HERCULANo, Fragmentos,
117).           O mesmo ocorre com no (nunca) ... que (do que): No se
viam     mais que cadveres.         17) A concorddneia com ttulos no
plural.           Geralmente se usa o verbo no Plural:           "Por
isso, as Cartas Persas anunciam o Esprito das Leis" (M. BARRETO, trad.
(ias     Cartas Persas, XII).         Com o verbo ser e predicativo no
singular pode ocorrer o singular:               "as Cartas Persas  um
livro genial..." (ID., ibid.).         18) A concordncia no aposto.
Quando ocorre o aposto resumitivO, atravs de tudo (nada, ningum,
etc.) o verbo concorda com este, e no com o sujeito-
Alegrias, tristezas, saudades, nada o fazia chorar.         6 - REGNCIA
Ao que dissemos no captulo sobre complementos verbais e nominais     e
emprego de preposio, cumpre acrescentar os seguintes principais casos:
1) Isto  para eu fazer. - Se a preposio seguida de pronome no
serve de introduzir este pronome (que funciona como sujeito), mas uni
infinitivo, usam-se as formas retas eu e tu, e no mim e ti
Isto  para mim (a preposio introduz o pronome).       Isto  para eu
fazer (a preposio introduz o infinitivo: isto , para que eu faa).
2) Pedir para. - O verbo pedir pede objeto direto de coisa pedida     e
indireto de pessoa a quem se pede-                   Pedi-lhe (obj.
indireto) um favor (obj. direto)           Se o objeto direto  licena
(ou equivalente), pode-se acrescentar uma     orao adverbial de fim
que indique o objetivo do pedido:                  Pediu-lhe licena
para sair (ou para que sasse)         310 #           Este objeto
direto licena pode calar-se, mas o sujeito de pedir s     mesmo do
verbo da subordinada:           A linguagem coloquial aproximou as
idias de pedir que algo acontea     (orao objetiva direta) e
trabalhar para que algo acontea (orao adver-         bial final),
passando a usar a Dreposio Para a introduzir a         seria objeto
direto do verbo Pedir:           Os gramticos ainda no aceitaram a
operao mental, apesar da     insistncia com que penetra na linguagem
das pessoas cultas. O novo modo     de expresso traz tambm uma
ambigidade, porque se fica sem saber qual         , na realidade, o
sujeito da orao subordinada. Ern:         custa-nos a dizer de pronto
se quem sai  o mesmo Antnio ou Jos. O     gramtico s considera a
expresso correta se o sujeito for Antnio, mas     a linguagem
coloquial constri o perodo como se o sujeito fosse Jos, pois
interDreta a oraco subordinada como obietiva direta: Antnio tiediu
Sob a alegao de que o objeto direto oracional no pode vir intro-
duzido por preposio (argumento, alis, fraco pelo que vimos na pgina
237)  que gramticos repudiam tal linguagem. Pode-se ver na construo
o para como posvrbio iniciando a orao objetiva direta para denotar o
3) Est na hora da ona beber gtw. - A possibilidade de se por o
sujeito de infinitivo antes ou depois desta forma verbal nos permite
dizer:           Este ltimo meio de expresso aproxima dois vocbulos
(a preposio     de e o artigo a) que a tradio do idioma contrai em
da, surgindo assim         construo normal que no tem repugnado os
ouvidos dos que melhor     conhecem e escrevem a lngua portuguesa.
Alguns gramticos viram a,     entretanto, um solecismo, pelo fato de
se reger de preposio um sujeito.     Na realidade no se trata de
regncia preposicional do sujeito, mas do     contato de dois vocbulos
que, por hbito e por eufonia, costumaram vir     incorporados na
pronncia. A lio dos bons autores nos manda aceitar #         ambas as
construes, de a ona beber gua e da ona beber gua. Que     a
contrao  possvel mostram-nos os seguintes exemplos:           " - .
. s voltou depois do infante estar proclamado regedor" (A. HERCULANO,
Frag-     mentos, 44); "Sabia-o, senhor, antes do caso suceder" (Itt.,
Lendas e Narrativas, 1, 267):     "se, por exemplo, me concederem um
monoplio do plantar couves, apesar das couves     serem uma das
espcies de legumes" (R. BARBOSA, apud PEDRo A. PINTO); "Pelo fato
do verbo restituir, numa das suas acepes, e entregar, em certos casos,
terem..." (E.     CARNEIRO RiBEiRo, Redao do Projeto do Cdigo Civil,
579); "tio caso do infinitivo     trater compl. direto" (EPIFNi
